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Texto, parte 2

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  • Adriana M.
    Capítulo 2 A Mulher e o Trabalho A entrada em massa da mulher no mercado de trabalho se deu durante a chamada Revolução Industrial, que ocorreu na
    Message 1 of 4 , Jan 17, 2003
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      Cap�tulo 2

      A Mulher e o Trabalho

      A entrada em massa da mulher no mercado de trabalho se deu durante a
      chamada Revolu��o Industrial, que ocorreu na Inglaterra entre 1770 e 1830. A
      Revolu��o Industrial marcou a introdu��o da maquinaria no processo de
      produ��o de mercadorias e de concentra��o de grandes contingentes de
      trabalhadores nas f�bricas.
      Foi um processo vertiginoso, que mudou a situa��o da mulher de todas as
      classes. A ideologia burguesa do amor maternal mostrou toda sua hipocrisia
      ao ser imposta para as mulheres de todas as classes sociais, mas s� valer de
      fato para a mulher burguesa, que tinha tempo para "ser m�e". As mulheres que
      n�o eram da burguesia foram "confiscadas pelo capital", na express�o de
      Marx. E junto com seus filhos!
      A m�quina, criada para render ao m�ximo, exigia o maior n�mero de bra�os
      poss�vel e, assim, acabou por arrancar a mulher de dentro de casa,
      incorporando-a ao seio da classe oper�ria. Como diz Marx,

      "A maquinaria, ao tornar in�til a for�a do m�sculo, permite empregar
      trabalhadores sem for�a muscular ou sem um desenvolvimento f�sico completo,
      que possuem, no entanto, uma grande flexibilidade em seus membros. O
      trabalho da mulher e da crian�a foi, portanto, o primeiro grito da aplica��o
      capitalista da maquinaria. Desse modo, aquele instrumento gigantesco criado
      para eliminar trabalho e oper�rios, se convertia imediatamente em meio de
      multiplica��o do n�mero de assalariados, colocando todos os indiv�duos da
      fam�lia oper�ria, sem distin��o de idade ou sexo, sob a depend�ncia imediata
      do capital. Os trabalhos for�ados a servi�o do capitalista invadiram e
      usurparam n�o s� o lugar reservado �s brincadeiras infantis, mas tamb�m o
      posto de trabalho livre dentro da esfera dom�stica e a romper com as
      barreiras morais, invadindo a �rbita reservada inclusive ao pr�prio lar". (O
      Capital)

      Trabalhando turnos seguidos, as mulheres oper�rias, apesar de continuarem
      respons�veis pelo trabalho dom�stico, na pr�tica foram for�adas a abandonar
      o lar � sua pr�pria sorte, acarretando graves problemas sociais, entre eles,
      o aumento do ��ndice de mortalidade infantil e, mesmo, materna. Sem tempo
      para amamentar os filhos, j� que muitas oper�rias eram chamadas ao trabalho
      dez a quinze dias depois do parto, tornou-se comum entre as oper�rias de
      Manchester, por exemplo, como cita a autora T�nia Quintaneiro ("Retratos de
      Mulher") alimentar os beb�s tr�s vezes ao dia e, para mant�-los quietos o
      resto do tempo, davam a eles uma mistura, a "mistura de Godfrey", composta
      de l�udano - um tranq�ilizante � base de �pio, de largo uso entre as
      mulheres - e melado. "Os reflexos dessa situa��o podiam ser vistos nos
      �ndices de mortalidade infantil e nos sofrimentos infundidos �s m�es pobres,
      solteiras ou casadas", diz T�nia Quintaneiro.
      Os trabalhos impostos pelo consumo familiar, tais como costurar, remendar
      etc, S�o for�osamente supridos pela compra de mercadorias j�
      confeccionadas. Ao diminuir a invers�o de trabalho dom�stico aumenta a
      invers�o de dinheiro. Portanto, os gastos de produ��o da fam�lia oper�ria
      crescem e anulam os ingressos obtidos com o trabalho. A isto se agrega o
      fato de que � fam�lia oper�ria � imposs�vel seguir as normas de economia e
      conveni�ncia no consumo e prepara��o dos alimentos.
      Em rela��o ao valor da for�a de trabalho, a incorpora��o da mulher �
      f�brica, e tamb�m da crian�a, desvalorizou o trabalho masculino e aumentou o
      grau de explora��o, agora n�o mais do oper�rio individual, mas de toda a
      fam�lia oper�ria.
      Como diz Marx, o valor da for�a de trabalho passou a ser determinado pelo
      tempo de trabalho indispens�vel para a manuten��o de toda a fam�lia
      oper�ria, e n�o mais apenas do oper�rio adulto individual. Ao lan�ar no
      mercado de trabalho todos os indiv�duos da fam�lia, a m quina distribuiu
      entre toda a sua fam�lia o valor da for�a de trabalho de seu chefe,
      desvalorizando-a.
      "Talvez comprar uma fam�lia parcelada, por exemplo, 4 for�as de trabalho,
      custe mais do que custava antes comprar a for�a de trabalho do cabe�a da
      fam�lia; mas, em troca, o patr�o tem 4 jornadas de trabalho ao inv�s de uma,
      e o pre�o de todas elas diminui em compara��o com o excesso de trabalho
      excedente dado por 4 oper�rios ao inv�s de um. Agora s�o 4 pessoas que t�m
      que dar trabalho ao capital e trabalho excedente para manter uma fam�lia.
      Como se v�, a maquinaria amplia desde o primeiro momento n�o s� o material
      humano de explora��o, o verdadeiro staff do capital, mas tamb�m seu grau de
      explora��o".
      Assim, com a substitui��o cada vez mais intensa do trabalho masculino pelo
      trabalho feminino e, sobretudo, com a substitui��o do trabalho dos adultos
      pelo trabalho infantil, aumentou muito o n�mero de oper�rios, e o capital
      consegui reduzir o n�vel salarial de todos eles. Como lembra Marx, "tr�s
      meninas de 13 anos, com sal�rios de 6 a 8 chelins por semana, substituem um
      homem de idade madura, com uma jornada de 18 a 45 chelins".
      Outro tipo muito comum de explora��o das mulheres era o das oper�rias em
      domic�lio. Lhes era prometido, mediante avisos colocados nas f�bricas, um
      trabalho f�cil, que exigia somente a compra de uma m quina de costura. O
      rendimento exigido era t�o grande e os sal�rios t�o baixos que a oper�ria
      n�o chegava jamais a pagar sua m quina, que era confiscada em pouco tempo.
      Essas condi��es terr�veis de trabalho pode-se pensar que ficaram no
      passado, numa �poca na qual a explora��o era levada ao extremo. No entanto,
      ao observarmos as condi��es de trabalho de hoje, e n�o apenas nos pa�ses do
      terceiro mundo, mas tamb�m nos pa�ses imperialistas, apesar de ter havido
      melhorias, elas n�o diferem muito daqueles tempos.
      Como se nota, apesar de haver sido "confiscada" pelo capital para ir �
      f�brica, a mulher n�o foi libertada da escravid�o do trabalho dom�stico. O
      trabalho fora de casa, se por um lado significou o in�cio de sua liberta��o,
      j� que unificou a mulher � classe oper�ria e lhe deu assim, as ferramentas
      para lutar contra o capital e por sua emancipa��o, por outro lado imp�s a
      ela duplica��o da jornada de trabalho e, com isso, a duplica��o de sua
      aliena��o enquanto trabalhadora, j� que a mulher n�o � uma na f�brica, e
      outra em casa; ela � um ser �nico, que exerce essas duas fun��es sociais.

