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Re: Modelo Prisional

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  • Daniel Sottomaior
    ... Não sou jurista... mas me parece bem claro que não é possível impor modelos religiosos a um preso. Imagino que talvez caiba uma ação de
    Message 1 of 14 , Jun 1, 2001
    • 0 Attachment
      > A que tipo de ação legal você está se referindo?

      Não sou jurista... mas me parece bem claro que não é possível
      impor modelos religiosos a um preso. Imagino que talvez caiba uma
      ação de inconstitucionalidade.

      []s


      Daniel
    • Marcus Valerio XR
      Tudo dependerá de como se daria a implementação deste novo modelo. Se ele seria opcional. De fato considero, por estranho que pareça, que obrigar um preso
      Message 2 of 14 , Jun 1, 2001
      • 0 Attachment
        Tudo dependerá de como se daria a implementação deste novo modelo. Se
        ele seria opcional.

        De fato considero, por estranho que pareça, que obrigar um preso a
        fazer parte de uma religião é uma agressão, pois a princípio um preso
        não tem uma série de direitos civis, o que com a devida manipulação
        poderia possibilitar uma autêntica "catequização" forçada como nos
        velhos tempos.

        Por outro lado é bom lembrar que há um alto índice de recuperação de
        criminosos promovido pelas Igrejas Pentecostais, afinal nada como uma
        boa lavagem cerebral. "Laranja Mecânica" que o diga.

        Uma das mais eficientes formas de arrebanhamento pentecostal se dá em
        pessoas com certas "fragilidades" morais, éticas ou sociais.
        Criminosos, drogados, prostitutas e etc.

        Esse convertidos costumam ser dos mais ardorosos fiéis, pois afinal
        não raro devem suas vidas a sua mudança de conduta pessoal,
        protagonizada pela pressão psicológica da religião.

        Tal lavagem cerebral entretanto é instável, a maioria se torna
        psicologicamente dependente da religião, de modo que se abandonam a
        crença voltam a seus hábitos antigos.

        Esse tipo de "reeducação", na verdade condicionamento, só funciona com
        religiões duras, que trabalham com base no medo. Kardecismo, Budismo
        ou Wicca não são eficientes.

        Não obstante, ainda prefiro um crente a um criminoso.



        Marcus Valerio XR

        FREE MIND!!!

        http://www.xr.pro.br
      • Daniel Sottomaior
        ... Cristianismo... tão eficaz quanto uma lobotomia, mas muito mais seguro. []s Daniel
        Message 3 of 14 , Jun 2, 2001
        • 0 Attachment
          > Por outro lado é bom lembrar que há um alto índice de recuperação de
          > criminosos promovido pelas Igrejas Pentecostais, afinal nada como
          > uma boa lavagem cerebral. "Laranja Mecânica" que o diga.

          Cristianismo... tão eficaz quanto uma lobotomia, mas muito mais
          seguro.


          []s


          Daniel
        • CidadaoK
          Nem sempre tão seguro. Pelo menos os lobotomizados não se dedicam a convencer você a se juntar a eles numa sessão conjunta de lobotomia. Nem tocam a sua
          Message 4 of 14 , Jun 4, 2001
          • 0 Attachment
            Nem sempre tão seguro.
            Pelo menos os lobotomizados não se dedicam a convencer você a se juntar a eles numa sessão conjunta de lobotomia.
            Nem tocam a sua campainha num sábado de manhã.
             
            carlos virgulino
            ----- Original Message -----
            Sent: Saturday, June 02, 2001 2:57 PM
            Subject: [secularismo] Re: Modelo Prisional

            > Por outro lado é bom lembrar que há um alto índice de recuperação de
            > criminosos promovido pelas Igrejas Pentecostais, afinal nada como
            > uma boa lavagem cerebral. "Laranja Mecânica" que o diga.

            Cristianismo... tão eficaz quanto uma lobotomia, mas muito mais
            seguro.


