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Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar

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  • Eduardo Vasques
    Carlos, pena eu não estar mais em redação. Creio que alguns jornalistas deveriam se deliciar com essas informações: - mais de 3 milhões em impressão? -
    Message 1 of 8 , Nov 30, 2010
    • 0 Attachment
      Carlos, pena eu não estar mais em redação. Creio que alguns jornalistas deveriam  se deliciar com essas informações:
      - mais de 3 milhões em impressão?
      - 50 jornalistas para um jornal com tiragem de 2 mil exemplares?

      Essas contas não batem muito bem, não é mesmo?
      Abraço
      Edu

      Em 29 de novembro de 2010 17:28, Carlos Plácido Teixeira <capteixeira@...> escreveu:
       

      Célia, 


      Não sei se até que ponto a minha história é parecida com a de outras pessoas. Mas o fato é que eu aprendi muito porque não tinha, e não tive, durante cinco anos, o menor apoio da assessoria de comunicação da prefeitura onde eu trabalhei até março deste ano. Acho bem sintomático da mentalidade atrasada o fato de que prefeitura torra, em um ano, R$ 3.548.160,00, apenas em impressão colorida do Diário Oficial do Município, fora os outros custos, para o deleite do prefeito, de secretarios e de alguns poucos gestores políticos da máquina administrativa. São mais de 50 jornalistas voltados à produção de conteúdos para o jornal, de tiragem de 2 mil exemplares e praticamente sem leitura. 

      Também tive de bancar, praticamente sozinho, uma luta contra o boicote permanente da empresa de tecnologia da Prefeitura que, antes de minha entrada, tinha o domínio absoluta da, digamos, política de comunicação digital da administração municipal. Eu comprei muita briga e, no final das contas, cinco anos depois, dancei. 

      Sem apoio e sob boicote, eu fui obrigado a aprender. Pensando positivamente, talvez tenha sido a maior vantagem do trabalho. Aprender, eis a questão. Aprendi todas as etapas do processo de produção. Da arquitetura da informação - para fazer projetos de renovação do portal, uma novela que só existiu porque o sistema utilizado então foi "descontinuado" - até programação e design. O que eu menos pude fazer foi conteúdo, inclusive porque eu não tinha equipe. Eu não tinha designer, nem programador. Tinha uma RP e um jornalista que ficavam por conta dos mais de 100 e-mails de atendimento ao cidadão. No último anos, tive um excelente ""jornalista"": um estudante de educação física, que cumpriu de forma brilhante o papel de apoio à publicação diária de conteúdos.

      Acabei estabelecendo um contato com as APIs, como usuário, devo dizer. Inicialmente, com o Google Maps, para fazer a localização de endereços - próprios, segundo o jargão - da Prefeitura. Entendo a lógica e acho vital para o processo futuro do jornalismo. Mas não saberia criar, apesar das noções de programação, até porque acho essencial ter um programador competente trabalhando em conjunto. 

      Sinceramente, como jornalista eu desanimei completamente. Eu acabei perdendo ao trabalhar na assessoria de comunicação de uma capital de peso na economia brasileira, vendo jornalistas burocráticos na produção de matérias sobre o prefeito fez isso, o secretário fez aquilo... 

      Desculpe-me, mas vou até estender um pouco mais. Ainda neste ano, tive uma experiência de retorno a uma redação de jornal impresso, onde também tentei fazer uma coisa diferente. E dancei feio. Mais uma vez, fui derrotado. 

      Como estava na coordenação de pauta de economia, fiz, também utilizando recursos do Google, um sistema de compartilhamento da produção de pauta. O recurso, que ficou bem bacana, facilitaria a identificação, por exemplo, de qual pauta prevista para o repórter beltrano para a especial de domingo. Quais pautas para agronegócios e assim por diante. Usando blogs com acesso restrito, Maps, agenda e contatos Google. Compartilharia as fontes etc. Pensava em compartilhar a produção de pautas com o pessoal do interior, utilizando MSN ou Skype. 
      O débil do editor de economia, a quem eu estava subordinado, barrou a minha ideia. Para ele, seria perigoso utilizar os recursos. "A concorrência poderia descobrir as nossas pautas", alegou. 