      A quest�o do trabalho dom�stico

      O trabalho dom�stico n�o � um problema da mulher, como se costuma pensar,
      mas sim do sistema, j� que tem a ver com o processo de reprodu��o da for�a
      de trabalho. � no lar que essa reprodu��o se processa.
      A for�a de trabalho � uma mercadoria, a �nica que o trabalhador possui para
      vender ao capitalista. Por outro lado, a for�a de trabalho � a �nica
      mercadoria que produz valor, j� que o valor que ela produz � sempre
      superior a seu pr�prio valor. Seu pr�prio valor se transforma no sal�rio,
      entendido como o necess�rio para a sobreviv�ncia do trabalhador. A diferen�a
      entre o valor produzido pela for�a de trabalho e seu pr�prio valor (o
      sal�rio) � a mais-valia.
      Desse sal�rio pago pelo capitalista para que a for�a de trabalho se
      reproduza se desconta o trabalho dom�stico, aquele realizado no seio da
      pr�pria fam�lia, e pelo qual o capitalista n�o desembolsa nada. Ou seja, o
      capitalismo explora a separa��o entre o processo de produ��o de mercadorias
      e o processo de reprodu��o da for�a de trabalho para, dessa forma,
      incrementar a extra��o de mais-valia.
      O trabalho dom�stico tem outro aspecto essencial, que n�o foi analisado por
      Marx. Quando tratou do problema da propriedade privada e do trabalho
      alienado, Marx citou a mulher em apenas um aspecto: sua rela��o com o homem:

      "Na rela��o com a mulher como a presa e a criada da lux�ria comunit�ria
      est� expressa a degrada��o infinita em que o ser humano existe para si
      mesmo, pois o segredo desta rela��o tem a sua express�o inequ�voca,
      decidida, manifesta, desvelada, na rela��o do homem com a mulher e no modo
      como � tomada a rela��o natural, imediata do g�nero. A rela��o imediata,
      natural, necess� ria do ser humano com o ser humano � a rela��o do homem com
      a mulher (...) a rela��o do homem com a mulher � a rela��o mais natural do
      ser humano com o ser humano. Nela se mostra portanto at� que ponto a
      ess�ncia humana se lhe tornou ess�ncia natural, at� que ponto a sua natureza
      humana se lhe tornou natureza. (Marx)

      Nesse texto, ao explicar a quest�o da aliena��o, Marx n�o menciona a mulher
      como ser oprimido (e igualmente alienado). � como se o trabalho dom�stico
      que ela realiza, incluindo a cria��o dos filhos, n�o fosse um trabalho
      alienado. Somente o trabalho do oper�rio na f�brica.
      Na verdade, essa rela��o do homem com a mulher, no capitalismo, se d�
      entre dois seres alienados. Ele toma a mulher como propriedade, como
      mercadoria, como serva, e ela o toma como seu patr�o, seu dono. Enquanto
      dona de casa, ela n�o � dona de mais nada. Decai a uma mercadoria, a mais
      miser�vel das mercadorias, j� que sua mis�ria est� na raz�o inversa do
      peso de seu trabalho. Ela retorna � sua condi��o inicial de escrava, e o
      escravo era -no tempo da escravatura - a mercadoria por excel�ncia. Assim o
      seu � o trabalho alienado em si mesmo, j� que nem mercadorias produz. Seu
      resultado n�o � concretizado em coisas palp� veis que possam se contrapor �
      mulher enquanto trabalhadora dom�stica. Ela se anula em objetos
      n�o-vis�veis. � trabalho que se esvai em trabalho. Se a aliena��o vem com a
      separa��o do homem do produto de seu trabalho, um trabalho que n�o gera
      produto (como � o caso do trabalho dom�stico) s� gera trabalho, � um
      trabalho continuo, sem fim.
      A mulher v� o homem como aquele que a submete a isso, a essa condi��o
      brutal. Ela trabalha para que ele produza mercadorias, ou seja, para que o
      trabalho de outrem se efetive, se fixe em um objeto. Como diz Marx, a
      realiza��o efetiva do trabalho � a sua objetiva��o, sua coisifica��o. O
      trabalho da mulher em casa, ent�o, n�o se objetiva em nada, portanto, nem
      mesmo se realizaria efetivamente enquanto trabalho. Mas n�o existe um
      trabalho que n�o se efetive em nada. Sendo assim, o trabalho da mulher s�
      pode se se efetivar no trabalho do homem, no produto que ele cria; por isso
      ela � duplamente alienada. Se no caso dele, o objeto que o seu trabalho
      produz "se lhe defronta como um ser alheio, um poder independente", no caso
      dela, esse ser � mais alheio ainda: alheio a ele, em primeiro lugar, e s�
      depois, alheio a ela. Entre ela e o produto de seu trabalho (aquele que o
      homem produz) h�, portanto, um intermedi�rio, o homem. � assim, duplamente
      exterior a ela. Uma vez exterior a ele, e duas vezes exterior a ela.