            []s


            Daniel



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            ... como ... Não sei se esses números são mesmo resultado de uma pesquisa estatítica confiável (no Brasil se publicam muitos números simplesmente
            Message 5 of 14 , Jun 6, 2001
            • 0 Attachment
              --- In secularismo@y..., starchildren442@i... wrote:

              > A sociedade civil tem uma participação direta no método, que tem
              como
              > base o trabalho, a religião e a valorização humana. O resultado da
              > Apac é tão positivo que enquanto no Brasil a média de reincidência
              > dos presos é de 80%, pelo método a reincidência cai para apenas 7%.


              Não sei se esses números são mesmo resultado de uma pesquisa
              estatítica confiável (no Brasil se publicam muitos números
              simplesmente chutados), mas mesmo se forem isso não quer dizer muita
              coisa. O caso se encaixa no que eu costumo apelidar de "falácia do
              veado". Sei que deve existir algum nome latino correto para a falácia,
              mas não me lembro em qual delas o caso se encaixaria melhor (non causa
              pro causa, talvez?).

              Explico. A coisa se parece com aquelas afirmações que todo mundo já
              deve ter ouvido, por exemplo, de que todo homem que experimenta passar
              por uma ... digamos... relação anal receptiva, gosta da coisa, logo o
              negócio deve ser bom mesmo! Na verdade, eu apostaria mais em que
              quando o sujeito chega a experimentar é porque já tinha mesmo alguma
              predisposição, e que a maioria dos que nunca experimentam é porque
              sabem que não iriam gostar mesmo. A única maneira de realmente provar
              isso seria usar pessoas escolhidas aleatoriamente, mas duvido que
              alguém conseguisse voluntários para a experiência (eu, por exemplo,
              estou fora!).

              O mesmo acontece com essas recuperações de criminosos e drogados com
              religião. Ninguém é forçado a ingressar no projeto, logo quem entra
              são, desde o início, pessoas suscetíveis à lavagem cerebral religiosa.
              Uma amostra viciada desde o começo. A maioria dos marginais e drogados
              que eu conheço acha os crentes uns "manés" e esses comportamentos
              religiosos uma babaquice. Mais uma vez, a estatística só teria valor
              se a amostra fosse aleatória.

              Não nego que essa lavagem cerebral funcione. Eu mesmo já vi casos
              impressionantes (de sucesso é claro, que os de fracasso nunca
              aparecem). Mas aposto que o pessoal do islã consegue resultados mais
              impressionantes ainda, já que a religião é bem mais rigorosa e tem,
              digamos, memes mais poderosos (não são os cristãos que explodem bombas
              amarradas aos próprios corpos). Será que o governo estaria
              incentivando tanto assim se fossem os muçulmanos que estivessem
              propondo administrar as prisões?

              []s
              Ronaldo Cordeiro
              Dicionário Céptico: http://www.dicceptico.cjb.net
            • starchildren442@icqmail.com
              ... Caro Ronaldo, caras pessoas: Talvez o inciso VII do art 5o da Constituição Federal Brasileira possa responder à sua pergunta. É assegurada, nos termos
              Message 6 of 14 , Jun 6, 2001
              • 0 Attachment
                > Será que o governo estaria incentivando tanto assim se fossem os
                > muçulmanos que estivessem propondo administrar as prisões?
                >
                > []s
                > Ronaldo Cordeiro


                Caro Ronaldo, caras pessoas:

                Talvez o inciso VII do art 5o da Constituição Federal Brasileira
                possa responder à sua pergunta.

                "É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência
                religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva."

                Portanto, se budistas, islâmicos, espíritas, etc., quiserem prestar
                assistência a presos, já têm apoio constitucional. O que não pode
                ocorrer é de os presos serem obrigados a assistirem ou a participarem
                de cultos, missas, reuniões religiosas. Eles têm o total direito de
                querer ou não participar de tais reuniões.

                Agora, cá entre nós, se o trabalho for realizado de maneira séria,
                respeitando os requisitos citados, obtendo resultados animadores de
                recuperação, queda de reincidência, etc., pergunto: qual é a queixa?
                É bem como o Marcus disse outro dia: "melhor termos evangélicos que
                criminosos".