      Para mim a definição é: resistência à mudança. Do tal editor ainda obtive uma frase que evidenciou a mediocridade que impera em algumas muitas mentes jornalísticas. O sujeito, editor de economia, não deixava ninguém ter acesso à agenda pessoal de fontes. "Se precisar de algum nome, tem de perguntar pra mim", dizia, com ar de quem estava contando uma grande vantagem. O editor que não compartilha informação com repórteres. E que diz que o texto do jornal não iria mudar, pois é o tal jornal funcionava de determinado modo. O engraçado é que eu tenho 54 anos. Teoricamente, eu sou o tal resistente a mudanças.

      Pois é. Pulei fora do jornal, frustrado e considerando que errei mais uma vez ao tentar mudar. Por isso, não sei se nós, jornalistas, vamos realmente conseguir alguma coisa. Ops, lá vou. Mais uma vez, peço desculpas pelo desabafo. 
         
      Grande abraço,
      Carlos Plácido Teixeita
         
       


      Date: Mon, 29 Nov 2010 14:42:25 -0200
      Subject: Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar


       
      Carlos,

      Não posso afirmar que imagino o desafio de trazer essas novas possibilidades para dentro de redações do setor público porque nunca tive essa experiência, mas pelo pouco que ouvi no NewsCamp, o que vc diz confere exatamente com o que os professores de jornalismo afirmaram assim como os profissionais que estão fazendo diferentes dentro de redações...
      uma pena!

      Como vc começou a utilizar recursos como APIs nos projetos? Vc fez algum curso? Sabe programar? enfim, nos conta como surgiu essa curiosidade?


      Em 25 de novembro de 2010 08:39, Carlos Plácido Teixeira <capteixeira@...> escreveu:
       
      Célia,
      Como jornalista tentei, em diferentes situações, experimentar recursos como as APIs em projetos. Uma das ações foi tentada no portal da Prefeitura de Belo Horizonte, de onde sai, substituído depois de cinco anos por uma relações públicas muito simpática.
      Da minha experiência ficou o sentimento de que é quase impossível lidar com a resistência à mudança do jornalista e do jornalismo. Eu sinceramente acho que o futuro do jornalismo passa pela experimentação destes novos recursos.
      Mas, pelo que eu sei, mesmo nas salas de aula das faculdades, os alunos querem produzir matéria para o jornal laboratório em papel, sendo que nem mesmo eles são leitores de jornais, e publicar qualquer informação, texto mesmo, em algum blog pessoal ou da turma.
       
      Carlos Plácido Teixeira
      jornalista
      www.radardofuturo.com.br
       
       
       


      To: jornalistasdaweb@yahoogroups.com
      From: ceilasan@...
      Date: Wed, 24 Nov 2010 15:44:14 -0200
      Subject: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar


       
      Caros,

      pra quem tiver interesse, enfim, consegui colocar a conversa que tive com Pedro Valente no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=cNEbXcaOAcs

      quem puder divulgar, a rede agradece!

      --

       






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      --
      Eduardo Vasques - jornalista
      http://twitter.com/evasques
      http://br.linkedin.com/in/evasques
      (11) 9623-2749
    • Cris Dissat
      Ceila e Carlos, Se toda decepção pudesse gerar uma contra partida como a do Carlos.... Precisamos de mais gente decepcionada por aí. Tudo é aprendizado
      Message 2 of 8 , Dec 2, 2010
      • 0 Attachment
        Ceila e Carlos,
         
        Se toda decepção pudesse gerar uma contra partida como a do Carlos.... Precisamos de mais gente decepcionada por aí.
         
        Tudo é aprendizado mesmo. E alguns “nãos” e desafios acabam nos obrigando a aprender muita coisa e a tentar se virar sozinho. Não que sejamos tão auto-suficientes, pois ter os profissionais certos do lado é sempre fantástico e tb um aprendizado.
         
