Loading ...
Sorry, an error occurred while loading the content.

La Diaspora de los Congos

Expand Messages
  • souindoula simao
    ESCRAVATURA E PATRIMONIO INTANGIVEL RELEVANTE CONTRIBUICAO ANGOLANA NO NOVO MUNDO E a conclusão que pode ser feita apos a leitura do livro intitulado “La
    Message 1 of 5 , Apr 18, 2013
    • 0 Attachment
      ESCRAVATURA E PATRIMONIO INTANGIVEL
      RELEVANTE CONTRIBUICAO ANGOLANA NO NOVO MUNDO

      E a conclusão que pode ser feita apos a leitura do livro intitulado “La Diáspora de los Congos” de Jesus Garcia Alberto, obra que acaba de ser reeditada, a justo titulo, em Luanda, pela Fundação Eduardo dos Santos.
       
      Estalando-se sobre 300 páginas, a nova remessa, de qualidade gráfica nitidamente superior a primeira impressão, tem como ilustração da capa, uma fotografia do autor em companhia de chefes tradicionais de Mbanza Kongo.
      Chucho guardou o mesmo perfil científico da obra, quando apanhou, bem, a necessidade epistemológica do método comparativo defendido pelo Centro Internacional das Civilizações Bantu.
      Na impossibilidade de se deslocar em Angola, em guerra, e no complicado pais do “Leopardo”, o investigador afro venezuelano, que cresceu com os ritmos bantu tais como o malembe, realizou, graças ao apoio da UNESCO, o seu sonho cultural efetuando duas missões de terreno na parte meridional do Congo da margem direita.
      SIMILITUDES
      Trabalhou no seio das comunidades kongo setentrionais tais como nos loango e vili, nos punu, kamba, ndoondo e lari, nos arredores de Brazzaville. Apreendeu, aí, rudimentos do munukutuba ou kituba, o kikongo veicular.
      O livro ultrapassa, portanto, a restrição monográfica e geográfica e aborda a recorrente presença “congo” nas resistências de natureza social e politica contra a opressão esclavagista, nas diferentes expressões religiosas, musicais e coreográficas, sobre toda a extensão do continente americano e do conjunto insular caribenho.
      Assim, as analises apanham exemplos nas margens do Rio de la Plata, (Argentina e Uruguai), no Brasil, no Peru, na Colômbia, na Venezuela, no Panamá, em Porto Rico, na Republica Dominicana, no Haiti, na Jamaica, no Suriname, em Cuba, nas Honduras, no Nicarágua, no Belize, em São Vicente, na Martinica e na Guadalupe.
      Na sua introdução, o autor recorda, bem a propósito, entre outros aspetos, as regiões de origem dos cativos e os distintos destinos escolhidos.
      Abordando o papel dos congos no previsível fenómeno de insurreição esclavagista, o originário da antiga “Tierra de Gracia”, cita o celebre quilombo de Palmares (1645 – 1695), que liderou o valente Nganga Zumbi, cuja ascendência suposta e a dos temíveis guerreiros yaka.
      CONFRARIAS
      Indica, em seguida, em Santo Domingo, os movimentos liderados, dos séculos XVI ao XVIII, por Sebastian Lemba, Seypion, Maria e Tomas, todos Congo.
      Na antiga “Nueva Grenada”, o memorialista de Caracas cita, naturalmente, a vitoriosa rebelião dos congo-angolas de San Basilio de Palenque mas igualmente os territórios livres de Duanga (1694), Santa Cruz de Masinga (1703) e Samba – Palizada (1797).
      No Peru, os arquivos registaram, em 1610, ações insurrecionárias fomentadas por Juan Garcia e Catalina, ambos Congo.
      Porto Rico vivia um estado de revolta permanente. Em 1820, um dos líderes capturado e Juan de Nacion Congo. Em 1826, uma conspiração e descoberta na cidade de Ponce durante uma campanha açucareira, e, os principais incitadores são António e Pedro – os dois, naturalmente, Congo.
      Cuba, a ilha mayombera, não escapou as conspirações encorajadas pelos Quisicuaba ou Quaba de los Quisi e Ganga
       
