Você lembra do garoto de rua que estrelou, ao lado de Marília Pera o filme "Pixote" de Hector Babenco ?
O menino teve seus momentos de fama, um período de esperança, mas poucos anos depois sofreu morte violenta, após retornar do nosso mundo de privilegiados para as suas condições de vida "normais" ...
A mesma trágica história acaba de se repetir com outro garoto, que chegou a vislumbrar uma vida decente: o garoto Kifah, do campo de refugiados palestinos de Dehaisheh, a poucos minutos de Jerusalém, que participou do documentário "Promessas para o Novo Mundo" (que recentemente estreou no Brasil), quando pôde descobrir que, "do outro lado", também havia crianças que, como ele, precisavam apenas viver, como ... crianças.
Kifah: A Estrela de Cinema ...
por Mark Schneider (*)
05/01/2002
Alguma vez você encontrou uma estrela de cinema ? Eu quase consegui.
Antes que nossa delegação deixasse o Colorado para ir à Palestina, muitos de nós assistiram um documentário chamado "Promessas". O plano era simples: Um judeu israelense quiz tentar criar relações entre crianças israelenses e palestinas. Visivelmente uma proposta simples - antes de tudo, eles são vizinhos, certo ? E, de certa maneira, ele consegiu.
Kifah era uma dessas crianças, estrelas deste filme. Há cerca de três anos, Kifah tinha apenas 9 anos de idade. Com o estimulo do diretor do filme, as crianças palestinas resolveram hospedar um encontro com dois meninos gêmeos, israelenses seculares.
Todos os meninos palestinos moravam no campo de refugiados de Dehaisheh - localizado perto de Belém. Todas suas famílias tinham origem em aldeias localizadas na atual Israel. Algumas das aldeias ainda existem, embora colonos israelenses ocupem as casas palestinas; várias delas foram arrasadas por bulldozers por Israel - para tentar eliminar qualquer traço da história da massiva presença palestina no atual Israel.
No filme, o encontro de garotos israelenses e palestinos foi mágico, porque crianças são crianças. Eles partilharam comida e histórias, romperam os receios mútuos e fizeram uma promessa: manter seus relacionamentos.
Avançando rapidamente alguns poucos anos no filme, o diretor voltou para ver se as relações ainda existiam. Vários dos meninos palestinos telefonaram para os gêmeos israelenses, mas nunca tiveram retorno. Era de quebrar o coração.
Mais entristecedor, ainda, foi antes de o filme ter avançado. No primeiro encontro de todas crianças, um dos garotos palestinos, um que se explicitou de maneira mais tocante, começou a esboçar dúvidas sobre suas "promessas" feitas. Por que ? Enquanto lágrimas rolavam por sua faze, ele dizia que temia que logo que o diretor do filme os deixasse sós, suas amizades palestinas-israelenses iriam desaparecer.
O diretor, sabendo que o cenário era propício para isso, rambém tinha suas dúvidas. A camera passeou pela sala das crianças palestinas e se deteve brevemente sobre cada rosto infantil. Um deles era o de Kifah.
Ontem, eu visitei o campo de refugiados de Dehaisheh e estava ansioso pelo pensamento de talvez encontrar um dos astros palestinos do filme. Quando perguntei à guia do campo de refugiados se os meninos ainda viviam em Dehaisheh, ele se deteve. A maior parte deles estava na escola. Então, quase casualmente, ela me contou que um dos protagonistas do filme, Kifah, tinha sido morto há dois meses.
Com algumas outras crianças, Kifah tinha ido ao posto de controle de Belém, o único caminho para os palestinos que vivem na região de Belém para visitar Jerusalém Oriental, a capital palestina. As crianças começaram a atirar pedras e os soldados responderam com munição real. Kifah, que significa "Luta" em árabe, foi morto instantâneamente.
Nas 3 semanas em que estive aqui, com minha condição de estrangeiro, viajei livremente através deste posto de controle mais de 10 vezes. Em duas marchas massivas, uma no Natal e outra na passagem do Ano Novo, centenas de estrangeiros apoiaram mais de mil palestinos na sua tentativa de ir a "Al-Quds" (Jerusalém Oriental). Todos os palestinos tiveram sua entrada proibida, impedida por dezenas de soldados israelenses. De Belém a Jerusalém devem have uns 9 quilômetros. Do campo de refugiados de Dehaisheh são uns 10 km.
De uma população de 12.000, Kifah é o 9º mártir do campo de Dehaisheh a ser morto nesta Intifada. Como para todos os 900 mártires palestinos desta Intifada, existe um cartaz, de ampla circulação, do jovem Kifah. Seu sorriso é pequeno.
Por ora, tentarei achar o poster de Kifah, uma lembrança que eu possa guardar de um astro de cinema que eu quase conheci.
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Muitas pessoas me perguntam: “Como você consegue levantar toda manhã e ir trabalhar no IPCRI?”
A situação está terrível e não está melhorando. A violência está debilitando e o otimismo pertence a outra era. Sim, eu fico frustrado. Mas continuarei nossa luta.
A peça seguinte é um primeiro esforço para ver o que pode ser feito "de baixo para cima". Está longe de ser exaustiva; é apenas uma primeira tentativa. Convido-os para comentários e sugestões.
Feliz Ano Novo para Todos !
Gershon Baskin
Jerusalém, 26/12/2001
Os atuais líderes de Israel e Palestina não trarão a paz. Segundo pesquisas de opinião pública em Israel e na Palestina, grande número de israelenses e palestinos estão ainda a favor de uma solução pacífica para o conflito. Ainda que em clara maioria, hoje essas pessoas sentem falta de eficácia e a sensação de impotência criou um sentimento de desespero e uma significativa queda na esperança. É o tempo de recriar a esperança. É o tempo de iniciar o processo de construir a paz de baixo para cima.
Estamos sofrendo do que pode ser chamado de Trauma Psicosocial de Desumanização(Ambrogio Manenti,Sarajevo, Maio de 1999)
“...Este empobrecimento das capacidades humanas tais como a capacidade de pensar claramente, de comunicar a verdade, da sensibilidade pelo sofrimentos dos outros, são muito comuns.
O comportamento muda em favor da rigidez ideológica, ceticismo evasivo, defesa paranóica, ódio e desejo de vingança. A insegurança encarando o próprio destino da pessoa, falta de sensibilidade em fazer coisas e uma forte necessidade de pertencer a um grupo são sentimentos generalizados. Características psicológicas causadas pelo medo tais como sentimentos de vulnerabilidade e fraqueza, excessivo "estado de alerta", e sentimentos de perda de controle sobre a própria vida, alteração do senso de realidade são silenciosamente difundidos."
A violência dos últimos 15 meses nos deixou num estado de trauma psicosocial como o descrito acima. Muitas pessoas, talvez a maioria, nos dois lados, perderam sua crença na possibilidade da paz. Cada lado acusa o outro de ser responsável pela violência e pela quebra do processo de paz. Novos mitos nacionais construídos em volta do processo de paz e a fracassada Cúpula de Camp David atingiram novas alturas na doutrinação pública. Um processo estável, progressivo e perigoso de mútua deslegitimação foi enraizado e fertilizado nos dois lados. As primeiras vítimas deste processo foram os líderes eleitos, mas ele não se deteve ao nível das lideranças. A deslegitimação trouxe consigo uma mútua demonização de ambos povos e sociedades, de tal sorte que, enquanto muitas pessoas de cada lado podem ainda desejar a paz, elas não mais acreditam que existem pessoas do outro lado que querem o mesmo. Mas, da minha experiência nos dois lados da linha verde, eu sei que isso não é verdade. Israelenses e palestinos, do mesmo jeito, querem voltar à mesa de negociações em vez de encarar um ao outro no front da violência.
É verdade que a violência dos últimos 15 meses destruiu a pequena confiança remanescente entre os lados, tanto a nível governamental quanto no de pessoa-a-pessoa. Esta confiança precisa ser reconstruída, e hoje a tarefa de reconstrução deve ser feita por gente, não por governos. O grito pela paz deve substituir o grito pela vingança. A pressão pela paz deve vir de baixo para cima. É tempo de tomar a responsabilidade e não ficar de fora. Aqueles de nós que querem a paz devem tomar a decisão de fazer a paz acontecer. Cada um de nós deve dizer: "Está na hora de eu fazer algo construtivo para criar paz nesta terra!".
Muitos de nós se sentem frustrados pela falta de atividades e de organizações pacifista. A falta de infra-estrutura para os batalhadores da paz deve ser encarada de frente. Devemos criá-la.
Construindo um Processo de Atividades para Construção da Paz Local, Descentralizado e Interconectado.
Os esforços para construção e criação da paz devem ser tanto intra-nacionais - dentro de nossas própria sociedades, quanto inter-fronteiras - construindo novas parcerias israelenses-palestinas. O Apelo pela Paz no Século XXI de Haia coloca alguma idéias sobre o que deve ser feito.
Está na hora de as pessoar afirmarem seu compromisso com a paz e - se necessário - tirar a tarefa de fazer a paz do controle exclusivo de instituições políticas e militares. Muito frequentemente, iniciativas de paz são propostas como último recurso, com negociações restritas aos que fazem a guerra, e impostas àqueles mais afetados, particularmente mulheres e crianças. Aqueles que mais sofreram devem ter um lugar à mesa quando os acordos de paz são desenhados, com igual representação para mulheres. Se necessário, a sociedade civil deve também convocar iniciativas de paz, antes que crises fujam ao controle e vidas sejam perdidas. Isto pode ajudar a transformar os avisos prévios de meros slogans para realidade.
Educando para Paz, Direitos Humanos e Democracia
Para combater a cultura da violência que permeia nossa sociedade, a próxima geração merece uma educação radicalmente diferente - uma que não glorifique a guerra mas eduque para a paz, a não-violência e a cooperação internacional. O Apelo pela Paz de Haia procura lançar uma campanha mundial para dar poder a pessoas em todos os níveis com as habilidades da mediação, transformação de conflitos, construção de consensos e mudança social não-violenta. Esta campanha irá :
·Insistir para que a educação para a Paz seja obrigatória em todos níveis do sistema educacional.
·Exigir que os ministérios de educação sistematicamente implementem iniciativas de educação para a paz a níveis locais e nacionais.
·Apelar a agências de assistência ao desenvolvimento para que promovam a educação para a paz como um componente de seu treinamento de professores e produção de materiais.
Diplomacia Multi-Vias ("multi-track diplomacy")
No próximo século, devemos procurar fazer a diplomacia "multi-vias" - a abordagem padrão para evitar, resolver e transformar conflitos violentos. A Diplomacia Multi-Vias envolve a cooperação de numerosos setores da sociedade - organização governamentais e não governamentais, grupos religiosos, a mídia, empresas, cidadãos, etc... na prevenção de conflitos e construção da paz. É uma visão muti-disciplinar da construção da paz que assume que indivíduos e organizações são mais eficazes trabalhando juntos do que separados e que situações de conflito envolvem uma grande e intrincada rede de partes e fatores que requer uma abordagem sistêmica. Cada "via" no sistema traz com ela sua própria perspectiva, abordagem e recursos; todas els tevem ser consideradas no processo de construção da paz.
Estimulando Jovens
Guerras são iniciadas por líderes irresponsáveis, mas são os jovens que são suas mais vulneráveis vítimas, tanto como civis como como convocados. Suas experiências, novas perspectivas e idéias devem ser oubidas, integradas, e trabalhadas em todos níveis sociais. Existe ampla evidência que jovens em situações de conflito podem achar caminhos para superar obstáculos tradicionais, resolver criativamente conflitos e se engajar em significativos processos de reconciliação e construção da paz. Dar oportunidade para a juventude participar na construçáo da paz é essencial para quebrar o ciclo da violência, reduzir e evitar conflitos. Vamos todos compartilhar nossa visão, mente-aberta, solidariedade e vontade para aprender em uma verdadeira troca inter-geracional baseada no respeito mútuo, confiança e responsabilidade.
Gerando a Construção da Paz
Conflito e guerra são eventos gerados. Além da reprodução humana, a guerra é talvez a arena onde a divisão de trabalho por sexo seja mais óbia. Assim, mulheres e homens experienciam conflito e guerra diferentemente e tem diferente acesso ao poder e à tomada de decisão. É preciso : (1) iniciativas específicas dirigidas ao entendimento das inter-relações entre a igualdade sexual e a construção da paz, (2) fortalecimento da capacidade feminina de participar em iniciativas de construção da paz, e (3) igual participação de mulheres na resolução de conflitos em níveis de tomada de decisão.
Para lograr estes objetivos, os governos precisam se comprometer a incluir representantes femininas da sociedade civil em todas negociações de paz; instituições de paz e de segurança devem incorporar perspectivas sensíveis ao gênero em suas atividades e métodos; e a sociedade civil deve construir e fortalecer redes pacifistas femininas através das fronteiras.
Trabalhando Juntos
“Profissionais da Paz e especialistas na resolução de conflitos" , em conjunto com pessoas comuns, devem interagir juntos de forma a planejar uma estratégia de paz dirigida a construir um plano coerente de ação. Estrategistas da paz israelenses e palestinos podem juntos confrontar algum dos seguintes temas:
·Identificaçãoe envolvimento sistemático, de todas os parceiros locais potencialmente organizados para o esforço de construção da paz.
·Organização de discussões técnicas e intercâmbios entre as partes para identicar áreas de interesse comum, nas quais uma cooperação decentralizada possa proporcionar uma contribuição qualitativa ao desenvolvimento da paz.
·Promoção e constituição de grupos locais de trabalho que incluam representantes das autoridades locais, órgãos de serviços públicos e organizações da sociedade civil como peça central da construção decentralizada da paz.
·Métodos Participativos para identificar necessidades, recursos e prioridades para atividades e projetos.
·Priorização daquelas atividades que potencializem o diálogo e a cooperação inter-fronteiras, respondam às necessidades dos grupos mais vulneráveis, contribuam ao desenvolvimento de modelos sustentáveis para atividades inter-fronteiras continuadas.
Coalizões Pacifistas em Ambos os Lados
Grupos pacifistas e partidos políticos no lado israelense criaram uma coalizão da paz. Seria muito positivo que uma frente similar de organizações, ONGs, e instituições que apóiam a paz no lado palestino também se organize numa coalizão pública. A legitimidade popular deve ser restabelecida para o engajamento israelense-palestino. Isto é particularmente importante e relevante no lado palestino. ONGs pacifistas, instituições e indivíduos devem fazer declarações públicas na Palestina em apoio ao reengajamento entre forças da paz dos dois lados. Um processo de deslegitimação de contatos entre palestinos e israelenses foi conduzido por muito tempo, sem um significativo protesto daqueles que se opunham a ele. O estrago foi feito - esta é a hora de consertá-lo.
Coalizões Conjuntas Israelense-Palestinas
Uma nova parceria mais formalizada entre grupos pacifistas israelenses e palestinos, ONGs e instituições deve ser criada.
A parceria israelense-palestina pela paz deve ser baseada numa declaração pública clara de acordo mútuo para uma ampla plataforma política expressando os fundamentos da paz israelense-palestina - fim da ocupação, fim da violência, partilha de Jerusalém, solução para o problema dos refugiados, cooperação econômica e desenvolvimento, administração conjunta de recursos hídricos, democratização real, mecanismos de controle, resolução conjunta de conflitos e um processo de construção da paz entre os dois povos.
Líderes políticos, personalidades culturais e populares de ambos os lados devem expor publicamente seu apoio a tal plataforma e encorajar israelenses e palestinos a assiná-la. Formadores de opinião e artistas de ambos os lados devem aparecer juntos, falar juntos e educar seus públicos juntos. Essas atividades devem se dirigir às massas - não a debates da elite. No início pode ser em pequenas manifestações, até em casas particulares. Elas irão crescendo e mais pessoas terão contato. Em cada manifestação, pessoas devem ser solicitadas a se comprometer com a plataforma popular conjunta. Elas devem assiná-la. Esforços devem ser feitos para assinaturas de centenas, depois milhares e então de centenas de milhares de israelenses e palestinos.
Transformando a Mídia
Para criar uma estratégia de baixo para cima de construção da paz, devemos ter mais exposição pública. A mídia de massas em Israel e na Palestina ignora as ações e atividades pacifistas, de modo que ela tem contribuído para a continuação da violência e o abandono de esforços pela paz. Um grupo de trabalho de pessoas ligadas à comunicação, de ambos os lados, deve ser formado, trabalhando intra-nacionalmente e através das fronteiras, estruturando um plano estratégico para comper o boicote da mídia de massas às atividades e ações pacifistas. É uma tarefa muito difícil, mas não impossível. Temos muitos aliados na mídia, que devem ser encorajados vis-à-vis seus editores.
Falta de Democracia e Mudança
Os problemas enfrentados pelos defensores palestinos da paz serão diferentes daqueles confrontados por seus parceiros israelenses. A falta de democracia na Palestina limita a liberdade de ação significativamente. Muito frequentemente, indivíduos e instituições aguardam por um "sinal verde" do escritório do Ra’is antes de fazer qualquer coisa. Isto é auto-destrutivo e paralizante.
Em Israel, apoiar a paz, claramente não é a tendência. A correnteza está fluindo na direção oposta e organizações e indivíduos estão temerosos de sofrer as consequências sociais e políticas de nadar contra a corrente.
Desenvolver uma estratégia para construção da paz de baixo para cima, por definição envolve riscos. Isto é infelizmente inevitável. Nem todos estão na posição de assumir riscos, mas sem desafiar as atuais normas e consensos políticos em Israel e na Palestina, poucas mudanças poderão acontecer.
O Que Indivíduos Podem Fazer
O velho ditado "A Paz Começa em Casa" pode servir de guia para indivíduos que querem fazer uma diferença. Pense sobre as coisas que você pode fazer e que dariam uma pequena contribuição em direção a uma estratégia de fazer a paz " de baixo para cima". Essas são todas pequenas ações, que por si só não terão um grande impacto, mas precisamos começar de pequenos passos para construir a ação de uma massa crítica de pessoas. Aqui vão algumas idéias :
1.Aprenda a falar a língua do outro - há uma grande resistência em Israel a aprender árabe, e, na Palestina contra aprender hebraico. Decida estudar a outra linguagem. Organize um pequeno grupo de estudos para você e seus filhos. Ache um professor e deixe seus amigos e vizinhos saberem que você está fazendo isso.
2.Ponha um cartaz feito a mão na sua casa dizendo "Eu Apóio a Paz" e estimule seus vizinhos e amigos a fazer o mesmo.
3.Encontre alguém do outro lado para conversar. Contatos entre israelenses e palestino têm praticamente desaparecido nos últimos 15 meses. Decida que você não será parte do silêncio. Há muitas diferenças entre as posições da gente de ambos os lados, mas diálogos se iniciam com duas pessoas – você pode ser uma delas.
4.Una-se a uma organização que está trabalhando ao seu lado para construir a paz. Ainda existem algumas organizações trabalhando pela paz. Encontre-as, una-se a uma e participe.
5.Procure outras fontes de informação. Nossos jornais e a mídia se tornaram parte do conflito. Muitas vezes, a história "real" é oculta do leitor ou espectador. Não acredite m tudo que você escuta ou lê - confira sua veracidade com outras fontes de informação. Com a internet, isto está se tornando mais fácil.
6.Diga ao professor de seus filhos que você quer que eles aprendam sobre o outro lado. Nossas escolas não nos ensinam sobre o outro. Quando elas se referem ao outro lado é, normalmente, de forma negativa. Sem contar sua posição política, elas tem a responsabilidade de ensinar a nossas crianças sobre nossos vizinhos.
7.Eduque-se sobre seus vizinhos. Eduque a si mesmo sobre os temas. Os parâmetros da paz - ou o "preço"da paz é bem conhecido. Aprenda sobre isso. Teste sua própria vontade de "pagar"o preço. Desafie também seus vizinhos e amigos a fazê-lo.
Jerusalém, 26/12/2001
[ Gershon Baskin, Ph.D. - Co-Diretor - IPCRI ]
CopyFree: A reprodução desta mensagem é condicionada a ter nela mencionadas a autoria do texto, da sua tradução autorizada ao português (Moisés Storch), do site da ong onde foi originalmente publicada,
VIGÍLIA NA RESIDÊNCIA PRESIDENCIAL: "KATSAV – VÁ PARA RAMALLAH"
Amanhã à noite , sábado, 5/1, às 19h20, ativistas do Paz Agora (Shalom Achshav) marcharão da casa do primeiro ministro à residência presidencial em Jerusalém, onde uma vigília será feita a partir das 20h.
Os manifestantes portarão tochas. Cartazes, apoiando a iniciativa de cessar-fogo do Presidente, e denunciando a sua rejeição por Sharon, serão expostos. Esta será a quinta semana consecutiva em que este tipo de atividade é feita em Jerusalém.
No início desta semana, o Presidente Katsav declarou seu desejo de falar diante do Parlamento Palestino em Ramallah e declarar um "Houdna" (cessar-fogo muçulmano). Sharon rejeitou imediatamente a iniciativa.
Detalhes são descritos no no artigo reproduzido a seguir. :
In the amazing story of President Moshe Katsav's almost-journey to Ramallah in order to deliver a speech before the Palestinian Legislative Council as part of a hudna - an armistice agreement in Muslim culture - there are all the elements that reveal the insanity of the Israeli-Palestinian conflict, the primitive duel between two tribes and the hypocrisy of Prime Minister Ariel Sharon and Foreign Minister Shimon Peres, who were involved in this initiative but worked hand in hand to quash it the moment it took shape.