        Parabéns Ceila pelo trabalho (como sempre) e Carlos pela volta por cima.
         
        Bjos, Cris Dissat
         
        Sent: Monday, November 29, 2010 5:45 PM
        Subject: Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar
         
         

        Carlos,


        Espero realmente que mais gente viva esses momentos de decepção como o seu. Só assim teremos chance de juntar pessoas com o interesse comum de inovar e com a experiência de que ISSO só será possível se nós pegarmos as redeas do que queremos fazer. Eu sei que é utópico, mas acho que a oportunidade está em criar coletivos para fazer o que os grandes grupos ainda não fizeram. Tomare que haja muitas experiencias como a sua.....

        Parabéns por tudo e continue sempre! Há espaços para inovadores, mas eles terão de ser construídos do zero.

        Em 29 de novembro de 2010 17:28, Carlos Plácido Teixeira <capteixeira@...> escreveu:
         

        Célia,

         
        Não sei se até que ponto a minha história é parecida com a de outras pessoas. Mas o fato é que eu aprendi muito porque não tinha, e não tive, durante cinco anos, o menor apoio da assessoria de comunicação da prefeitura onde eu trabalhei até março deste ano. Acho bem sintomático da mentalidade atrasada o fato de que prefeitura torra, em um ano, R$ 3.548.160,00, apenas em impressão colorida do Diário Oficial do Município, fora os outros custos, para o deleite do prefeito, de secretarios e de alguns poucos gestores políticos da máquina administrativa. São mais de 50 jornalistas voltados à produção de conteúdos para o jornal, de tiragem de 2 mil exemplares e praticamente sem leitura.
         
        Também tive de bancar, praticamente sozinho, uma luta contra o boicote permanente da empresa de tecnologia da Prefeitura que, antes de minha entrada, tinha o domínio absoluta da, digamos, política de comunicação digital da administração municipal. Eu comprei muita briga e, no final das contas, cinco anos depois, dancei.
         
        Sem apoio e sob boicote, eu fui obrigado a aprender. Pensando positivamente, talvez tenha sido a maior vantagem do trabalho. Aprender, eis a questão. Aprendi todas as etapas do processo de produção. Da arquitetura da informação - para fazer projetos de renovação do portal, uma novela que só existiu porque o sistema utilizado então foi "descontinuado" - até programação e design. O que eu menos pude fazer foi conteúdo, inclusive porque eu não tinha equipe. Eu não tinha designer, nem programador. Tinha uma RP e um jornalista que ficavam por conta dos mais de 100 e-mails de atendimento ao cidadão. No último anos, tive um excelente ""jornalista"": um estudante de educação física, que cumpriu de forma brilhante o papel de apoio à publicação diária de conteúdos.
         
        Acabei estabelecendo um contato com as APIs, como usuário, devo dizer. Inicialmente, com o Google Maps, para fazer a localização de endereços - próprios, segundo o jargão - da Prefeitura. Entendo a lógica e acho vital para o processo futuro do jornalismo. Mas não saberia criar, apesar das noções de programação, até porque acho essencial ter um programador competente trabalhando em conjunto.
         
        Sinceramente, como jornalista eu desanimei completamente. Eu acabei perdendo ao trabalhar na assessoria de comunicação de uma capital de peso na economia brasileira, vendo jornalistas burocráticos na produção de matérias sobre o prefeito fez isso, o secretário fez aquilo...
         
        Desculpe-me, mas vou até estender um pouco mais. Ainda neste ano, tive uma experiência de retorno a uma redação de jornal impresso, onde também tentei fazer uma coisa diferente. E dancei feio. Mais uma vez, fui derrotado.
         
