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Re: [secularismo] [RN] O FUNDAMENTALISMO DOS NOVOS ATEUS - 2

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  • Alexandre Mello
    Me pareceu uma resposta covarde, do tipo Não foi isso que eu quis dizer ,quando obviamente foi isso sim... 2010/4/30 saudeinfo ... Me
    Message 1 of 8 , May 1, 2010
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      Me pareceu uma resposta covarde, do tipo "Não foi isso que eu quis dizer",quando obviamente foi isso sim...

      2010/4/30 saudeinfo <cetico@...>
       

      DESTAK, 30-04-2010

      O FUNDAMENTALISMO DOS NOVOS ATEUS - 2

      Há duas semanas, um artigo meu suscitou uma série de mensagens ao Destak e creio que convém retornar ao tema. O trecho em que afirmo que "um ateu truculento pode ser tão perigoso quanto um homem-bomba" foi, talvez, o que mais despertou controvérsia.

      O problema do homem-bomba é que a ânsia de explodir invariavelmente escolhe mal o alvo. O ato intolerante condena em massa, bem longe de ser justiça.

      É lícito abrir mão da religião, por opção pessoal.

      É condenável qualquer crime que seja cometido em nome de religião ou acobertado por instituições religiosas. Porque crime é sempre crime.

      É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões, desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da camisinha.

      E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico.

      Mas não é justo condenar, a priori, o sentimento religioso de alguém, uma crença que faz bem sem fazer mal aos outros.

      Conheço uma senhora enviuvada após um longo casamento de 66 anos. Enlutada, foi ver um médico e decidiu incluir uma receita de antidepressivos na sua já extensa lista de remédios.

      Por entender, sob sua ótica assumidamente católica, que "o fardo não é impossível de carregar", ela pediu, e o médico a liberou da medicação. "Tomo remédios demais", disse-me, sem que lhe falte dinheiro para eles. Suas longas orações a confortam da tristeza e poupam seu organismo de mais pílulas. Você condenaria o resultado só porque a alternativa não é científica? O ser humano tem necessidades metafísicas. Deu o "azar" de pensar, diferentemente de todos os outros animais, e por isso quer saber de onde vem, para onde vai e qual é a melhor forma de traçar esse percurso.

      Para pôr a vida em perspectiva, a humanidade já usou astrologia, psicanálise, drogas, filosofia, artes, trabalho, prazer, saúde, religião, ciência. Algumas respostas são mais precisas, outras são mais fantásticas. Constitucionalmente, a maioria delas está liberada.

      Se até o índio opta por continuar índio, é fácil entender que a evolução das respostas não seduzirá a todos. Portanto, mesmo que não se entenda a fé, respeitem-se as crenças individuais e aponte-se a mira corretamente para os crimes dos homens e das instituições. [i]

      http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,57086


    • Johnny
      Ai meu cú, PQP... Santamãezinha, culpar o ateísmo pelo quê? Fomos nós que perseguimos as bruxas queimando elas no fogo da Santa Inquisição; promovemos
      Message 2 of 8 , May 2, 2010
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        Ai meu cú, PQP... Santamãezinha, culpar o ateísmo pelo quê? Fomos nós que perseguimos as bruxas queimando elas no fogo da Santa Inquisição; promovemos cruzadas religiosas; dividimos as pessoas da religião branca e a religião do neguinho de magia negra, etc? Dane-se a moral absoluta cristão e toda essa merda religiosa. Nada disso protege ninguém, só os irmãos em Cristo. Fui.

        --- In secularismo@yahoogroups.com, Alexandre Mello <tuotomello@...> wrote:
        >
        > Me pareceu uma resposta covarde, do tipo "Não foi isso que eu quis
        > dizer",quando obviamente foi isso sim...
        >
        > 2010/4/30 saudeinfo <cetico@...>
        >
        > >
        > >
        > > DESTAK, 30-04-2010
        > >
        > > O FUNDAMENTALISMO DOS NOVOS ATEUS - 2
        > >
        > > Há duas semanas, um artigo meu suscitou uma série de mensagens ao Destak e
        > > creio que convém retornar ao tema. O trecho em que afirmo que "um ateu
        > > truculento pode ser tão perigoso quanto um homem-bomba" foi, talvez, o que
        > > mais despertou controvérsia.
        > >
        > > O problema do homem-bomba é que a ânsia de explodir invariavelmente escolhe
        > > mal o alvo. O ato intolerante condena em massa, bem longe de ser justiça.
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        > > É lícito abrir mão da religião, por opção pessoal.
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        > > É condenável qualquer crime que seja cometido em nome de religião ou
        > > acobertado por instituições religiosas. Porque crime é sempre crime.
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        > > É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões,
        > > desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da
        > > camisinha.
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        > > E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente
        > > sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de
        > > partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico.
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        > > Mas não é justo condenar, a priori, o sentimento religioso de alguém, uma
        > > crença que faz bem sem fazer mal aos outros.
        > >
        > > Conheço uma senhora enviuvada após um longo casamento de 66 anos. Enlutada,
        > > foi ver um médico e decidiu incluir uma receita de antidepressivos na sua já
        > > extensa lista de remédios.
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        > > Por entender, sob sua ótica assumidamente católica, que "o fardo não é
        > > impossível de carregar", ela pediu, e o médico a liberou da medicação. "Tomo
        > > remédios demais", disse-me, sem que lhe falte dinheiro para eles. Suas
        > > longas orações a confortam da tristeza e poupam seu organismo de mais
        > > pílulas. Você condenaria o resultado só porque a alternativa não é
        > > científica? O ser humano tem necessidades metafísicas. Deu o "azar" de
        > > pensar, diferentemente de todos os outros animais, e por isso quer saber de
        > > onde vem, para onde vai e qual é a melhor forma de traçar esse percurso.
        > >
        > > Para pôr a vida em perspectiva, a humanidade já usou astrologia,
        > > psicanálise, drogas, filosofia, artes, trabalho, prazer, saúde, religião,
        > > ciência. Algumas respostas são mais precisas, outras são mais fantásticas.
        > > Constitucionalmente, a maioria delas está liberada.
        > >
        > > Se até o índio opta por continuar índio, é fácil entender que a evolução
        > > das respostas não seduzirá a todos. Portanto, mesmo que não se entenda a fé,
        > > respeitem-se as crenças individuais e aponte-se a mira corretamente para os
        > > crimes dos homens e das instituições. [i]
        > >
        > > http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,57086
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      • saudeinfo
        ATEA.ORG.BR, 07-05-2010 ATEA RESPONDE AO JORNAL DESTAK Algumas semanas atrás, a Atea pediu direito de resposta ao jornal Destak
        Message 3 of 8 , May 7, 2010
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          ATEA.ORG.BR, 07-05-2010