                Sugiro, também, que os céticos pensassem em formas de poder ajudar
                na recuperação de presos, a pensar num modelo prisional eficaz.
                Alguém da lista tem idéia de como seria esse modelo?


                > O mesmo acontece com essas recuperações de criminosos e drogados
                >com religião. Ninguém é forçado a ingressar no projeto, logo quem
                >entra são, desde o início, pessoas suscetíveis à lavagem cerebral
                >religiosa.

                Por que "à lavagem cerebral religiosa"? Não poderia ser também
                uma "lavagem cerebral cética"? (claro, desde que não se utilizando de
                religião)

                > Uma amostra viciada desde o começo. A maioria dos marginais e
                >drogados que eu conheço acha os crentes uns "manés" e esses
                >comportamentos religiosos uma babaquice. Mais uma vez, a estatística
                >só teria valor se a amostra fosse aleatória.

                Engraçado, a maioria dos drogados e criminosos que eu conheço acha
                que os céticos são babacas. Não é estranho? Talvez "essas maiorias"
                sejam aquelas que não SÃO SUSCETÍVEIS. A lavegem cerebral só é
                possível em meio a pessoas suscetíveis.

                O que é lavagem cerebral? Ela é maléfica, benéfica ou depende?

                Aguardo comentários da lista.
                Um abraço,

                João Júnior
              • Alfredo Spínola
                ... Caro João Apenas umas perguntas: evangélicos (e católicos etc) que sugam os parcos recursos materiais das pessoas mais pobres da sociedade vendendo-lhes
                Message 7 of 14 , Jun 7, 2001
                • 0 Attachment
                  João Júnior escreveu:

                  > Agora, cá entre nós, se o trabalho for realizado de maneira séria,
                  > respeitando os requisitos citados, obtendo resultados animadores de
                  > recuperação, queda de reincidência, etc., pergunto: qual é a queixa?
                  > É bem como o Marcus disse outro dia: "melhor termos evangélicos que
                  > criminosos".

                  Caro João

                  Apenas umas perguntas: evangélicos (e católicos etc) que sugam os parcos
                  recursos materiais das pessoas mais pobres da sociedade vendendo-lhes a
                  esperança de uma vida de delícias no paraíso não são criminosos? O Edir
                  Macedo, que está sendo processado pelo Ministério Público Federal por ter
                  comprado a rede Record com recursos advindos de suposta lavagem de dinheiro
                  do narcotráfico não é criminoso? Os padrecos que, nos grotões do País,
                  sugerem àquela gente paupérrima que tenham tantos filhos "quantos deus
                  mandar", assegurando assim a continuidade da existência do exército
                  industrial de reserva, não são criminosos? A hierarquia da igreja, quando
                  insiste em proibir o uso dos preservativos em tempos de epidemia de aids não
                  é criminosa?

                  Abraço,

                  Alfredo
                • Marcus Valerio XR
                  Caro Alfredo... Quando disse que prefiro EVANGÉLICOS a CRIMINOSOS, não estava me referindo a EVANGÉLICOS CRIMINOSOS . Não cometamos a injustiça de achar
                  Message 8 of 14 , Jun 7, 2001
                  • 0 Attachment
                    Caro Alfredo...

                    Quando disse que prefiro EVANGÉLICOS a CRIMINOSOS, não estava me
                    referindo a "EVANGÉLICOS CRIMINOSOS".

                    Não cometamos a injustiça de achar que todos os Religiosos são
                    Criminosos em potencial.

                    Concordo que, por exemplo, a postura católica predominante em relação
                    a anticoncepção é um dano severo na sociedade, mas é questão de não
                    comparar Criminosos e Religiosos considerando só o que há de pior nos
                    Religiosos.

                    Marcus Valerio XR

                    FREE MIND!!!