        Como estava na coordenação de pauta de economia, fiz, também utilizando recursos do Google, um sistema de compartilhamento da produção de pauta. O recurso, que ficou bem bacana, facilitaria a identificação, por exemplo, de qual pauta prevista para o repórter beltrano para a especial de domingo. Quais pautas para agronegócios e assim por diante. Usando blogs com acesso restrito, Maps, agenda e contatos Google. Compartilharia as fontes etc. Pensava em compartilhar a produção de pautas com o pessoal do interior, utilizando MSN ou Skype.
        O débil do editor de economia, a quem eu estava subordinado, barrou a minha ideia. Para ele, seria perigoso utilizar os recursos. "A concorrência poderia descobrir as nossas pautas", alegou.
         
        Para mim a definição é: resistência à mudança. Do tal editor ainda obtive uma frase que evidenciou a mediocridade que impera em algumas muitas mentes jornalísticas. O sujeito, editor de economia, não deixava ninguém ter acesso à agenda pessoal de fontes. "Se precisar de algum nome, tem de perguntar pra mim", dizia, com ar de quem estava contando uma grande vantagem. O editor que não compartilha informação com repórteres. E que diz que o texto do jornal não iria mudar, pois é o tal jornal funcionava de determinado modo. O engraçado é que eu tenho 54 anos. Teoricamente, eu sou o tal resistente a mudanças.
         
        Pois é. Pulei fora do jornal, frustrado e considerando que errei mais uma vez ao tentar mudar. Por isso, não sei se nós, jornalistas, vamos realmente conseguir alguma coisa. Ops, lá vou. Mais uma vez, peço desculpas pelo desabafo.
          
        Grande abraço,
        Carlos Plácido Teixeita
          
         
         
         
        Date: Mon, 29 Nov 2010 14:42:25 -0200
        Subject: Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar


         
        Carlos,

        Não posso afirmar que imagino o desafio de trazer essas novas possibilidades para dentro de redações do setor público porque nunca tive essa experiência, mas pelo pouco que ouvi no NewsCamp, o que vc diz confere exatamente com o que os professores de jornalismo afirmaram assim como os profissionais que estão fazendo diferentes dentro de redações...
        uma pena!

        Como vc começou a utilizar recursos como APIs nos projetos? Vc fez algum curso? Sabe programar? enfim, nos conta como surgiu essa curiosidade?


        Em 25 de novembro de 2010 08:39, Carlos Plácido Teixeira <capteixeira@...> escreveu:
         
        Célia,
        Como jornalista tentei, em diferentes situações, experimentar recursos como as APIs em projetos. Uma das ações foi tentada no portal da Prefeitura de Belo Horizonte, de onde sai, substituído depois de cinco anos por uma relações públicas muito simpática.
        Da minha experiência ficou o sentimento de que é quase impossível lidar com a resistência à mudança do jornalista e do jornalismo. Eu sinceramente acho que o futuro do jornalismo passa pela experimentação destes novos recursos.
        Mas, pelo que eu sei, mesmo nas salas de aula das faculdades, os alunos querem produzir matéria para o jornal laboratório em papel, sendo que nem mesmo eles são leitores de jornais, e publicar qualquer informação, texto mesmo, em algum blog pessoal ou da turma.
         
        Carlos Plácido Teixeira
        jornalista
        www.radardofuturo.com.br
         
         
         


        To: jornalistasdaweb@yahoogroups.com
        From: ceilasan@...
        Date: Wed, 24 Nov 2010 15:44:14 -0200
        Subject: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar


         
        Caros,

        pra quem tiver interesse, enfim, consegui colocar a conversa que tive com Pedro Valente no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=cNEbXcaOAcs

        quem puder divulgar, a rede agradece!

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      • Carlos Plácido Teixeira
        Prezadas,valeu muito pelo apoio. Quando precisarem de depoimentos ou desabafos de jornalista, estou à disposição. E vamos seguir em frente que tem muita
        Message 3 of 8 , Dec 3, 2010
        • 0 Attachment
          Prezadas,
          valeu muito pelo apoio. Quando precisarem de depoimentos ou desabafos de jornalista, estou à disposição. 
          E vamos seguir em frente que tem muita briga pela frente.

          abraços,
          Carlos Plácido Teixeira




          To: jornalistasdaweb@yahoogroups.com
          From: dissat@...
          Date: Thu, 2 Dec 2010 13:45:02 -0200
          Subject: Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar

           

          Ceila e Carlos,
           
          Se toda decepção pudesse gerar uma contra partida como a do Carlos.... Precisamos de mais gente decepcionada por aí.
           