          ATEA RESPONDE AO JORNAL DESTAK

          Algumas semanas atrás, a Atea pediu direito de resposta ao jornal Destak, motivada por um texto escrito por um de seus editores. Não somente esse direito nos foi negado, como o editor decidiu voltar ao assunto em nova diatribe. Publicamos aqui a resposta da associação a ambos os textos, trecho a trecho, começando hoje pelo primeiro deles. Se você concorda com esta crítica, pode enviar sua mensagem a  Márvio dos Anjos , pedindo-lhe direito de resposta.

           


          O fundamentalismo dos novos ateus

          Márvio dos Anjos 

          A crise dos pedófilos na Igreja e as recentes manifestações sobre o papel de Deus nas tragédias ambientais - que ecoam na seção de cartas deste Destak - opõem de novo a fé e seus críticos. O debate é saudável, desde que sem fundamentalismos, seja religioso... ou ateu. 

          Foi após Nietzsche que o ateísmo encontrou sua face mais triunfante e ganhou terreno como parte indispensável de um mundo em que Razão e Conhecimento, filhos gêmeos do Questionamento, impuseram-se como os caminhos rumo à Sabedoria. 

          Chegamos faz pouco ao ateísmo militante de Christopher Hitchens e Richard Dawkins, de vasta cultura e argumentação demolidora, determinados a expor a inutilidade da religião. Depois, nasce a espécie que chamo de "ateu fundamentalista": quem não vê qualquer valor na religião e opta por combatê-la, como se fosse a raiz de todos males da humanidade. Pior: virou moda. 

          Não é possível responder à crítica de que existe "fundamentalismo ateu" sem examinar a história do movimento fundamentalista. A palavra 'fundamentalista' começou a ser usada no sentido atual com a publicação de uma série de textos de protestantes norte-americanos apontando os fundamentos da fé cristã, no início do século passado. Entre muitos outros pontos, há uma série de cerca de cinco propostas, não completamente consensuais, em torno dos quais o movimento se reuniu. Eles geralmente incluem a inspiração divina e a inerrância dos originais bíblicos; o nascimento virginal e a divindade de Jesus; a doutrina da expiação dos homens através do sacrifício de Jesus; a ressurreição e o retorno corporais de Jesus, e por fim e a realidade histórica dos seus milagres. Não é à toa que fundamentalismo se tornou uma palavra pejorativa.

          Não é difícil ver que não há absolutamente nada de relevante em comum entre anticlericalistas fortes e os verdadeiros fundamentalistas. Estes valorizam a fé, enquanto aqueles se guiam pelo peso das evidências sobre os profundos efeitos negativos da religião. Os fundamentalistas são a quintessência da ortodoxia, e a ortidixia inexiste no ateísmo ou no anticlericalismo. E por fim, os fundamentalistas insistem em um credo essencial e indiscutível, o que também não possui qualquer correspondente nas suas alegadas contrapartes ateias.

          Assim, fundamentalismo ateu é um oxímoro, uma combinação logicamente impossível. Se o ateísmo é uma religião tanto quanto careca é uma cor de cabelo, então aparentemente querem fazer colar sobre nós a acusação de carecas desgrenhados. Simplesmente não faz sentido nenhum, a não ser nos lembrar que há pensamentos e comportamentos que só existem nos religiosos e que são considerados profundamente negativas quando levados a sério.

          Se os fundamentos do cristianismo (ou de qualquer outra religião fossem uma coisa boa, então fundamentalismo seria um elogio. Ninguém fala em "fundamentalistas da democracia" ou "fundamentalistas da justiça", porque entendemos que esses são valores a serem preservados. No caso do cristianismo, ao contrário, parece que ele só é tolerável se não for entendido nem praticado como ele realmente é, em seus fundamentos. Não deixa de ser um gol contra tentar xingar os ateus de coisas que só os religiosos podem ser.

          Quanto à "raiz de todos os males da humanidade", Richard Dawkins escreveu com todas as letras em Deus, um Delírio: "Desde o começo, eu não gostei do título. A religião não é a raiz de todo o mal, pois nenhum efeito isolado é a raiz de toda qualquer coisa" (a respeito do documentário A raiz de todo mal, que ele apresentou). Não sei de ninguém que afirme que a religião é a raiz de todo mal, portanto não precisamos nos defender dessa acusação. Parece que nosso crítico simplesmente não leu as ideias daqueles que com tanta veemência critica.