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                  • starchildren442@icqmail.com
                    ... Alfredo e listeiros, Claro que existem evangélicos criminosos, assim como existem, espíritas, católicos, islâmicos, ateus criminosos, ...que sugam
                    Message 9 of 14 , Jun 7, 2001
                    • 0 Attachment
                      Alfredo Spínola escreveu:

                      > Apenas umas perguntas: evangélicos (e católicos etc) que sugam os
                      >parcos recursos materiais das pessoas mais pobres da sociedade
                      >vendendo-lhes a esperança de uma vida de delícias no paraíso não são
                      >criminosos?

                      Alfredo e listeiros,

                      Claro que existem evangélicos criminosos, assim como existem,
                      espíritas, católicos, islâmicos, ateus criminosos, "...que sugam
                      recursos materiais das pessoas, fazem lavagem de dinheiro do
                      narcotráfico, estupram, assassinam, roubam, etc.."

                      Como o Marcus Valerio XR escreveu:

                      > Não cometamos a injustiça de achar que todos os Religiosos são
                      > Criminosos em potencial.

                      Ou que todos os religiosos sejam retardados, nocivos, funestos,
                      etc.. Muitos deles são muito honestos e trabalhadores, verdadeiros
                      merecedores de nosso respeito.

                      > Apenas umas perguntas: evangélicos (e católicos etc) que sugam os
                      >parcos recursos materiais das pessoas mais pobres da sociedade
                      >vendendo-lhes a esperança de uma vida de delícias no paraíso não são
                      >criminosos?

                      Desviando um pouco da proposta original da mensagem "modelo
                      prisional", já que o Alfredo perguntou, vou postar uns pareceres
                      jurídicos sobre o assunto:


                      FRAUDE PELA SIMULAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PADRE OU MINISTRO EVANGÉLICO

                      "Comete estelionato quem, para mais facilmente locupletar-se de forma
                      indevida à custa alheia, simulando a condição de padre ou ministro
                      evangélico, instala uma igreja, na qual, ademais de celebrar atos de
                      culto, atendia, mediante prévio pagamento, às consultas dos
                      freqüentadores atraídos por falsas promessas de curas milagrosas"
                      (RT 714/383 e RJDTACRIM 25/130).


                      FRAUDE NO RECEBIMENTO DE VANTAGEM INDEVIDA POR ATIVIDADES MÍSTICAS

                      "Se o agente usa o ardil de se passar por "pai de santo" para obter
                      vantagem indevida, aproveitando-se da rusticidade dos lesados,
                      enganados por manobras convincentes, caracteriza-se o estelionato que
                      não se consumou em razão da prisão em flagrante" (RJTJESP 7/285).

                      "Tipifica estelionato pedido e recebimento de vantagem como
                      contraprestação de "serviços" de macumba para neutralizar "trabalho"
                      que teria sido providenciado por desafeto com o objetivo de ser a
                      vítima atropelada" (JTACRIM 56/339)

                      "Inexistindo diversidade ontológica entre crime e contravenção, a
                      diferenciação pelo sistema brasileiro, é dada por critério duplo, do
                      objetivo formal e da gravidade da ação, cabendo a este a maior
                      importância. Assim, responde por estelionato e não por simples
                      exploração da credulidade pública o agente que propondo-se
                      pretensamente resolver problemas sentimentais mediante "passes" e
                      práticas cabalísticas, consegue obter vultosa vantagem ilícita de sua
                      vítima" (JTACRIM 51/228). No mesmo sentido JTACRIM 44/25.

                      CONTRA - "Quem adere, por convicção religiosa, aos cultos afro-
                      brasileiros terá de aceitá-los como são. Se realizam atos
                      ou "trabalhos" de forma onerosa (o que é do conhecimento geral) e se
                      quem os encomenda aceita o preço, não pode, com arrependimento
                      tardio, afirmar que foi ludibriado e vítima de estelionato" (RT
                      534/405-6).

                      "Invocação do sobrenatural para resolver questões do plano moral ou
                      material, com "passes", "despachos" e "baixa de espíritos", sem
                      exigência de qualquer prestação remuneratória, embora com aceitação
                      de dádivas face a exercícios executados, não caracteriza estelionato"
                      (JTACRIM 54/312).