Here is the sequence of events: Eyal Ehrlich, formerly a researcher for the investigative television program Koteret Rashit, Ha'aretz and the newspaper Ma'ariv, and who about 10 years ago established the Mitral company that imported non-kosher meat to Israel and is now importing calves and lambs from Australia through Jordan - encountered a dispute between clans in Amman about two years ago. He learned that in order to arrive at a sulha (reconciliation) first a delegation of notables called a jaha must be sent to express regret for the spilling of blood and to propose a cease-fire for a limited period, called a hudna, with the aim of arriving at an end to the dispute during the period of the hudna.
After the Al-Aqsa intifada broke out, Ehrlich thought that it might be possible to make use of the hudna mechanism to solve the Israeli-Palestinian conflict.
He consulted with his friend and business partner in a number of Arab countries, former MK Abdulwahab Darawshe, and then went to Middle East scholar Prof. Joseph Ginat, who is considered an expert in the area of intra- Islamic conflicts. The name of one of his books is "Blood revenge." Ginat served as advisor on Arab affairs to Ezer Weizman and Shimon Peres, headed the Israeli Academic Center in Cairo and is currently the head of the Center of Peace Studies and Conflict Resolution at the University of Oklahoma. Ginat was enthusiastic and told Ehrlich and Darawshe how the concept was born during the period of the Prophet Mohammed, as an armistice in a cultural-religious context, and how dozens of hudnas were achieved between Saladin and the Muslims and the Crusaders.
On March 25, 2001, the three wrote a letter to Prime Minister Ariel Sharon, in which they presented the idea of a hudna to him. Minister Tzachi Hanegbi, one of the ferocious hawks in the Likud, transmitted the letter to Sharon after he held discussions with the threesome at which the idea behind the initiative was explained to him: Sharon, or an emissary on his behalf, would go to Egypt to meet with President Hosni Mubarak who would serve as a mediator between him and Palestinian Authority Chairman Yasser Arafat for the idea of a hudna, with the aim of achieving a cease-fire within a short time, "without any concessions on Israel's part." The cease-fire would apply to all the Palestinian organizations. In this way, Sharon would succeed in not conducting negotiations under fire, but would achieve the cease-fire he had declared he wanted.
Leaks from the Prime Minister's Bureau this week, according to which Sharon had known nothing about this initiative, are thus mendacious. Sharon knew all about it, and personally. Not only because the military secretary at the President's House, Shimon Hefetz, had sent along regular briefings to his diplomatic advisor, Danny Ayalon. Sharon knew about this initiative even before President Katsav knew about it. Katsav was the default option of the group of initiators, after they had despaired of Sharon and Peres.
When they had no response from Sharon, despite Hanegbi's involvement, the three turned to the director of the Prime Minister's Bureau, Uri Shani. In reply they received a letter from advisor Danny Ayalon, who wrote that there were "interesting elements" in the plan, and did not reject it outright, but did not evince much enthusiasm either.
Prof. Ginat, with the approval of his two colleagues, met with the foreign minister at the end of May. Ginat knows Peres very well. Peres evinced enthusiasm for the idea, and told Ginat that it was necessary to "exploit every avenue," every direction and every channel on the way to a cease-fire. He gave Ginat his blessing, and the following day Ginat flew to Egypt and met with Osama Al-Baz, senior advisor to President Mubarak. "This was a private trip with the foreign minister's blessing," says Ginat. The meeting between Ginat and Al-Baz, was also attended by the envoy to the embassy of Israel in Egypt, Margalit Geva, the stand-in for the Israeli ambassador to Egypt. Geva also waited for Ginat at the airport, and drove him to his hotel. This is the attention accorded those whom the foreign minister wishes to honor.
Al-Baz told Ginat that he would look into the idea and said that the proposal seemed creative to him. He also said similar things to Ehrlich and Darawshe, who met with him several times afterwards, and also to Egyptian intelligence people of high military rank. According to the members of the group, Darawshe was told that if the hudna were implemented - the Egyptian ambassador would be returned to Israel. Shortly thereafter, Prof. Ginat met with senior Jordanian administration officials, who expressed a similar position. Then Darawshe, Ginat and Ehrlich met with the American ambassador to Israel, Daniel Kurtzer, who did not reject the idea. Ginat also met with Kurtzer's predecessor, Martin Indyk, who wrote to him on June 16 that he had forwarded the idea of the hudna to U.S. President George W. Bush as it had been presented in the letter from the three to Sharon in March.
Despite what looked like Egyptian and Jordanian support and the non-rejection of the idea by the Americans - Peres did not promote it to Sharon. As a result, Darawshe, Ginat and Ehrlich turned to President Moshe Katsav on November 14th. Katsav, in contrast to Sharon and Peres, heard about the hudna, did not reject the idea and did not play a double game like the prime minister and the foreign minister. He only informed the three that he would not be able to advance the idea without Sharon and without hearing what the Palestinians had to say about it.
A month later, on December 14th, Darawshe and Ehrlich met with Yasser Arafat. They spoke to him about a delegation of Israeli notables that would come to the Palestinian Legislative Council, a speech that would be delivered by Katsav in which he would talk about a cease-fire of a year's duration that could be extended by an additional year. In return for the cease-fire, Israel would stop the blockades and the encirclements, Palestinian workers would be able to work in Israel and several months later they would begin talks on an agreement. Arafat told them that his position was positive and that President Katsav was invited, but before that he wanted to get the support of the Palestinian cabinet. Two days later, on December 16th, Arafat delivered his speech against ending the terror. The following day he convened the cabinet, where final approval for the plan was given. Katsav was informed of this right away and the President's Bureau immediately informed the prime minister of the Palestinian cabinet's approval. Katsav waited, in his innocence, for a discussion in the government of Israel, the cabinet or the security cabinet to give him their blessing.
From here on the outcome is already public knowledge: Yoni Ben-Menachem, the diplomatic correspondent for the Voice of Israel, revealed the plan, the Prime Minister's Bureau issued a response calling the plan "stupid" and "a trap for fools"; Peres said that he did not support a cease-fire for one year but rather a cease-fire "for all eternity" and Defense Minister Binyamin Ben-Eliezer said that he had known nothing at all about this plan. Sharon killed Katsav's trip to Ramallah and Peres made sure it was dead.
From Peres' bureau this week came the response to all that has been said above: "The foreign minister did facilitate Prof. Ginat's meeting with Osama Al-Baz, but Peres' position on the matter is two-fold: On the one hand he supports the appearance by the president before the Palestinian Legislative Council, and on the other he believes that engaging in this track at present is not productive, because if the talks on a cease-fire are renewed there is no need for an armistice that will last only a year."
And unofficially, sources at Peres' office said that "from the outset he did not take the idea seriously."
Minister Tzachi Hanegbi said in response: "About half a year ago I was asked by Eyal Ehrlich, who is a good friend of mine, to transmit the idea proposed by him, Ginat and Darawshe to Sharon. I gave the letter to Uri Shani, and I told him the matter should be looked into, that it was an interesting idea and that I hoped they would examine it seriously."
Sleepless nights
Last Thursday, President Katsav, together with Minister Tzachi Hanegbi, visited another partner to the secret of the hudna - the Sidbon family at their home in Ashdod. Their son, Michael, 23, was killed on December 25th in a clash in the Beit She'an Valley. Katsav related that he suffers from sleepless nights because of the endless series of visits to bereaved families over the past year and that it is necessary to do everything possible to stop this bloodshed.
The idea of burying the bodies of suicide terrorists in pigskins, which was brought up in public by MK Gideon Ezra (Likud), also came up at the Shin Bet security service. Katsav thought that it was no joke. A way must be found to deal with the shahids (Islamic martyrs), and the idea of the hudna seemed appropriate to him. He has seen an assessment from the Shin Bet that a hudna has greater sacred validity than jihad (holy war). And he did not understand why he cannot appear before the Palestinian Legislative Council, which is headed by Abu Ala, while Peres is holding talks with the same Abu Ala.
During the course of three months Katsav sent regular briefings to the Prime Minister's Bureau about the contacts with Arafat, the Egyptians and the Americans. At no stage was he told by Sharon or any of his people that the plan was not acceptable to the prime minister. He was nauseated when he read the commentaries to the effect that this was a political move of his own and that he was a bored president. It is true that about two weeks ago he attended the wedding of the son of Uzi Cohen, the deputy mayor of Ra'anana and a bigwig in the Likud central committee, but he has known Cohen for years and could not refuse the invitation. His only concern, he has told friends, is to try to bring about a cease-fire.
Sources at the bureaus of Sharon and Peres spoke about "Katsav's amateurism," of his not having done proper groundwork, of his not having spoken face to face with Sharon, of his not having consulted his friend, Interior Minister and Deputy Prime Minister Eli Yishai, with whom he speaks weekly, with the aim of influencing Rabbi Ovadiah Yosef to put pressure on Sharon. Katsav is quite an experienced politician. For this very reason he suspected that he would be accused of meddling and of going beyond the bounds of his authority as president. He could not operate like the leader of a political party, he told his friends.
The threesome of initiators did this in his stead. Ehrlich, for example, contacted one of Eli Yishai's junior aides, told him about the plan and requested that Yishai speak to Rabbi Ovadiah so that he would pressure Sharon. Who is Ehrlich, Yishai wanted to know, inquiring as to the background of the non-kosher meat importer. Yishai dealt with him the way he deals with the least important of supplicants: He did not respond at all. Yishai was astonished to find out this week that Katsav had indeed been behind the plan. He did not understand why Katsav, who speaks to him every week, had not said a word to him or, alternatively, had not sent any message to him from the director-general of the President's House, Moshe Goral.
But this was not amateurism or the fear of doing what during the time of his predecessor (Ezer Weizman) had become habitual (and it is no coincidence that the former director-general of the President's House, Arieh Shumer also criticized the president's groundwork for the appearance in Ramallah). Even if Katsav had done the proper groundwork and even if he had obtained Rabbi Yosef's support - it is unlikely that Sharon and Peres would have backed his initiative. In a report by Aluf Benn in Ha'aretz on August 22, 2001, sources in Sharon's bureau were quoted as having said that "in the Arab tradition, it is impossible to make salam with infidels, only a hudna," and that Sharon believes that under present conditions it is impossible to reach a peace agreement with the Palestinians and put an end to the conflict.
The hudna according to Sharon, even if he could say that he did not achieve it under fire, was not intended to be a proper hudna, but rather a cease-fire that would go on for years without the Palestinians getting any return that would seem reasonable to them.
About two weeks ago Katsav met with government secretary Gideon Saar and asked him to give a message to Sharon saying that he supports Arafat's appearance in Bethlehem on Christmas Eve. This message was passed along to Sharon at the request of the Foreign Ministry. Katsav acceded in this to a request from Peres.
About four months ago Katsav summoned representatives of the Palestinian media at the height of the intifada terror attacks; he had no compunctions about criticizing the unity government's economic policy and he came out in public in favor of a unilateral separation. Now he is hoping that the Labor Party ministers (it is interesting what Minister Tzachi Hanegbi will do) will demand that his appearance at the Palestinian Legislative Council be brought up for approval in the government.
For years, Katsav was the ally of whomever headed his party, the Likud. Ever since he became president he has been functioning like someone who is struggling against this natural tendency of his. "The president has a bad feeling of having missed out," they were saying at his bureau this week. He will not forgive Sharon and he will not forgive Peres. From now on he is an independent operator.
Sharon kills Sneh's initiative
Even before Katsav's initiative, Sharon also managed to quash an initiative by Transportation Minister Ephraim Sneh: A year of quiet in the intifada in return for a year of a freeze on the Jewish settlements in the territories. Sneh presented his initiative to Sharon several weeks ago, after he had checked it out with Arafat and his people. This initiative, which has not been leaked until now, was also killed by Sharon.
"They said that there was a trap in our initiative," said Prof. Joseph Ginat this week. "Maybe there could have been a trap had the proposal come from the Palestinians, but we were the ones who proposed it, and we asked them to agree to it. What trap is there here, when senior people at the Shin Bet have said that there is more of a chance for a hudna in a religious context than for a cease-fire on any other basis? There is an Arabic proverb that says that when you enter a vineyard, ask yourself whether you want to eat the grapes or kill the watchman. In this story it turns out that there are those who want to kill the watchman. And I ask, what will we gain from this? Is it shameful to help Arafat in order to get a bit of quiet? After all, we have to do everything possible to prevent bloodshed. The current situation of relative quiet will not last much longer. How will all those who opposed our plan react when buses start blowing up here again?"
CopyFree:Esta mensagem pode ser reproduzida, se mencionadas a autoria (Lewis Roth - diretor executivo do APN ), versão ao português (Moisés Storch) e a fonte
APN Apela ao Secretário Powell a Pronunciar-se Contra Tratamento Israelense dos Palestinos Moderados
Washington, D.C, 03/01/2002.— O Americanos pela Paz Agora (APN - Americans for Peace Now)- enviou hoje carta ao Secretário de Estado norte-americano Colin Powell pedindo-lhe para continuar a pressionar os líderes palestinos para trabalhar decididamente contra violência, mas também para exigir dos líderes israelenses "que deixem de praticar políticas de visão perigosamente curta e contraproducentes, como a de atingir palestinos moderados."
A carta foi assinada pelos dirigentes do APN Patricia Barr, Luis Lainer e Debra DeLee. Está focada nas recentes ações em Israel contra o Dr. Sari Nusseibeh e o Dr. Mustapha Barghouti, dois proeminentes palestinos moderados e defensores da paz.
Debra DeLee denominou a detenção por Israel de ambos e as agressões contra o Dr. Barghouti como “atos vergonhosos.”A missão do APN é ter uma maior segurança para Israel através da paz, apoiando o movimento israelense Paz Agora (Shalom Achshav).
A carta do APN afirma:
“Os Drs. Nusseibeh e Barghouti são conhecidos tanto entre palestinos como entre israelenses por seus corajosos e bem articulados apoios à reconciliação, paz e não-violência. Eles incorporam a esperança de que israelenses e palestinos podem mudar de recriminações mútuas e derramamento de sangue para a segurança mútua e coexistência pacífica."
"Ao contrário dos militantes extremistas que são preparados para o uso da violência, a única 'ameaça' que pessoas como os Drs. Nusseibeh e Barghouti representam é que eles devem encorajar Israel e palestinos a retomar negociações no futuro, e que cada lado será chamado a fazer compromissos históricos no interesse da paz. De fato, o Dr. Nusseibeh tem sido particularmente incisivo no seu apelos a ambos os lados para encarar os fatos reais que cercam os temas dos refugiados palestinos, assentamentos e Jerusalém."
“Em vez de encorajar tais líderes palestinos moderados, Israel proibiu o Dr. Nusseibeh de fazer uma recepção em Jerusalém Oriental marcando o fim do Ramadã, e deteve e bateu no Dr. Barghouti (quebrando seu joelho) após ele ter participado em uma conferência para imprensa sobre direitos humanos públicos na mesma região da cidade."
“A razão ostensiva para esses atos era afirmar a autoridade israelense sobre Jerusalém Oriental. Entretanto, a prisão de líderes do campo da paz palestino sob o pretexto de sublinhas a autoridade israelense sobre as vizinhanças árabes e, Jerusalém Oriental não ajuda nada a acabar com a violência e melhorar a segurança para os israelenses. Ao mirar as atividades de importantes moderados apenas serve para desacreditar suas posições a favor da paz e não violentas dentro de sua própria comunidade, e para aumentar o nível de raiva e frustração na sociedade palestina."
“Além disso, ao mesmo tempo em que Yasser Arafat está fazendo alguns passos de segurança que Israel e Estados Unidos exigiam, tais ações contra palestinos moderados enviam uma mensagem desconcertante aos palestinos: mesmo os palestinos que agem como pedimos e se afastam da violência estarão sujeitos a força e punição."
“Esperamos que, neste momento crítico, os senhores continuarão a pressionar a liderança palestina a trabalhar firme e decididamente para acabar com a violência e o terror e trazer seus perpetradores à justiça. Ao mesmo tempo, os senhores devem pressionar fortemente Israel para que deixe de praticar políticas de visão perigosamente curta e contraproducentes, como a de atingir palestinos moderados, favorecendo políticas que proporcionem a ambos lados um caminho confiável de volta à mesa de negociações e ofereça a Israel e seus cidadãos sua melhor chance para uma real segurança."
Por Judy Kaul e Nicole Deutsch The New Mexico Jewish Link - 03/01/2002
David Pine, diretor para a Costa Oeste do APN - Americans for Peace Now, virá a Albuquerque este mês para discutir a possibilidade de paz no Oriente Médio.
Pine, que vive em Los Angeles, falará no JCC- Jewish Community Center, às 19h de 17/01, e na Congregação Nahalat Shalom na noite seguinte.
O Conselho de Relações Comunitárias da Federação Judaica de Grande Albuquerque está patrocinando este evento do JCC , ´"Será a paz no Oriente Médio um sonho ingênuo ou uma possibilidade real?", sobre as visões do Paz Agora sobre a presente situação da região.
"Embora o nome do grupo inclua a palavra 'paz' - disse Pain - a segurança de Israel permanece como seu principal foco. Durantes estes tempos tensos, entretanto, é difícil separar as duas coisas."
"A segurança de Israel somente pode ser realmente alcançada no longo prazo através da paz", completou.
Esta posição pode ser diferente das que costumam ser ouvidas na comunidade judaica, disse Pain. Ele agradece a oportunidade de trazer informações para a discussão que algumas vezes são deixadas de fora, como o fato de como a atual opinião pública em Israel favorece o retorno a negociações.
"Voltar a negociações é o único caminho para se chegar a uma solução" - disse - "Espero chegar a pessoas que gostariam de apoiar esta posição."
Para o final, a palestra de Pine às 19:30 na Congregação Nahalat Shalom será mais focalizada na ação local.: "Construindo uma presença mais forte da paz no Novo México - Trabalhando por uma Solução Pacífica para o Conflito do Oriente Médio".
"Temos a necessidade de exprimir nossa voz pela paz, pelo bem de Israel, e tentar ser tão ativos quanto possível em fazer esta voz ser ouvida."
Stan Rosen de Santa Fe convidou Pine a Albuquerque para que as pessoas possam ouvir uma perspectiva diferente."Existem todoa tipoa de pontos de vista (dentro da comunidade judaica sobre a situação no Oriente Médio) que são valiosos e importantes", disse Tosen, "A comunidade mostra força quando nos mostramos abertos e dialogamos publicamente sobre o tema."
Antes de se juntar ao APN em junho, Pine dirigiu a Federação Judaica de Los Angeles. Foi trabalhador comunitário e educador em Israel em 1991/92 e colaborou no Congresso Judaico Americano em 1987/88.
Jewish Comment.com 1/3/02
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CopyFree:A reprodução desta mensagem é condicionada a ter nela mencionadas a autoria do texto original (Debra De Lee - presidente do APN), de sua tradução (Moisés Storch ), do site do
APN - Americans For Peace Now - http://www.peacenow.org , e do endereço da Lista PAZ AGORA/BR, onde foi publicada em português.
Para se increver na Lista PAZ AGORA/BR, mande uma mensagem para
pazagorabr-subscribe@yahoogroups.com
ENSINANDO PAZ
por Debra DeLee (*) em 03/01/2002
A publicação de um relatório sobre os textos didáticos palestinos pelo "Centro de Monitoramento do Impacto da Paz" (CMIP - Center for Monitoring the Impact of Peace) disparou uma nova leva de acusações ao grupo sem avaliar a fidedignidade do seu trabalho. Entretanto dois acadêmicos judeus (um norte-americano e um israelense) recentemente completaram estudos que pôem em dúvida as conclusões e a validade dos esforços do CMIP.
O professor Nathan Brown da Universidade George Washington publicou um relatório no qual concluiu que , “o currículo palestino não é um currículo de guerra; embora altamente nacionalista, ele não incita ao ódio, violência e anti-semitismo. Ele não pode ser descrito como um "curriculo pacifista", tampouco, mas as críticas contra ele são frequentemente muito exageradas ou inacuradas."
“De onde os persistentes relatórios sobre incitamento nos livros didáticos palestinos chegam?"- ele pergunta. "Virtualmente todos podem ser rastreados de uma única organização: a CMIP." Críticos dizem que o real propósito do CMIP é lançar ataques sobre a Autoridade Nacional Palestina, e seria muito difícil contestar tal conclusão... Os próprios relatórios do Centro sugerem que tais suspeitas são fundadas... Mesmo que muitas vezes mal conduzido e não confiável, a maior parte do conteúdo dos relatórios do centro não é fabricado. Posições claramente falsas são raras, embora quando ocorram sejam importantes...
“Mas os reais problemas com os relatórios do Centro ficam em outro lugar... Primeiro, o CMIP geralmente ignora qualquer contexto histórico, de maneira que parte de suas conclusões resultem distorcidas... O segundo problema com seu trabalho é o seu estilo persecutório. Seus relatórios oferecem pouco mais que um resumo de temas, seguido de afirmações sucedendo afirmações para provar um ponto. Qualquer evidência que contradiga a mensagem central do CMIP é ignorada, obscurecida, ou esquecida, tais como mapas que claramente desenham os territórios de governo palestino como cobrindo apenas a Cisjordânia e Gaza, um extenso e laudatório tratamento da não-violência de Gandhi, ou um passeio pelas cidades palestinas que inclue apenas aquelas sob a lei da Autoridade Nacional Palestina. Outras evidências são inacuradamente interpretadas. Por exemplo, um mapa topográfico da Palestina (incluído mais provavelmente para evitar o desenho de quaisquer temas politicamente sensíveis com relação a fronteiras) é apresentado como a negação da existência de Israel..."
