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Mbanza Kongo e São Tomé

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  • souindoula simao
    Jornal de Angola , 27 / 7 / 2008     Mbanza Kongo e São Tomé entre parceria e rivalidade (1486-1614)   Simão Souindoula A evolução proto-histórica
    Message 1 of 5 , Jul 30, 2008
      "Jornal de Angola" , 27 / 7 / 2008
       
       
      Mbanza Kongo e São Tomé entre parceria e rivalidade (1486-1614)
       
      Simão Souindoula


      A evolução proto-histórica em África caracterizou-se pela formação de sólidas entidades sócio – políticas tais como o agregado federal Kongo. O equilíbrio deste conjunto de constituintes mais ou menos homogéneas baseou-se, entre outros assentos, num poder consensual instalado no planalto da cidade unionista, Mbanza Kongo.

      É nesta aglomeração que vai se decidir, uma parte do destino de África central.

      Com efeito, ela registará, de uma maneira muito particular, como as outras “ mbanza “ do território kongo , as múltiplas mudanças decorrentes dos primeiros contactos com a Europa monárquica, cristã e mercantilista.

      Ela cambiará de designação, para se conformar a sua colocação sob a autoridade do Vaticano, será conhecida como a citta de San Salvattore; experimentará dolorosamente a modificação do sistema de sucessão ao trono; registará uma ruptura urbanística e arquitectural e será envolvida no complexo tráfico de escravos e nos tenazes sonhos mineiros de Portugal ultra- mercantilista.

      Esta dinâmica histórica pluri - direccional obrigou, naturalmente, a principal cidade de Mpemba Kazi a jogar um importante papel na gestão das relações internacionais do “ Reino”.

      E, entre outras flutuações diplomáticas que a autoridade do Planalto vai regular, haverá o seu relacionamento, crucial, com São Tomé e Príncipe, primeira colónia portuguesa na região. Este terá um cunho específico – proximidade geográfica obriga!

      O quadro cronológico fixado, 1486 e 1614, refere-se, pela primeira data, a atribuição pelo monarca de Yala Nkulu aos negociantes portugueses instalados no arquipélago do monopólio do tráfico de escravos ao longo das costas do imenso Kongo, e pela segunda, a ocupação do conjunto insular pelos holandeses, facto que marcará, associado ao inexaurível processo de crise de sucessão dos Ntotela, antes e após Álvaro II, que faleceu, precisamente, naquela data, o fim das relações directas entre as duas cidades.

      O exame da natureza e da evolução das conexões comerciais, políticas e religiosas entre os dois pólos santos constituirá, portanto, a substância da nossa comunicação e nos permitirá avaliar, durante este período, o peso diplomático da cidade de Olfert Dapper, na África central, e, em filigrana, a sua influência no mundo.

      Descobertas no decénio 1470, inabitadas, as ilhas de Annobon, São Tomé e Príncipe, constituirão uma verdadeira experiência piloto de povoamento, principalmente, escravo, oriundo das regiões próximas, tais como o Kongo e o conjunto dos seus aliados, o Loango, o Kakongo, o Ngoyo e o Ndongo, mas igualmente, de fomento da preciosa cana-de-açúcar.

      A instalação dos primeiros contingentes de trabalhadores forçados, o início da cultura da gramínea tropical e de uma economia sacarina começa, nessas ilhas, em 1485, ano da segunda viagem da equipa de Diogo Cão a embocadura do Nzadi.

      São Tomé é fundada logo no começo do século XVI e, concomitantemente, nota- -se o princípio da colonização da ilha do Príncipe.

      A povoação, capital do arquipélago dos engenhos, se tornará rapidamente uma importante praça de negócios internacionais e, ao mesmo tempo, a partir de 1534, um importante centro cristão, tendo como zona de jurisdição, uma grande parte das costas de África ocidental, do português Benim a África do Sul. É chamada São Tomé Roma de África ou Roma do Golfe de Guiné.

      Facto sintomático da importância deste centro de trânsito de escravos no equador, ele obteve o estatuto de cidade em 1535. E, será, durante muito tempo, a única cidade, de definição europeia, em África.

      TRÁFICO DE ESCRAVOS E COOPERAÇÃO MILITAR

      As primeiras relações entre a mbanza de Nzinga Kuwu e o donatário de João de Paiva foram marcadas pela movimentação de uma mão-de-obra forçada.

      Com efeito, negociantes instalados na activa cidade insular, receberam, por doações, do Ntotela, em 1486 e 1493, o privilégio de recolher escravos ao longo das costas do Kongo.
      Tendo subido ao trono da federação, em condições sócio – políticas bastante particulares, Afonso, o Rei cristão, se apressará, entre outras primeiras diligências diplomáticas, de formular um pedido de ajuda militar ao Capitão de São Tomé para combater as facções que resistiam a conversão ao cristianismo.

      Este pedido denotava a fraqueza política do Mfumu católico e era um sinal das dificuldades sociais que ele enfrentava.

      Este indicador, associado a outros factores de carácter, essencialmente, estratégico, marcará, as relações entre a cidade de Duarte Lopes e a de Fernão de Mello.