                      LEGENDA

                      JTACRIM: Julgados do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo
                      RJDTACRIM: Revista de Julgados e Doutrina do Tribunal de Alçada
                      Criminal de São Paulo
                      RJTJESP: Revista de Jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado
                      de São Paulo
                      RT: Revista dos Tribunais

                      ---------------------------------------------------------------------

                      Casos do famoso artigo 171 do Código Penal Brasileiro.
                      Aguardo comentários.
                      Abraços,

                      João Júnior
                    • rcordeiro@writeme.com
                      ... prestar ... A dúvida é exatamente essa. Será que isso seria cumprido na prática? Será que muçulmanos membros do Hamaz ou do Hezbollah seriam aceitos
                      Message 10 of 14 , Jun 8, 2001
                      • 0 Attachment
                        --- In secularismo@y..., starchildren442@i... wrote:
                        ...
                        > Portanto, se budistas, islâmicos, espíritas, etc., quiserem
                        prestar
                        > assistência a presos, já têm apoio constitucional.


                        A dúvida é exatamente essa. Será que isso seria cumprido na prática?
                        Será que muçulmanos membros do Hamaz ou do Hezbollah seriam aceitos
                        com a mesma naturalidade que os católicos, ou os evangélicos? Outra
                        coisa: O assunto que comentávamos não parece exatamente "assistência"
                        a presos, e sim mais relacionado à administração propriamente dita dos
                        presídios. Isso sim seria um caso de interferência da igreja sobre o
                        estado.


                        > O que não pode
                        > ocorrer é de os presos serem obrigados a assistirem ou a
                        participarem
                        > de cultos, missas, reuniões religiosas. Eles têm o total direito de
                        > querer ou não participar de tais reuniões.


                        Até aí parece justo. O que é perigoso é que os presos que participam
                        passem a receber algum tipo de privilégio, como considerar isso como
                        algum tipo de "bom comportamento". Não sei como anda por aqui, mas nos
                        EUA advogados têm tentado usar supostas conversões religiosas de
                        condenados para mostrar o quanto eles estão "recuperados".


                        > Agora, cá entre nós, se o trabalho for realizado de maneira séria,
                        > respeitando os requisitos citados, obtendo resultados animadores de
                        > recuperação, queda de reincidência, etc., pergunto: qual é a queixa?
                        > É bem como o Marcus disse outro dia: "melhor termos evangélicos que
                        > criminosos".


                        Tenho certas reservas em relação a esse tipo de pragmatismo. Lembra um
                        pouco aquela frase do filósofo contemporâneo Paulo Salim Maluf:
                        "estupra, mas não mata". Ora, pena de morte tem um índice de
                        reincidência zero (alguns defensores da pena de morte até usam isso
                        mesmo como argumento). Amputações das mãos, praticadas pelos
                        muçulmanos, evitam mesmo que o sujeito continue a roubar (pelo menos
                        com as mãos). Lobotomia e fanatismo religioso podem até ser maneiras
                        de evitar a reincidência e ainda reintegrar o cidadão na sociedade,
                        mas até que ponto isso não está causando um dano ao condenado?

                        Como dizia Millor Fernandes: "Pragmática, mas pragmática mesmo era
                        aquela cidade onde um carpinteiro cometeu um crime hediondo. Mas só
                        havia um carpinteiro na cidade. Não tiveram dúvidas. Enforcaram um
                        ferreiro".


                        > Sugiro, também, que os céticos pensassem em formas de poder ajudar
                        > na recuperação de presos, a pensar num modelo prisional eficaz.
                        > Alguém da lista tem idéia de como seria esse modelo?