Ele notou que, “O problema final e talvez o maior com o trabalho do CMIP reside não nos próprios relatórios, mas em como eles tem sido lidos. As conclusões do Centro podem não se basear nas evidências que ele apresenta e desmentidas pelas evidências que eles não visualizam. Mas incluem algumas qualificações e colocações elípticas que usualmente protegem seus relatórios de uma clara falsidade. Quando seus relatórios ganham uma circulação mais ampla, entretanto, as qualificações ocultas se perdem."
Ao mesmo tempo, pessoas preocupadas com as conclusões do CMIP muitas vezes deixam de perguntar sobre o tratamento dos árabes e palestinos nos livros didáticos israelenses.
A Dra. Ruth Firer, especialista israelense em educação pacifista na Universidade Hebraica de Jerusalém, recentemente completou um projeto sobre a narrativa do conflito israelense-palestino visto pelos livros didáticos de ambos os lados.
De acordo com suas descobertas, 60% dos textos israelenses são dirigidos a escolas regulares/reculares, 18% são voltados para escolas religiosas sionistas, e o resto são para escolas ultra-ortodoxas.
Ela verificou que os livros das escolas regulares (em geral e tendo começado só recentemente) dão à identidade nacional palestina um lugar dentro da heróica história do sionismo em Israel. Entretanto, continua, muitos aspectos da narrativa palestina se mantem quase inteiramente ausentes naqueles textos, tais como o tema da criação dos refugiados em 1948 e 1967.
Enquanto isso, nas escolas sionistas-religiosas, os livros focalizam sobre a educação nacional, com poucas referências a "palestinos", e referências negativas a "árabes" em geral. Finalmente, os textos nas escolas ultra-ortodoxas não incluem nenhuma concentração na identidade nacional israelense ou na história de Israel, e nenhum foco sobre o Holocausto. Este conjunto de livros, ela descobriu, promove uma atitude xenófoba em geral, incluindo vários retratos negativos de todos não-judeus, incluindo os árabes.
Ao final, ela sugere, pessoas que querem ensinar a reconciliação tem, para tocar na raiz do problema com livros didáticos, que
se remeter ao "texto da realidade nacional", ou seja, a realidade em que o povo vive. Antes de tudo, ela diz, você não consegue ensinar, a pessoas que passam fome, que elas tem comida.
Ninguém está questionando a necessidade de se denunciar verdadeiros casos de incitamento a violência e anti-semitismo, quando eles ocorrem. Definitivamente tem havido casos de horrível incitamento dirigidos contra Israel e judeus que têm aparecido na mídia árabe e outros lugares, que merecem forte condenação.
Mas a séria necessidade de enfrentar tais casos é apenas minada pela má apresentação dos fatos. É preciso pensar sobre as motivações e acuidade daqueles que tentam usar este tema como um entrave ao processo de paz.
(*) Debra De Lee é Presidente do Americans for Peace Now.
Traduzido por Moisés Storch - S.Paulo
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Centenas de cidadãos - veja relação a seguir - proeminentes líderes polícos e formadores de opinião brasileiros e sul-americanos. endossam a Declaração Conjunta firmada no final de julho de 2001 por seus pares Israelenses e Palestinos, reafirmando os caminhos para uma Paz Justa e duradoura entre árabes e judeus no Oriente Médio.
Una também sua voz para que o diálogo e o entendimento substituam o insano som das bombas e da violência.
Apóie também a Declaração Conjunta de líderes israelenses e palestinos,
NÃO AO DERRAMAMENTO DE SANGUE, NÃO À OCUPAÇÃO! SIM ÀS NEGOCIAÇÕES, SIM À PAZ!
Nós, os abaixo-assinados israelenses e palestinos, nos vemos na mais difícil circunstância para nossos dois povos. Viemos juntos para clamar pelo fim do derramamento de sangue, o fim para a ocupação, um retorno urgente às negociações, e a realização da paz entre nossos povos. Recusamos ser coniventes com a corrente deterioração da nossa situação, com a crescente lista de vítimas, o sofrimento e a real possibilidade de que sejamos tragados num mar de hostilidade mútua.
Nós, pela presente, erguemos nossas vozes e imploramos a todas pessoas de boa-vontade para voltar à sanidade, a re-descobrir a compaixão, humanidade e o julgamento crítico, e a rejeitar os apelos fáceis do medo, ódio, e clamores por vingança.
A despeito de tudo, nós ainda acreditamos na humanidade do outro lado, que nós temos um parceiro para a paz, e que uma solução negociada para o conflito entre nossos povos é possível. Erros foram cometidos em todos os lados, a troca de acusações e atribuições recíprocas de culpas não é uma política e não substitui um envolvimento sério.
A impressão que existe em ambas as comunidades, de que "o tempo está do nosso lado" é ilusória. O passar do tempo beneficia apenas aos que não acreditam na paz. Quanto mais esperamos, mais sangue inocente é derramado, maior será o sofrimento e a esperança será mais corroída. Devemos nos mover urgentemente para reconstruir nossa parceria, para acabar com a desumanização do outro, e para reavivar a opção de uma paz justa que garantirá nossos respectivos futuros.
O caminho adiante está na legitimidade internacional, e a implementação das Resoluções 242 e 338 da ONU, levando a uma solução de dois estados baseada nas fronteiras de 1967, Israel e Palestina vivendo lado-a-lado, com suas respectivas capitais em Jerusalém. Soluções podem ser encontradas para todos temas excepcionais, que possam ser aceitáveis e justas para ambos os lados, e que não devem minar a soberania dos estados palestino e israelense, como determinada por seus respectivos cidadãos, e incorporando as aspirações nacionais de ambos os povos, judeu e palestino. Esta solução deve ser construída a partir do progresso feito entre novembro de 1999 e janeiro de 2001.
A necessidade imediata é pela total e acurada implementação das Recomendações do Comitê Mitchell, incluindo a cessação da violência, o total congelamento da atividade de assentamento, a implementação de acordos especiais e o retorno às negociações. Este processo deve ser monitorado por uma terceira parte imparcial.
Nós vemos como nosso dever trabalhar juntos, e cada um de nós em sua própria comunidade, para por um basta na deterioração de nossas relações, para reconstruir a confiança, o crédito e a esperança pela Paz.
[ declaração firmada por dezenas de líderes e intelectuais israelenses e palestinos em Jerusalém, 25/07/2001 ]
Versão original em inglês deste histórico documento em :
Yasser Abed Rabbo, Minister of Culture and Information Hisham Abdul-Razek, Minister of Detainees and Ex-Detainees Affairs Nabil Amr, Minister of Parliamentary Affairs Dr. Hanan Ashrawi, PLC Member, Secretary-General of the Palestinian Initiative for Global Dialogue and Democracy Hakam Balawi, PLC Member Dr. Mahadi Abdol-Hadil, director PASSIA Dr. Sari Nuseibeh, President, Al-Quds University Dr. Gabi Baramki, Bir Zeit University Hafez al-Barghouti, Editor, al-Hayat al-Jadida Daily Dr. Nazmi al-Ju'beh, Director-General, Riwaq Dr. Salim Tamari, Director, Institute for Jerusalem Studies Suleiman Mansour, Director, Al-Wasiti Art Center George Ibrahim, Director, Al-Qasaba Theater Sufian Abu-Zaideh, Deputy Minister, Ministry of Civil Affairs Jamal Zaqout, Director-General, Ministry of Civil Affairs Sama'an Khoury, Director-General, Palestine Media Center Dr. Samir Abdallah, Director, Pal-Trade Samir Hulieleh, Manager, Nassar Investment Co. As'ad al-As'ad, Writer Abdul-Rahman Awad, Writer Samir Rantisi, Media Advisor to the Minister of Culture and Information Nisreen Haj-Ahmad, Lawyer Rami Shehaded, Lawyer Ghaith Al-Omari, Lawyer
Assinaturas Israelenses
Dr. Janet Aviad, Peace Now, NGO activist Chaim Oron, Meretz leader, former Minister Prof. Arie Arnon, Peace Now activist, academician Yossi Beilin, former Minister, Labor Party Prof. Menachem Brienker, Hebrew University Prof. Galia Golan, Peace Now, academician David Grossman, leading author Dr. Yossi Dahan Prof. Moshe Halberthal, Hebrew University AB Yehoshua, leading author Prof. Yirmyahu Yovel, Hebrew University Prof. Dan Yaacobson, Tel Aviv University Prof. Ephi Ya'ar, Steinmatz Institute for Peace Daniel Levy, ECF, peace activist Ronit Matalon, leading author Prof. Avishai Margalit, Hebrew University S. Yizhar, leading author Prof. Sami Samuha, Haifa University Amos Oz, leading author Ron Pundak, ECF, Peres Peace Center Yair Tsaban, Former Minister, Meretz Party Dr. Nissim Calderon, academician, political activist Dr. Ephraim Kleinman, economist Dr. Menachem Klein, Bar Ilan University Dr. Aviad Kleinberg, academician, head of publishing house Tzaly Reshef, Peace Now, lawyer Prof. Yuli Tamir, Professor, former Minister, Labor Party
Apóie a Declaração Conjunta de líderes israelenses e palestinos pela Paz, enviando um e-mail para
Hoje tivemos um raio de sol na escuridão do Oriente Médio.
`As 9h30 , os organizadores ainda discutiam se a marcha seria feita em fila indiana ou em fila dupla, quando a policia se recusou a nos dar permissão para caminhar pela ruas, querendo nos conter nas calçadas. Pelas 10h30, vimos que não havia esperança de conter a vasta multidão que apareceu.
Uma impressionante massa de 5.000 pessoas, a maioria vestida de negro, compareceu aos eventos de hoje, começando com a Marcha do Luto por todas as vitimas - palestinas e israelenses - da Ocupação. Respondendo ao chamado da Coalizão de Mulheres por uma Paz Justa, pessoas de todo o mundo encontraram o caminho para a praça da vigília hoje. Quando foi dado o sinal para começar, todos estávamos misturados uns aos outros - israelenses, palestinos, europeus, americanos - e começamos uma lenta e solene caminhada, em silencio (predominante), com apenas uma batida fúnebre soada por duas mulheres em tambores no centro da longa procissão. Embora a extrema-direita estivesse fazendo uma contra-demonstração no começo de nosso trajeto, seu pequeno numero (cerca de 30) e seus gritos raivosos apenas serviram para dramatizar a força de nossa presença dignificada.
Conduzimos uma grande faixa - "A OCUPAÇÃO NOS ESTA MATANDO A TODOS" , assim como centenas de mãos negras com letreiros em branco "PAREM A OCUPAÇÃO", e cartazes pedindo a paz, um estado palestino ao lado do estado de Israel, e partilhando esta linda cidade de Jerusalém, tão amada por tantos. Era uma inusitada quente manhã de inverno, e nos sentíamos incrivelmente esperançosos e fortes, marchando juntos assim.
Embora a policia tentasse nos manter caminhando sobre a calçada, logo nos aglomeramos e nos espalhamos pela rua, bloqueando o transito. Ezra, veterano apoiador da Mulheres de Negro em Jerusalém, caminhava entre nós, oferecendo mil rosas vermelhas `as Mulheres de Negro, ate' que as rosas se acabaram, mas não as mulheres.
Fizemos lentamente nosso caminho em direção `a ampla e nova praça em frente ao histórico Portão de Jaffa (Shaar Yafo), uma das principais entradas para a Cidade Velha de Jerusalém. Quando todos chegaram, tínhamos enchido completamente a praça, transbordando para dentro do Portão, e ao longo das ruas que levam a ele. Atras do palco, os participantes podiam ver, como fundo do cenário, a linda Cidadela, se erguendo dos muros da Cidade Velha, com o Vale de Gethsemani se espalhando numa vista maravilhosa.
O programa inteiro foi moderado em hebraico e árabe por Dalit Baum e Camilia Bader-Araf, co-MCs. Elas apresentaram os deputados do Knesset que estavam conosco - Muhammed Barake, Naomi Chazan, Zehava Galon, Tamar Gozansky, Anat Maor, Issam Makhoul, e Mossi Raz -, assim como as delegações da Bélgica, Canada, Inglaterra, Franca, Itália, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Márcia Freedman, antiga deputada do Knesset e veterana Mulher de Negro, leu a lista de 118 locais pelo mundo todo onde eventos solidários estavam planejados para o mesmo dia (de Adelaide a Zaragoza) .
Os discursos foram abertos com Shulamit Aloni, primeira-dama dos direitos humanos em Israel e antiga ministra do governo, comparando nossa luta para acabar com a ocupação com lutas conduzidas por Nelson Mandela e Martin Luther King, nos recordando que embora a tarefa seja árdua, ela será inevitavelmente coroada pelo sucesso. Ela foi seguida por outros discursos fortes - Nurit Peled Elhanan, vencedora do Prêmio Sakharov da Paz, concedido pelo Parlamento Europeu, e mãe de Smadar, adolescente de 13 anos quando foi morta por uma bomba terrorista em Jerusalém; Zahira Kamal, corajosa ativista palestina pela paz, assim como pelos direitos de mulheres e trabalhadores, que achou um caminho para furar o bloqueio para alcançar Jerusalém e participar desta manifestação; Luisa Morgantini, irrepreensível membra italiana do Parlamento Europeu e devotada apoiadora do movimento feminino pela paz no Oriente Médio; Khulood Badawi, dirigente da Associação de Estudantes Árabes de Israel; e Vera Lichtenfels, jovem ativista pela paz, portuguesa de 17 anos, representando a juventude de todo o mundo que esta trabalhando pela paz.
Esses discursos foram eloqüentes e inspiradores, mas eu fiquei especialmente tocada pela cerimonia de acendimento de tochas por 13 organizações israelenses que tem mostrado extraordinário compromisso com o ativismo pela paz e direitos humanos. Cada representante acendeu uma tocha referida a um aspecto ligado ao seu trabalho - aos mortos, aos feridos, aos que tiveram suas casas demolidas, as arvores arrancadas,as crianças que tiveram suas vidas quebradas, assim como aos esforços daqueles que se recusam a ceder a desesperança, mas mantêm a luta para transformar este pesadelo numa visão de paz e parceria (** - veja abaixo os nomes e descrições destas organizações).
Essas são palavras que não se escutam nesta região, tão publicamente, por israelenses e palestinos juntos. E então, tivemos um concerto raramente ouvido no Oriente Médio - um "Happening da Paz" por artistas palestinos e israelenses. Foi aberto pelo Elisheva Trio, 3 talentosas judias negras de Dimona, cantando canções pacifistas em arranjos de "soul" e "rock". Houve leituras de poesia e encenações, uma peça performatica, e um impressionante duo de jovens "rappers" palestinos de Lydda/Lod com letras políticas em árabe e hebraico. Finalizando houve um bis cheio de esperança do Elisheva Trio, com muitos na multidão erguendo as mãos, acenando e cantando juntos.
Quando o concerto terminou, poucos queriam ir embora e deixar partir o sentimento de que a paz e' realmente possível. Por sorte, nós realmente não precisamos ir, porque o Shalom Achshav (Paz Agora) estava fazendo sua própria otimista manifestação ali perto, no lado de dentro do Shaar Yafo (Portão de Jaffa), com palestinos e israelenses assinando uma Declaração pela Paz, e soltando pombas pelo céu sobre a cidade. Palestinos e israelenses caminhavam para dentro e para fora das ruas da Cidade Velha tentando segurar com firmeza o bonito calor suspenso no ar, dentro deste longo inverno de violência e tragédia.
Esta noite, assisti a TV israelense para ver se algo tinha sido reportado sobre a esperança pela paz que tomou Jerusalém hoje. Não vi nada, nem sobre os eventos da Coalizão de Mulheres Pela Paz ou do Paz Agora, embora tivesse ouvido que os eventos apareceram nas noticias do radio varias vezes no dia. Já estamos acostumadas com isso, e voltaram a mente as palavras de Shulamit Aloni de hoje: "Ainda que a "patriótica" mídia de Israel procure ignora-los, não ha' duvida de que sua voz será ouvida e que muitos outros irão se juntar a sua causa. Vocês romperão o silêncio porque a sua visão e' a da liberdade, justiça e paz."
Que isto se realize. Hoje me sinto mais esperançosa do que já estive por muito, muito tempo.
Obrigada a todos, por todo o mundo, que estiveram em solidariedade conosco hoje, seja em vigílias, por contribuições, ou com seus corações.
Shalom, salaam, "
Gila Svirsky Jerusalém
Organizações representadas na cerimonia das tochas (em ordem alfabética)
**Bat Shalom [Filha da Paz] - o lado israelense do "The Jerusalem Link: A Women's Joint Venture for Peace", procurando a paz através de parceria com mulheres palestinas.
**Gush Shalom - [Frente da Paz] - lutadores determinados pelo fim da ocupação, que receberam recentemente o "Prêmio Nobel Alternativo da Paz" na Suécia.
**High School seniors - [Formandos do Colegial] - um grupo de formandos israelenses do curso colegial que assinaram uma carta aberta afirmando sua recusa a servir no exercito para apoiar a ocupação.
**Israel Committee Against Home Demolitions - ICAHD [Comitê Israelense Contra Demolição de Casas] - procurando expor e acabar com o crime de demolir casas de palestinos.
**Machsom Watch - [Observatório Machshom] - mulheres monitorando postos de controle militar para acabar com abusos sobre palestinos nesses locais.
**Mothers and Women for Peace - [Mães e Mulheres pela Paz] - antigo "4 Mothers Movement" [Movimento de Mulheres pela Paz] , que militou para tirar Israel da ocupação libanesa.
**New Profile - procurando acabar com o militarismo na sociedade israelense e apoiando os que se recusam, por motivos de consciência, ao serviço militar.
**Shalom Achshav [Paz Agora] - mobilizando para o fim da ocupação, e denunciando a ilegalidade dos assentamentos israelenses nos territórios.
**Rabbis for Human Rights - RHR [Rabinos pelos Direitos Humanos]- trazendo uma perspectiva religiosa judaica para a luta para acabar com a injustiça da ocupação.
**Ta'ayush - uma parceria de cidadãos judeus e palestinos de Israel, fornecendo ajuda as populações ocupadas e resistência aa ocupação nos territórios.
**TANDI - lutando pelos direitos de mulheres árabes e pela coexistência entre judeus e árabes dentro de Israel.
**Women in Black - [Mulheres de Negro] - mantendo vigílias através do mundo para acabar com a violência e a injustiça, fundada em Jerusalem em 1988 para acabar com a ocupação.
**Yesh Gvul - [Existem Fronteiras] - encorajando soldados a recusar servir nos territórios ocupados.
(*) Gila Svirsky e' veterana líder da seção israelense da ONG "Mulheres de Negro" (Women in Black/Nashim BeShachor) e da Coalizão de Mulheres por Uma Paz Justa (CWJP).
A Agenda da Paz Está Viva Debra DeLee(*) - Washington, 28 de dezembro de 2001
Entre ambos, israelenses e palestinos, existem pessoas que veementemente se opõem à perspectiva de dois estados para dois povos, e que usarão qualquer meio necessário para assegurar que ela jamais seja realizada. Para atingir nosso objetivo de um Estado de Israel judeu e democrático, vivendo em paz e segurança, essas pessoas não podem vencer.
Este objetivo não pode ser alcançado isoladamente por meios militares. Ele requer força militar combinada com visão e vontade políticas que ofereçam uma saída do ciclo de ataques e represálias, e leve a negociações que poderão produzir um acordo possibilitando a israelenses e palestinos viver lado-a-lado, cada povo em seu próprio estado.
A falta da concepção e implementação de tal visão significará uma contínua insegurança para os cidadãos israelenses. O prosseguimento da ocupação israelense da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza irão, dentro de uma geração, se traduzir no fim de Israel como um estado democrático com maioria judaica. Israel será forçado a garantir completa cidadania para um povo que não apóia um estado sionista e que superará em número aqueles que apóiam, ou criará um sistema não democrático de governo no qual uma minoria judaica dominará a maioria palestina não judia.
Isto seria um pesadelo para Israel e para todos que apóiam um estado judeu. Não é a visão sionista para o futuro de Israel pela qual o Americans for Peace Now, ou a maioria dos judeus e israelenses, tem lutado por gerações.
Ao mesmo tempo, o líder da Autoridade Palestina Yasser Arafat deve se decidir ou pela união contra o terrorismo ou por relegar gerações futuras de palestinos à miséria e desamparo. Sem levar em conta o que o governo israelense declara, apenas Arafat pode determinar, por suas ações, se ele é relevante ou não para a solução deste conflito.
Para ser relevante, Arafat deve agir clara e decididamente, num esforço concentrado contra a violência e o terror. Conforme apelado por Israel, EUA e pela União Européia, ele deve deter os conhecidos líderes terroristas , mantê-los presos, julgá-los, e puni-los pelos crimes pelos quais forem culpados. Deve extirpar as células terroristas, recolher armas, e fechar fábricas de bombas e morteiros.
Ele e outros da Autoridade Palestina devem se declarar explícita e decididamente contra a violência, de forma que o povo palestino compreenda que esta política será seriamente reforçada. Arafat deve deixar claro para Israel, EUA, e`à comunidade internacional que está fazendo um genuíno esforço de 100%, com resultados verificáveis.
O fato de Arafat não ter exercido significativamente sua autoridade nos últimos 14 meses ampliou a força e o prestígio do Hamas e da Jihad Islâmica. O desafio que enfrenta hoje foi, em grande parte, produzido por ele mesmo. Sua credibilidade dependerá de seu desejo e capacidade de enfrentar este desafio.