          Tudo é aprendizado mesmo. E alguns “nãos” e desafios acabam nos obrigando a aprender muita coisa e a tentar se virar sozinho. Não que sejamos tão auto-suficientes, pois ter os profissionais certos do lado é sempre fantástico e tb um aprendizado.
           
          Parabéns Ceila pelo trabalho (como sempre) e Carlos pela volta por cima.
           
          Bjos, Cris Dissat
           
          Sent: Monday, November 29, 2010 5:45 PM
          Subject: Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar
           
           
          Carlos,


          Espero realmente que mais gente viva esses momentos de decepção como o seu. Só assim teremos chance de juntar pessoas com o interesse comum de inovar e com a experiência de que ISSO só será possível se nós pegarmos as redeas do que queremos fazer. Eu sei que é utópico, mas acho que a oportunidade está em criar coletivos para fazer o que os grandes grupos ainda não fizeram. Tomare que haja muitas experiencias como a sua.....

          Parabéns por tudo e continue sempre! Há espaços para inovadores, mas eles terão de ser construídos do zero.


          Em 29 de novembro de 2010 17:28, Carlos Plácido Teixeira <capteixeira@...> escreveu:
           
          Célia,
           
          Não sei se até que ponto a minha história é parecida com a de outras pessoas. Mas o fato é que eu aprendi muito porque não tinha, e não tive, durante cinco anos, o menor apoio da assessoria de comunicação da prefeitura onde eu trabalhei até março deste ano. Acho bem sintomático da mentalidade atrasada o fato de que prefeitura torra, em um ano, R$ 3.548.160,00, apenas em impressão colorida do Diário Oficial do Município, fora os outros custos, para o deleite do prefeito, de secretarios e de alguns poucos gestores políticos da máquina administrativa. São mais de 50 jornalistas voltados à produção de conteúdos para o jornal, de tiragem de 2 mil exemplares e praticamente sem leitura.
           
          Também tive de bancar, praticamente sozinho, uma luta contra o boicote permanente da empresa de tecnologia da Prefeitura que, antes de minha entrada, tinha o domínio absoluta da, digamos, política de comunicação digital da administração municipal. Eu comprei muita briga e, no final das contas, cinco anos depois, dancei.
           
          Sem apoio e sob boicote, eu fui obrigado a aprender. Pensando positivamente, talvez tenha sido a maior vantagem do trabalho. Aprender, eis a questão. Aprendi todas as etapas do processo de produção. Da arquitetura da informação - para fazer projetos de renovação do portal, uma novela que só existiu porque o sistema utilizado então foi "descontinuado" - até programação e design. O que eu menos pude fazer foi conteúdo, inclusive porque eu não tinha equipe. Eu não tinha designer, nem programador. Tinha uma RP e um jornalista que ficavam por conta dos mais de 100 e-mails de atendimento ao cidadão. No último anos, tive um excelente ""jornalista"": um estudante de educação física, que cumpriu de forma brilhante o papel de apoio à publicação diária de conteúdos.
           
          Acabei estabelecendo um contato com as APIs, como usuário, devo dizer. Inicialmente, com o Google Maps, para fazer a localização de endereços - próprios, segundo o jargão - da Prefeitura. Entendo a lógica e acho vital para o processo futuro do jornalismo. Mas não saberia criar, apesar das noções de programação, até porque acho essencial ter um programador competente trabalhando em conjunto.
           
          Sinceramente, como jornalista eu desanimei completamente. Eu acabei perdendo ao trabalhar na assessoria de comunicação de uma capital de peso na economia brasileira, vendo jornalistas burocráticos na produção de matérias sobre o prefeito fez isso, o secretário fez aquilo...
           