          A respeito da "moda" dos críticos da religião, perdoe-nos se agora podemos nos expressar sem sermos torturados, presos ou executados. O máximo que fazem conosco agora é nos chamar de criminosos, intrinsecamente maus e nos comparar a assassinos. 

           

          Que o fundamentalismo religioso é uma praga todos sabemos. De que uma educação religiosamente rígida pode ser extremamente destrutiva poucos duvidam. E a intolerância é mais gritante quando surge dos que seguem um líder cujo principal ensinamento era "amar o próximo" e até o inimigo. 

          Sim, fundamentalismo é uma praga, mas fundamentalismo religioso é uma redundância. Se não é religioso, ele tem pouco ou nada a ver com o fundamentalismo.  

          É uma questão puramente subjetiva determinar o principal ensinamento do personagem Jesus, mas podemos ao menos realizar algumas tentativas minimamente bem informadas. Os especialistas, século após século, vem definindo critérios muito diferentes para apontar quem são os mais legítimos, os mais verdadeiros seguidores de Jesus. O fundamentalismo foi exatamente uma dessas tentativas, e como já vimos, ali não figura o "amar o próximo", que também está flagrantemente ausente no credo niceno e em tantas outras afirmações da essência do que constitui exatamente ser cristão. 

          Ainda que "amar o próximo" fosse seu principal ensinamento, esse amor sem dúvida tem uma definição muito curiosa, pois não inclui "não escravizar o próximo", já que Jesus e seus seguidores sempre se pronunciaram favoravelmente à escravatura. Esse amor também implica a condenação a tormentos indizíveis pelo resto da eternidade a todos aqueles que utilizassem sua razão e senso crítico para duvidar da veracidade da mitologia cristã. Esse é um "amor" do qual podemos todos prescindir, e que tem tudo a ver com intolerância em seu verdadeiro sentido: a intolerância para com o próximo.

           

          Nada disso, porém, justifica ser intolerante com toda forma de religiosidade.

           Realmente, não é isso que justifica a intolerância contra toda forma de religiosidade. Muitos outros motivos justificam a intolerância contra toda forma de religiosidade, como por exemplo o fato de que praticamente todas essas formas são misóginas, homófobas, chauvinistas, drenam importantes recursos dos mais crédulos, oprimem os direitos sexuais e reprodutivos de adultos consensuais, desinformam os cidadãos e lutam contra o livre-pensamento e o desenvolvimento científico. 

          É essencial aqui perceber a diferença entre a intolerância verdadeira, e perniciosa, que se dá contra pessoas. Em contraposição a ela, nada há de errado em ser intolerante contra ideias que consideramos prejudiciais ao indivíduo e à sociedade. Na verdade, esperamos de pessoas de bem que sejam intolerantes contra o o totalitarismo, contra o nazismo, contra a censura. Propostas que prejudicam o indivíduo e a sociedade devem receber nada mais do que nossa intolerância -- significando apenas que não coadunaremos com elas, e que as denunciaremos com força onde quer que se apresentem. Isso é completamente diferente de ser intolerante contra indivíduos, discriminando-os, estimulando o ódio contra eles, e por fim comparando-os a criminosos, como fez Márvio dos Anjos e tantos outros antes dele.

           

          Um ateu truculento é tão perigoso quanto um homem-bomba. 
           
          Aqui se traça o abismo que existe entre os valores que Márvio promove e os nossos. Antes de tudo, que fique claro que a truculência a que ele se refere é puramente verbal. Truculento significa feroz, bárbaro, cruel. Nossa ferocidade se dirige apenas e tão-somente a ideias. Márvio condena os ateus anticlericalistas por suas barbaridades e crueldades perpetradas com... artigos, livros e discursos. Ele não se refere a discursos do tipo 'matem os infieis', 'os ateus são maus', ou 'os críticos da religião são piores do que assassinos', tão frequentemente ouvidos nos púlpitos religiosos. Não fazemos incitação a qualquer tipo de crime. Somos assassinos da fé e de outras péssimas propostas da religião. E para Márvio, matar a fé, ou machucá-la que seja, criticando-a no atacado, é tão perigoso quanto matar pessoas.
           
          Meditemos sobre isso por um instante. Pensemos nas milhares de pessoas mortas por homens-bomba, e naquelas que sobreviveram com seus corpos para sempre desfigurados. Lembremos de suas famílias, do sofrimento atroz por que eles e seus entes amados passarão pelo resto de suas vidas. Isso, para Márvio, não é tão perigoso como uma determinada forma de posição crítica com relação religião. A afirmação dele não é apenas um insulto torpe, mas um enorme desrespeito à dor de todos os atingidos por homens-bomba.
           
          Para mim, e para muitos outros ateus, se há uma coisa contra a qual devemos lutar é o sofrimento. Felizmente, essa preocupação está relativamente bem espelhada no sistema legal dos países civilizados: crimes contra as pessoas recebem penas pesadas, e crimes de consciência foram abolidos de todas as democracias. Já Márvio está mais preocupado em proteger ideias do que pessoas, o que está em plena contradição com os melhores princípios do jornalismo moderno. É de se estranhar que ele não deseje emigrar para o Irã, um dos muitos países onde os temíveis críticos truculentos da religião são condenados à morte, enquanto homens-bomba são preparados, financiados, encorajados e exaltados.
           