O empenho militar do Primeiro Ministro Ariel Sharon, sozinho, jamais trará segurança para os cidadãos israelenses. A força militar deve ser acoplada com uma visão política que dê a ambos os lados uma pista confiável para o alcance de seus objetivos nacionais fundamentais: segurança e estabilidade para o estado judeu, e um estado territorialmente contíguo e economicamente viável para os palestinos.
O governo Sharon tem que fornecer uma visão confiável ou tomar iniciativas políticas que levem em conta alguma perspectiva para uma solução segura de dois estados, independentemente do sucesso palestino no combate ao terror.
Israel tem o direito de defender seus cidadãos. Entretanto, Israel precisa pesar os benefícios imediatos militares e psicológicos de ações que procuram desmantelar organizações terroristas, contra o efeito dessas ações em semear medo, insegurança e ódio entre a opinião pública palestina, transformando terrorista em mártires e símbolos de passeatas, e tornando prováveis retaliações violentas.
Mesmo ações militares mais fortes não tornarão os israelenses mais seguros. Ao contrário, seu risco se elevará numa escalada que pode impactar a estabilidade da Jordânia e do Egito, levando a uma potencial conflagração regional.
Portanto, é um erro declarar o Sr. Arafat como "irrelevante" e lançar uma ofensiva no momento em que comunidade internacional está finalmente pondo uma séria e concertada pressão sobre ele. Isto ainda mina os esforços da Autoridade Palestina para combater a violência e o terror, ao dar a impressão, ao público palestino e suas lideranças, que prender militantes apenas torna a situação pior.
Isto também embaraça os Estados Unidos, que está apostando seu próprio prestígio para alcançar o cessar-fogo. Como ressaltado pelo porta-voz do Departamento do Estado em 12 de dezembro, os EUA esperam que Israel dê passos para ajudar a chegada a um cessar-fogo, e ambas as partes precisam considerar as implicações e repercussões de suas ações.
Finalmente, a recentemente difundida idéia de procurar uma alternativa à liderança palestina é irrealista. Uma tentativa de fazê-lo, mais certamente relegaria Israel e seu povo a não ter um parceiro com que fazer a paz, por um longo tempo, e abriria o caminho para o crescimento de lideranças radicais islâmicas.
(*) Debra De Lee preside o "APN - Americans for Peace Now", em Washington.
Este artigo foi originalmente publicado no Baltimore Jewish Times em 28/12/2001.
Traduzido por Moisés Storch - S.Paulo
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Por Carlos Alberto Mattos [ no.com.br 20/12/2001 ]
O documentário “Promessas de um Novo Mundo” vê o conflito entre judeus e palestinos pela ótica das crianças. O futuro, literalmente, a Deus pertence
Desde sua exibição no último Festival do Rio BR, criou-se uma onda de simpatia em torno de “Promessas de um Novo Mundo”. A mesma coisa tem acontecido em diversos países, onde o documentário arrematou diversos prêmios e elogios sonoros como o do jornal israelense Kol Ha’Ir: “Se fosse um filme obrigatório para todos os políticos, economizaria muitos futuros derramamentos de sangue."
Realizado entre 1997 e 2000, num período em que os ânimos entre judeus e palestinos não estavam tão exaltados quanto hoje, “Promises” encontrou um aspecto que, se não é totalmente original, pelo menos foge aos lugares-comuns mais freqüentes no enfoque daquela questão. A crer no que pensam e dizem sete crianças residentes em Jerusalém e redondezas, com idades entre 9 e 13 anos, não há soluções fáceis à vista para o conflito entre os seguidores da Torah e do Corão. Os protagonistas são um menino judeu ortodoxo, dois irmãos gêmeos avessos à religião, um filho de colonos que sonha em se tornar líder militar para erradicar os árabes, a filha de um líder palestino preso em Israel, um pequeno atleta de um campo de refugiados palestinos e um garoto pró-Hamas que não admite sequer trocar um “olá” com algum colega judeu.
A franqueza e a candura com que eles se expressam podem provocar arrepios. Alguns representam o fanatismo e o ódio racial em seu estado mais puro, herança de várias gerações. Cada um se preocupa em mostrar as “provas” documentais de que Jerusalém pertence ao seu respectivo povo. Numa das cenas mais impressionantes, uma menina faz previsões sobre o seu futuro de esposa judia enquanto tenta arduamente resolver um pequeno problema doméstico. A obstinação da garota reflete toda a formação de um caráter inflexível, que se projeta para o futuro da família e do país.
Há também os que, não sem alguma hesitação, acabam concordando em participar de um encontro ecumênico promovido pela produção do filme. O co-diretor e repórter B.Z. Goldberg, um judeu-americano criado em Jerusalém, aposta, então, todas as suas fichas nessa iniciativa – um sinal de que a boa vontade das crianças poderia selar um pacto de convivência entre os dois lados do Monte do Templo. Quando deixa de lado a simples (mas reveladora) documentação do ressentimento e do desconhecimento mútuos, partindo para a construção desse encontro, o filme perde força e se aproxima de uma peça pacifista da Unicef. É uma pena. A solução fácil diante da câmera não se adequa à imensa complexidade do que fora apresentado até ali.
De qualquer forma, o apelo à emoção de um congraçamento precário não chega a apagar a perspectiva mais realista e honesta que orienta todo o filme. “Promessas de um Novo Mundo” é um raro mergulho na realidade de uma cidade onde os inimigos se cruzam costumeiramente nas ruas e a vida precisa vencer o ódio a cada minuto. O que o documentário de B.Z. Goldberg, Justine Shapiro e Carlos Bolado acaba mostrando, apesar do título promissor, é que a vitória definitiva ainda custará mais de uma geração para chegar.
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Palestinos Apóiam Cessar-Fogo, Negociações e Reconciliação
De acordo com os resultados da última pesquisa do "Palestinian Center for Policy and Survey Research (PSR), chefiado pelo Dr. Khalil Shikaki, 60% dos palestinos apóiam um cessar-fogo abrangente e imediato declarado pelo líder Yasser Arafat, enquanto 71% apóiam um imediato retorno a negociações. Entretanto, 76% se opõem às prisões efetuadas pelos serviços de segurança palestinos, 61% acreditam que os confrontos armados ajudaram a alcançar direitos nacionais palestinos de maneiras que negociações não conseguiriam, e apenas 21% esperam que os ataques armados cessarão e as negociações serão retomadas em breve.
Uma grande maioria de 73% apóia a reconciliação entre palestinos e israelenses após se alcançar um acordo de paz baseado no estabelecimento de um estado reconhecido por Israel.37% acredita que existem circunstâncias que justificariam o uso do terrorismo para alcançar objetivos políticos, e uma significativa maioria não vê os ataques suicidas contra civis israelenses como terrorismo.
A popularidade de Arafat está em 36%, comparada com 33% em julho passado e 46% em julho de 2000, enquanto a popularidade da Fatah popularity bateu 28%, comparada com 29% em julho passado e 37% em julho de 2000.
Por outro lado, a popularidade de grupos islâmicos está em 25%, comparada com 27% em julho passado e 17% em julho de 2000. A pesquisa do PSR foi feita entre 19 e 24/12/2001 em entrevistas pessoais com 1.357 adultos, com margem de erro de 3%. (Pesquisa PSR Poll No. 3, 25/12/01)
Kahanistas Recrutando Votos para o Congresso Sionista Mundial
Visitantes do kahane.org encontram um apelo aberto para seus apoiadores se registrarem para votar na eleição norte-americana para o 34º Congresso Sionista Mundial e apoiar os indicados da chapa "Herut USA".
O 34º Congresso Sionista Mundial irá se encontrar em Jerusalém em junho de 2002 para debater temas críticos políticos, religiosas e educacionais que afetam o povo judeu e alocar recursos para causas importantes. A delegação de 145 membros norte-americanos será a segunda em tamanho, seguindo a israelense.
Os seguidores do falecido Rabino Meir Kahane estão interessados em apoiar a delegação do Herut de ativistas de extrema-direita, em partem porque o Partido Herut (com um deputado no Knesset - Michael Kleiner) foi o único a propor uma lei para legalizar Kach e o Kahane Chai. De fato, em outubro de 2001, Kleiner apelou ao Primeiro Ministro Ariel Sharon para remover os dois grupos da lista israelense de organizações terroristas, um proposta que nunca tinha sido feita antes.
O Kach, partido político israelense fundado pelo Rabino Kahane, advogava a expulsão de todos árabes de Israel; foi declarado racista e proibido de concorrer a eleições.O Kahane Chai foi iniciado pelo filho do Rabino, depois que Meir Kahane foi assassinado em 1990.
Ambas as organizações foram declaradas como grupos terroristas por Israel e tornadas ilegais em 1994. O Rabino Kahane também fundara a Liga de Defesa Judaica (Jewish Defense League) em 1968; dois de seus membros foram recentemente presos por tentar explodir alvos árabes na região de Los Angeles.
(traduzido do Middle East Peace Report nº 23 - Lewis Roth - Americans for Peace Now http://www.peacenow.org )
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" Nós não queremos continuar reféns dos extremistas dos dois lados.
Sabemos todos qual é o quadro do único acordo possível.
Por que esperar?
Por que não chegar a ele agora e evitar milhares de tragédias? "
[ David Grossman, escritor, da Coalizão Israelense-Palestina Para A Paz ]
ISRAELENSES E PALESTINOS INAUGURAM CENTRO PARA DIÁLOGO NO "NEW IMPERIAL HOTEL" EM JERUSALÉM
Amanhã, sexta-feira, 28/12 às 13 h, no New Imperial Hotel, próximo ao Portão Jaffa em Jerusalém, membros da "Coalizão Israelense-Palestina Para A Paz" se reunirão para inaugurar um centro para o diálogo e atividades conjuntas. O público será convidado para comparecer ao evento e assinar uma Declaração de Paz através de anúncios na imprensa israelense e palestina. Bandeiras israelenses e palestinas serão desfraldadas e membros da comunidade diplomática são esperados.
Entre os participantes: Dr. Sari Nusseibeh, Dr. Yossi Beilin, Hanan Ashrawi, Dep.Yossi Sarid, escritor David Grossman, escritor Izzat Ghazawi, Abdul Khader al-Husseini, Shulamit Aloni, Dep.Yael Dayan, Dep.Mossi Raz, Dep.Anat Maor, Dep. Naomi Hazan, Dep.Nawaf Masalha, PLCM Khatem Abdul Khader, PLCM Ahmed al-Batch, Saman Khouri.
Há duas semanas, Dr. Nusseibeh foi preso quando tentava fazer uma recepção no hotel. Líderes da Coalizão expressaram sua esperança de que o governo não repetirá o mesmo erro duas vezes e desistirá de suas tentativas para silenciar as vozes da moderação.
1. Sexta, 28/12 - 10:30 : Coalizão de Mulheres Pela Paz marchará da Praça Hagar até o Portão de Jaffa, pedindo um fim para a ocupação.
2. Sábadò, 29/12 - 19:00 : Pela quarta sermana consecutiva, o Paz Agora fará um protesto em frente à residência do Primeiro-Ministro, apelando para o retorno a negociações. Transporte disponível de Tel Aviv.
Site do Shalom Achshav: www.peacenow.org.il Snail mail address: PO Box 29828, Tel-Aviv Israel
Plano de Paz Peres-Karia sacode Governo Israelense
Ameaçando retirar seu Partido Trabalhista do governo de união nacional, Peres forçou Sharon a admitir na 2ª feira que estava ao par o tempo todo das conversações com o veterano negociador da OLP Ahmed Karia, e que as havia aprovado.
Peres ... diz que Israel deve mostrar aos palestino a promessa de ganhos diplomáticos se desejar que eles parem de atacar Israel.
Conforme o plano, como vasou no sábado para o diário israelense Yediot Achronot, os dois lados reforçariam um cessar-fogo definido pelo diretor da CIA George Tenet e iniciariam imediatamente a implementação das recomendações do Comitê Mitchel patrocinado pelos EUA.
Aquele Comitê apelou pelo fim do bloqueiro israelense sobre áreas palestinas, o congelamento da atividade de assenatamentos na Cisjordânia e Gaza, transferência dos fundos congelados à Autoridade Palestina e o fim dos "assassinatos dirigidos" de terroristas.
É esperado da Autoridade Palestina a quebra dos grupos terroristas, a coleta de armas ilegais e a criação de um único corpo militar no lugar das múltiplas facções presentes, cujas linhas de autoridade são pouco claras.
Tudo isso teria lugar dentro de oito semanas, de acordo com o plano Peres-Karia. Israel então reconheceria um estado palestino na Faixa de Gaza e em 42% da Cisjordânia, onde os palestinos já exercem controle total ou parcial.
Sob o novo plano, um Estado se tornaria um imediato benefício para afastar os palestinos do campo de batalha e de volta à mesa de negociações.
Conversações então se iniciariam sobre os temas que frustraram esforços anteriores para atingir um acordo de paz: fronteiras definitivas, Jerusalém, refugiados e outros assuntos.
Israel gostaria de concluir essas negociações dentro de um ano, e depois disso, ter dois anos para implementar o acordo.
Os palestinos demandamam um cronograma mais curto: nove meses para conversalções e 18 meses para implementação.
(tradução parcial por Moisés Storchdo artigo de David Landau para a JTA, reproduzido abaixo na íntegra)
Peace plan shakes coalition
(JTA E-MAIL EDITION - December 25, 2001)
With revelation of new peace plan,
Sharon struggles to bridge left, right
By David Landau
JERUSALEM, Dec. 24 (JTA) -- Prime Minister Ariel Sharon's highwire act was exposed in all its fragility this week by revelations of a new peace plan devised by Shimon Peres and the speaker of the Palestinian Parliament.
When details of the plan leaked over the weekend, Sharon blasted it as "seriously harmful to Israel." Right-wing ministers who remember how Peres, the foreign minister, foisted the Oslo accords on Yitzhak Rabin -- accords that the right regards as an unmitigated disaster -- demanded that Peres be fired.
Yet it was Peres who finally brought Sharon around.
Threatening to pull his Labor Party out of the national unity government, Peres forced Sharon to admit on Monday that he had been aware all along of the talks with veteran PLO negotiator Ahmed Karia, and that he had approved them.
Fighting to control the damage, Sharon's office said Monday that the talks were intended only to promote a cease-fire between Israel and the Palestinians.
The flap over the peace plan highlights the political balancing act Sharon is engaged in as he tries both to keep his coalition together and deal with the Palestinians.
In any case, that disagreement came amid an international controversy over whether Israel would allow Palestinian Authority President Yasser Arafat to attend Christmas Eve celebrations in Bethlehem, an event watched by the entire Christian world.
Since taking office last March, Sharon has insisted that Israel will not conduct diplomatic negotiations with the Palestinians as long as attacks on Israel continue.
Peres, on the other hand, argues that Israel must show the Palestinians the promise of diplomatic gains if it wants them to stop attacking Israel.
In this case, it seems that Peres' worldview has trumped Sharon's.
The talks that Sharon claims were limited only to a cease-fire instead produced a diplomatic plan that is roiling Jerusalem.
Under the plan, as leaked Sunday to the Israeli daily Yediot Achronot, the two sides would enforce a cease-fire outlined by CIA Director George Tenet and begin immediately to implement the recommendations of the U.S.- sponsored Mitchell Committee.
That committee called on Israel to end its closures on Palestinian areas, freeze settlement activity in the West Bank and Gaza Strip, transfer frozen funds to the Palestinian Authority and stop "targeted killings" of terrorists.
The Palestinian Authority is expected to crack down on terrorist groups, collect illegal weapons and create a single armed body in place of the current multiple factions whose lines of authority are unclear.
All this would take place within eight weeks, according to the Peres-Karia plan. Israel then would recognize a Palestinian state in the Gaza Strip and on the 42 percent of the West Bank where the Palestinians already exercise full or partial control.
That represents a turnaround from the traditional Israeli bargaining position, which had dangled the possibility of a Palestinian state as the end product of negotiations, thereby inducing the Palestinians to sign a final peace deal.
Under the new plan, statehood would become an immediate benefit to lure the Palestinians off the battlefield and back to the negotiating table.
Talks would then commence on the issues that derailed previous efforts to reach a peace accord -- final borders, Jerusalem, refugees and other issues.
Israel would like to conclude those negotiations within one year, and then have two years to implement the agreement.
The Palestinians demand a shorter timetable: Nine months for talks, 18 months for implementation.
Peres told his Labor Party colleagues he believed the agreement could win full endorsement from both Israeli and Palestinian leaders "within weeks."
Others were not so sure, however.
Leading Labor dove Yossi Beilin called the plan "an idea that Arafat already rejected a month ago. Sharon has agreed with many things that he knows will not be implemented, because he has a tremendous interest in keeping Peres inside the government."
On the Palestinian side, Karia effectively confirmed the existence of the negotiating channel.
Other Palestinian sources, however, said their side demanded more than 42 percent of the West Bank even in the interim phase.
For public consumption, at least, Palestinian officials continued to insist that they would accept nothing less than the entire West Bank and Gaza Strip and half of Jerusalem. Palestinian Information Minister Yasser Abed Rabbo told the Jerusalem Post that the plan was just another means of "legalizing the occupation."
"This is another form of the prolonged interim solution, which will reinforce the present situation and enable Israel to annex most of the Palestinian territory," he said.
In his party briefings, Peres insisted that Sharon was fully apprised of the negotiations, despite the premier's initial protestations.
Peres was so incensed at Sharon's lying that he reportedly threatened to have Labor vote against the budget. Failure to pass a budget by Dec. 31 is considered a major sign of weakness in a prime minister, and can mark the beginning of the end for a government.
The budget ultimately passed the Cabinet on Monday night, but the prime minister's about-face followed the noises from the Peres camp.
Israel Radio reported that top Sharon aides claimed they had been "forced" to attack the Peres-Karia negotiations in order to curry favor with "other elements" in the coalition.
Such accusations seemed likely, in turn, to arouse anger on the far right, which also threatens Sharon.
There is a steady drumbeat of support within the rightist National Union-Israel, Our Home faction to secede from the government, and the latest Peres affair is likely to reinforce that demand. Binyamin Elon, the tourism minister and leader of that party, demanded that Peres be fired.
But it is from the left that Sharon is likely to face his most serious threat right now.
If -- and it still a big if -- Palestinian violence continues to subside, and if Arafat continues to convince American and European observers that he is at last taking meaningful steps against terror groups, the onus will be on Sharon to show that he is serious about pursuing peace.
If Sharon hesitates, the secessionist pressures in Labor may grow too strong for even the most pro-unity elements in the party to resist.
Sharon's turnabout Monday appeared to avert the immediate danger of a split in the government.
But seasoned observers suggested that the tensions exposed by news of the Peres-Karia negotiations had brought a split much closer.
For example, Avraham Burg, the Knesset speaker and a leading Labor dove, called Monday for his party to secede from the coalition at once.
Until now, Peres has been reluctant to join the doves demanding secession. The fact that he allowed himself to be quoted Monday uttering such a threat might indicate a sea-change in Labor's internal balance of power.
Defense Minister Benjamin Ben-Eliezer, who also has consistently supported Labor's presence in the unity government, warned Sunday that he would resign "if Arafat makes serious and effective efforts to curb the terror and the government ignores them."
On Monday, Ben-Eliezer told the Cabinet that Palestinian attacks had declined sharply.
Still, Ben-Eliezer was not yet prepared to say that Arafat had made a "strategic decision" to rein in the terrorists and prevent attacks both inside Israel and against Israelis in the territories.
Further straining Labor-Likud relations was the row that developed over Sharon's decision to prevent Arafat from going to Bethlehem on Monday to celebrate Christmas, as Arafat has done each year since 1995.
Though Arafat and most Palestinians are Muslim, the annual Christmas celebration has become an expression of Palestinian nationalism -- and an opportunity for Arafat to position himself as the guardian of Christian sites in the Holy Land.
All the Labor ministers voted against this in the Security Cabinet, but Sharon ignored them -- and calls from around the world -- to relent. Even Israel's president, Moshe Katsav, urged the government to think again to avert a public relations debacle.
The episode provided ammunition for those Laborites who say Sharon's goal is to destroy Arafat and drive him from the region, even if the Palestinian Authority does belatedly crack down on the terror groups it has allowed to flourish.
These Laborites say Sharon, though ostensibly committed to the Mitchell Committee recommendations -- including a settlement freeze -- in fact will do everything to avoid reaching the point where he has to implement them.
" Quem trabalha pela paz deseja a união sem bloqueios.
É a certeza de que a paz interior somente será completa quando pudermos habitar um mundo em paz e vice-versa "
[ Roseli Fischmann ]
Construir a paz
por Roseli Fischmann (publicado pelo Correio Braziliense em 17/12/2001)
Há muito existe a compreensão de que a paz não se resume à mera ausência de guerra. Contudo, quando olhamos a história da humanidade, parece que a guerra tem estado tão presente que a ciência da guerra, se podemos chamar assim, pareceria mais desenvolvida que a da paz. Na sabedoria ancestral chinesa, no Livro das Mutações, I Ching (editora Pensamento), encontram-se pontos essenciais: ‘‘A palavra chinesa T’ai não é fácil de traduzir. Significa contentamento, repouso, paz, no sentido positivo de uma união plena e sem bloqueios, que promove o florescimento e a grandeza’’.
Quem se une a quem, de forma plena? Há temas internos de países que são questões referentes à paz — e aí a união é de habitantes de um mesmo espaço, sejam ou não o mesmo povo, a mesma nação. O destino comum, porém, é evidente, e assim a possibilidade de que a união sem bloqueios promova o florescimento cultural, político, social, econômico.