      A Mulher e a Globaliza��o da Economia

      Essa dupla condi��o da mulher - de reprodutora do capital e de for�a de
      trabalho - � agravada neste per�odo de globaliza��o da economia e
      restrutura��o produtiva.
      Como essas mudan�as no mercado de trabalho afetam a m�o-de-obra feminina? A
      mulher est� sendo mais requisitada pelas empresas ou menos? As novas
      rela��es de produ��o s�o realmente novas? O que trazem de novo: maior
      igualdade entre homens e mulheres ou, pelo contr�rio, um refor�o da
      desigualdade?
      Tradicionalmente, a m�o-de-obra feminina pertence ao ex�rcito industrial de
      reserva. O capitalismo lan�a m�o dela em determinados per�odos, sobretudo
      quando necessita de maior produ��o. Foi assim durante as duas guerras
      mundiais, quando a mulher ocupou os postos de trabalho deixados pelos
      homens, que foram para a frente de batalha, e depois, com o fim da guerra,
      engrossou outro ex�rcito, o de demitidos. Nos EUA, quando 11 milh�es de
      soldados retornaram do campo de batalha no final da guerra, em 1945,
      encontraram 18 milh�es de mulheres ocupando seus postos de trabalho. Num
      processo r�pido, de apenas dois anos, quase todas j� haviam sido
      desmobilizadas.
      A globaliza��o econ�mica, tend�ncia que teve in�cio nos anos 80 e que est�
      encerrando o mil�nio, � uma resposta a uma situa��o de crise do capitalismo,
      com o fim do "boom" dos anos 60, e n�o de fortalecimento. Portanto, � uma
      situa��o de instabilidade, de aumento da concorr�ncia e dos atritos entre os
      pa�ses imperialistas devido � abertura dos mercados e das fronteiras.
      Configura-se num salto na internacionaliza��o do capital, gerando um
      processo contradit�rio de integra��o econ�mica e exclus�o de setores
      crescentes da popula��o mundial, em especial de seus setores j� mais
      marginalizados e superexplorados, como as mulheres, os jovens e os
      considerados idosos, dos pa�ses perif�ricos. Nos pa�ses imperialistas,
      acrescente-se a esses os grandes contingentes de imigrantes.
      Em linhas gerais, a globaliza��o da economia, cuja principal express�o no
      n�vel pol�tico � o neoliberalismo, se traduz por uma globaliza��o de todos
      os aspectos particulares essenciais. � uma globaliza��o produtiva e
      comercial, atrav�s da conforma��o dos blocos regionais, a amplia��o da
      concorr�ncia em todo o mundo e o predom�nio cada vez maior dos mercados
      regionais e mundial sobre os mercados internos dom�sticos. Com a queda das
      barreiras alfandeg�rias, as multinacionais passaram a selecionar os pa�ses
      que oferecem m�o-de-obra mais barata e condi��es tarif�rias mais atrativas
      para estabelecer plantas industriais e a partir da� exportar para o mercado
      mundial ou regional, aumentando assim sua taxa de lucros. A globaliza��o
      financeira, que acentua a domina��o do capital financeiro sobre o capital
      produtivo; a restrutura��o produtiva, com o abandono do modelo fordista e a
      incorpora��o de diversas formas de organiza��o do trabalho, ao lado de
      grandes investimentos tecnol�gicos, sobretudo com a informatiza��o da
      produ��o; uma ampla reforma do Estado, que se restringe ao m�nimo,
      repassando suas fun��es anteriores de atendimento � sa�de, � educa��o e
      previd�ncia para capitais privados e, finalmente, uma liberdade nunca vista
      para o capital, com a abertura das fronteiras para capitais e produtos, a
      desregulamenta��o e flexibiliza��o do trabalho e da produ��o.




      As novas formas de organiza��o do trabalho

      Para analisarmos o que ocorreu com a mulher no mercado de trabalho
      precisamos antes analisar o que ocorreu com o mercado de trabalho em si.
      Numa vis�o sint�tica, � poss�vel dizer que a caracter�stica fundamental da
      nova organiza��o do trabalho � a produ��o flex�vel, de acordo com a demanda.
      Em outras palavras, s� se produz o que se vende, ou melhor, se rep�e. Isso �
      poss�vel com a enorme acelera��o da produ��o possibilitada pela
      informatiza��o e automa��o industrial, fazendo com que se tenha em m�os
      produtos novos e na quantidade desejada em quest�o de minutos.
      Na linha de produ��o, ao inv�s de cada trabalhador se encarregar de uma
      parte do produto, um autom�vel por exemplo, como era caracter�stica do
      fordismo, agora um mesmo trabalhador opera v rias m quinas, faz o controle
      de qualidade, a manuten��o, pequenos reparos e limpeza. � o oper�rio
      polivalente que trabalha nas chamadas "ilhas de produ��o". Por outro lado
      est� a horizontaliza��o da produ��o, com o repasse de tarefas a de empresas
      terceirizadas.
      As conseq��ncias para a classe trabalhadora s�o vis�veis. A primeira delas
      � o desemprego estrutural, isto �, o desaparecimento puro e simples de
      milhares de postos de trabalho (estima-se em um bilh�o de desempregados no
      mundo todo hoje, cerca de um ter�o da for�a de trabalho). Por outro lado, h�
      uma amplia��o do setor de servi�os, setor de terceirizados e trabalhadores
      informais e tempor�rios, sem v�nculos empregat�cios definidos. Segundo
      Ricardo Antunes,

      "Pode-se dizer de maneira sint�tica que h� uma processualidade contradit�ria
      que, de um lado reduz o operariado industrial e fabril, de outro aumenta o
      subproletariado, trabalho prec�rio e o assalariamento no setor de servi�os.
      Incorpora o trabalho feminino e exclui os mais jovens e os mais velhos. H ,
      portanto, um processo de maior heterogeneiza��o, fragmenta��o e
      complexifica��o da classe trabalhadora. Pode-se dizer que nos principais
      pa�ses industrializados da Europa Ocidental, os efetivos de trabalhadores
      ocupados da ind�stria representavam cerca de 40% da popula��o ativa no
      come�o dos anos 40. Hoje, sua propor��o se situa pr�xima dos 30%. Calcula-se
      que baixar a 20 ou 24% no come�o do pr�ximo s�culo". (13)

      Por outro lado, h que lembrar ainda que o avan�o dos planos neoliberais
      teve tamb�m outros reflexos na vida dos trabalhadores, como o rebaixamento
      dos sal�rios diretos e o corte dos sal�rios indiretos, com os ataques ao
      estado de bem-estar social, cortes de investimentos em educa��o, sa�de e
      previd�ncia.