          Esse é mais um dos muitos males da religião: em nome de uma suposta moralidade, ela protege ideias acima dos humanos. É assim que ela luta contra a camisinha, contra o divórcio, contra os homossexuais, contra as mulheres, contra métodos de fertilização artificial, contra o planejamento familiar, contra a pesquisa científica, contra a laicidade do Estado, contra a crítica livre... Tudo isso causa enorme quantidade de sofrimento humano, que simplesmente não entra na conta. O que importa é defender as ideias sagradas. 
           
           
           
          Por mais revolta que causem a Igreja que acoberta pedófilos e os favelados que proclamam confiar em Deus para encurtar o papo e continuar a viver em áreas de risco, não se pode jogar tudo no mesmo saco. 
           
          Seria desonesto negar que há milhões que usam crenças religiosas como uma via pacífica para alcançar uma vida mais sábia, mais justa e, sim, mais feliz. 
           
          Ninguém nega isso. Esse fato não se contrapõe a nada do que dizem os críticos da religião. Dizer que uma coisa é má simplesmente não é o mesmo que dizer que tudo que resulta dela é mau. Afinal, nada é completamente ruim. Um exemplo: a morte é, no geral, uma coisa ruim, mas há coisas boas que podem resultar dela. Há diversas vantagens em morrer, como por exemplo o fato de que não precisamos mais pagar os impostos nem ir ao dentista. No entanto, não é coisa que eu recomende a ninguém. 
           
           
           
          O mal não vem da crença. Mas é óbvio que acobertar crimes ou justificar imprudências num manto de sacralidade torna tudo duplamente condenável. Este é o problema: à sombra das religiões, abrigam-se diferentes humanos - dos mais respeitáveis aos mais abomináveis e aproveitadores. Como em qualquer lugar. 
           
           O mal certamente não vem de qualquer crença. Mas vem de qualquer crença religiosa pois ela só se sustenta através da supressão do pensamento crítico. Com essa supressão, vende-se todo tipo de imoralidades e irracionalidades. Um dos muitos exemplos é a pregação de amar uma divindade mais do que aos seus colegas viventes. Não temos amor suficiente para desperdiçar com entidades imaginárias. Na prática, essa prescrição justifica todo tipo de atrocidades. A fé não dá respostas, ela só impede as perguntas. E isso é muito, muito mau. Sempre.
           
           
           
          Invalidar filosofias que pregam amor ao próximo, respeito à vida e busca honesta pela sabedoria - e, pior, acusar todos os seus adeptos de indivíduos irracionais - é impor uma tirania míope, baseada num preconceito tão vilão quanto a homofobia e o racismo. 
           
           Se pudéssemos descrever a religião pura e simplesmente como 'filosofias que pregam amor ao próximo', tudo estaria bem. Mas essas filosofias também estão cheias de incitação ao ódio edesprezo pela vida. A busca honesta pela sabedoria só pode acontecer eliminando-se a fé, que nada mais é do que recusar-se a pensar criticamente. A fé é um grande mecanismo para impedir qualquer correção de erros, uma receita certa para a ignorância. Não há absolutamente nada de preconceituoso aqui, apenas a avaliação cuidadosa das evidências. Incidentalmente, o grande promotor da homofobia e do racismo sempre foi a religião.
           
           
          Intolerância não é aceitável. Nem travestida de "justa vingança" nem de modernidade obrigatória.

          Sem dúvida. A intolerância contra pessoas é inaceitável. A intolerância contra idéias más, como a religião, é condição necessária do progresso e da felicidade.
          http://atea.org.br/index.php?view=article&catid=923:dia-a-dia&id=175:resposta-ao-jornal-destak&option=com_content&Itemid=104
        • saudeinfo
          Esta é a resposta da Atea ao artigo O fundamentalismo dos novos ateus (2), intercalada com o original. Se você concorda com ela, envie um email para Márvio
          Message 4 of 8 , May 8, 2010
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            Esta é a resposta da Atea ao artigo O fundamentalismo dos novos ateus (2), intercalada com o original. Se você concorda com ela, envie um email para  Márvio dos Anjos , e deixe um recado na página do artigo.

             


             O fundamentalismo dos novos ateus (2)

            Márvio dos Anjos

             

            Há duas semanas, um artigo meu suscitou uma série de mensagens ao Destak e creio que convém retornar ao tema. O trecho em que afirmo que "um ateu truculento pode ser tão perigoso quanto um homem-bomba" foi, talvez, o que mais despertou controvérsia. 

            O problema do homem-bomba é que a ânsia de explodir invariavelmente escolhe mal o alvo. O ato intolerante condena em massa, bem longe de ser justiça. 

            É lícito abrir mão da religião, por opção pessoal. 

            É condenável qualquer crime que seja cometido em nome de religião ou acobertado por instituições religiosas. Porque crime é sempre crime. 

            É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões, desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da camisinha. 

            E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico. 

            O problema do homem-bomba é que a ânsia de explodir invariavelmente escolhe mal o alvo. O ato intolerante condena em massa, bem longe de ser justiça. 


            É lícito abrir mão da religião, por opção pessoal. 

            É condenável qualquer crime que seja cometido em nome de religião ou acobertado por instituições religiosas. Porque crime é sempre crime. 

            É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões, desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da camisinha. 

            E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico. 

            É lícito abrir mão da religião, por opção pessoal. 