No caso brasileiro, por exemplo, a situação econômica injusta, que se apresenta com características estruturais, indica um povo cindido, onde a miséria é o indicador da falta de união. Poderíamos, aqui, perguntar como pretendemos alcançar desenvolvimento econômico significativo — o florescimento e a grandeza — se não damos atenção ao grau de exclusão que nossa sociedade está produzindo? Ou valeria indagar que papel educação e mídia teriam no processo se nos falta refletir sobre como poderíamos promover a responsabilidade mútua na sociedade? A cisão, como povo, assim como o esgarçamento dos laços de consideração e reciprocidade, manifestam-se também quando buscamos soluções individuais e particularizadas, que nem sempre nos protegem como gostaríamos, frente à violência que se multiplica e reproduz de forma incontrolável, a partir de bases complexas. Ou aceitamos como se fosse familiar a violência, que parece fazer parte da ordem esperada para a sociedade.
Poderíamos também pensar em ‘‘união plena e sem bloqueios’’, considerando o ser humano consigo mesmo. Muito do que tratam as tradições espirituais do Oriente têm vínculo com a abordagem, sendo compreensível que, no mundo atual, dividido e conflituoso a cada momento do cotidiano, o apelo à paz interior faça tantos seguidores. Perspectiva rica de possibilidades, contudo não temos como nos ocultar da situação exterior. Por ação ou omissão, alimentamos o que se passa no mundo, expondo o que já é evidente: a perspectiva da paz interior, embora indispensável, não se esgota em si.
Contudo, parecem ser caminhos que andam pouco trilhados. Sobretudo após 11 de setembro, manter a esperança não tem sido simples. Mas será assim mesmo? De fato, há pessoas e organizações espalhadas pelo mundo procurando encontrar outras vias que possibilitem ao ser humano entrar em contato com seu potencial, individual e coletivo, de união sem bloqueios. São trabalhos que se desenvolvem com determinação movida, sobretudo, por um compromisso interior profundo com o ser humano, a vida, a dignidade, a liberdade, a justiça. Reais e vigorosos, embora pouco ou nada divulgados.
Por isso tenho a honra de anunciar que há chances para a paz verdadeira, pelos trabalhos que testemunho haver espalhados pelo mundo, enviando informações de Paris. Ali, na semana que passou, realizou-se a cerimônia de entrega do Prêmio Unesco de Educação para a Paz de 2001. Ao ser eleita presidente do júri internacional do prêmio — formado por Nazli Mowad Ahmed, senadora egípcia; Ran-Soo Kim, presidente da Federação da Ásia e Pacífico dos Clubes e Associações Unesco; Pierre Kipre, ex-ministro da Educação da Costa do Marfim; e Lucy Smith, ex-reitora da Universidade de Oslo — conduzi em setembro, poucos dias antes dos atentados terroristas aos Estados Unidos, os trabalhos de escolha dos laureados, examinando 23 candidaturas de todo o mundo, apresentadas para a rodada do ano.
A diversidade, originalidade e coragem dos trabalhos realizados mundo afora demonstram como há pessoas empenhadas na construção da paz. O resultado entrelaça muitas formas de trabalho pela paz. Aceitando a sugestão do júri, o diretor-geral da Unesco, Koïchiro Matsuura, atribuiu o prêmio, por empate, a dois candidatos, um individual e uma associação: o bispo Nelson Onono Onweng e o Centro Judeu-Árabe para Paz em Givat Haviva. A menção honrosa ficou para a professora Betty Reardon, educadora norte-americana, de 72 anos, que tem dedicado a vida a desenvolver projetos, livros e materiais didáticos voltados para a Educação para Paz, tema que tem tratado de forma pioneira, influenciando educadores ao redor do mundo. O bispo anglicano Onono Onweng tem realizado um trabalho de união no interior de Uganda, trabalhando tanto pela diminuição da miséria e da fome como amparando órfãos da guerra civil, assim como promovendo o diálogo inter-religioso, tudo — frisava — dentro das mais difíceis condições. A associação de Givat Haviva, que existe há 38 anos, promove o diálogo e a cooperação entre judeus e árabes em Israel, sendo a mais antiga e a maior instituição de educação para paz, ali. Atua junto aos jovens, publicando revistas bilíngües, junto às escolas e universidades. Atinge, a cada ano, cerca de 25 mil participantes, continuando seus trabalhos mesmo atualmente, quando os conflitos recrudesceram.
Quem trabalha pela paz deseja — talvez possamos dizer dolorosamente — a união sem bloqueios. É a certeza de que a paz interior somente será completa quando pudermos habitar um mundo em paz e vice-versa. Não a paz dos cemitérios, das coisas encerradas, mas a paz da vida que se cria e recria como fato novo a cada dia, onde todos os seres humanos vivem em condições dignas e justas, podendo expressar-se livremente, de acordo com suas consciências, respeitando e sendo respeitados. O mundo com paz é um mundo que dá mais trabalho que o atual, assim como a democracia é um regime muito mais trabalhoso que qualquer totalitarismo. Mas vale a pena.
Aprecio tratar da paz assim, no presente, não no futuro. Há bolsões de paz espalhados pelo mundo, procurando contaminar as pessoas com a mensagem do exemplo. Gente cheia de coragem e esperança que não teme o risco de entrelaçar o que muitos supõem que deveria ser ainda mais separado e cindido do que já está. Gente que, ao dar seu exemplo de trabalho pela paz, grita, respeitosamente, para que o mundo veja o drama que vivem. Quando indagaram a Gandhi qual era a mensagem que deixava, disse que era o evangelho das rosas. Como ensinou mestre Cartola, ecoando no amor a voz do Mahatma, as rosas não falam, porém, mesmo quem não enxerga pode sentir o perfume.
Dia 13 — junção de Chanucá, festa judaica das Luzes e Ramadã, mês sagrado islâmico, vésperas do Natal cristão, no território de união da Unesco —, Paris encheu-se de perfume, com os premiados presentes e ganhadores de rodadas passadas que compareceram à cerimônia para explicitar a união em prol da paz.
Que venha!
(*) Roseli Fischmann é professora de pós-graduação na USP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie, coordenadora do Instituto Plural e presidente do Júri Internacional do Prêmio Unesco de Educação para a Paz.
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" É preciso cessar toda violência, manter a serenidade e garantir o direito à vida, dialogar, construir nas mentes de israelenses e palestinos o direito fundamental, de cada um, à existência. "
[ Roseli Fischmann - 24/12/2001]
Beit Sahour
Por Roseli Fischmann (*)
(do Correio Braziliense - Brasília, segunda-feira, 24 de dezembro de 2001)
Os cristãos, de diferentes denominações, estão em festa a partir da noite de hoje, relembrando o fato que marcou a era comum vivida há cerca de 2.002 anos: o Natal. Cristãos ou não, todos sabem a história do nenê que, ao nascer, foi colocado numa manjedoura, o bafo da modéstia de dois animais, o burro e a vaca, a aquecê-lo do frio intenso, numa noite de Belém. É certo que o estudo de religiões encanta-me e ocupa meu tempo há muito, como necessidade interior, sendo feito, também, nos últimos quinze anos, como parte das atividades de pesquisa. Contudo, foi caminhando na noite gélida de Paris, na semana que passou, que aprendi do amigo Munir que Beit Sahour, segundo a tradição cristã, é o lugar onde um anjo apareceu para pastores que cuidavam do rebanho, para anunciar o nascimento de Jesus. Munir é palestino, cristão da linha ortodoxa grega, professor em uma escola em Beit Sahour, onde vive com a família. Integrou um grupo misto de professores israelenses e palestinos que participou de um seminário-oficina sobre direitos humanos das crianças, promovido pela associação de que participam em Israel e nos Territórios Palestinos, denominada Meca — Middle East Children Association.
Contra toda lógica, contra toda expectativa, 25 pessoas reunidas em Paris, trabalhando pela paz, nos tempos terríveis que, do Brasil, apenas assistimos, com maior ou menor grau de empatia. Adina Shapira, uma jovem advogada judia, israelense, é o motor do trabalho, com Ghassan Abdullah, muçulmano, palestino, professor universitário nas áreas de Psicologia e Educação. As dificuldades práticas vividas no Oriente Médio tornam difícil o encontro ali, fazendo com que os dois co-coordenadores, corajosos, se envolvam na busca de financiamentos e doações para levarem os professores e o trabalho em prol da paz em espaços tranqüilos, onde possam conversar e partilhar trabalhos, refeições, caminhadas, reflexões.
No encontro em Paris, estavam 24 educadores, 12 israelenses e 12 palestinos, que me deram a honra do convite para partilhar as atividades do seminário. Adina e Ghassan conseguiram encontrar os professores decididos a deixar as famílias e as casas, em época especial: para os judeus, fim de Chanukah; para os muçulmanos, fim de Ramadã; para os cristãos, vésperas de Natal. A confirmação da autorização para que os professores palestinos pudessem sair de Israel chegou apenas no último minuto, demonstrando a inegável aceitação do trabalho, por parte do governo israelense, e a importância do apelo de Arafat a que cessasse toda violência.
Volto a Beit Sahour. A história do anjo anônimo chamou-me a atenção. Há arcanjos famosos, como Gabriel, partilhado pelas três religiões abrahâmicas, figura importante em todas. Mas o anjo mensageiro de Beit Sahour transformou-se em símbolo da cidade que, zelosa, cuida da vizinha Belém, Bethlehem, que recebeu o ilustre hóspede e preocupa-se que a cidade está com dificuldades, pouco pode enfeitar-se, que muitos passam fome. Os professores em Paris, israelenses e palestinos, fizeram o papel do anjo, dizendo ao mundo que há perspectivas de paz. Deles muito me orgulho. Corajosos, como educadores sabem ser, estavam presentes num momento em que o mundo olha atônito o Oriente Médio e pergunta se haveria o que fazer. Educadores respondem fazendo.
Ouvi a história de Myriam, professora em uma escola para portadores de necessidades especiais. Contou-me como, pela imposição da exclusão social a que portadores de deficiências estão sujeitos em toda parte, acaba vivendo no cotidiano escolar a convivência de judeus, cristãos, muçulmanos — a ação efetiva de proteger os direitos é mais forte que discursos, e a cooperação é feita na prática.
Ouvi a história de Naiz, jovem palestino, vive em Ramallah. Tem interesse pelo Brasil, mas queria aproveitar cada minuto para conquistar a cooperação para seu povo, como Munir. Senti-me à vontade para, parceira de trabalho, indagar, em especial a Munir, sobre o que fazem em relação a terroristas (embora fosse claro que todos soubessem, repetiam muitas vezes ‘‘não somos terroristas’’, o peso do estereótipo a pesar), como lidam com a disponibilidade dos que se propõem a ser homens-bomba, gente que nega o mais básico direito à vida, inclusive o da própria vida. Do que pude entender, já é bastante que os terroristas entendam que os professores, que cooperam em prol da paz, são também patriotas, não os hostilizando. Testemunhei a solidariedade dos professores israelenses, acolhendo as histórias narradas pelos colegas palestinos. Vi Hannan, professora de origem árabe, cidadã israelense, fazendo todos os dias o árduo trabalho de tradução, pois cada um falava sua própria língua natal, o hebraico e o árabe, o inglês servindo como língua comum para os debates que pediam compreensão imediata.
Lembrei-me de Saint-Exupèry, no belíssimo Terra dos Homens, narrando a epopéia do colega Guillaumet, que, no início do correio aéreo, ficara perdido nos Andes após a queda do avião. Enquanto caminhava, propunha a si, repetidamente: ‘‘O que salva é dar um passo, mais um passo, é sempre com o mesmo passo que se recomeça’’. Salvou-se, porque caminhou em direção correta, no caminho encontrou ajuda. No Oriente Médio, Ghassan e Adina, com os professores, caminham passo a passo. Nós, que vivemos em terras mais amenas, temos que ir ao encontro, somos também responsáveis pela porção da humanidade que luta, ali, com dignidade.
Encontro no jornal Folha de S. Paulo de 21 de dezembro o cônsul-geral de Israel, Medad Medina, reafirmando o reconhecimento da decisão da ONU, de 1948, da criação de um Estado Árabe, hoje expressa no direito à existência de um Estado Palestino. Ao mesmo tempo, reafirma o direito básico da existência do Estado de Israel, presente na mesma decisão da ONU — existência para viver em paz, sem ameaças, como a de ser ‘‘lançado ao mar’’, como houve em 1967, por parte de três países árabes. É preciso cessar toda violência, manter a serenidade e garantir o direito à vida, dialogar, construir nas mentes de israelenses e palestinos o direito fundamental, de cada um, à existência — livres e em paz. Temos, mesmo a distância, o que fazer, no apoio ao diálogo e à cooperação, pois o que está em risco é a humanidade.
Uma fonte cristã ensinou-me um pouco mais, está no Evangelho de Lucas: depois do anjo-mensageiro, legiões de anjos apareceram em Beit Sahour. Seu canto vale para todos os seres humanos que almejam um futuro melhor: ‘‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade’’. Feliz Natal a todos que o celebram, que haja serenidade no Oriente Médio e que venha a paz para toda a humanidade.
(*) Roseli Fischmann é professora de pós-graduação na USP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie, coordenadora do Instituto Plural e presidente do Júri Internacional do Prêmio Unesco de Educação para a Paz
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A vida no Oriente Médio
17/12/01
MESQUITA DE OMAR - Jerusalem
É incrível, mas essa terra considerada berço de civilizações, que gera tanto interesse há tanto tempo, é menor do que o Estado de Alagoas. Tem história suficiente para uma Torá, uma Bíblia, um Corão, uma enciclopédia. São milhares de anos: Canaan, Israel, Judéia, Samaria, Palestina, vários nomes, mas a mesma terra de Davi, Salomão, Jesus, Maomé.
O que se conhece como o moderno estado de Israel foi fundado em 1948. Três anos depois do fim do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial, o nascimento desse país era um triunfo da resistência do povo judeu.
A festa não pode durar muito. Paises árabes atacaram imediatamente e quando a guerra acabou em 1949, Israel dominava pouco menos de 80%o do que era a Palestina histórica. O que se chama de Cisjordânia ficou controlada pela Jordânia. A Faixa de Gaza, pelo Egito. Essas são as fronteiras reconhecidas pela ONU. Mas durante a guerra dos seis dias em 67, Israel venceu e passou a ocupar também esses territórios.
Tantas guerras, tanto sofrimento, existe um som que aqui esta sempre presente: o das sirenes.
Hoje Israel tem cerca de seis milhões de habitantes, judeus em sua grande maioria, mas de vários lugares do mundo. A televisão de Israel tem programas em 17 idiomas diferentes, mas o slogan da fundação do país ¿ ¿uma terra sem povo, para um povo sem terra" - ignorava o povo local, os palestinos. Hoje, de cada cinco israelenses, um é de origem árabe.
Gaza foi fundada 1.200 anos antes de Cristo, por filistinos, hoje palestinos. Junto com os da Cisjordania, são três milhões de habitantes, metade com menos de 14 anos de idade. É uma criançada alegre, apesar dessa infância tão difícil. Os árabes de Israel e os palestinos têm uma taxa de natalidade de 4,7 por casal, os judeus apenas 1,4. Essa é uma guerra que Israel está perdendo apesar da imigração.
Da beira do mar de Gaza pode se ver Ashkelon, Ashdod, cidades que eram palestinas e que hoje são habitadas por judeus chegados da Rússia na década passada. A resistência contra a ocupação é antiga e teve um momento em que o governo de Israel fez uma opção errada.
Durante as décadas de 70 e 80, para contrabalançar a popularidade da OLP, a Organização para a Libertação da Palestina, Israel incentivou algo que se chamava irmandade muçulmana. Permitiram até que se recolhesse o zakat, um imposto religioso. Essa foi a origem do Hamás e do Jihad.
Assim como os Estados Unidos já apoiaram Bin Laden e o Talibã e pagaram depois um preço alto por isso, hoje Israel vê os grupos extremistas de origem religiosa como o Hamás e o Jihad desfilarem nas ruas de Gaza.
Mas existe uma outra opção. Vamos à casa de Ahmad Abdallah, ele nos convida para jantar. Apenas ele e a mãe dele sobreviveram à guerra de 48, mas ele se orgulha de nos apresentar uma família com oito filhos e seis netos.
Ahmad é diretor de uma escola em Jabalya, o maior campo de refugiados de Gaza. Na parede da casa dele, nos quadros, cenas de paz e de guerra. Mas aos 55 anos ele está cansado. Eu pergunto pra ele sobre o que ele imagina do futuro.
Ahmad diz que essa é a terra de três religiões e que aqui não se deveria derramar uma só gota de sangue. Vamos usar nossas cabeças, diz ele, e não nossas armas. Ele tem certeza que existe uma solução.
Do lado de fora, num jogo de futebol, os dois times aceitam a decisão de um juiz. É pênalti. Não é? Mas todos precisam de alguém neutro para decidir. Israelenses e palestinos precisam de algo assim e rápido.
O mundo dá voltas e a maior prova é Israel, não se destrói um povo. E a habilidade de esperar, agüentar, séculos se for preciso, aqui é comum a todos.
luta pela paz
18/12/01
CELSO GARBARZ
Pelos becos e ruelas de Jerusalém, mesmo para uma cidade que já viu tanto sofrimento, esses são tempos bem tristes e perigosos. Câmeras estão em toda parte, mas o que elas não enxergam é o clima de insegurança na cara de cada um. Aqui, ninguém sabe como melhorar a situação, mas todos sabem que ela pode piorar.
Israel hoje é uma esparta, a cidade-estado da Grécia Antiga em que a vida militar era de todos. Para os homens, três anos, para as mulheres, um ano e nove meses de serviço militar e, depois disso, até os 45 anos, a cada ano, por um mês, se faz parte das forças de segurança de Israel. Todos estão muito bem preparados para a guerra, armas a postos, em nome da paz.
Em Tel Aviv, capital econômica de Israel, você quase acredita na paz. Vive-se numa certa calma. Fundada em 1909, nessa região de tanta história, a cidade é quase um bebê. Mas foi ali que em novembro de 95 o primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado por um fanático religioso judeu de extrema direita. O crime de Rabin? Ter deixado Israel próximo de um acordo com os palestinos. Um prêmio Nobel da Paz tinha antes sido compartilhado por ele, por Shimon Peres e Yasser Arafat. Parecia que tudo podia finalmente ser resolvido.
A partir do acordo de Oslo, 60% do eleitorado de Israel apoiava a paz. Hoje esse número não chega a 30%. Paz é vista como submissão aos palestinos e, assim como no trânsito, qualquer concessão é vista como um sinal de fraqueza. O resultado é um engarrafamento no caminho das soluções políticas. Pra onde isso vai ninguém ousa prever. E se é difícil o consenso sobre as causas e culpas desse conflito atual, é bem mais fácil concordar com o que ele está causando: mortes, radicalismo, ódio. O oposto de paz e segurança.
Em Israel e nos territórios ocupados, o que se vê hoje é uma forma moderna de um ritual de sacrifício: nenhum problema morrer, nenhum problema matar. A cada dia, novos parâmetros para a palavra violência.
No meio disso tudo está um brasileiro. Celso Garbarz é de São Paulo, mas vive em Israel desde 75 e é um dos líderes do grupo B' tselem, o mais importante de direitos humanos de Israel. É um trabalho difícil particularmente numa época em que os dois lados não querem falar de paz. O ódio geral isolou as vozes mais moderadas.
"Hoje em dia não existe aqui o bom e o mau. O mau é o geral. Eu meu lembro de um ditado chinês muito famoso: 'para que o mal vença é suficiente não se fazer nada'", diz Garbarz.
Mas não fazer nada ou fazer tudo que não leve à nada, à paz, parece ser a única coisa que os dois lados tem em comum.
O primeiro ministro Ariel Sharon, um militar radical a vida toda, foi eleito com o slogan "só ele pode trazer a paz". Na verdade, tudo piorou. O líder palestino Yasser Arafat, um ex-guerrilheiro, isolado internacionalmente e acuado por grupos extremistas como o Hamas e o Jihad, tem cada vez menos poder. E nesse impasse cada um escolhe na Bíblia ou no Corão, trechos que são convenientes e ignoram a mensagem mais importante de cada religião.
"Você tenta usar a Bíblia para dar respostas a si mesmo, e não aquele lado da Bíblia que fala viva bem com seus vizinhos, recebe teu vizinho em tua casa, procure a paz - isso é uma ordem de Deus, e isso desaparece", opina Celso.
Em Jerusalém faltam turistas ou peregrinos, sobram produtos para se comprar, qualquer coisa. Procure e o que se acha é uma camiseta que pergunta: Paz no oriente médio? E a estampa é uma gargalhada só.
Mas para quem vive aqui não tem tanta graça, o difícil é não se resignar a fatalidade da violência, é pensar que o inimigo não é o israelense ou o palestino, mas o extremista que existe dos dois lados.em de amanhã, você vai ver as conseqüências de um ano inteiro de conflitos para a economia da região.
nova Intifada
Na terceira reportagem da série especial sobre a vida no Oriente Médio, os repórteres Marcos Uchôa e Paulo Pimentel mostram os prejuízos econômicos causados pela nova Intifada.
19/12/01
Desde que a Intifada começou, a economia palestina entrou em colapso. Cento e trinta mil palestinos que trabalhavam em Israel ficaram desempregados. Eles representavam 20% da força de trabalho. Hoje, a economia funciona a um terço da capacidade normal e a autoridade palestina arrecada, portanto, muito menos em impostos. A pobreza atinge a duas de cada três pessoas.