      NACION
      Quisi, a frente de confrarias tais como as de Congo Musono, Congo –Luango e Congo-Muboma.
      Em 1888, dois anos após, a abolição oficial do trabalho esclavagista no território insular, mas perante as manobras dilatórias da administração colonial, um projeto de rebelião e preparado, mas infelizmente, descoberto. Os principais instigadores são Julian, Jose Maria, Francisco, Gertrudis de Nacion e Marcelo, todos Congo.
      Curiepe, primeira localidade livre de grilhetas da escravidão na Venezuela, foi fundada, no século XVIII, por lideres, dentre dos quais, António e Manuel Congo.
      A comunidade “congo-loango” será, em 1789, no primeiro plano de uma tentativa de revolta na província de Caracas.
      Habitando a parte sul da cidade de Coro, na região de Serrania, no Estado de Falcon, os Loango organizaram – se em milícias denominadas “ A Companhia dos Loango”. Provocaram, aí, em 1795, uma memorável insurreição.
      Apresentando as componentes congo das práticas religiosas que se perpetuaram no Novo Mundo, Jesus Garcia identificou-as, entre outros cultos, persistentes, os da Regla Palo Congo, em Cuba, do Kumina ou Bongo, na Jamaica e no Vodou, no Haiti.
      Baseando-se no testemunho do Tata Nganga cubano, José Herera, o autor aponta, para a Regla, entre outros factos, a forca da faísca (nsasi), os espíritos kengue, mama e tata mbumba, yuyumbila, o sangue menga e a Mãe da cerimónia mengua.
      Quanto a presença dos ritos do “pais da pantera “, esta e confirmada pela existência de variantes designadas “Congo de la orilla del mar” e “Congo sabana”. O primeiro e constituído de espíritos tais como kanga e kita.
      O investigador afro descendente recorda que as liturgias relativas ao Kumina são animadas pelos sacerdotes, chamados “miala”. As suas variantes, aparentemente, etnónimas, são denominadas muyanji, munsundi e mumbaca.
      MATRIZ
      Enfim, revela que no Suriname, e atestado a veneração do Ma Loango.
      Etno – musicólogo reconhecido, o barloventense reconheceu o continuum das culturas do setentrião angolano através, entre outras expressões musicais e coreográficas a conga de Panamá, as famosas tradições de “Los Congos de Espiritu Santo” de Villamella, na Republica Dominicana, que foram declaradas pela UNESCO “Património Intangível da Humanidade”.
      Anotou a utilização, na sua própria terra natal, no quadro das Festas sincréticas de San Juan Congo, o tambor congo-mayor. Em Cuba, na região de Guayabo, o mesmo membranofono e utilizado nos festejos dos Congos Reales.
      Confirmou que em Cartagena de Índias, na Colômbia, e exibida a dança Congo Grande.
      Na sua abordagem de factos contemporâneos, Jesus Garcia ilustra a influência da cultura do “Baixo Nzadi”, com a extraordinária produção musical do cubano Arsenio Rodriguez, que reivindica, um século depois da abolição da escravatura na ilha, as suas raízes clanicas com a composição e “Yo so kanga”.
      Realça, também, na “Grand Plantacion”, o grupo de Eddie Palmieri cuja uma das interpretações e “Mi Congo Yambumba”. A versão original desta e um guanguanco do Conjunto Los Munequitos de Matanzas.
      Enfim, sempre ai, destaca o imenso sucesso do grupo Irakere, bem intitulado, na língua conga de Cuba, muito próxima da matriz, “ El tata, o kindiambo diambo”.
      A reedição de “La Diáspora de los Congos” e um sinal claro do interesse da FESA para a rica história de Angola no mundo atlântico e uma contribuição aos esforços de declarar as tradições e expressões orais, artísticas, sociais, rituais e festivos congo, Património Intangível da Humanidade.
      Por
      Simão SOUINDOULA
       Comité Cientifico  Internacional
      do Projeto da UNESCO « A Rota do Escravo »
      C.P. 2313 Luanda  (Angola)
      Tel. : + 244 929 74 57 34
    Your message has been successfully submitted and would be delivered to recipients shortly.