            É condenável qualquer crime que seja cometido em nome de religião ou acobertado por instituições religiosas. Porque crime é sempre crime. 

            É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões, desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da camisinha. 

            E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico. 

            É condenável qualquer crime que seja cometido em nome de religião ou acobertado por instituições religiosas. Porque crime é sempre crime. 


            É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões, desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da camisinha. 

            E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico. 

            É saudável debater à luz da razão os princípios e os dogmas das religiões, desde pagar o dízimo até o jejum no Ramadã, passando pela condenação da camisinha. 


            E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico. 

            E é lícito contestar politicamente qualquer instituição que se apresente sob cunho religioso, principalmente quando ela se manifesta com força de partido, a fim de estender princípios sacros a um Estado laico. 

            Mas não é justo condenar, a priori, o sentimento religioso de alguém, uma crença que faz bem sem fazer mal aos outros. 

            Talvez concordássemos se o sentimento e as crenças religiosas apenas fizessem bem, "sem fazer mal aos outros". Mas não é o caso, e por muitos motivos, vários dos quais o próprio Márvio reconhece. É o conjunto dos sentimento religiosos dos indivíduos que dá prestígio, poder e dinheiro a todas as coisas más que a religião faz, da mesma maneira que quem compra um produto feito com trabalho escravo apoia a escratura, querendo ou não.

            É esse sentimento religioso que movimenta o comércio de artigos religiosos, a indústria dos dízimos, e não apenas sustenta os púlpitos de onde os clérigos podem condenar o uso de camisinha, como lota sua audiência, nas igrejas, na tevê e na internet. E esse sentimento religioso vem entremeado à culpa sexual, à doutrinação de crianças inocentes, ao temor do inferno, à discriminação de mulheres, homossexuais, ateus e tantos outros males.

             

            Conheço uma senhora enviuvada após um longo casamento de 66 anos. Enlutada, foi ver um médico e decidiu incluir uma receita de antidepressivos na sua já extensa lista de remédios. 

            Por entender, sob sua ótica assumidamente católica, que "o fardo não é impossível de carregar", ela pediu, e o médico a liberou da medicação. "Tomo remédios demais", disse-me, sem que lhe falte dinheiro para eles. Suas longas orações a confortam da tristeza e poupam seu organismo de mais pílulas. 

            Como o autor sabe? Isso é puro achismo, evidentemente enviesado para provar o que ele quer. Estabelecer relações de causa e efeito em questões de saúde mental é uma tarefa extremamente difícil, em uma área em que existem muitas perguntas e poucas respostas. Correlações já são complicadas de se estabelecer, que dirá causações. 

            Se a viúva agora está melhor, isso é ótimo. Mas é exatamente o que se espera depois de passado algum tempo da morte do marido, especialmente se ela vive na mentira de que ele está bem, em algum lugar, esperando por ela. Como o autor sabe que são as orações que a deixaram melhor? E como ele sabe que ela não estaria melhor ainda se tivesse se submetido ao tratamento? Ele não sabe. Mas não deixa de fazer a afirmação mesmo assim, porque ele prefere vê as coisas como gostaria que fossem, ao invés de como realmente são. Esse é um dos muitos males da religião.

             

             
            Você condenaria o resultado só porque a alternativa não é científica? 
             
            Que resultado? Não sabemos se houve qualquer resultado. E ainda que tivesse havido, há bons motivos para condenar o uso da religião, como por exemplo o fato de que ela costuma impedir que seus adeptos percebam que, no mundo da psicologia humana, casos isolados de qualquer coisa não são evidência suficiente para se estabelecer regras gerais. E, por fim, ainda que houvesse uma regra geral aqui, o que está bem longe de ser estabelecido, para chegar a um veredito final a respeito da religião seria preciso pesar prós e contras. Caso típico é o das drogas, que fornecem prazer e bem-estar onde e quando se desejar, mas cujo preço é alto demais para que possam ser recomendadas a qualquer pessoa.
             
             
             
            O ser humano tem necessidades metafísicas.
             
            Essa é mais uma afirmação para a qual o autor certamente não tem evidências. Mas ainda que ele tivesse, o ser humano também tem necessidades de violência física e verbal. Será que isso significa que essa necessidade deve ser alimentada?
             
             
             
            Deu o "azar" de pensar, diferentemente de todos os outros animais, e por isso quer saber de onde vem, para onde vai e qual é a melhor forma de traçar esse percurso. 

            Para pôr a vida em perspectiva, a humanidade já usou astrologia, psicanálise, drogas, filosofia, artes, trabalho, prazer, saúde, religião, ciência. Algumas respostas são mais precisas, outras são mais fantásticas. 
             
             
            Sim. E algumas funcionam muito bem, como a ciência. Outras simplesmente não funcionam e ainda consomem preciosos recursos, enganando seus adeptos.
             
             
             
            Constitucionalmente, a maioria delas está liberada. 

            Se até o índio opta por continuar índio, é fácil entender que a evolução das respostas não seduzirá a todos. Portanto, mesmo que não se entenda a fé, respeitem-se as crenças individuais e aponte-se a mira corretamente para os crimes dos homens e das instituições.
             