Mohammed Schytaiff é diretor do Conselho Econômico para a Palestina, uma organização que faz o meio campo entre as doações internacionais e as necessidades locais. Esse dinheiro vindo de fora nunca foi tão imprescindível. "Essa é a pior situação desde 67, diz ele, "A renda per capita caiu de US$ 2000 para US$ 700. O desemprego atinge 53%. Estamos vivendo de doações de países árabes e da União Européia".
Em Israel também a Intifada tem um custo muito alto. Ainda que o israelense em média ganhe US$ 17 mil, por ano, contra US$ 700 dos palestinos, esses dados são uma média e não refletem muito bem a realidade social. O governo de Ariel Sharon apresentou um relatório em que pela primeira vez se constatou que um de cada cinco israelense vive abaixo da linha de pobreza.
Apesar de toda briga pela terra, Israel é um desses países pequenos que assim como Irlanda, Finlândia e Taiwan, descobriu um nicho na sociedade de informação. Foi em Israel, por exemplo, que se inventou o ICQ, aquele programa da internet, em que se pode conversar como se fosse por telefone. Sem matéria prima, sem mercado local, nenhuma chance de algo como Mercosul, é em alta tecnologia mesmo que Israel tem que investir.
Internet na Via Dolorosa? Ao lado da quinta estação de Cristo, sinais dos tempos. Os tempos mudaram, diversificaram. Um kibutz tem uma fábrica de vidros à prova de bala. É uma tecnologia especial e que eles querem vender para nós. O Brasil é hoje o maior mercado mundial para esse tipo de proteção.
O mesmo kibutz abriu um hotel há um ano, está vazio. E fizeram, também, um parque de diversões, que está mais ou menos. Afinal, crianças, mesmo em tempo tão difíceis tem que se divertir.
Moshe Rehvan, diz que o kibutz típico mudou. Estão tendo que variar os produtos e mudar a filosofia. Agora, quem trabalha mais, tem que ganhar mais. Não tem dúvida que esse kibutz foi esperto. Em tempos de paz, o hotel e o parque vão dar dinheiro. Em tempos de guerra, o negócio é vender vidros à prova de bala.
Na reportagem de amanhã, você vai ver como vivem os jovens entre tiros e bombas.
jovens com medo
20/12/01
Na quarta reportagem da série sobre o Oriente Médio, você vai conhecer uma juventude marcada pela violência. Os repórteres do JN Marcos Uchôa e Paulo Pimentel conversaram com vítimas da intolerância entre palestinos e israelenses.
As mortes e os enterros são as imagens mais públicas desse conflito. Os feridos não recebem tanta atenção mas por horrível que seja os números de mortes, são quase 300 entre os israelenses e quase 800 entre os palestinos.
A quantidade de feridos é muito maior. Pouco mais de 500 entre os israelenses, quase 30 mil entre os palestinos. Uns vítimas de atentados à bomba em grande parte, outros vítimas de tiros. A grande maioria civis. Os feridos, que sobrevivem a essa tragédia geram vontade de vingança ou vontade de paz?
Vamos visitar a uma israelense num hospital em Rhenana, especializado em tratamento para pessoas que tiveram seu cérebros afetados. Alona Scortova, é uma garota de 15 anos, a família veio da Ucrânia em 96. Ela é filha única. Em junho, em Tel Aviv, um atentado à bomba, na saída de uma discoteca, matou, feriu. Alona foi um das vítimas, ainda tem um pedaço de metal alojado na cabeça.
A avó e a mãe cuidam dela. A mãe diz que Alona gostava de fazer esporte, de correr, queria ser atleta. Hoje não consegue se sentar sozinha. "Precisa de ajuda para tudo", diz a mãe. Alona só consegue falar uma palavra aqui, outra ali mas sorri. Diz querer a paz.
Em Hebron, cidade palestina onde o conflito é especialmente violento vamos encontrar Issam Hedrez. Ele estava na rua brincando. Issam também tem 15 anos e é um de 16 irmãos. Em maio quando voltava da escola, levou um tiro/ a bala entrou na mão dele e depois na barriga, onde explodiu porque era uma bala tipo dum-dum. Issam mostra o ferimento. Uma coleção de cicatrizes de várias operações.
Assim como Alona ele vai ter que ser operado outra vez. Issam diz não pode mais jogar futebol e quer deixar o país. Catherine Dobrev é psicóloga da Organização Francesa médicos sem fronteiras, ela faz um trabalho com vítimas dessa violência. Crianças principalmente. Ela conta de um menino de cinco anos que não conseguia mais falar. Fazia xixi na cama, tinha pesadelos.
Um míssil tinha explodido na casa dele. Ele pintava tudo de vermelho, era o sangue da cabeça do irmão. Tar, tar, tar. Tar é tiro. "Em certas áreas as crianças aprendem essa palavra antes de falar mamãe, papai", diz a doutora. Em outro caso, a menina pinta um avião que joga bombas. Um tanque que ataca. Pessoas que morrem.
Uma outra pintura mostra uma vida calma, antes da Intifada começar. O número de crianças e jovens vítimas desse conflito é uma das faces mais conturbadoras disso tudo. A ilusão de que se pode viver e construir um futuro. É parte da vida de cada um mas aqui isso não existe.
O palestino Issam parece um herói para os outros meninos mas nunca mais terá uma vida normal. A israelense Alona em vez de desabrochar será sempre como um bebê, dependente da mãe. Uma criança desenha um monstro, quer que a mãe o proteja. Mas o monstro está solto, explodindo, atirando, matando e ferindo. Até quando?
os mercados populares
Na quinta reportagem da série sobre o Oriente Médio, o Jornal Nacional mostra a conhecida habilidade para os negócios de palestinos e israelenses. Os repórteres Marcos Uchôa e Paulo Pimentel visitaram mercados tradicionais de Jerusalém.
21/12/01
Para os árabes israelenses ou palestinos, a porta de Damasco é um dos lugares para se ir às compras. Tem um ar de Brasil, de feira ao ar livre. A bagunça impera. Mas como esse é o caminho natural para eles num entra e sai da cidade velha de Jerusalém, muitos comerciantes se instalam ali para fazer negócios e ganha o pão de cada dia.
Um palestino bem humorado explica que está a cinco dias sem ir para casa. Que não pode ver os filhos e que dorme ali no chão por do bloqueio do exército de Israel. Os israelenses vão a outro lugar e tem outros problemas. Mas em comum, o mesmo colorido, o mesmo cheiro, produtos e som - No Oriente Médio economia de mercado é uma expressão para poucos. Há séculos e séculos é o mercado que é a própria economia.
Os morangos são enormes atestam a sofisticação da agricultura de Israel e nesse setor as flores são o principal produto de exportação. Símbolo de delicadeza num mundo tão brutal. Uma garota diz que tem medo de trabalhar em um lugar que sofreu 66 atentados e que teme pela paz, por que a geração dela está mais radical.
Realmente o mercado é um lugar particularmente vulnerável. Um alvo óbvio, mas ir lá às sextas-feiras antes do começo do Shabat, o dia santo dos judeus, é uma batata quente difícil de se evitar.
Na religião judaica existem cuidados, perigos também na comida. Nada de carne de porco, claro. Mas não só isso. Peixe tudo bem. Camarão é proibido. Misturar carne com produtos laticínios também não pode. Cheesburguers estão fora de questão. Por outro lado eles compensam certas limitações com docinhos maravilhosos.
Mas no fim das contas quem vai às compras, reclama. Igualzinho em qualquer lugar do mundo. Um senhor diz que aposta que as coisas são bem mais baratas no Brasil. Esse é um lugar fortemente policiado. Mas num dia como hoje se pode até esquecer o conflito lá fora.
Mas é só tocar no assunto que as opiniões são radicais, como a de um carioca, que tem filhos e netos morando em Israel. "A guerra de Israel foi dada para o povo de Israel e não para o governo de Israel, então o povo não pode nem decidir se vai dar. Se o criador deu e isso está escrito nas escrituras o governo não tem o direito sequer de depor de um centímetro para dar para outras pessoas", opina Bernardo Rojtenbarj.
Se o brasileiro tem uma opinião tão desfavorável dos palestinos a senhora russa é bem mais moderada. E diz que existe lugar para todos e que é preciso fazer logo um acordo de paz.
A amargura de tanta gente é compreensível. É fácil se imaginar que cada um ali já sofreu ou pelo menos viu alguma tragédia bem próxima. Para a se defender muitos estão preparados para atacar. Mas é difícil se entender como israelenses e palestinos, povos com cultura milenares, famosos pela inteligência e habilidade de negociar não consigam fazer o melhor negócio de todos, a paz.
A estrutura política do estado de Israel.
Os repórteres do JN mostram também a participação das mulheres nas decisões importantes.
22/12/01
YAEL DAYAN KNESSET
O knesset é o parlamento de Israel, fica em Jerusalém. A palavra quer dizer assembléia e era usada já 500 anos antes de Cristo. São apenas 120 deputados divididos por 20 partidos. De extrema esquerda à extrema direita. É por isso que os governos de Israel tem se sustentar sempre em coalizões. Onde muitas vezes o fiel da balança são partidos religiosos radicais.
Muitos acham que o país é muitas vezes refém desses partidos, que só representam 10% do eleitorado, mas que acabam tendo um peso político maior.
Ir ao Knesset é passar por uma infinidade de procedimentos de segurança. Vamos entrevistar a representante de um grupo que se tivesse mais poder, possivelmente ai a violência atual seria menor, as mulheres. São 16 deputadas, nunca foram tantas, mas ainda tão poucas.
Yael Dayan é uma delas, filha de Moshe Dayan, um general, herói, mito da história de Israel. Inclusive da guerra de 67. Ela está desiludida com o cenário atual. "O que é difícil aceitar é que depois de 35 anos de ocupação nós continuemos a mandar na vida de um outro povo. Antes de 1967 havia perigos mas não havia ocupação. Tínhamos problemas de segurança, mas não tínhamos problema moral de fazer o que fazemos", diz ela.
Israel é uma democracia, uma ilha de liberdade dominada por governantes, reis, xeiques, príncipes, ditadores que reprimem seus povos. E é por que Israel é diferente que a repressão aos palestinos, ainda que em nome da segurança, caia de uma maneira tão desconfortável mesmo para os partidários de Israel. Com um mundo dividido em países, em estados, se aceita como óbvio que cada povo tem direito a um.
Israel se beneficiou disso em 1948, os palestinos agora querem o mesmo, embora Yasser Arafat esteja longe de liderar uma democracia ainda assim ele legitimidade internacional. A posição dos palestinos é simples e já foi até reconhecida pelos Estados Unidos.
George Bush diz que é preciso que eles tenham um estado viável. A posição de Israel é bem mais complexa. Embora Ariel Sharon historicamente não se interesse por nenhum acordo, a cada crise mundial a questão palestina é fonte de tensões e atritos. E para um país tão admirado pela sua história e sua tragédia a contínua ocupação dos territórios palestinos vai minando o patrimônio de simpatia de Israel.
Yael Dayan diz que não é que Israel fosse tão maravilhosa antes, nem que seja tão terrível agora. "Temos uma população talentosa, criativa e fizemos cosias ótimas em tão pouco tempo. Mas poderia ser tudo muito melhor, senão tivéssemos a guerra com os palestinos", diz.
As mais recentes negociações de paz no Oriente Médio estão congeladas desde setembro de dois mil. De lá pra cá, 1.023 pessoas morreram nos combates de rua.
22/12/1995
Num momento histórico, muçulmanos, cristãos e judeus rezam juntos em Belém, onde nasceu Jesus
22/12/1995
Num momento histórico, muçulmanos, cristãos e judeus rezam juntos em Belém, onde nasceu Jesus
22/12/1995
Num momento histórico, muçulmanos, cristãos e judeus rezam juntos em Belém, onde nasceu Jesus
22/12/1995
Num momento histórico, muçulmanos, cristãos e judeus rezam juntos em Belém, onde nasceu Jesus
Sua Excelência, Presidente Yasser Arafat Chefe da Autoridade Nacional Palestina Presidente da Palestina
Caro Presidente Arafat,
A escalada da violência israelense é uma expressão significativa do medo do passado, e uma fuga do real conflito. A reação palestina na forma de um crescente ódio e balas vingativas também tem crescido.
A situação se deteriora em todo front, diariamente, na Palestina, Israel e na região. Estamos todos ameaçados de um inferno. A sociedade Palestina está sob perigo de se deseintegrar pelo radicalismo.
Nesses tempos críticos, a necessidade de um líder emerge. Crises perigosas são oportunidades decisivas e grandes. Israel escolheu seu líder e salvador. Esta escolha foi paralela a missões suicidas, causadas pela depressão, desesperança e extremismo.
Não podemos e não devemos usar o suicídio. Ao contrário, precisamos saber como alcançar a vitória, não apenas como morrer.
As alternativas abertas para nós são:
Continuação de estado de guerra limitado, como na atual situação.
Ampliação da guerra, que é mais destrutiva e poderia se ampliar para toda região.
Nestas duas opções, os cálculos de lucros e perdas não nos favorecem.
Mas existe uma outra escolha que poderia pesar a nosso favor. A opção da paz e liberdade parida desta crise e oportunidade por um líder e salvador. Que seja a escolha do povo palestino.
Vamos ensinar ao mundo uma lição de desejo por paz. Vamos ensinar a Israel como a fraqueza pode ser transformada em força. Vamos dar ao nosso povo a esperança de alcançar a liberdade.
A crise/oportunidade requer um líder palestino que seja um salvador armado com um plano de paz, bravo e cuidadoso, dirigido ao povo israelense, não ao seu governo. Esta mensagem de paz deve erguer nosso direito de libertar as pessoas do medo e da destruição. É uma séria mensagem que irá reviver o orgulho do povo da sua nacionalidade palestina. Deverá rejuvenescer a esperança dentro do povo israelense. É uma clara mensagem ao mundo de que nós estamos procurando liberdade e paz.
Esta é uma mensagem que rejeita a violência e o sangue. É uma mensagem de oração pelos mártires e vítimas dos dois lados. Uma mensagem que colocará o mundo frente à sua responsabilidade. É uma mensagem que irá testar o governo israelense diante do seu próprio povo e do mundo.
Esta mensagem deve ser apresentada antes que o tempo passar, antes que o mundo nos veja como agressores ao invés de libertadores, e antes que o mundo nos force a parar nossa resistência.
Esta iniciativa deve ser acompanhada por :
Um apelo a todos para cessar todas as formas de protesto e resistência militar.
Ordens para confisco de armas.
Implementação da lei.
Nem Sharon, nem ninguém outro será capaz de manobrar em torno desta iniciativa, com todos o mundo esperando por ela. Se ele tentar fazê-lo, não conseguirá, e a iniciativa prevalecerá.
Comunicação ampla pela mídia e campanhas diplomáticas devem acompanhar a iniciativa. E antes delas, deve haver uma campanha interna para restabelecer a ordem e melhorar o funcionamento da Autoridade Nacional Palestina.
Caro Presidente Arafat,
A crise/oportunidade nos está desafiando. Neste momento histórico, poderás fazer a História. O povo que o segue, e que acredita em seus direitos, aguarda sua iniciativa e espera por um dia de liberdade sob sua liderança. Em sua volta existe um povo ansioso por um milagre. E do lado de fora do arame farpado, amigos acreditam na nossa justa causa.
O momento e a oportunidade estão sobre nós. Precisamos fazer a vitória, conseguir nossa liberdade e estabelecer a paz.
Seu, sinceramente
Eyad El-Sarraj (*)
(*) - Psiquiatra - Diretor do Programa Comunitário de Saúde Mental de Gaza
TEL AVIV - O Presidente Bush precisa ser lembrado de que, quando o Primeiro Ministro Ariel Sharon recebe uma polegada ele toma uma milha, que quando ele recebe um sinal verde, não parará no vermelho. Washington deve acompanhar os movimentos de Sharon cuidadosamente.
Como um israelense, certamente estou satisfeito de que o governo dos Estados Unidos esteja ao nosso lado no presente conflito com os palestinos. O apoio americano é definitivamente benvindo. A questão é o que se apóia.
O momento atual me relembra o verão de 1982, no começo da guerra do Líbano. Sharon impulsionou aquela guerra - à qual me opus desde o início. Então, como agora, um general servia como Secretário de Estado americano,; àquele época era Alexander Haig. Washington aprovou a ação de Sharon em Beirute ou, pelo menos, olhou para o outro lado, do mesmo jeito como faz hoje.
Toda vez em que protestei contra o envolvimento de Israel no Líbano, que ao final matou mais de 1.000 soldados israelenses, muitos em Israel defendiam a guerra apontando o suporte norte-americano às ações de Sharon. Até hoje, acredito que aquele apoio foi um erro. Aquela guerra descabida não apenas nos custou muitas vidas, mas também criou o Hezbollah. Hoje, é difícil crer que o Hezbollah não existia há 20 anos. A guerra do Líbano não resolveu nossos problemas de segurança; ela criou um maior, e contínuo problema. .
Aqueles que lembra daquela experiência devem resistir a outro envolvimento militar israelense com uma população árabe hostil. O tipo de estruturas de violência que germinaram em Beirute estão agora crescendo na Faixa de Gaza e na Margem Ocidental - com as mesmas consequencias letais para o futuro.
São necessários dois para o tango, e novamente Ariel Sharon e Yasir Arafat estão dançando sua dança de sangue e desespero. Após Beirute, os dois foram exilados — Arafat para a Tunísia, e Sharon do Ministério da Defesa, por recomendação da comitê de inquérito nacional formado depois dos massacres por falangistas cristãos em dois campos palestinos, Sabra e Shatila.
Neste último ano, Arafat tem bobamente atuado nas mãos de Sharon. Ao desencadear a intifada, Arafat tornou possível a Sharon dissolver o processo de paz, recusar o retorno à mesa de negociações e ignorar os verdadeiros e graves temas do conflito israelense-árabe. Ambos continuam nesta dança macabra porque cada um deles sabe que no minuto que pararem, irão cair.
Os Estados Unidos devem ficar extremamente preocupados com a intensificação das ações militares de Israel contra a Autoridade Palestina. Se Arafat cair, ele não será necessariamente substituído pelo Hamas ou pela Jihad Islâmica, como frequentemente previsto. É mais plausível que uma completa anarquia o suceda, uma anarquia que geraria mais violência e terror. Israel não conseguiria suportar o caos e o vácuo de poder nas áreas palestinas. Quase certamente seria forçado a entrar militarmente na Margem Ocidental e em Gaza, reocupando os campos de refugiados e cidades palestinas como Nablus e Hebron com força total. Talvez seja este o resultado que Sharon planejou logo de início. Mas isto seria uma calamidade, e os Estados Unidos precisam ajudar a evitá-la.
O General Anthony C. Zinni, o enviado americano para ajudar a trazer paz ao Oriente Médio, está claramente cansado, frustrado e desapontando, o que é compreensível. Mas os Estados Unidos não podem desistir. O General Zinni deve fizar objetivos semana-a-semana para a coordenação da segurança entre a Autoridade Palestina e Israel. Yasir Arafat é incapaz de acabar com o terrorismo sozinho, e nós israelenses não podemos bater os terroristas sozinhos.
Mais terror não ajudará Arafat; ferirá ainda mais sua legitimidade política. Usar mais força não pode ajudar Sharon, apenas trará mais violência contra israelenses. Washington, portanto, tem que fornecer a estes homens uma escada para descer de suas posições duras, pois apenas uma cooperação israelense-palestina pode efetivamente superar o terror.
Nós precisamos começar a conversar — primeiro para restabelecer a coordenação de segurança, e depois para retormar as negociações face-a-face de paz. Mas não podemos esperar alcançar uma coordenação de segurança a curto prazo, ou um cessar-fogo efetivo, sem a possibilidade de um processo político significativo no horizonte. Arafat não arriscaria uma guerra civil palestina sem algum conhecimento de como será o fim da estrada. O General Zinni precisa oferecer um plano para o longo prazo, como parte de uma estratégia para o fim imediato da violência — e o único plano viável é a proposta feita pela administração Clinton.
Assim, o engajamento americano não tem sido suficientemente sustentado para fazer uma diferença. Os Estados Unidos opuseram um veto numa resolução do Conselho de Segurança da ONU para mandar uma força internacional de preservhação de paz para a região. Agora, a administração Bush autorizou o General Zinni a voltar para casa para uma pausa nos feriados.
Washington não deve abandonar os dois lados para resolver seus problemas a sós, quando este terrível conflito ameaça a estabilidade do Médio Oriente e do mundo inteiro. Da mesma forma que nós, no campo da paz israelense, continuamos nossos esforços sob circunstâncias extremamente difíceis, Washington deve intensificar seus próprios esforços políticos na região.
O apoio americano ao governo Sharon se provará positivo, apenas se levar à implementação das propostas de cessar-fogo feitas pelo ex-senador George Mitchell e, principalmente, a um contexto de paz como o plano Clinton. Mas se aquele apoio resultar numa intensificação da ocupação israelense da Margem Ocidental e de Gaza, as perspectivas para nossa enlutada região serão desastrosas.
(*) Yossi Sarid é o líder da oposição no Parlamento Israelense (Knesset) e líder do Partido Meretz. Foi Ministro da Educação no governo de Ehud Barak.
(**) traduzido por Moisés Storch de artigo publicado no New York Times de 20/12/01
encorajam o diálogo entre a juventude no Oriente Médio.