                        É difícil imaginar um modelo prisional pior que o brasileiro, em que o
                        sujeito vive em condições sub-humanas e convivendo com a corrupção 24
                        horas por dia. Tive um amigo que ficou preso na Grécia por 3 anos.
                        Eram no máximo 2 ou 3 detentos por cela. Tinham acesso a biblioteca,
                        praticavam esportes e os que trabalhavam tinham redução na pena de 1
                        dia para cada 3 dias de trabalho. Voltou recuperado para o Brasil. É
                        lógico que isso é apenas um depoimento meu, sem pretensões de validade
                        estatística, mas a intenção é apenas ilustrar que não é só a
                        doutrinação religiosa que pode ser eficiente na recuperação de
                        delinqüentes. O modelo que está aí é que é muito ruim, e quase
                        qualquer coisa pode ser melhor do que o que é muito ruim.


                        > Por que "à lavagem cerebral religiosa"? Não poderia ser também
                        > uma "lavagem cerebral cética"? (claro, desde que não se utilizando
                        de
                        > religião)


                        Não sei se poderia chamar as idéias do ceticismo de lavagem cerebral.
                        O ceticismo incentiva as pessoas a pensar e decidir por elas próprias,
                        analisando os argumentos, evitando as armadilhas das falácias, etc.
                        Religiões evitam ao máximo que o fiel, ou candidato a fiel, discuta
                        argumentos, faça perguntas difíceis, questione a fé (ter fé sem
                        questionar é uma "virtude"), conheça a versão das religiões
                        concorrentes. Por isso é tão comum vc encontrar nos sites céticos
                        links para vários sites pseudocientíficos, místicos, charlatanescos, e
                        coisas do tipo, e o inverso nunca aconteça. Um exemplo de discussão
                        sobre se o ceticismo seria ou não um tipo de doutrinação poderia ser
                        Dawkins em "Viruses of the Mind" (Is Science a Virus?). Não sei se a
                        sua pergunta era exatamente essa, mas de qualquer forma é uma boa
                        discussão.


                        > Engraçado, a maioria dos drogados e criminosos que eu conheço acha
                        > que os céticos são babacas. Não é estranho?


                        Pra lá de estranho. E eu que pensava que essas pessoas nem tinham a
                        menor idéia do que venha a ser ceticismo...


                        > Talvez "essas maiorias"
                        > sejam aquelas que não SÃO SUSCETÍVEIS. A lavegem cerebral só é
                        > possível em meio a pessoas suscetíveis.
                        >
                        > O que é lavagem cerebral? Ela é maléfica, benéfica ou depende?


                        Boas perguntas.

                        []s
                        Ronaldo Cordeiro
                        Dicionário Céptico: http://www.dicceptico.cjb.net
                      • starchildren442@icqmail.com
                        ... Tem que ser cumprido, está na Constituição. Podemos, inclusive, fazer alguma experiência nesse sentido. O que pode ocorrer é de não haver
                        Message 11 of 14 , Jun 9, 2001
                        • 0 Attachment
                          João escreveu:

                          > > Portanto, se budistas, islâmicos, espíritas, etc., quiserem
                          > prestar
                          > > assistência a presos, já têm apoio constitucional.

                          Ronaldo escreveu:

                          > A dúvida é exatamente essa. Será que isso seria cumprido na prática?
                          > Será que muçulmanos membros do Hamaz ou do Hezbollah seriam aceitos
                          > com a mesma naturalidade que os católicos, ou os evangélicos?

                          Tem que ser cumprido, está na Constituição. Podemos, inclusive,
                          fazer alguma experiência nesse sentido. O que pode ocorrer é de não
                          haver simpatizantes do Alcorão na prisão e ninguém querer participar
                          da reunião religiosa. Só isso. No Brasil, Jesus deve funcionar melhor
                          que Allah ou Maomé, na minha opinião, apenas por uma questão
                          cultural.


                          >Outra coisa: O assunto que comentávamos não parece
                          >exatamente "assistência" a presos, e sim mais relacionado à
                          >administração propriamente dita dos presídios. Isso sim seria um
                          >caso de interferência da igreja sobre o estado.