            Mais uma vez, aparece aqui nossa diferença fundamental. Afirmamos que deve-se sempre respeitar indivíduos, coisa com o qual o autor não se preocupou, dizendo que alguns deles são piores do que violentos assassinos em massa. Mas não há qualquer motivo para se respeitar ideias, de qualquer tipo que seja, a não ser para satisfazer a sanha totalitarista de quem deseja controlar até o pensamento alheio, como costuma ser o caso dos religiosos. Vez após vez, é criticando ideias ruins até elas caírem que se deu o progresso científico e moral da humanidade. Mas parece que muita gente ainda não aprendeu essa lição e prefere mesmo fustigar homens e proteger ideias. Pobres de nós. [i]

            http://atea.org.br/index.php?view=article&catid=923:dia-a-dia&id=176:resposta-ao-jornal-destak-2&option=com_content&Itemid=104
          • Johnny
            É, faltou provar criminalidade (ou homens-bomba) x ateísmo, né.
            Message 5 of 8 , May 8, 2010
            • 0 Attachment
              É, faltou provar criminalidade (ou homens-bomba) x ateísmo, né.

              --- In secularismo@yahoogroups.com, "saudeinfo" <cetico@...> wrote:
              >
              >
              > ATEA.ORG.BR, 07-05-2010
              >
              > ATEA RESPONDE AO JORNAL DESTAK
              >
              > Algumas semanas atrás, a Atea pediu direito de resposta ao jornal
              > Destak
              > <http://atea.org.br/index.php?view=article&catid=923:dia-a-dia&id=172:at\
              > ea-pede-direito-de-resposta-ao-jornal-destak&option=com_content&Itemid=1\
              > 04> , motivada por um texto escrito por um de seus editores. Não
              > somente esse direito nos foi negado, como o editor decidiu voltar ao
              > assunto em nova diatribe. Publicamos aqui a resposta da associação a
              > ambos os textos, trecho a trecho, começando hoje pelo primeiro deles.
              > Se você concorda com esta crítica, pode enviar sua mensagem a
              > Márvio dos Anjos
              > <https://mail.google.com/mail/?view=cm&fs=1&tf=1&to=marviodosanjos@gmail\
              > .com> , pedindo-lhe direito de resposta.
              >
              >
              > O fundamentalismo dos novos ateus
              > Márvio dos Anjos
              >
              > A crise dos pedófilos na Igreja e as recentes manifestações sobre
              > o papel de Deus nas tragédias ambientais - que ecoam na seção de
              > cartas deste Destak - opõem de novo a fé e seus críticos. O
              > debate é saudável, desde que sem fundamentalismos, seja
              > religioso... ou ateu.
              >
              > Foi após Nietzsche que o ateísmo encontrou sua face mais
              > triunfante e ganhou terreno como parte indispensável de um mundo em
              > que Razão e Conhecimento, filhos gêmeos do Questionamento,
              > impuseram-se como os caminhos rumo à Sabedoria.
              >
              > Chegamos faz pouco ao ateísmo militante de Christopher Hitchens e
              > Richard Dawkins, de vasta cultura e argumentação demolidora,
              > determinados a expor a inutilidade da religião. Depois, nasce a
              > espécie que chamo de "ateu fundamentalista": quem não vê
              > qualquer valor na religião e opta por combatê-la, como se fosse a
              > raiz de todos males da humanidade. Pior: virou moda.
              >
              > Não é possível responder à crítica de que existe
              > "fundamentalismo ateu" sem examinar a história do movimento
              > fundamentalista. A palavra 'fundamentalista' começou a ser usada no
              > sentido atual com a publicação de uma série de textos de
              > protestantes norte-americanos apontando os fundamentos da fé
              > cristã, no início do século passado. Entre muitos outros
              > pontos, há uma série de cerca de cinco propostas, não
              > completamente consensuais, em torno dos quais o movimento se reuniu.
              > Eles geralmente incluem a inspiração divina e a inerrância dos
              > originais bíblicos; o nascimento virginal e a divindade de Jesus; a
              > doutrina da expiação dos homens através do sacrifício de Jesus;
              > a ressurreição e o retorno corporais de Jesus, e por fim e a
              > realidade histórica dos seus milagres. Não é à toa que
              > fundamentalismo se tornou uma palavra pejorativa.
              >
              > Não é difícil ver que não há absolutamente nada de
              > relevante em comum entre anticlericalistas fortes e os verdadeiros
              > fundamentalistas. Estes valorizam a fé, enquanto aqueles se guiam
              > pelo peso das evidências sobre os profundos efeitos negativos da
              > religião. Os fundamentalistas são a quintessência da ortodoxia,
              > e a ortidixia inexiste no ateísmo ou no anticlericalismo. E por fim,
              > os fundamentalistas insistem em um credo essencial e indiscutível, o
              > que também não possui qualquer correspondente nas suas alegadas
              > contrapartes ateias.
              >
              > Assim, fundamentalismo ateu é um oxímoro, uma combinação
              > logicamente impossível. Se o ateísmo é uma religião tanto
              > quanto careca é uma cor de cabelo, então aparentemente querem
              > fazer colar sobre nós a acusação de carecas desgrenhados.
              > Simplesmente não faz sentido nenhum, a não ser nos lembrar que
              > há pensamentos e comportamentos que só existem nos religiosos e
              > que são considerados profundamente negativas quando levados a
              > sério.
              >
              > Se os fundamentos do cristianismo (ou de qualquer outra religião
              > fossem uma coisa boa, então fundamentalismo seria um elogio.
              > Ninguém fala em "fundamentalistas da democracia" ou "fundamentalistas
              > da justiça", porque entendemos que esses são valores a serem
              > preservados. No caso do cristianismo, ao contrário, parece que ele