CopyFree:A reprodução desta mensagem é condicionada, apenas, a ter nela mencionadas a autoria do texto (Lewis Roth - diretor CopyFree:A reprodução desta mensagem é condicionada, apenas, a ter nela mencionadas a autoria do texto (Moisés Storch, baseado em mensagem de Libby & Len Traubman), e os endereços dos sites do
O palestino-israelense Mohammad Darawshe, diretor do Centro Israelense-Palestino de Educação para a Paz de Givat Haviva, assegura que o "CROSSING BORDERS" (Cruzando fronteiras) continua a reunir estudantes do segundo grau e universitários judeus, palestinos e jordanianos para determinar o conteúdo e a política editorial da publicação-conjunta, em cores, hebraico-árabe "Crossing Borders." Os assuntos cruzam e desafiam fronteiras políticas e ideológicas. Cada edição tem 30.000 cópias.
Diálogo e "normalização", diz Darawashe , "não nos torna menos palestinos. Nossa identidade e afiliação à nossa linguagem, cultura e herança (árabe) se tornou ainda mais forte."
As próprias reuniões de pauta são a essência do projeto. Os jovens jornalistas tem que que apresentar seus argumentos e tentar convencer seus parceiros de suas razões para querer que certo tópico seja coberto ou não, um processo educativo, que muitas vezes leva a aquecidos debates até um eventual acordo.
Não estando diretamente envolvido com o conflito palestino-israelense, e sentindo menos pressão política, o grupo jordaniano frequentemente desempenha o significativo papel de moderador e mediador entre seus colegas palestinos e israelenses.
Givat Haviva, a mais antiga instituição israelense a defender o entendimento judaico-árabe, foi fundada em 1949 e trabalha para a melhoria das relações entre Israel e seus vizinhos árabes (visite-a em www.dialogate.org.il)
Na última semana, Mohammad Darawshe e companheiros estiveram em Paris, onde o Givat Haviva recebeu o Prêmio para a Educação pela Paz 2001 da UNESCO.
O "CROSSING BORDERS" ( cb@... ) pode ser melhor conhecido no site http://www.crossingborder.org (veja última edição abaixo). É um projeto regional iniciado em 1999 em Elsinore, Dinamarca. O projeto, do International People's College (www.ipc.dk) é realizado em cooperação com o Givat Haviva e parceiros árabes e judeus no Oriente Médio, e é financiado pelo Ministério de Relações Exteriores da Dinamarca. Além da revista, promove reuniões e seminários entre árabes e israelenses, em Jerusalém, na Turquia, na Dinamarca e outros locais.
CopyFree:A reprodução desta mensagem é condicionada, apenas, a ter nela mencionadas a autoria do texto (Lewis Roth - diretor executivo do APN ), da versão ao português (Moisés Storch - S.Paulo) e o endereço do site do
Pesquisas Mostram Apoio Continuado Israelense à Paz e Negociações : o projeto de Índice Mensal da Paz, conduzido pelo Centro de Pesquisas para a Paz Tami Steinmetz Center da Universidade de Tel Aviv University publicou os resultados de suas duas mais recentes pesquisas, uma do fim de outubro e outra feita entre 3 e 4 de dezembro/01 após uma série de grandes atentados terroristas. As pequisas descobriram que 72.2% dos respondentenes apoiam consideravelmente ou fortemente o processo de paz entre Israel e os árabes, enquanto 16.4% são consideravelmente ou fortemente opostos, e 10.3% ficam no meio. Os números também revelam que 64.1% dos respondentes são a favor fortemente ou consideravelmente a negociações entre Israel e a Autoridade Palestina, 32.6% se opõem fortemente ou consideravelmente a tais conversações. such talks.Finalmente, 57.9% dos respondentes disseram que o objetivo principal do governo israelense deve ser ou renovar negociações com os palestinos ou perseguir tais negociações simultâneamente com o manejo dos problemas sociais e econômicos. (IMRA, 12/9/01)
Questões Desafiadoras:Hanan Ashrawi, legisladora palestina e porta-voz da Liga Árabe, formulou uma série de questões delicadas tanto para israelenses quanto para palestinos num artigo publicado na semana passada no Media Monitors Network.Após questionar severamente o comportamento do governo israelense, escreveu, "...Como palestinos, apesar das vítimas, nós também temos que admitir nossa parcela de culpa e perguntar a nós mesmos aquelas questões que restarão silenciosas ou apenas sussurradas em discussões fechadas... Por que e quando autorizamos alguns entre nós a interpretar ataques militares israelenses contra vidas palestinas civis como uma licença para fazer o mesmo com os civis deles? Onde estão aquelas vozes e forças que deveriam se erguer pela santidade de vidas inocentes (nossas e deles), ao invés de permitir que o horror de nosso próprio sofrimento nos silenciasse ? Como alguns entre nós empunharam ferramentas e armas (mesmo que intelectuais) que foram escolhidas por outros e em seus próprios termos, ao invés de escancarar e expor a violência militar israelense com nossa própria legitimidade como advogados da liberdade, justiça e paz ? Ao transformar nossa realidade num campo de batalha, jogamos diretamente na mão do governo israelense, não apenas por pertmitir-lhe usar sua força militar superior, mas também por erradicar o fato da ocupação do discurso público e por criar falses impressões mostrando os palestinos como agressores e os israelenses como engajados na auto-defesa. Quando e por que permitimos que o conceito da resistência (e do direito de resistir)a se transformasse no domínio exclusivo da luta armada, em lugar da expressão de nosso desejo hhumano e espírito de desafio à subjugação, intimidação e coerção ? Como nos permitimos essas formas de comportamento que nós repudiamos e condenamos em outros ? Quando e por que nosso processo de construção nacional se sujeitou à estreita agenda dos poucos de se consideram acima da lei, ... Como foram nossos princípios de democracia e o império da lei superpostos por práticas de intimidação, exclusão e desrespeito à lei ? ...Como deixamos todo um povo vulnerável, à mercê de uma explosiva retórica de um lado e de irresistíveis ataques militares do outro, sem nenhuma estratégia política e nenhuma defesa ou proteção ? ... Estejam ensurdecidos e aterrorizados pelas bombas e mísseis, ou surpresos pelo silêncio de suas autoridades e aliados, o povo palestino merece algo melhor..." (Media Monitors Network, 12/11/01)
Paz Agora (Shalom Achshav) Ajuda a Organizar Diálogo Israelense-Palestino :o movimento israelense Shalom Achshav ajudou a organizar uma graduada reunião de diálogo entre aproximadamente 20 israelenses e 40 palestinos, políticos, intelectuais e ativistas na última semana, no posto de controle de Kalandia, ao norte de Jerusalém. Os participantes discutiram soluções potenciais para a presente crise. Em uma carta subsequente enviada para a presidência da União Européia, o líder do partido Meretz Yossi Sarid, o antigo Ministro da Justiça Israelense Yossi Beilin, o Ministro da Informação palestino Yasser Abed Rabbo, e o Ministro palestino de Planejamento e Cooperação Internacional Dr. Nabil Shaath escreveram, “…Nós devemos todos inequivocamente expressar nossa oposição ao uso da violência como ferramenta política. A luta contra atos de terrorismo deve ser concertada e incansável. Os perpetradores desses atos não são apenas inimigos da paz, mas também inimigos de um futuro melhor para palestinos e Israelenses." (Peace Now Report, 09/12 & LA Times, 11/12/01)
Ataques israelenses a palestinos moderados: O Dr. Sari Nusseibeh, o representante palestinoem Jerusalém, tem recebido ameaças de morte de palestinos radicais por ter sugerido que, por um acordo de paz futuro co Israel, a Autoridade Palestina de Yasser Arafat’ precisa abrir concessões no tema do direito dos refugiados palestinos retorna a áreas dentro do estado judeu. Tal moderação não foi suficiente para impedir forças de segurança israelense de deter o Dr. Nusseibeh após impedir uma recepção que ele planejava fazer a diplomatas, dignatários e religiosos locais no Imperial Hotel da Cidade Velha. “Existe uma ampla série de atividades que são de fato terroristas, e essas atividades incluem estas recepções," declarou o Ministro da Segurança Pública Uzi Landau.Ze’ev Boim, do partido Likud Party, adicionou, Nusseibeh “pode ser ou não moderado, mas ele é um homem da Fatah , de Arafat. E se é moderado, também é perigoso.” Unindo-se à marcha contra a moderação, o Secretário-Geral do Partido Trabalhista Raanan Cohen anunciou que não permitiria a um grupo de parlamentares trabalhistas, incluindo Yossi Beilin e a deputada do Knesset Yael Dayan, que se encontrasse com Nusseibeh na sede do Partido. Dayan chamou a ação de, “uma decisão estúpida, uma que é ainda mais danosa que a decisão do Ministro Landau’s de impedir a recepção de Eid el Fitr. Finalmente,m durante a incursão do exército em Beit Hanoun, na Faixa de Gaza no fim de semana, as quatro casas de civis demolidas pelos militares. em adição à pertencente ao líder procurado do Hamas, Salah Shehadeh. Embora um porta-voz militar tenha declarado que “durante a operação, as forças do exército evitaram ferir a população civil", Mohammad Akhras, 12 anos teve uma perspectiva diferente após observar seis tanques israelenses deslizando em frente à sua casa, ao lado de onde Shehadeh vivia antes de ir se esconder algum tempo atrás. Um soldado ordenou que s família de Shehadeh saísse. Então um projétil de tanque foi disparado através do dormitório usado por suas cinco irmãs e outro sobre a sala. A família foi levada para dentro da garagem. Mahmoud Akhras então saiu com as mãos para o alto e caminhou até um tanque para pedir aos soldados dessar o fogo. Os soldados lhe perguntaram por que ele não tinha saído quando eles chamaram antes. Ele explicou a eles que sua casa não era a casa de Shehadeh . A cena seguinte que Mohammad Akhras viu foi seu pai tendo os olhos vendados, as mãos amarradas, e retirado pelos soldados. Na fábrica de cobre onde o Sr. Akhras trabalhou por 14 anos na cidade israelense de Ashdod, o pessoal ficou chocado de ouvir sobre sua prisão e o bombardeio de sua casa. “Este é exatamente alguém que não o merece. É um bom homem. Isto corta o coração”, disse um deles. Perguntado se ele poderia estar envolvido em atividades violentas, o colega israelense disse: “Não, absolutamente não.” A empresa confirmou que Akhras trabalhou na fábrica até 4 meses atrás, o que significa que ele tinha o mais alto nível de confiabilidade atribuído pelas autoridades israelenses.(Ha’aretz & Christian Science Monitor, 17/12/01)
Falando em Línguas: A TV-Nile , controlada pelo governo do Egito, está lançando um novo canal de televisão com emissões inteiramente em hebraico e dirigida diretamente para os lares israelenses. As emieeõs, programadas para se iniciar no início de 2002, marcarão a primeira vez que um país árabe faz o esforço de atingir audiências israelenses em sua própria língua. “Nosso objetivo é atingir pessoas que podem apenas conhecer os problemas entre árabes e israelenses por um ponto de vista israelense", disse Hasan Aly Hasan, sub-secretário do Ministério da Informação... Do outro lado, o site de internet israelense Ynet finalmente lançou um serviço em língua árabe com notícias políticas e econômicas sobre Israel e o Oriente Médio. O site - que pode ser encontrado em www.arabynet.com -- inclue traduções do conteúdo do site em hebraico... Profissionais árabe da mídia disseram que o Yedioth Ahronoth, que opera o Ynet, é o primeiro site israelense na Internet a apresentar notícias de Israel em árabem em tempo real. (Christian Science Monitor, 12/12/01 & Ha’aretz, 14/12/01)
Limões Azedos: Um par de destacados comentaristas, um israelense e outro palestino, lançaram um inédito site que fornece pontos de vista diferentes sobre temas importantes do Oriente Médio. Bitterlemons.org é produzido, editado e parcialmente escrito por Ghassan Khatib, um palestino, e Yossi Alpher, um israelense. Seu objetivo é contribuir para o mútuo entendimento através do intercâmbio aberto de idéias e impactar a forma como palestinos, israelenses e outros no mundo pensam sobre os temas da região. Cada edição semanal enfoca um específico tema controverso através de artigos de Khatib e Alpher, além de artigos adicionais de israelenses e palestinos proeminentes. Ghassan Khatib ensina Estudos Culturais na Universidade de Birzeit,e dirige o Centro de Comunicação e Mídia de Jerusalém.Yossi Alpher serviu como Chefe em Exercício do Centro Jaffe de Estudos Estratégicos e como oficial de alta-patente no Mossad. Para ler edições atuais ou passadas, ou par obter uma assinatura grátis do Bitterlemons via e-mail, visite o site, www.bitterlemons.org . (bitterlemons.org, 03/12/01)
Fonte: Lewis Roth, Assistant Executive Director - Americans for Peace Now / http://www.peacenow.org
O Estado de Israel se auto-define como um Estado Judeu. O objetivo do Estado de Israel é servir como paraíso para judeus de todo o mundo e para que a maioria do judaísmo mundial encontre seu lar ali. O Estado de Israel, seu governo e seus cidadãos judeus tem consistentemente rejeitado a idéia de que o conflito israelense-palestino pode ser resolvido dentro do quadro de um único estado para judeus e árabes, o que o movimento nacional palestino chamava de "um estado secular democrático na Palestina".
Após muitos anos de luta para defender a idéia do estado secular democrático, o movimento nacional palestino, em 1988, acabou por aceitar a idéia de dois estados para dois povos - Israel e Palestina - vivendo lado-a-lado em paz. Esta foi uma grande concessão para os palestinos, que foi traduzido em acordos formais em Oslo em 1993 com a troca de cartas de mútuo reconhecimento entre o Presidente Arafat e o Primeiro Ministro Rabin. Baseados nesses entendimentos, o Estado de Israel e a Organização de Libertação da Palestina (OLP) construíram o Processo de Paz de Oslo que foi acreditado como um ato de reconciliação histórica.
A transformação do Processo de Paz de Oslo em realidade deveria ter sido concluída com o estabelecimento de um estado palestino nos territórios da Margem Ocidental, faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, terras ocupadas por Israel em 1967. Ambos os lados deveriam ter entrado em vários acordos de cooperação com respeito a água, meio-ambiente, economia, segurança, etc... Jerusalém deveria ter se tornado numa capital partilhada para dois estados com fronteiras abertas e meios para uma administração conjunta da cidade. O tema dos refugiados palestinos deveria ter sido resolvido dentro do quadro do acordo baseado na Resolução 194 da ONU.
Desta forma, tanto o Estado de Israel quanto o Estado da Palestina ter-se-iam tornado a manifestação política dos princípios do direito de auto-determinação do povo judeu e do povo palestino. O insucesso de mais de sete anos do Processo de Paz de Oslo em produzir um acordo para o fim do conflito, da natureza acima descrita teve um papel decisivo na violência dos últimos 14 meses. É importante, entretanto, apontar as principais razões para p Processo de Oslo não ter trazido um acordo final.
Desde o começo do Processo de Paz de Oslo, os sucessivos governos israelenses continuaram a construir e expandir assentamentos ilegais, alcançando um ritmo sem precedentes durante o mandato de Ehud Barak como Primeiro Ministro de Israel. Ao agir assim, os governos israelenses estavam criando fatos consumados, apesar dos acordos assinados entre os dois lados e ferindo a Convenção de Genebra, que proibe atividades de assentamento. Os sucessivos governos também violaram acordos assinados entre os dois lados e alongaram o processo ao colocar condições e pré-condições que tornaram os acordos praticamente impossíveis.
A falsa imagem de que Barak propôs uma "oferta generosa" aos palestinos durante as conversações de Camp David , entre o Primeiro Ministro Ehud Barak, o Presidente Arafat e o Presidente Bill Clinton, deve ter levado a opinião pública israelense a acreditar que os palestinos não querem uma solução, ou paz. De fato, há vários, sérios e perigosos mal-entendidos influenciando o público israelense. Se persistirem, a escalada de violência significará uma contra-escalada e o resultado será certamente mais palestinos e israelenses mortos.
Muitos israelenses estão sob a impressão de que a Intifada de 28 de setembro foi uma atividade planejada dirigida a destruir o Estado de Israel, sem levar em conta a incursão de Sharon à mesquita de Al-Aqsa e o que se seguiu no dia seguinte com a morte de manifestantes palestinos com munição real, o que acendeu a chama de anos de frustração e indignação devida à contínua atividade de assentamentos, confiscos de terras, demolição de casas, humiliação pelos bloqueios militares nas estradas dos territórios ocupados, etc... O público israelense não está totalmente ao par do que se passa na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, o que explica porque estão sob a impressão de que são os palestinos os agressores, e os israelenses são as vítimas.
Os assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados se tornaram bases militares usadas para atacar palestinos. Os palestinos reagiram por uma revolta para se defender e para acabar com 34 anos de ocupação. Seguindo o sangrento ano que resultou na morte de mais de 1000 palestinos e israelenses, a vasta maioria dos quais civis palestinos, o governo israelense tem rejeitado o retorno à mesa de negociações desde o ponto em que estas pararam em Taba, e, ao contrário, continua a tomar medidas provocativas de ocupação nos territórios palestinos. Extremistas palestinos recorreram a atos terroristas que são condenados pelas principais correntes palestinas e pela Autoridade Palestina. Mas o ciclo de violência continua em ataques e reações. A acumulação de mútuas feridas irá tornar mais difícil a retomada de negociações e o estabelecimento da paz.
Este é um chamamento aos israelenses e palestinos para unir esforços para restabelecer a razão, a visão pela paz e de serem corajosos em fazer uma necessária virada. É tempo de os povos de Israel e da Palestina se tornarem ativistas pela paz, ao invés de serem simples observadores e absorvedores de incitações e mal-entendidos.
Para superar este problema, sugiro que desenhemos uma visão da solução a partir do final do jogo, e então trabalhemos os meios e mecanismos para transformar esta visão em realidade. A visão conjunta israelense-palestina deve trazer respostas reais para os temores e as necessidades reais de segurança israelenses e palestinos. Temas de interesse imediato de ambas as partes devem ser claramente focalizados e tratados. A visão deve permitir a cada lado preencher suas aspirações nacionais e alcançar dignidade para seu povo. Devem haver recursos para garantir a completa implementação dos acordos alcançados, através do envolvimento direto internacional. Devem haver meios aceitáveis de verificação e implementação de compromissos mútuos.
A visão deve criar confiança entre os povos de Israel e da Palestina e esclarecer os mal-entendidos que cada lado tem sobre o outro. O processo pode se iniciar como um processo privado de paz iniciado por personalidades públicas israelenses e palestinas. Estas personalidades assinariam um documento entitulado "Uma Visão para a Paz Israelense-Palestina". O documento conteria a visão pela paz descrita acima. Personalidades israelenses e palestinas apareceriam juntas em público e na mídia, explicando esta visão para os públicos israelense e palestino.
Além disso, estas personalidades frisariam o seguinte :
1. Nós todos condenamos o terrorismo e a violência e rejeitamos esses métodos, seja por parte de soldados israelenses ou por extremistas palestinos. Acreditamos que atividades terroristas conduzidas contra civis ferem fortemente a paz e o potencial entendimento. Também cremos que ao alvejar civis, ambos os lados tem destruído suaa imagens no mundo e tem transformado a Terra Santa numa terra sangrenta.
2. Nenhum de nós quer, procura ou planeja destruir o Estado de Israel ou evitar que o povo palestino alcance sua auto-determinação num estado e sua legitimidade internacional. Nós todos reconhecemos o Estado de Israel e o Estado da Palestina e estamos comprometidos com o direito de ambos os Estados de viver em fronteiras reconhecidas e seguras.
3. Todos nós estamos comprometidos com o establecimento do Estado da Palestina nos territórios da Margem Ocidental, Gaza e Jerusalém Leste.
4. Jerusalém deve se tornar uma capital compartilhada com fronteiras abertas e livre acesso aos Lugares Santos para gente de todos os credos.
5. Ambos os Estados gozarão de independência e soberania e entrarão em acordos para real e mutuamente benéfica cooperação econômica, meios e mecanismos para garantia de segurança e defesa, e muitos outros acordos de cooperação sobre meio-ambiente, administração e partilhamento de recursos hídricos, etc...
6. O direito de retorno será resolvido através de acordo que incorpore um esforço internacional com o envolvimento de outros países da região. O acordo preservará a integridade demográfica de ambos os estados.
As personalidades públicas israelenses e palestinas também pedirão :
· Imediata retirada israelense da Margem Ocidental e de Gaza.
· Completo congelamento da construção de assentamentos, confiscos de terras e demolição de casas
· Cessar-fogo imediato, de forma a criar condições propícias para negociação, num curto prazo, com vistas a um tratado de Paz entre o Estado de Israel e o Estado da Palestina.
· Uma força internacional de paz e de manutenção da paz deve ser estabelecida e enviada à região com um mandato claro para intervir e cessar atos de violência, estabelecida sob a liderança dos Estados Unidos e da União Européia. Esta força deve ser aceita por ambos os lados e servir como um imediato anteparo entre eles.
Reconhecendo que um tempo significativo deve decorrer antes que um processo oficial de paz se siga aos entendimentos das personalidades de ambos os povos, as iniciativas correntes de segunda-linha (Track II), não oficiais, entre ambos os lados irão trabalhar no aprofundamento dos entendimentos entre os lados. Os participantes nestes esforços irão aceitar o princípio da transparência e farão esforços para criar movimentos populares pela paz nos dois lados, de baixo para cima.
Iremos todos trabalhar juntos, entre o povo israelense e entre o povo palestino, para exigir dos respectivos governos que se juntem a este processo e subscrevam sua visão, na forma de uma Paz Israelense-Palestina definitiva, duradoura e abrangente para esta geração e para as gerações do futuro.
* Bassam Abu-Sharif é assessor polítido do Presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat. Pode ser encontrado em abusharif@...