      A situa��o da mulher trabalhadora

      Acreditar que as novas formas de organiza��o do trabalho, como hor�rios
      flex�veis e contratos prec�rios, favorecem a incorpora��o da mulher ao
      mercado de trabalho � um equ�voco. A mulher trabalhadora, juntamente com o
      restante de sua classe, padece ainda mais com as novas formas de organiza��o
      da produ��o. Se, por um lado, � certo que h� mais mulheres na PEA
      (Popula��o Economicamente Ativa, que engloba os trabalhadores empregados e
      os desempregados), s�o mais mulheres que saem em busca de emprego e n�o mais
      mulheres empregadas. O que empurra essas mulheres � busca de trabalho � a
      pr�pria situa��o de pen�ria da fam�lia trabalhadora. Por um lado, a
      necessidade de aumentar o sal�rio familiar, totalmente arrochado; por outro,
      o pr�prio desemprego do marido. Assim, h� uma esp�cie de "troca de pap�is"
      entre o homem e a mulher, mas uma "troca" que n�o fomenta a igualdade, e sim
      refor�a os pap�is tradicionais, j� que vem no bojo de uma experi�ncia
      negativa advinda das priva��es econ�micas.

      "Elas n�o escolheram trocar seus pap�is, mas foram obrigadas pelas
      circunst�ncias. Al�m disso, se incrementa a press�o sobre a mulher que tenta
      aumentar seus minguados ingressos diante da alta do custo de vida,
      substituindo com seu pr�prio trabalho remunerado os bens e servi�os que
      antes costumava comprar, sentindo-se respons�vel pelo bem-estar emocional de
      toda a fam�lia na qual, com o desemprego masculino, costumam agravar-se as
      tens�es. As mulheres tampouco se sentem 'mais emancipadas'-cabe�as de
      fam�lia- e menos ainda com filhos a seu encargo-, cuja 'op��o vem
      acompanhada de fortes penaliza��es econ�micas que levaram os soci�logos a
      falar de 'feminiza��o da pobreza' (...) "Por isso est�o equivocados aqueles
      que querem deduzir mecanicamente do incremento da atividade feminina um
      avan�o na emancipa��o de amplas camadas de mulheres ao 'equiparar-se' com os
      homens. Pelo contr�rio, nas circunst�ncias atuais, se convertem em refor�o
      dos pap�is tradicionais" (14)

      A partir dos anos 80 a crise no setor industrial levou a uma perda de
      postos de trabalho para homens e tamb�m para mulheres, j� que atingiu
      setores que costumam empregar mulheres, como a ind�stria t�xtil. No entanto,
      paralelamente, houve um crescimento de postos de trabalho ocupados por
      mulheres porque se dinamizou o setor de servi�os, em grande parte
      "feminino", enquanto se destru�a empregos em todos os demais setores,
      sobretudo na ind�stria. Para Ricardo Antunes, portanto, com a restrutura��o
      produtiva h� uma subproletariza��o intensificada, presente na expans�o do
      trabalho parcial, tempor�rio, prec�rio, subcontratado, terceirizado. E,
      sempre no marco de uma redu��o geral do n�mero de postos de trabalho para
      ambos, homens e mulheres, tem havido uma maior requisi��o de m�o-de-obra
      feminina para ocupar justamente esse tipo de trabalho. Antunes cita um dado
      da pesquisadora Helena Hirata, de que 20% das mulheres no Jap�o, em 1980,
      trabalhavam em tempo parcial, em condi��es prec�rias.
      "Se as estat�sticas oficiais contavam 2.560 milh�es de assalariadas em
      tempo parcial em 1980, tr�s anos depois a Revista Economista, de T�quio,
      estimava em 5 milh�es o conjunto das assalariadas trabalhando em tempo
      parcial" (15)

      Essa mudan�a na estrutura produtiva e no mercado de trabalho possibilitou
      tamb�m a incorpora��o e o aumento da explora��o da for�a de trabalho das
      mulheres em ocupa��es de tempo parcial, em trabalhos "dom�sticos"
      subordinados ao capital. Antunes cita o exemplo da f�brica Benetton e diz
      que na It�lia aproximadamente um milh�o de postos de trabalho, criados nos
      anos 80, majoritariamente no setor de servi�os, mas com repercuss�es tamb�m
      nas f�bricas, foram ocupados por mulheres. Do volume de empregos em tempo
      parcial gerados na Fran�a entre 1982 e 1986, mais de 80% foram preenchidos
      pela for�a de trabalho feminina. Na Espanha, em 1980, 55% das mulheres j�
      trabalhava no setor de servi�os, sobretudo em inform�tica. Essa
      "feminiza��o" esteve acompanhada de um incremento da precariza��o: com 16%
      de contratos por tempo parcial nesse setor. A m�dia europ�ia de trabalho em
      tempo parcial est� em 28% para as mulheres e 3% para os homens (16).