                          Isso depende. Se alguma igreja tomar conta da administração dos
                          presídios, deve-se observar a Constituição, as leis, os direitos.
                          Outros grupos, religiosos ou não, podem prestar assistência aos
                          presos, que não serão obrigados a participar de qualquer tipo de
                          reunião, a não ser que queirão e os que não participarem, de forma
                          alguma, poderão ser castigados ou receber tratamento desigual do
                          prestado aos presos participantes de tais reuniões. Talvez pareça
                          utopia, mas se não for assim, não pode ser.

                          > Até aí parece justo. O que é perigoso é que os presos que
                          >participam passem a receber algum tipo de privilégio, como
                          >considerar isso como algum tipo de "bom comportamento".

                          O que é ter "bom comportamento"? Seria freqüentar reuniões
                          religiosas? Não necessariamente, a não ser que realmente seja
                          observado uma melhora no comportamento, na atitude, na conduta desses
                          presos. Muitos presidiários não assistem a cultos ou missas e têm um
                          bom comportamento, assim como muitos assistem e não o têm.


                          > Não sei como anda por aqui, mas nos EUA advogados têm tentado usar
                          >supostas conversões religiosas de condenados para mostrar o quanto
                          >eles estão "recuperados".

                          Isso aqui também é possível, desde que seja de fato comprovada a
                          mudança, seja mediante religião ou qualquer outra forma de convicção
                          filosófica. De qualquer forma, esse é um assunto complexo. Quando
                          você sabe que uma pessoa está realmente recuperada?


                          >Lobotomia e fanatismo religioso podem até ser maneiras de evitar a
                          >reincidência e ainda reintegrar o cidadão na sociedade, mas até que
                          >ponto isso não está causando um dano ao condenado?

                          Evitando-se a reincidência, reintegrando o cidadão à sociedade,
                          dando outra oportunidade à pessoa... até que ponto isso não está
                          causando um dano ao condenado? Até o ponto que ele esteja feliz, de
                          volta à sua família, a um emprego, aos amigos. Até o ponto que ele
                          deixe de cometer os danos que outrora cometera. Até o ponto que a
                          pessoa abandone os atos nocivos e/ou desagradáveis à sociedade.

                          > (...)a intenção é apenas ilustrar que não é só a doutrinação
                          >religiosa que pode ser eficiente na recuperação de delinqüentes.

                          Sim, claro. Aqui cabe algumas reflexões: Deus é realmente
                          necessário para frear a maldade dos homens? A doutrinação à base do
                          medo é necessária? Será que conversar com as pessoas baseando-se em
                          Jesus Cristo é mais convincente do que baseando-se em Carl Sagan?
                          Qual é a importância, a razão, o motivo dessas discussões? Por que
                          buscamos certas respostas? Qual o objetivo maior dos seres humanos
                          (há esse objetivo maior?)?


                          > > Por que "à lavagem cerebral religiosa"? Não poderia ser também
                          > > uma "lavagem cerebral cética"? (claro, desde que não se
                          > > utilizando de religião)

                          > Não sei se poderia chamar as idéias do ceticismo de lavagem
                          >cerebral.

                          O que é lavagem cerebral?

                          > Um exemplo de discussão sobre se o ceticismo seria ou não um tipo
                          >de doutrinação poderia ser Dawkins em "Viruses of the Mind" (Is
                          Science a Virus?). Não sei se a
                          > sua pergunta era exatamente essa, mas de qualquer forma é uma boa
                          > discussão.

                          Também acho que possa nascer uma boa discussão. Você teria algo a
                          mais a colocar?


                          > > Engraçado, a maioria dos drogados e criminosos que eu conheço
                          acha
                          > > que os céticos são babacas. Não é estranho?

                          > Pra lá de estranho. E eu que pensava que essas pessoas nem tinham a
                          > menor idéia do que venha a ser ceticismo...

                          Aqui eu fiz apenas uma brincadeira do tipo "que eu conheço". Na
                          verdade, muitas pessoas não sabem mesmo o que seja ceticismo, o
                          ceticismo de verdade... :)


                          > > O que é lavagem cerebral? Ela é maléfica, benéfica ou depende?

                          > Boas perguntas.

                          Aguardo.

                          []'s
                          João Júnior
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