      Com efeito, consciente da fragilidade da administração do Mani Congo, há indicações que, a partir de 1508, capitães de navios, e mesmo o Governador de São Tomé, Fernão de Mello, desviavam os presentes que Afonso mandava para o seu “ irmão “, o Rei Manuel I.
      Esses tentavam, tudo, a fim de limitar as trocas de emissários entre as cortes kongo e portuguesa; receando a cidade – entreposto de perder o seu lucrativo monopólio sobre o negócio de madeira de ébano, nas costas do vasto Kongo.
    • souindoula simao
      MASSACRES DE BAIXA DE CASSANJE RECORDADOS EM JOANESBURGO Este dramático e revoltante episódio da história contemporânea de Angola será exposto durante os
      Message 2 of 5 , Aug 12, 2008
        MASSACRES DE BAIXA DE CASSANJE RECORDADOS EM JOANESBURGO

        Este dramático e revoltante episódio da história contemporânea de Angola será exposto durante os trabalhos do Workshop Regional dos Museus e Sítios de Consciência Histórica que terá lugar na grande metrópole da simbólica África do Sul, de 12 a 14 do corrente mês.

        O angolano S. Souindoula explicará na sua comunicação intitulada “ The Low Cassanje: A Significant Site of Historical Conscience”, as causas da corajosa revolta, abertamente nacionalista, iniciada na noite do dia 4 de Janeiro de 1961, dos algodoeiros de uma parte da bacia do Cuango, verdadeiros neo-escravos ao serviço da poderosa Cotonang, e a terrível repressão terrestre e aérea que foi organizado pelas tropas coloniais contra eles.

        Três meses de campanhas bem empreendidas pelos cruéis “caçadores especiais” e de cobardes bombardeamentos ao napalm – produto que foi utilizado, aí, pela primeira vez em Angola – causarão, segundo estimativas, bem fundados, mais de 20 000 mortos.

        Para vários analistas independentes, a selvagem operação militar contra os agricultores do nordeste de Angola, foi “ a maior matança de massa” cometida nos territórios do Ultramar português que tirou, definitivamente, o medo aos angolanos que desencadearão, corajosamente, algumas semanas depois, duas outras grandes sublevações. E hoje, esta brava rebelião é considerada como um dos actos que fortaleceu o nacionalismo angolano e é, a justo titulo, que o Governo da Republica institui, para o efeito, o Dia dos Mártires da Repressão Colonial, o 4 de Janeiro, a fim de comemorar este açougue e de honrar os heróis tombados na “Baixa” pela causa da libertação da pátria.

        O conferencista defenderá durante a sua intervenção a incontornabilidade da construção, em Angola, de um Museu evocando a Repressão Colonial e da edificação, no sítio da mal-afamada Cotonang, de um Memorial destinado a glorificar os revoltosos.
      • Angels de Cortes Garcia
        Parabens por essa evocacao da Baixa de CAssanje. Angola tendria que pedir a Portugal que pedisse perdao por aqueles factos horriveis . Angels ( desde Espanya )
        Message 3 of 5 , Aug 13, 2008
          Parabens por essa evocacao da Baixa de CAssanje. Angola tendria que pedir a Portugal que pedisse perdao por aqueles factos horriveis .
          Angels ( desde Espanya ) ( uma espanyola apassionada por Angola)
        • souindoula simao
          Simao SOUINDOULA Director de Bantulink C.P. 2313 Luanda ( Angola )     ESCRAVATURA E MUSICA A ORGANOLOGIA AFRO-BRASILEIRA, UM CLONE ANGOLANO E a
          Message 4 of 5 , Aug 31, 2008
            Simao SOUINDOULA
            Director de Bantulink
            C.P. 2313
            Luanda
            ( Angola )
             
             
            ESCRAVATURA E MUSICA
            A ORGANOLOGIA AFRO-BRASILEIRA, UM CLONE ANGOLANO
            E a reconfortante conclusão que e, naturalmente, tirado após a leitura da conectiva obra “ Contribuição Bantu na Musica Popular Brasileira: Perspectivas etnomusicologicas” do antigo congolês da margem esquerda, Kazadi wa Mukuna, são-paulista e norte-americano, tornado, e actualmente, Professor na Universidade de Kent, no Ohio.
            Livro bem útil, este acaba de ser reeditado, pela terceira vez, na promotora A Terceira Margem Editora Didáctica.
             