      Maior globaliza��o-maior feminiza��o

      A pesquisadora espanhola Lourdes Bener�a, no estudo "La globalizaci�n de la
      economia y el trabajo de las mujeres" afirma que a globaliza��o e o
      conseq�ente investimento multinacional pode inclusive ter o poder de

      "criar uma nova for�a de trabalho feminina tal como ocorreu em alguns pa�ses
      como Irlanda, a Ilha Maur�cio e Bangladesh, tr�s pa�ses inicialmente com uma
      taxa oficial de atividade feminina relativamente baixa. Ela diz que na
      Irlanda o investimento multinacional come�ou durante os anos 60 e se
      acelerou em 70, fazendo com que no final dos anos 80 funcionassem no pa�s
      cerca de 850 empresas multinacionais com mais de 80 mil postos de trabalho,
      ocupados majoritariamente por mulheres, apesar da pol�tica expl�cita do
      governo de incentivar o emprego de m�o-de-obra masculina.
      (17)

      Segundo Bener�a, as empresas estrangeiras demonstraram prefer�ncia por uma
      for�a de trabalho barata, jovem e sem experi�ncia anterior, requisitos se
      que encontravam sobretudo entre as mulheres.
      No caso de Bangladesh e Ilha Maur�cio, ela lembra que s�o pa�ses com uma
      alta propor��o de popula��o isl�mica e, portanto, com uma atitude
      tradicional r�gida contra a participa��o da mulher em trabalhos remunerados.
      Mesmo assim, a chegada do capital multinacional, como resultado do esfor�o
      do governo para atrair investimento estrangeiro, produziu uma nova for�a de
      trabalho feminina. O que mostra, por outro lado, que n�o h� barreiras para
      o capital, e que as quest�es culturais s�o subordinadas aos interesses
      capitalistas. Em Bangladesh, o governo chegou a proporcionar transporte
      p�blico para as mulheres que viajavam sozinhas e prote��o especial para
      aquelas que iam a p� para o trabalho. Tamb�m facilitou o emprego de mulheres
      no setor p�blico, contribuindo para criar uma nova mentalidade em rela��o a
      normas de conduta e aceita��o das mulheres na vida social.
      Isso mostra que: 1) o investimento capitalista veio apelando para pa�ses
      perif�ricos, em busca de isen��es fiscais e m�o-de-obra mais barata e
      abundante, e 2) nesses pa�ses, se beneficiou do ex�rcito industrial de
      reserva constitu�do pelas mulheres.

      Flexibiliza��o para quem?

      Um estudo das pesquisadoras Sylvia Walby e Jane Jenson, citado por Helena
      Ely tamb�m mostra que as rela��es de produ��o com a globaliza��o refor�am as
      desigualdades entre homens e mulheres, e n�o a igualdade.

      "Nas ind�strias automatizadas e flex�veis observa-se n�o um processo de
      desqualifica��o, mas uma redefini��o das qualifica��es de seus
      trabalhadores. Em grande parte, o n�cleo fixo dos empregados dessas empresas
      passa a realizar uma seq��ncia de tarefas, desde o preparo da m�quina at� a
      sua manuten��o, que at� ent�o era dividida entre diversos
      trabalhadores"(...) (18)

      Surgem, portanto, trabalhadores polivalentes ou multifuncionais, capazes de
      passar de um trabalho a outro rapidamente, permitindo � empresa adequar a
      produ��o � varia��o das demandas do mercado. Essa requalifica��o atinge
      quase que exclusivamente o n�cleo fixo. Todos os demais funcion�rios, ou os
      empregados das empresas prestadoras de servi�o, as terceirizadas, etc,
      formam um contingente de m�o-de-obra n�o qualificada. Assim, como os n�cleos
      fixos s�o cada vez mais reduzidos, ou seja, empregam cada vez menos
      trabalhadores, a contrapartida � um crescimento do n�mero de trabalhadores
      n�o-qualificados e um aumento do desemprego.
      Sylvia Walby aponta para o fato de que esses trabalhadores prec�rios,
      n�o-qualificados, que n�o fazem parte dos n�cleos fixos s�o, na maior parte,
      mulheres. Ela critica, no entanto, as concep��es de que est� ocorrendo um
      processo de feminiza��o do mercado, preferindo verificar uma diferencia��o
      no emprego de homens e mulheres. Diz que existe uma tend�ncia a se
      equacionar os trabalhadores do n�cleo como homens e os perif�ricos como
      mulheres e observa que a "remo��o das demarca��es entre os postos de
      trabalho alcan�ada com a flexibilidade funcional acentua as demarca��es que
      separam trabalhos t�picos de cada um dos sexos". E lembra que velhas formas
      de patriarcalismo foram substitu�das por novas:

      "O abismo entre os sal�rios do homem e da mulher n�o foi superado. O
      emprego n�o est� menos segregado por sexo. Com o trabalho assalariado de
      meio turno da mulher, os homens n�o perderam suas trabalhadoras dom�sticas
      individuais, enquanto os empregadores ganharam trabalho barato.
      Flexibilidade para quem?" (19)

      Outra pesquisadora citada por Helena Ely, Jane Janson, tamb�m v� que a
      flexibiliza��o atinge de forma diferenciada homens e mulheres, justamente
      por causa da qualifica��o, que � um conceito socialmente constru�do e
      reproduzido pelo capitalismo. Ela observa que os trabalhadores flex�veis na
      maioria s�o homens.

      "A mulher na ind�stria geralmente � operadora de m�quina, enquanto o homem
      � quem a desenha, faz a sua manuten��o e prepara��o. Freq�entemente, o que o
      homem faz � considerado qualificado e o que a mulher faz � um talento
      natural. Para uma operadora sempre tem algu�m que deve saber mais que ela
      sobre a tecnologia da m quina na qual ela est� trabalhando. E esse algu�m �
      quase sempre um homem".

      Jane Janson aponta tr�s raz�es b�sicas para a mulher tem com a m�quina
      rela��es diferentes das do homem:

      "o desenho da m�quina, que � pensada para homens, conformando-a dentro da
      divis�o sexual do trabalho; a postura do administrador que faz as
      contrata��es e define o que seja trabalho feminino e masculino, e a
      concep��o que os pr�prios homens e mulheres t�m do que seja pr�prio do
      trabalho de cada g�nero".