          Desculpe-me, mas vou até estender um pouco mais. Ainda neste ano, tive uma experiência de retorno a uma redação de jornal impresso, onde também tentei fazer uma coisa diferente. E dancei feio. Mais uma vez, fui derrotado.
           
          Como estava na coordenação de pauta de economia, fiz, também utilizando recursos do Google, um sistema de compartilhamento da produção de pauta. O recurso, que ficou bem bacana, facilitaria a identificação, por exemplo, de qual pauta prevista para o repórter beltrano para a especial de domingo. Quais pautas para agronegócios e assim por diante. Usando blogs com acesso restrito, Maps, agenda e contatos Google. Compartilharia as fontes etc. Pensava em compartilhar a produção de pautas com o pessoal do interior, utilizando MSN ou Skype.
          O débil do editor de economia, a quem eu estava subordinado, barrou a minha ideia. Para ele, seria perigoso utilizar os recursos. "A concorrência poderia descobrir as nossas pautas", alegou.
           
          Para mim a definição é: resistência à mudança. Do tal editor ainda obtive uma frase que evidenciou a mediocridade que impera em algumas muitas mentes jornalísticas. O sujeito, editor de economia, não deixava ninguém ter acesso à agenda pessoal de fontes. "Se precisar de algum nome, tem de perguntar pra mim", dizia, com ar de quem estava contando uma grande vantagem. O editor que não compartilha informação com repórteres. E que diz que o texto do jornal não iria mudar, pois é o tal jornal funcionava de determinado modo. O engraçado é que eu tenho 54 anos. Teoricamente, eu sou o tal resistente a mudanças.
           
          Pois é. Pulei fora do jornal, frustrado e considerando que errei mais uma vez ao tentar mudar. Por isso, não sei se nós, jornalistas, vamos realmente conseguir alguma coisa. Ops, lá vou. Mais uma vez, peço desculpas pelo desabafo.
            
          Grande abraço,
          Carlos Plácido Teixeita
            
           
           
           
          Date: Mon, 29 Nov 2010 14:42:25 -0200
          Subject: Re: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar


           
          Carlos,

          Não posso afirmar que imagino o desafio de trazer essas novas possibilidades para dentro de redações do setor público porque nunca tive essa experiência, mas pelo pouco que ouvi no NewsCamp, o que vc diz confere exatamente com o que os professores de jornalismo afirmaram assim como os profissionais que estão fazendo diferentes dentro de redações...
          uma pena!

          Como vc começou a utilizar recursos como APIs nos projetos? Vc fez algum curso? Sabe programar? enfim, nos conta como surgiu essa curiosidade?


          Em 25 de novembro de 2010 08:39, Carlos Plácido Teixeira <capteixeira@...> escreveu:
           
          Célia,
          Como jornalista tentei, em diferentes situações, experimentar recursos como as APIs em projetos. Uma das ações foi tentada no portal da Prefeitura de Belo Horizonte, de onde sai, substituído depois de cinco anos por uma relações públicas muito simpática.
          Da minha experiência ficou o sentimento de que é quase impossível lidar com a resistência à mudança do jornalista e do jornalismo. Eu sinceramente acho que o futuro do jornalismo passa pela experimentação destes novos recursos.
          Mas, pelo que eu sei, mesmo nas salas de aula das faculdades, os alunos querem produzir matéria para o jornal laboratório em papel, sendo que nem mesmo eles são leitores de jornais, e publicar qualquer informação, texto mesmo, em algum blog pessoal ou da turma.
           
          Carlos Plácido Teixeira
          jornalista
          www.radardofuturo.com.br
           
           
           


          To: jornalistasdaweb@yahoogroups.com
          From: ceilasan@...
          Date: Wed, 24 Nov 2010 15:44:14 -0200
          Subject: [jw] Vídeo do NewsCamp no ar


           
          Caros,

          pra quem tiver interesse, enfim, consegui colocar a conversa que tive com Pedro Valente no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=cNEbXcaOAcs

          quem puder divulgar, a rede agradece!

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