              > só é tolerável se não for entendido nem praticado como ele
              > realmente é, em seus fundamentos. Não deixa de ser um gol contra
              > tentar xingar os ateus de coisas que só os religiosos podem ser.
              >
              > Quanto à "raiz de todos os males da humanidade", Richard Dawkins
              > escreveu com todas as letras em Deus, um Delírio: "Desde o começo,
              > eu não gostei do título. A religião não é a raiz de todo
              > o mal, pois nenhum efeito isolado é a raiz de toda qualquer coisa" (a
              > respeito do documentário A raiz de todo mal
              > <http://www.documentarios.org/serie/detalhar/175/a_raiz_de_todo_mal> ,
              > que ele apresentou). Não sei de ninguém que afirme que a
              > religião é a raiz de todo mal, portanto não precisamos nos
              > defender dessa acusação. Parece que nosso crítico simplesmente
              > não leu as ideias daqueles que com tanta veemência critica.
              >
              > A respeito da "moda" dos críticos da religião, perdoe-nos se agora
              > podemos nos expressar sem sermos torturados, presos ou executados. O
              > máximo que fazem conosco agora é nos chamar de criminosos,
              > intrinsecamente maus e nos comparar a assassinos.
              >
              >
              >
              > Que o fundamentalismo religioso é uma praga todos sabemos. De que uma
              > educação religiosamente rígida pode ser extremamente destrutiva
              > poucos duvidam. E a intolerância é mais gritante quando surge dos
              > que seguem um líder cujo principal ensinamento era "amar o
              > próximo" e até o inimigo.
              >
              > Sim, fundamentalismo é uma praga, mas fundamentalismo religioso é
              > uma redundância. Se não é religioso, ele tem pouco ou nada a
              > ver com o fundamentalismo.
              >
              > É uma questão puramente subjetiva determinar o principal
              > ensinamento do personagem Jesus, mas podemos ao menos realizar algumas
              > tentativas minimamente bem informadas. Os especialistas, século
              > após século, vem definindo critérios muito diferentes para
              > apontar quem são os mais legítimos, os mais verdadeiros seguidores
              > de Jesus. O fundamentalismo foi exatamente uma dessas tentativas, e como
              > já vimos, ali não figura o "amar o próximo", que também
              > está flagrantemente ausente no credo niceno e em tantas outras
              > afirmações da essência do que constitui exatamente ser cristão.
              >
              > Ainda que "amar o próximo" fosse seu principal ensinamento, esse amor
              > sem dúvida tem uma definição muito curiosa, pois não inclui
              > "não escravizar o próximo", já que Jesus e seus seguidores
              > sempre se pronunciaram favoravelmente à escravatura. Esse amor
              > também implica a condenação a tormentos indizíveis pelo resto
              > da eternidade a todos aqueles que utilizassem sua razão e senso
              > crítico para duvidar da veracidade da mitologia cristã. Esse é
              > um "amor" do qual podemos todos prescindir, e que tem tudo a ver com
              > intolerância em seu verdadeiro sentido: a intolerância para com o
              > próximo.
              >
              >
              >
              > Nada disso, porém, justifica ser intolerante com toda forma de
              > religiosidade.
              >
              > Realmente, não é isso que justifica a intolerância contra toda
              > forma de religiosidade. Muitos outros motivos justificam a
              > intolerância contra toda forma de religiosidade, como por exemplo o
              > fato de que praticamente todas essas formas são misóginas,
              > homófobas, chauvinistas, drenam importantes recursos dos mais
              > crédulos, oprimem os direitos sexuais e reprodutivos de adultos
              > consensuais, desinformam os cidadãos e lutam contra o
              > livre-pensamento e o desenvolvimento científico.
              >
              > É essencial aqui perceber a diferença entre a intolerância
              > verdadeira, e perniciosa, que se dá contra pessoas. Em
              > contraposição a ela, nada há de errado em ser intolerante contra
              > ideias que consideramos prejudiciais ao indivíduo e à sociedade.
              > Na verdade, esperamos de pessoas de bem que sejam intolerantes contra o
              > o totalitarismo, contra o nazismo, contra a censura. Propostas que
              > prejudicam o indivíduo e a sociedade devem receber nada mais do que
              > nossa intolerância -- significando apenas que não coadunaremos com
              > elas, e que as denunciaremos com força onde quer que se apresentem.
              > Isso é completamente diferente de ser intolerante contra
              > indivíduos, discriminando-os, estimulando o ódio contra eles, e
              > por fim comparando-os a criminosos, como fez Márvio dos Anjos e
              > tantos outros antes dele.
              >
              >
              > Um ateu truculento é tão perigoso quanto um homem-bomba.
              >
              > Aqui se traça o abismo que existe entre os valores que Márvio
              > promove e os nossos. Antes de tudo, que fique claro que a truculência
              > a que ele se refere é puramente verbal. Truculento significa feroz,
              > bárbaro, cruel. Nossa ferocidade se dirige apenas e tão-somente a
              > ideias. Márvio condena os ateus anticlericalistas por suas
              > barbaridades e crueldades perpetradas com... artigos, livros e
              > discursos. Ele não se refere a discursos do tipo 'matem os infieis',
              > 'os ateus são maus', ou 'os críticos da religião são piores
              > do que assassinos', tão frequentemente ouvidos nos púlpitos
              > religiosos. Não fazemos incitação a qualquer tipo de crime. Somos
              > assassinos da fé e de outras péssimas propostas da religião. E