      Outro atrativo para o emprego de mulheres nestes tempos de globaliza��o da
      economia s�o o trabalho terceirizado e o trabalho em domic�lio. Como lembra
      a revista Veja

      "o grande receio dos empres�rios em contratar profissionais femininas -o de
      que, ap�s um maci�o investimento da empresa, elas possam decidir dedicar-se
      � fam�lia e aos filhos- tende a diminuir com a terceiriza��o do trabalho."
      (20)

      Os empres�rios est�o constatando que trabalhando em casa a mulher tem um
      rendimento maior. E eles n�o precisam instalar ou pagar creches, aux�lio-
      maternidade e outros direitos. Para os funcion�rios efetivos, direitos
      m�nimos como esses tamb�m v�m sendo amea�ados. O direito �
      licen�a-maternidade de quatro meses, tempo considerado suficiente para a
      mulher amamentar pela Constitui��o de 88 no Brasil, vem sendo minado aos
      poucos n�o tanto pela gan�ncia dos empres�rios, mas sobretudo por algo mais
      estrutural, ou seja, a crise econ�mica e o medo da mulher de ficar todo esse
      tempo fora da empresa e na volta n�o encontrar mais seu emprego.
      Tudo isso nos permite concluir que 1) A elimina��o de postos de trabalho
      atinge por igual homens, mulheres e jovens que procuram seu primeiro
      emprego, no entanto, as desigualdades entre homens e mulheres ficam
      agravadas; 2) O trabalho prec�rio vem sendo ocupado por ambos. No entanto,
      os n�cleos fixos n�o. Para eles o homem tem mais chance numa �poca em que a
      escraviza��o � maior. A ideologia dominante imp�e sal�rios mais baixos �
      mulher, menos treinamento, menos capacidade decis�ria, menos intimidade com
      a m quina e a tecnologia em geral, mais compromissos e preocupa��es
      dom�sticas. H� desigualdade na contrata��o; 3) A segrega��o ocupacional
      reserva mais � mulher do que ao homem os trabalhos secund�rios, perif�ricos.
      Apesar da restrutura��o na produ��o representar um ataque global ao conjunto
      dos trabalhadores, ela atinge de forma diferenciada homens e mulheres, e
      recoloca em novos patamares a divis�o sexual do trabalho.
      Outra quest�o fundamental para se analisar a situa��o da mulher no mercado
      de trabalho � a desigualdade salarial. Apesar de que em nenhum pa�s do
      mundo, em princ�pio, se permite a desigualdade salarial entre homens e
      mulheres para cargos iguais, isso � largamente praticado. As empresas usam e
      abusam de subterf�gios e criam trabalhos "femininos" e "masculinos". Essa
      segrega��o ocupacional d lugar � disparidade t�pica entre sal�rios tamb�m
      "femininos" e "masculinos", apesar de que os trabalhos considerados de
      mulheres e de homens sejam distintos de pa�s para pa�s.
      "Por exemplo, nos pa�ses mais industrializados ocidentais o trabalho de
      escrit�rio � predominantemente feminino e o trabalho agr�cola
      predominantemente masculino, enquanto que em muitos pa�ses africanos � o
      contr�rio", diz Lourdes Bener�a. (21)
      Ela lembra que esse fen�meno refor�a o argumento de que a divis�o sexual do
      trabalho � uma constru��o social e n�o o resultado de caracter�sticas
      "naturais" de homens e mulheres. Outro fator que comprova isso � o fato da
      segmenta��o sexual do mercado depender da import�ncia desde ou daquele setor
      da economia em cada pa�s. Na Venezuela, por exemplo, a ind�stria t�xtil � a
      terceira mais importante do pa�s e, por isso, ocupa mais homens e mulheres,
      como era de se esperar.
      A trabalhadora brasileira hoje ganha em m�dia 43% menos do que o homem
      (Fran�a: 30%, Alemanha: 26%). Um estudo desenvolvido pela cientista pol�tica
      Sonia de Avelar, citado pela revista Veja (22), mostra que quanto mais
      "feminina" a ocupa��o, mais mal remuneradas s�o as mulheres em rela��o aos
      homens. Uma profiss�o com menor porcentagem de mulheres, a engenharia
      mec�nica, por exemplo, onde apenas 3,6% da m�o-de-obra � feminina, � uma das
      que t�m remunera��o mais igualit�ria. A menos igualit�ria � a nutri��o.
      A redu��o dos postos de trabalho est�veis, e sua substitui��o por postos
      flex�veis, que pagam menos, provoca um rebaixamento geral da massa salarial.
      Numa situa��o como essa, a ideologia de que a mulher pode ganhar menos
      porque seu sal�rio apenas complementa o do homem, serve como uma luva. O
      capitalismo explora a situa��o com oferta de empregos que tornem
      "compat�veis" ambas as tarefas (no lar e na empresa) e que, por defini��o,
      ser�o "parciais" j� que o trabalho dom�stico n�o se abandona. A mulher,
      portanto, � por defini��o uma m�o de obra barata e flex�vel.
      Atrav�s desse mecanismo, o sistema aplica, de fato, a redu��o de horas de
      trabalho com redu��o de sal�rio.

      O mito das "qualidades femininas"

      Uma segunda explica��o para o emprego feminino tem a ver com as
      caracter�sticas que se procura atribuir � mulher como forma de justificar
      sua superexplora��o. Isso n�o � novo. J� nos idos de 1890, August Bebel
      lembrava que para manter a fam�lia, at� a mulher casada se via obrigada
      trabalhar. E cita o caso de um fabricante que empregava exclusivamente
      mulheres em oficinas mec�nicas t�xteis, preferindo as "casadas", e entre
      elas, as que t�m fam�lia que "depende delas para sua subsist�ncia", porque
      s�o mais ass�duas e mais aptas para instruir-se que as jovens, e est�o mais
      "for�adas a concentrar todas as suas for�as no trabalho" para ganhar os
      meios indispens�veis de exist�ncia.