            Estalando-se sobre 223 paginas, com um prefacio, bem emotivo, do veterano antropólogo austríaco, Gerhard Kubik, e uma apresentação feita pelo incontornável africanista da USP, Fernando Mourão, este corajoso estudo se articula em três grandes eixos, nos quais, o autor se esforça a redefinir o conceito de “escravos bantu”, identifica, precisamente, os elementos, musicais vindos de África central e austral assim que as suas origens étnicas, o continuum, mas igualmente, as mutações registadas pela este conjunto organologico no imenso território de América do sul.  
            Aplicado, o antigo da famosa Universidade de Califórnia em Los Angeles, apoiou as suas afirmações por diversos documentos.   
            Com efeito, reencontra-se, ai, um mapa recapitulativo apresentando cerca de uma trintena de formas expressivas da samba, (do bantu, semba, tocar com muito carinho), nas suas configurações coreográficas de fileira, de pares, de rodas e de umbigada atestadas em varias regiões brasileiras tais como na Ceara, no Pernambuco, na Alagoas, na Bahia, na Guanabara e no Vale do Paraiba, no Estado de Rio de Janeiro.
            Nota-se, ai, também, mapas indicativas, do século XVI do antigo Kongo e, sucessivamente, as apontando a recorrente zona “Congo-Angola”, os movimentos da mão-de-obra negra no pais -continente do alem – Atlântico, entre os meados do século XVI e o inicio do Segundo Grande Conflito Mundial, correspondendo a desenfreada exploração de ouro e diamante no Mato Grosso, Goias e, naturalmente, nas Minas Gerais, e uma outra, restituindo, no mesmo quadro cronológico, os movimentos dos “gentio congo” em direcção o Vale do Paraiba, ao norte de São Paulo.  
            E, esta mobilidade que instalara, irreversivelmente, os suportes musicais, os ritmos e as coreografias bantu no quase conjunto dos 8 milhões e meio de km2 do gigante da América do sul.
            O etnomusicologo empenhou-se a fazer figurar no seu trabalho, num notável exercício comparativo, uma quinzena de transcrições e partituras de cantos bantu, tais como os dos Kongo e Luba de África central e dos Makonde do sudeste da Tanzânia e do norte de Moçambique e as estrofes crioulizadas afro-brasileiros.
            Euritmica
            Um dos exercícios técnicos comparativos de partituras relaciona-se com o canto em kikongo “Mono kisala ko” com um cabula melano-brasileiro.
            Kazadi tomou, também, o cuidado de anexar uma vintena de fotografias ilustrando a execução de diversos instrumentos bantu tais como o melodioso idiofono marimba (xilofone), utilizado nas congadas , o euritmico cuita, mpwita ou kipuita e o acarretador cordofono  mbulumbumba.
            Baseando-se, visivelmente, sobre os seus mentores, Kubik e Mourão, que insistiram, nos anos 70, respectivamente, nos “ Traços característicos de Angola na musica negro-brasileira” e no facto ” dos locutores de línguas bantu ter contribuidos, significativamente, na textura da cultura brasileira”, o irmão do outro congolês da Universidade de São Paulo, bom brasilero, igualmente, tornado, Kabenguela Munanga, engajou-se, firmemente, a evidenciar os laços entre as expressões musicais afro-brasileiras e a área cultural constituída pela África central, austral e oriental, que soma o terço do continente da génese.
            As provas históricas propostas por Kazadi são bastante clássicas com, no entanto, o realce da rara relação de Dieudonne Richon sobre o negócio dos mayombe sobre o litoral entre o Cabo Lopes e a foz do rio Zaire, e outros madeiras de ébano na sumarenta “Cote d’ Angole”, trafico arduamente organizado pelo Capitão Negreiro francês de Nantes, Pierre-Ignace Lievin Van Alstein.
            O autor tomou, também, para a contra-costa, numerosos depoimentos de carácter histórico, confirmando o povoamento maioritariamente bantu do Brasil.
            Alinha, nomeadamente, uma confissão, bem fundamentada relativa a proveniência dos “nigritios” no Vale do Paraiba, notada pela especialista Maria de Lourdes Borges Ribeiro, segundo a qual “ eram negros que a bocarra de Angola nos enviava, sempre e sempre, e aos quais se juntavam outros, em sua maioria também angoleses, vindos de Pernambuco, Bahia e Minas…”.
            E, isso que explica, para o Professor de Kent, a excepcional concentração bantu no Vale carioca, terra, por excelência das congadas de São Benedicto e das congadano, dos sons dos Kasanjes, dos mocambiques de Guaratingueta, da capoeira de Angola, do candomblé ketu, dos lundu, (do bantu, nzundu, tambor), dos caxixi (chocalhos de cesto), dos sanza, dos mberimbau ou mbulumbumba , kambulumbumba do sul de Angola  e dos gunga (sinos).    
            Deve-se reconhecer que o autor, avantajado pela cultura de origem, teve um leitura mais umbilical que muitos investigadores brasileiros tais como o Edison Carneiro, na sua respeitável obra “ Negros Bantus” publicada, no Rio, em 1937.
            Síntese bem proveitosa, “ Contribuição bantu na música popular brasileira: perspectivas etnomusicologicas” constitui, a todos pontos de vista, uma mais-valia com o vista a um melhor conhecimento da forte influência civilizacional das terras dos “Atu” no Brasil, imenso pais que constitui a mais importante macroestrutura cultural negra no Novo Mundo.
            E, sem dúvida, por isso, que o Comité de Organização da Terceira edição do Festival Mundial das Artes Negras, que albergara em Dezembro de 2009, a muita diásporica Dakar, decidiu acordar ao pais da Samba de Umbigada, o estatuto de “ Pais Convidado de Honra” nesse grande reencontro da Afrikiya com os seus prolongamentos.
             
            Simao SOUINDOULA
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