              > para Márvio, matar a fé, ou machucá-la que seja, criticando-a
              > no atacado, é tão perigoso quanto matar pessoas. Meditemos sobre
              > isso por um instante. Pensemos nas milhares de pessoas mortas por
              > homens-bomba, e naquelas que sobreviveram com seus corpos para sempre
              > desfigurados. Lembremos de suas famílias, do sofrimento atroz por que
              > eles e seus entes amados passarão pelo resto de suas vidas. Isso,
              > para Márvio, não é tão perigoso como uma determinada forma
              > de posição crítica com relação religião. A afirmação dele
              > não é apenas um insulto torpe, mas um enorme desrespeito à dor
              > de todos os atingidos por homens-bomba. Para mim, e para muitos outros
              > ateus, se há uma coisa contra a qual devemos lutar é o sofrimento.
              > Felizmente, essa preocupação está relativamente bem espelhada no
              > sistema legal dos países civilizados: crimes contra as pessoas
              > recebem penas pesadas, e crimes de consciência foram abolidos de
              > todas as democracias. Já Márvio está mais preocupado em
              > proteger ideias do que pessoas, o que está em plena contradição
              > com os melhores princípios do jornalismo moderno. É de se
              > estranhar que ele não deseje emigrar para o Irã, um dos muitos
              > países onde os temíveis críticos truculentos da religião
              > são condenados à morte, enquanto homens-bomba são preparados,
              > financiados, encorajados e exaltados. Esse é mais um dos muitos males
              > da religião: em nome de uma suposta moralidade, ela protege ideias
              > acima dos humanos. É assim que ela luta contra a camisinha, contra o
              > divórcio, contra os homossexuais, contra as mulheres, contra
              > métodos de fertilização artificial, contra o planejamento
              > familiar, contra a pesquisa científica, contra a laicidade do Estado,
              > contra a crítica livre... Tudo isso causa enorme quantidade de
              > sofrimento humano, que simplesmente não entra na conta. O que importa
              > é defender as ideias sagradas. Por mais revolta que causem a
              > Igreja que acoberta pedófilos e os favelados que proclamam confiar em
              > Deus para encurtar o papo e continuar a viver em áreas de risco,
              > não se pode jogar tudo no mesmo saco. Seria desonesto negar que
              > há milhões que usam crenças religiosas como uma via pacífica
              > para alcançar uma vida mais sábia, mais justa e, sim, mais feliz.
              > Ninguém nega isso. Esse fato não se contrapõe a nada do que
              > dizem os críticos da religião. Dizer que uma coisa é má
              > simplesmente não é o mesmo que dizer que tudo que resulta dela
              > é mau. Afinal, nada é completamente ruim. Um exemplo: a morte
              > é, no geral, uma coisa ruim, mas há coisas boas que podem resultar
              > dela. Há diversas vantagens em morrer, como por exemplo o fato de que
              > não precisamos mais pagar os impostos nem ir ao dentista. No entanto,
              > não é coisa que eu recomende a ninguém. O mal não vem da
              > crença. Mas é óbvio que acobertar crimes ou justificar
              > imprudências num manto de sacralidade torna tudo duplamente
              > condenável. Este é o problema: à sombra das religiões,
              > abrigam-se diferentes humanos - dos mais respeitáveis aos mais
              > abomináveis e aproveitadores. Como em qualquer lugar. O mal
              > certamente não vem de qualquer crença. Mas vem de qualquer
              > crença religiosa pois ela só se sustenta através da
              > supressão do pensamento crítico. Com essa supressão, vende-se
              > todo tipo de imoralidades e irracionalidades. Um dos muitos exemplos
              > é a pregação de amar uma divindade mais do que aos seus colegas
              > viventes. Não temos amor suficiente para desperdiçar com entidades
              > imaginárias. Na prática, essa prescrição justifica todo tipo de
              > atrocidades. A fé não dá respostas, ela só impede as
              > perguntas. E isso é muito, muito mau. Sempre. Invalidar filosofias
              > que pregam amor ao próximo, respeito à vida e busca honesta pela
              > sabedoria - e, pior, acusar todos os seus adeptos de indivíduos
              > irracionais - é impor uma tirania míope, baseada num preconceito
              > tão vilão quanto a homofobia e o racismo.
              > Se pudéssemos descrever a religião pura e simplesmente como
              > 'filosofias que pregam amor ao próximo', tudo estaria bem. Mas essas
              > filosofias também estão cheias de incitação ao ódio
              > edesprezo pela vida. A busca honesta pela sabedoria só pode acontecer
              > eliminando-se a fé, que nada mais é do que recusar-se a pensar
              > criticamente. A fé é um grande mecanismo para impedir qualquer
              > correção de erros, uma receita certa para a ignorância. Não
              > há absolutamente nada de preconceituoso aqui, apenas a avaliação
              > cuidadosa das evidências. Incidentalmente, o grande promotor da
              > homofobia e do racismo sempre foi a religião. Intolerância não
              > é aceitável. Nem travestida de "justa vingança" nem de
              > modernidade obrigatória.
              >
              > Sem dúvida. A intolerância contra pessoas é inaceitável. A
              > intolerância contra idéias más, como a religião, é
              > condição necessária do progresso e da
              > felicidade.http://atea.org.br/index.php?view=article&catid=923:dia-a-dia\
              > &id=175:resposta-ao-jornal-destak&option=com_content&Itemid=104
              > <http://atea.org.br/index.php?view=article&catid=923:dia-a-dia&id=175:re\
              > sposta-ao-jornal-destak&option=com_content&Itemid=104>
              >
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