      "Desse modo, as qualidades e virtudes pr�prias do car�ter da mulher se
      voltam contra ela, e tudo o que existe em sua natureza de moral e delicado
      se transforma em meio para convert�-la em escrava e faz�-la sofrer" (23)

      Essa hist�ria de que a mulher � mais "s�ria" para trabalhar j� foi
      in�meras vezes, desde que Bebel escreveu seu livro at� hoje, substitu�da por
      seu oposto, a de que ela � "menos s�ria" para trabalhar, quando o
      capitalista necessita demitir pessoal. Hoje, o que temos visto � que a
      ideologia em vigor na �poca de Bebel vem se repetindo. A revista Veja,
      porta-voz da burguesia nacional, dedicou um n�mero especial � mulher em
      setembro de 1994 para vender a imagem de que as tais "caracter�sticas"
      femininas s�o um s�mbolo da "independ�ncia feminina" e justificariam uma
      maior prefer�ncia dos empres�rios por contratar mulheres.
      S�o bem reacion�rias essas caracter�sticas:

      a mulher seria mais autorit�ria que o homem; n�o briga por sal�rio; utiliza
      pouco as palavras dinheiro e poder; sente que tem de trabalhar o dobro para
      ser respeitada como os homens; acredita que ass�dio sexual s� ocorre se a
      mulher der abertura; mulher demitida esperneia mas ag�enta, homem desmonta;
      exerce lideran�a de bastidor, articula solitariamente; traz o know-how de
      casa, onde resolve conflitos familiares: "deixa que eu falo com o papai".
      (24)

      Essas caracter�sticas "femininas" s�o apregoadas como se fossem o m�ximo do
      avan�o e da modernidade, s�mbolo de independ�ncia da mulher e de valoriza��o
      do sexo feminino. Mas na verdade, nem tudo � t�o cor-de-rosa. S�o
      "qualidades" e atributos utilizados, sobretudo, pelo capital para que a
      mulher funcione como correia de transmiss�o dos seus interesses no processo
      produtivo. Ao capital n�o interessa funcion�rios verdadeiramente
      independentes e emancipados. Nesta fase da restrutura��o produtiva, quer
      funcion�rios que resolvam seus problemas e que n�o criem outros.

      "Promovemos cada vez mais mulheres n�o porque � politicamente correto, mas
      porque faz sentido empresarial", diz Paul Allaire, presidente da Xerox, que
      tem 30% de funcion�rias mulheres. (25)

      Lourdes Bener�a cita em seu trabalho o resultado de estudos que analisaram
      as respostas das empresas a respeito das "qualidades" femininas:

      a) Fatores que facilitam o controle da for�a de trabalho. Alguns deles j�
      s�o t�picos, como a maior submiss�o, docilidade e capacidade de obedecer
      ordens. Isso as torna prefer�veis tamb�m do ponto de vista da organiza��o
      trabalhista; as mulheres participam menos nas atividades sindicais devido a
      uma s�rie de fatores que oscilam entre o controle masculino dos sindicatos e
      as obriga��es dom�sticas que dificultam sua participa��o.

      b) Fatores relacionados � produtividade, como os que ressaltam a maior
      destreza da mulher sobretudo na produ��o de objetos diminutos (placas de
      computadores, por exemplo) ou que requerem cuidado e paci�ncia. A disciplina
      tamb�m � ressaltada.

      c) Fatores que destacam a flexibilidade no trabalho da m�o-de-obra feminina
      e sobretudo das mulheres jovens no sentido de aceitar contratos de trabalho
      por curto prazo ou n�o renov�veis e trabalho por tempo parcial e inst�vel.
      Isto permite n�o s� evitar problemas de demiss�o e de sa�de -especialmente
      nos casos de problemas relacionados com a contamina��o, cansa�o ou desgaste
      f�sico e mental- como tamb�m evitar a acumula��o de benef�cios trabalhistas.
      Esta flexibilidade permite uma adapta��o m�xima da oferta de trabalho �s
      oscila��es e exig�ncias da produ��o e constitui um est�mulo para a
      transnacionaliza��o, j� que permite burlar as leis trabalhistas mais
      r�gidas de muitos pa�ses. (26)

      Por outro lado, o avan�o da tecnologia tamb�m reduziu a necessidade do uso
      da for�a f�sica em muitos trabalhos dentro das empresas, facilitando o
      acesso das mulheres. Hoje, na maioria delas, o trabalhador simplesmente
      fiscaliza o funcionamento das m quinas e aperta bot�es. Isso tem sido
      caracterizado por alguns autores como "feminiza��o" das tarefas em muitos
      segmentos industriais, j� que dispensam a for�a bruta masculina. Se isso
      for assim, poder-se-� estar repetindo o mesmo fen�meno apontado por Marx
      n'O Capital sobre as transforma��es na for�a de trabalho operadas a partir
      da introdu��o da maquinaria nas f�bricas na Inglaterra do s�culo XIX.

      "A maquinaria, ao tornar in�til a for�a do m�sculo, permite empregar
      oper�rios sem for�a muscular ou sem um desenvolvimento f�sico completo, que
      possuam, em troca, uma grande flexibilidade em seus membros. O trabalho da
      mulher e da crian�a foi, portanto, o primeiro grito da aplica��o capitalista
      da maquinaria. Desse modo, aquele instrumento gigantesco criado para
      eliminar trabalho oper�rio, se convertia imediatamente em meio de
      multiplica��o do n�mero de assalariados, colocando todos os indiv�duos da
      fam�lia oper�ria, sem distin��o de idade ou sexo, sob a depend�ncia imediata
      do capital". (27)

      Essa cita��o de Marx mostra como um grande avan�o das for�as produtivas,
      como foi a introdu��o da maquinaria sob o capitalismo e da inform�tica hoje,
      pode implicar numa amplia��o do n�mero de escravizados pelo capital, com a
      utiliza��o do trabalho feminino e infantil, levando a um achatamento
      salarial geral e n�o � melhoria de suas condi��es de vida.










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    • ro_magellan
      http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13220 For my maidenhood -- at twelve ! (Por minha virgindade -- aos doze !) Mesmo para quem não conhece
      Message 2 of 4 , May 12, 2003
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        http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13220



        For my maidenhood -- at twelve ! (Por minha virgindade -- aos
        doze !) Mesmo para quem não conhece Shakespeare é um sítio IM -
        PER -DÍ - VEL !


        Shakespeare: Subject to Change



        Creative insults

        More of your conversation would infect my brain !

        Let's meet as little as we can.

        Thou soddem-witted lord ! Thou hast no more brain than I have in
        mine elbows !


        .... and many others !




        http://www.ciconline.org/bdp1/

        Cable in the Classroom presents....

        Shakespeare: Subject to Change

        giving the Bard a little bit of Flash.

        Let Shakespeare show you the brain-charging
        learning power of broadband technology.

