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[RN] O PAPA E O NOBEL

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  • Daniel Sottomaior
    ... escreveu Amanhã sai na Edição impressa [do Jornal do Fundão] um artigo de Jaime Gralheiro cuja parte que interessa à lista aqui
    Message 1 of 1 , Nov 1, 2003
    • 0 Attachment
      --- Em despertar@..., Carlos Esperança
      <aesperanca@m...> escreveu
      Amanhã sai na Edição impressa [do Jornal do Fundão] um artigo de
      Jaime Gralheiro cuja parte que interessa à lista aqui fica:

      ...........
      2 -- Como adenda ao que Baptista Bastos aqui escreveu sobre o papa
      João Paulo II, gostaria só de acrescentar que este Papa, que foi dado
      como sério candidato ao Prémio Nobel da Paz, esteve ligado ao
      escândalo financeiro do Banco Ambrosiano (IOR), na década de 80/90.
      Se os chamados "banqueiros de Deus", Calvi (que apareceu pendurado,
      depois de morto, numa das pontes do Tamisa) e Sindona (que foi
      envenenado na cela onde estava preso) e Geli (o grão mestre da loja
      maçónica P2 que misteriosamente desapareceu) fossem vivos e quisessem
      falar, muito se saberia, hoje, das ligações deste Papa a esses
      estranhos negócios de milhões e milhões a que presidiu o cardeal
      Marcinkus que ele veio, depois, a escolher para seu "guarda costas" e
      acabou por salvar das prisões italianas, por sobre ele ter estendido
      a imunidade vaticana. Não tivesse toda essa gente sido "calada" tão
      em "tempo oportuno", talvez o pobre Papa João Paulo I não tivesse
      morrido, sem doença conhecida, nem posterior autópsia, apenas 39 dias
      após a sua eleição. De notar que esse tal Marcinkus foi,
      estranhamente, uma das primeiras pessoas da Cúria Romana a
      comparecer, altas horas da noite, no quarto onde morreu João Paulo I.
      De notar, ainda, que das primeiras medidas anunciadas por este Papa
      se contar a investigação profunda aos "negócios" do Banco Ambrosiano
      (IOR) presidido pelo tal Marcinkus, e a substituição do cardeal Vilot
      (próximo da "Opus Dei") pelo cardeal Benelli, homem de esquerda da
      Igreja e adversário declarado da dita "Opus Dei", conforme de tudo
      nos informam David Yallop, no seu livro "Em nome de Deus" e Robert
      Hutchison, no seu livro "O Mundo Secreto do OPUS DEI".

      De resto, o compromisso deste Papa com a "Opus Dei" foi e é
      flagrante. Só tal compromisso explica que, em tempo recorde, o seu
      fundador, Josémaria Escrivá de Balaguer, tenha sido santificado,
      passando à frente de todos os candidatos à santificação,
      designadamente do papa João XXIII, que para a "Opus Dei" era, pura e
      simplesmente, um renegado uma herege, conforme refere o mesmo Robert
      Hutchison no seu citado livro.

      A influência da "Opus Dei" em toda a política deste Papa não se
      manifestava, apenas, nos negócios financeiros, mas, também, nos da
      política das canonizações. Tal política mereceu, de resto, sérias
      críticas vindas, exactamente de Espanha, país onde nasceu a "Opus
      Dei" e que bem conhece tal "prelatura", através dos sucessivos
      escândalos "Matesa" e da sua actuação no último governo franquista.
      Dentre essas críticas destaco uma que, com o título de "La
      incoherencia del Vaticano y de la Iglésia" da autoria do professor
      universitário Vicenç Navarro, o jornal "El País" publicou,
      ocupando uma quase página inteira, no dia 5 de Maio do corrente ano,
      exactamente, o dia em que o Papa foi a Madrid consagrar mais uma
      fornada dos tais santos do franquismo e da "Opus Dei" e onde, para
      além de outras importantes afirmações se dizia: "E nem se diga que a
      motivação de tais actos de santificação é meramente religiosa sem
      nenhuma conotação política. Pois tal argumentação tem pouca
      credibilidade, já que, se tal fosse a motivação, esperar-se-ia que a
      santificação incluiria também religiosos assassinados em ambos os
      lados (da Guerra Civil Espanhola), pois houve também religiosos,
      sobretudo na Catalunha e País Basco que apoiaram as forças
      democráticas e que foram assassinados pelas forças franquistas". Só
      que esses nunca poderiam ser santos, para este Papa, porque
      eram "rojos"!

      Que este Papa fez coisas importantes ninguém o nega, mas "Prémio
      Nobel da Paz" seria um exagero. Por isso o não recebeu. Que em
      substituição, e até por vingança, venha a ser canonizado, muito em
      breve, é que já não me espanta. A nomeação que ele fez de 130 e tal
      novos cardeais, no fim do seu mandato, é uma boa garantia de que a
      sua subida à dignidade dos altares, ao lado do seu amigo José Maria,
      estará garantida para breve. Lá imprevidente é que homem não é!

      Jaime Gralheiro
      Fim da mensagem encaminhada ---
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