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Portugal quer branquear a história - 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo

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  • Associação Portuguesa de Cultura Afro-B
    O concurso «7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo» pretendeu eleger as sete edificações mais emblemáticas do período colonialista português. De
    Message 1 of 1 , Jul 1, 2009
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      O concurso «7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo» pretendeu eleger as
      sete edificações mais emblemáticas do período colonialista português. De
      entre vinte e sete edificações foram escolhidas sete vencedoras. Sem negar a
      beleza estética-arquitetónica das construções a organização do mesmo levou a
      cabo um processo de branqueamento escandaloso que não pode ficar em claro.
      Num registo próximo ao discurso oficial do Estado Novo, a descrição
      histórica dos lugares conta não a história mas a estória que melhor cabe e
      menos fere.



      A Fortaleza de São Jorge da Mina, no Gana, serviu durante séculos de porto
      de embarque de milhares de escravos rumos às plantações de açúcar e mais
      tarde para os trabalhos urbanos no Brasil colonial. Esta fortaleza que
      funcionava assim como feitoria, era um porto importante de compra e venda de
      mão-de-obra escrava africana, originária não só das terras do atual Gana mas
      também dos vizinhos povos do Golfo da Guiné, povos como os Yorùbá e os
      Ewe-Fon. Todavia, na descrição oficial da Fortaleza, na página do concurso,
      apenas aparece a descrição de porto de comércio de ouro.



      Cidade Velha de Santiago – a antiga e bela cidade cabo-verdiana serviu desde
      a chegada dos portugueses até à abolição da escravatura de porto de comércio
      de escravos destinados ao Brasil, com tráfego particularmente intenso
      durante o primeiro ciclo da escravatura brasileira, aquando do povoamento,
      desbravamento e plantio das terras. Ao mesmo tempo a cidade recebeu durante
      décadas escravos oriundos de outras regiões africanas para os plantios nas
      terras cabo-verdianas.



      Portanto, o que temos aqui não é mais do que uma leitura parcial da história
      da presença portuguesa no mundo. Apagando deliberadamente os aspetos que não
      interessa constar no discurso oficial, negligenciando a memória da
      escravatura, das suas vítimas e das suas heranças.



      Não é grave, é gravíssimo.



      - Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira -

      Entidade cultural representante da herança africana de matriz Yorùbá-Nàgó.

      R. da Primavera n.º28 Coutada Velha. 2130-010 Benavente.

      Contatos: (tlf) (+351) 263 580 379; (fax) 263 580 379; (tlm) 927 019 513.

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