        Site Requirements:
        High-speed cable Internet connection
        Macromedia Flash 6 Plug-in
        5.0+ browser
        800 x 600 monitor resolution
        Speakers / headphones
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        RÁDIOS NOVA AMÉRICA and VIA BRASÍLIA ARE NOW IN THE AIR ESTÁN AHORA EN EL AIRE // ESTÃO AGORA NO AR Rádio Nova América is a Web based radio that
        Message 3 of 4 , May 18, 2003
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          RÁDIOS NOVA AMÉRICA and VIA BRASÍLIA

          ARE NOW IN THE AIR

          ESTÁN AHORA EN EL AIRE // ESTÃO AGORA NO AR



          Rádio Nova América is a Web based radio that broadcasts 24 hours of
          attractive Iberian-American popular music with NO advertisements.
          You can hear it in your computer at the same time that you are
          working elsewhere in the Internet // puedes oirla en tu computadora
          al mismo tiempo en que trabajas en otro lugar de Internet

          at this URL


          http://www.usinadosom.com.br/divulgar_url.asp?indice=8249223

          There are about 150 melodies in store. Almost all of them are sung
          either in Castillian (Spanish) or in Portuguese (Galician). //
          Casi todas las melodías son cantadas en castellano o en portugués
          (gallego).


          Rádio Nova América broadcasts a selection from the times of Carlos
          Gardel, Carmen Miranda, Enrique Granados and Imperio Argentina up to
          nowadays, as Marisa Monte, Milton Nascimento, Raíces de América and
          Zizi Possi -- and many others!


          There are some folkoric tunes. Many melodies sing love, nature or
          are just funny. A good number of the most beautiful, however, have a
          political meaning even when their lyrics deal at the same time with
          those themes or have been used in a political context, as mass
          demonstrations, for instance.


          A curiosity: we have also added two very old Sephardic songs (from
          Sepharad, Spain in Hebrew) in Ladino. "Yo soy el marqués del Brasil
          para vos librar del brasero." ("I'm the marquis of Brazil to free you
          from the brazier") -- it is an unsavory wordplay said by a
          fictional character in _El Brasil Restituído_ by Lope de Vega
          (1562/1635) with those who were persecuted by the Holy Inquisition
          and sought refuge in South America. Another addition are some songs
          of the Galician-Basque-French rebel Manu Chao, with so many family
          and musical ties to Iberia and Latin America and a Brazilian by
          adoption (see 1 ahead).

          Via Brasília is another Web radio managed by us, but it is under
          construction yet. By now it has just about 50 songs, by the most
          part sweet _bossa nova_ -- styled songs.


          Its URL is the same as above, but click instead Via Brasília at this
          point:

          Se quiser, confira abaixo minhas outras rádios.

          Via Brasilia



          Both Rádios Nova América and Via Brasília belong to the same network
          of


          Eskuerra and SXS - Sexuality and Socialism,


          in Castellano // Deutsch // English //
          Français // Italiano // Português


          You may find general information and links about it at

          http://groups.yahoo.com/group/StudiaMundi/



          Eskuerra is one of the main political discussion lists of South
          America in number of subscribers, now around 500. A discussion
          list, since those dedicated only to distribution tend to be quite
          larger. There you may download political revolutionary songs from
          several countries (see list below) and antifascist postcards of the
          II World War as well as some little known photos of Marx.


          You don't need subscribe Eskuerra to download these pieces. Just go
          to


          http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra


          and click at the left Fotos

          or Arquivos for the music.

          The songs at Eskuerra are:

          1 -- L'Iinternationale version intégrale en français (original
          version)

          2 -- La Internacional en castellano


          3 -- Merry MarXmas -- an instrumental Xmas version of the
          Internationale

          4 -- Chinese songs:

          4.1 From the Cultural Revolution:

          4.1.1 Red Star Shining

          4.1.2 Ode to Shao Shan

          4.2 East is Red -- the main song of the film with the same
          title, that launched the Cultural Revolution

          4.3 Socialism is Good - a song from the fifties

          5. Che Guevara with Nathalie Cardone

          6. Avante ! (Forwards !) -- the song of the Portuguese communists

          7. Bandiera Rossa (Red Flag) -- Italian folkloric song

          8 -- El Pueblo Unido jamás será Vencido (The People, when united,
          will never be vanquished) -- Chile, 1973. This a common chant in
          the South American street demonstrations.

          9 -- Spaniens Himmel (Sky of Spain) Song of the Internationalist
          Brigade Thälmann, formed by German communists during the Spanish
          Revolution (1936 / 1939).

          10 -- Warszawjanka (the Warsavian) -- In German, though it is a
          song of the Polish workers.


          e-mail any of these addresses:
          via_brasilia@...

          eskuerra@...

          eskuerra_moderadores@...

          sxs_reseau@...


          ¡ PROLETARIOS DE TODOS LOS PAÍSES, UNÍOS !

          PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS !


          (1) On the reference to Manu Chao:

          http://www.venicemag.com/speedways/manu_chao.htm

          "Making music is just an excuse for travelling", he muses about the
          nature of his job. A definite world traveller, listening to Manu
          Chao's latest record, _Próxima Estación: ESPERANZA_, feels like
          taking a trip around the globe. Songs are sung in Spanish, English,
          French, Arabic, Portuguese, and even in Portuñol ("a jumble of
          Portuguese and Spanish, invented by people living in the frontier
          zones - my favourite places!" the singer explains).


          Taking a different approach to songwriting and recording, the
          language Manu Chao writes and sings in depends on the language spoken
          where the song is penned. "That's why there are so many songs in
          Spanish and now, more in Portuguese, because I spend a lot of time in
          Rio and in North Brazil," he notes. "I don't like writing songs just
          because I'm in a country. I need to be able to manage the words and
          slang."
        • via_brasilia
          Please, change the name: NUESTRA AMÉRICA (Our America) instead of Nova América. It is quite understandable and have a very clear political meaning. The URL
          Message 4 of 4 , May 18, 2003
          • 0 Attachment
            Please, change the name:


            NUESTRA AMÉRICA (Our America) instead of Nova América.


            It is quite understandable and have a very clear political meaning.


            The URL remains the same:


            http://www.usinadosom.com.br/divulgar_url.asp?indice=%c2%8249223



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