** Traduzido do inglês por Moisés Storch - S.Paulo
Líderes israelenses e palestinos enviam carta-conjunta aos líderes da União Européia em Laeken.
CopyFree:A reprodução desta mensagem é condicionada, apenas, a ter nela mencionadas a origem do texto (Movimento Paz Agora - Shalom Achshav), da versão ao português (Moisés Storch - S.Paulo) e o endereço do site do Shalom Achshav
Segue carta aberta que foi enviada esta noite por proeminentes membros palestinos e israelenses da Coalizão da Paz, à luz da dramática deterioração da situação no Oriente Médio.
A carta é assinada pelos ministros da Autoridade Palestina Nabil Shaath e Yasser Abed Rabbo, pelo antigo Ministro da Justiça israelense a destacado líder do Partido Trabalhista, Yossi Beilin, e pelo líder israelense da oposição e do Partido Meretz, Yossi Sarid.
Exorta os chefes de governo da União Européia a reunir as forças da paz num engajamento ativo e a se envolver ativamente com presença na região. Apela pelo fim do terrorismo e dos ataques suicidas, dos ataques à Autoridade Palestina e da punição coletiva do povo palestino.
Paz, Agora !
(Uri Zaki - Shalom Achshav - 14/12/01)
CARTA ABERTA À PRESIDÊNCIA DA UNIÃO EUROPÉIA
Por ocasião da Cúpula de Laeken
Caro Primero-Ministro Verhofstadt,
Enquanto os senhores se reúnem neste fim-de-semana em Laeken, nós no Oriente Médio nos confrontamos com uma escalada trágica, aterrorizadora e desastabilizadora do conflito.
Se for permitida continuar, há uma real preocupação de que esta espiral de violência possa ter devastadores e talvez irreversíveis consequencias para nossos dois povos, israelenses e palestinos, para a região, e para a comunidade global.
Apelamos urgentemente aos senhores, os 15 Chefes-de-Estado da União Européia, a se alinhar conosco - as forças da paz - neste hora de necessidade, para evitar que as forças do extremismo e da intolerância vençam. Precisamos todos inequivocamente expressar nossa oposição ao uso da violência como ferramenta política.
A luta conta atos de terrorismo precisa ser concatenada e incansável.
Os perpetradores desses atos não são apenas os inimigos da paz, mas também inimigos de um futuro melhor para palestinos e israelenses.
Cabe a todas as partes criar as melhores condições para derrotar o terror.
Uma decisão determinada de lutar contra o terrorismo inclue facilitar e permitir a eficácia dos esforços da Autoridade Palestina nesse sentido. Isso não pode ser alcançado ao se alvejar a Autoridade Palestina, suas instituições e seus líderes.
Outras medidas, como as punições coletivas ou a re-ocupação de populações civis, confiscos de terras, e assassinatos também são contrárias a este fim, auto-destrutivas, e inerentemente erradas. O deplorável fenômeno dos terroristas suicidas tem que ser decididamente interrompido.
As lideranças eleitas de ambos os lados se mantem como os endereços relevantes para uma resolução pacífica. Uma resolução unilateral por uma parte não altera o fato de que a Autoridade Palestina e Israel são os únicos parceiros para a paz. Boicotar o outro lado, mesmo que por 24 horas é um erro político grave.
Teríamos preferido resolver nossas diferenças diretamente entre nós. Lamentavelmente, hoje nos encontramos em uma muito real necessidade de seu continuado e intensificado envolvimento. É mais importante do que nunca para ajudar ambos os líderes, Sharon e Arafat, a concretizar um imediado cessar-fogo e uma retomada incondicional de negociações. O monitoramento e verificação de uma Terceira Parte é essencial para a solução.
Pedimos seu engajamento ativo e contínuo e sua presença na região, tanto como Europa como enquanto o recentemente constituído e benvindo quarteto com os Estados Unidos, Nações Unidas e Rússia.
Existe um mapa de percurso - o Plano de Trabalho Tenet , o Relatório Mitchell , e a continuação das negociações de paz de janeiro deste ano em Taba. Ele indica as raízes do nosso conflito - a necessidade de acabar com a ocupação e criar uma solução de dois estados onde israelenses e palestinos viverão lado-a-lado nos seus respectivos estados, melhor garantindo paz e segurança.
O princípio central da soberania do Estado é um monopólio contra a legitimação do uso da força e da violência - quanto antes os palestinos tenham um Estado viável, mais rapidamente e mais efetivamente poderão adquirir o controle sobre múltiplos centros de violência em seus territórios, e daí erradicar o terror, enquanto estiverem criando a prosperidade econômica que deterá o crescimento do extremismo.
Endereçamos este apelo aos senhores, logicamente, de nossa crença num mundo melhor, mas principalmente do auto-interesse nacional de nossos respectivos povos. É uma visão e um auto-interesse que estamos confiante que os senhores compartilham.
Se alguém escutar bem o bastante, então, até de Laeken, uma voz de paz e sanidade vinda do Oriente Médio pode ser ouvida, e produzir efeitos.
14 de dezembro de 2001
Assinados:
Deputado do Knesset Yossi Sarid, Deputado e Líder da Oposição do Knesset, do Partido Meretz, Israel
Yossi Beilin, antigo Ministro da Justiça, Partido Trabalhista, Israel Yasser Abed Rabbo, Ministro da Informação e Cultura, Autoridade Palestina
Nabil Shaath, Ministro de Planejamento e Cooperação Internacional, Autoridade Palestina
PROTESTO EM FRENTE À RESIDÊNCIA DO PRIMEIRO-MINISTRO:
"É LÍBANO NOVAMENTE"
Amanhã, noite de sábado, às 19:45 de 15/12, o PAZ AGORA (Shalom Achshav) fará um protesto em frente à residência do Primeiro-Ministro em Jerusalém sob o slogan "É LÍBANO NOVAMENTE"
Ativistas carregarão tochas e uma grande caricatura de Sharon sobre um tanque.
Moria Shlomot, Diretor do PAZ AGORA :
" Israel foi enfiado numa segunda 'aventura libanesa'.
Neste ritmo, soldados israelenses irão em breve controlar diretamente 3 milhões de palestinos.
Todos os elementos moderados e pragmáticos na sociedade palestina estão sendo sistematicamente destruídos.
Cinicamente usando os terríveis ataques terroristas como cobertura, o governo está renovando o sonho do 'Grande Israel', que a maioria do povo israelense não compartilha. "
"PROMESSA DE UM NOVO MUNDO" pré- estréia Quarta-feira - 19/12 - às 20h30
Teatro Arthur Rubinstein
Rua Hungria 1000, S.Paulo
A Hebraica de São Paulo
Direção: Justine Shapiro, B. Z. Goldberg Elenco: 7 crianças entre 9 e 13 anos Duração: 106 minutos Novo documentário explora o conflito no Oriente Médio como visto através dos olhos das crianças israelenses e palestinas que vivem em Jerusalém.
O filme conta a história de sete crianças israelenses e palestinas. Cada criança demonstra dramáticas, emotivas e por vezes hilárias perspectivas ao tratar de assuntos fundamentais ao desenrolar do conflito no Oriente Médio. As crianças tem entre 9 e 13 anos, um grupo de idade que raramente fala por si. Sem o discurso consciente de um adolescente, nem a educação de um adulto, eles se comunicam sem auto censura.
Embora vivam a uma distância de apenas 20 minutos, as crianças estão presas a mundos separados. “Promessas de um novo mundo” explora os limites que existem entre estas crianças e conta a história de algumas poucas que ousaram cruzar as fronteiras e encontrar seus vizinhos.
Prêmio do Público – Melhor Filme ROTTERDAM 2001 Prêmio de Liberdade de Expressão MUNIQUE 2001 Prêmio Especial do Festival JERUSALEM 2001 Prêmio Ecumênico do Júri LOCARNO 2001 Prêmio do Público – Melhor documentário Grad Prize - Melhor documentário Golden Gate Award – melhor documentário SÂO FRANCISCO 2001
O Ministro de Informação palestino, Yasser Abed Rabbo, segundo à esquerda, acena à imprensa, enquanto os deputados israelense do Knesset, Yossi Beilin, terceiro à esquerda, Yael Dayan, à direita, e a porta-voz da Liga Árabe Hanan Ashrawi, à esquerda, se preparam para uma coletiva à imprensa num palco improvisado no posto de controle Kalandia ao norte de Jerusalem (10/12/2001)
Apóie a Declaração Conjunta de líderes israelenses e palestinos pela Paz, enviando um e-mail para apoio@... , com os dados
- linha de assunto: “SIM ÀS NEGOCIAÇÕES"
- no corpo do texto:- nome completo
- profissão e/ou título acadêmico
- cidade / estado
NÃO AO DERRAMAMENTO DE SANGUE, NÃO À OCUPAÇÃO! SIM ÀS NEGOCIAÇÕES, SIM À PAZ !
Nós, os abaixo-assinados israelenses e palestinos, nos vemos na mais difícil circunstância para nossos dois povos. Viemos juntos para clamar pelo fim do derramamento de sangue, o fim para a ocupação, um retorno urgente às negociações, e a realização da paz entre nossos povos. Recusamos ser coniventes com a corrente deterioração da nossa situação, com a crescente lista de vítimas, o sofrimento e a real possibilidade de que sejamos tragados num mar de hostilidade mútua.
Nós, pela presente, erguemos nossas vozes e imploramos a todas pessoas de boa-vontade para voltar à sanidade, a re-descobrir a compaixão, humanidade e o julgamento crítico, e a rejeitar os apelos fáceis do medo, ódio, e clamores por vingança.
A despeito de tudo, nós ainda acreditamos na humanidade do outro lado, que nós temos um parceiro para a paz, e que uma solução negociada para o conflito entre nossos povos é possível. Erros foram cometidos em todos os lados, a troca de acusações e atribuições recíprocas de culpas não é uma política e não substitui um envolvimento sério.
A impressão que existe em ambas as comunidades, de que "o tempo está do nosso lado" é ilusória. O passar do tempo beneficia apenas aos que não acreditam na paz. Quanto mais esperamos, mais sangue inocente é derramado, maior será o sofrimento e a esperança será mais corroída. Devemos nos mover urgentemente para reconstruir nossa parceria, para acabar com a desumanização do outro, e para reavivar a opção de uma paz justa que garantirá nossos respectivos futuros.
O caminho adiante está na legitimidade internacional, e a implementação das Resoluções 242 e 338 da ONU, levando a uma solução de dois estados baseada nas fronteiras de 1967, Israel e Palestina vivendo lado-a-lado, com suas respectivas capitais em Jerusalém. Soluções podem ser encontradas para todos temas excepcionais, que possam ser aceitáveis e justas para ambos os lados, e que não devem minar a soberania dos estados palestino e israelense, como determinada por seus respectivos cidadãos, e incorporando as aspirações nacionais de ambos os povos, judeu e palestino. Esta solução deve ser construída a partir do progresso feito entre novembro de 1999 e janeiro de 2001.
A necessidade imediata é pela total e acurada implementação das Recomendações do Comitê Mitchell, incluindo a cessação da violência, o total congelamento da atividade de assentamento, a implementação de acordos especiais e o retorno às negociações. Este processo deve ser monitorado por uma terceira parte imparcial.
Nós vemos como nosso dever trabalhar juntos, e cada um de nós em sua própria comunidade, para por um basta na deterioração de nossas relações, para reconstruir a confiança, o crédito e a esperança pela Paz.
Signatários Palestinos
Yasser Abed Rabbo, Minister of Culture and Information;
Hisham Abdul-Razek, Minister of Detainees and Ex-Detainees Affairs;
Nabil Amr, Minister of Parliamentary Affairs;
Dr. Hanan Ashrawi, PLC Member, Secretary-General of the Palestinian Initiative for Global Dialogue and Democracy ; Hakam Balawi, PLC Member;
Dr. Sari Nuseibeh, President, Al-Quds University;
Dr. Gabi Baramki, Bir Zeit University; Hafez al-Barghouti, Editor, al-Hayat al-Jadida Daily;
Dr. Nazmi al-Ju'beh, Director-General, Riwaq;
Dr. Salim Tamari, Director, Institute for Jerusalem Studies;
Suleiman Mansour, Director, Al-Wasiti Art Center;
Dr. Mahadi Abdul-Hadi, director PASSIA;
George Ibrahim, Director, Al-Qasaba Theater;
Sufian Abu-Zaideh, Deputy Minister, Ministry of Civil Affairs;
Jamal Zaqout, Director-General, Ministry of Civil Affairs;
Sama'an Khoury, Director-General, Palestine Media Center;
Dr. Samir Abdallah, Director, Pal-Trade;
Samir Hulieleh, Manager, Nassar Investment Co.;
As'ad al-As'ad, Writer;
Abdul-Rahman Awad, Writer;
Samir Rantisi, Media Advisor to the Minister of Culture and Information;
Nisreen Haj-Ahmad, Lawyer;
Rami Shehaded, Lawyer;
Ghaith Al-Omari, Lawyer
Signatários Israelenses:
Dr. Janet Aviad, Peace Now;
Chaim Oron, former Minister, Meretz;
Prof. Arie Arnon, Peace Now;
Yossi Beilin, former Minister, Labor;
Prof. Menachem Brienker, Hebrew University;
Prof. Galia Golan, Peace Now;
David Grossman, author;
Dr. Yossi Dahan;
Prof. Moshe Halberthal, Hebrew University;
A.B. Yehoshua, author;
Prof. Yirmyahu Yovel, Hebrew University; Prof. Dan Yaacobson, Tel Aviv University;
Prof. Ephi Ya'ar, Steinmatz Institute for Peace;
Daniel Levy, ECF;
Ronit Matalon, author;
Prof. Avishai Margalit, Hebrew University;
S. Yizhar, author;
Prof. Sami Samuha, Haifa University;
Amos Oz, author;
Ron Pundak, ECF, Peres Peace Center;
Yair Tsaban, Former Minister, Meretz; Dr. Nissim Calderon;
Prof. Ephraim Kleinman;
Dr. Menachem Klein, Bar Ilan University;
Dr. Aviad Kleinberg;
Adv. Tzali Reshef, Peace Now;
Prof. Yuli Tamir, former Minister, Labor
Apóie a Declaração Conjunta de líderes israelenses e palestinos pela Paz, enviando um e-mail para apoio@... , com os dados
Beilin and Abed Rabbo call for US involvement in stalled talks
By Melissa Radler
November, 13 2001
NEW YORK (November 13) - In a US tour aimed at building support for a return to the peace process, former justice minister Yossi Beilin and Palestinian Authority Minister for Information and Culture Yasser Abed Rabbo called for an increased US presence in the stalled talks and on the ground in the Middle East.
"There's a need for an American presence to document and monitor the suggestions made by the Americans," including the Mitchell and Tenet reports, said Rabbo. "There's a need for a third party, and the only third party is the US," he said.
Beilin, for his part, voiced some support for Israel's policy of targeted assassination, but added that a political solution is needed to end the conflict.
"If you know that there is a group of people in a car that is planning to cross the border or has crossed the border in order to have a suicide bomb attack, and the only way to deal with it is to kill these people, you have to kill these people," he said. "But you have to know that this is a last resort."
He said he is against killing political leaders and those who have already carried out attacks.
"The belief that you can put an end to the current danger by a military answer is totally wrong," said Beilin.
The meeting, which was sponsored by Americans for Peace Now, is part of a speaking series that is scheduled for New York, Washington and Boston.
Beilin and Rabbo said they have meetings set up with members of Congress, the State Department and the National Security Council.
Part of Rabbo's speech was aimed at deflecting criticism from US officials, including National Security Advisor Condoleeza Rice, who criticized the Palestinians last week for not doing enough to fight terrorism.
Rabbo answered the criticism by citing restrictions on movement imposed by Israel. "We cannot move one policeman from one village to another," he said. "Even if we do our utmost, we cannot guarantee this 100 percent of calm, of non-violence."
Rabbo said that popular support for Hamas among the Palestinians is at 20 percent, and that 60 percent support a return to the negotiating table, contradicting recent polls that put Palestinian approval of suicide bombings at 75 percent to 80 percent.
As for allegations that the PA has embraced groups such as Hamas and Islamic Jihad during the past year of fighting, Rabbo said that the PA held a meeting at one point with extremist groups to discuss joining a coalition government, but that the PA's pre-conditions - a two-state solution and negotiations rather than armed struggle - were rejected by such groups. "That was the end of the story," said Rabbo.
Both Beilin and Rabbo said that the current conflict has paved the way for extremists to be heard.
"Our alternative is not either [Prime Minister Ariel] Sharon or Ahmed Yassin," said Rabbo. "By the way, their plans, their schemes, their ideas, they intersect at a certain point. They go from different directions to the same point, the point that says [peace] is impossible," said Rabbo.
CopyFree:A reprodução desta mensagem é condicionada, apenas, a ter nela mencionadas a autoria do texto (Lewis Roth - diretor executivo do APN ), da versão ao português (Moisés Storch - S.Paulo) e o endereço do site do
APN Condena Fortemente os Atentados de Jerusalem e Haifa
O "Americans for Peace Now" (APN) condenou hoje (02/12/01) fortemente os ataques palestinos suicidas deste fim-de-semana em Jerusalém e Haifa, que deixaram quase 30 mortos e muitos feridos.
A missão do APN é melhorar a segurança de Israel através da paz e pelo apoio ao movimento israelense Paz Agora (Shalom Achshav).
“O APN inequivocamente condena os horrendos atentados suicidas palestinos que destruiram tantas vidas neste fim-de-semana," - declarou Debra DeLee, presidente e coordenadora do Americans for Peace Now.
“Estes bombardeios mortais foram dirigidos diretamente ao coração do povo israelense e ao frágil processo de paz que a administração Bush está tentando tão duramente reviver."
“Clamamos a Yaser Arafat e à Autoridade Palestina a fazer mais do que apenas condenar estes incidentes. Eles precisam fazer tudo que possam para deter os responsáveis pelos atentados, assim como aqueles que podem estar planejando outros ataques terroristas no futuro."
“Ao mesmo tempo, encorajamos o primeiro-ministro Ariel Sharon a exercitar o direito de Israel à auto-defesa de uma maneira que não reforce os terroristas que querem destruir qualquer chance de implementar um significativo cessar-fogo e o retorno à mesa de negociações."
Parlamentares e personalidades publicas israelenses irão encontrar
interlocutores palestinos, amanhã, no posto de controle Kalandia
(Shalom Achshav 09/12/01)
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[ versão em hebraico desta mensagem em :
www.peace-now.org/ReleasesHeb/Dec9-2001 ]
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Amanhã, segunda-feira, 10/12, às 11h, membros do Knesset e
personalidades públicas irão encontrar seus interlocutores palestinos
no posto de control Kalandia, ao norte de Jerusalém. Irão discutir
soluçóes para a crise atual.
Entre os participantes israelenses: Yossi Beilin, dep. Yossi Sarid,
dep. Mossi Raz, dep. Zehava Galon , dep. Anat Maor, dep. Hussnia
Jabara, dep. Yael Dayan, dep. Colette Avital, Yitzhak Frenkental,
Menahem Brinker, Morale Baron, Janet Aviad, Arie Arnon, Ron Pundak.
Entre os participantes palestinos: Yasser abed Rabbo, Ziad abu Zayad,
Hanan Ashrawi, Razi Hananya, Ahmed al-Batshi, Ghassan Ghatib, Hatem
abdul Hader, Ahmad al-Zuheir, Emil Jajoi, Azmi Shweida.
Moria Shlomot, Diretor do Shalom Achshav (Paz Agora) :
"Especialmente hoje, em meio a uma crise que está tendo um terrível
preço em vidas humanas, o diálogo político deve continuar. 'Não
podemos deixar que os canais de comunicação entre os moderados de
ambos os lados se fechem e que apaguem a esperança.
Nós não sucumbiremos às tentativas, politicamente motivadas pelo
governo e por elementos do aparato de segurança, de suprimir o
diálogo."
Pacifistas do Americans for Peace Now e do Chicago Peace Now mantem a esperança !
Seguem trechos traduzidos de materia publicada no Chicago Jewish News de 29/11/01.
Shalom, Navi Oto´, Achshav !
[ Paz, Vamos Busca-la, Agora ! ]
Moises
Mark Rosenblum (*), veterano do Shalom Achshav e um dos lideres do Americans for Peace Now e´um sionista que acredita que um bom acordo de paz com os palestinos ira´ melhorar a segurança de Israel. Algumas trechos traduzidos de recente entrevista ao Chicago Jewish News :
"...Nem tudo esta´perdido. A ideia de que o campo da paz esta´morto e enterrado em Israel e´ falsa. Embora ele tenha sofrido graves danos nos ultimos 14 meses, penso que temos chance de recuperar o equilibrio. ... Para isso e´importante que ambos os lados percebam o que houve de errado em Camp David e antes - e o que estava dando certo."
"...E´ necessario enxergar as conquistas que se deram entre as conversaçoes de Camp David, as propostas de paz de Clinton em dezembro de 2000 e as conversaçoes de Taba em janeiro de 2001. Este foi um periodo perdido ? A resposta e´ nao."
"... A tragedia deste periodo, e´ que nao chegou a uma conclusao, a concretizaçao. Nao houve assinaturas."
"...Com a nova iniciativa americana de paz, e´ possivel voltar ao jogo, mas o nome do jogo neste estagio, a coisa mais importante, e´ se conseguir um cessar-fogo. Voce precisa engatinhar antes que possa correr. Gostariamos de estar de volta para onde tinhamos chegado, mas nao ha´ uma formula magica para faze-lo. As cicatrizes estao muito profundas. Temos que ter israelenses e palestinos novamente apresentados uns aos outros, de forma que se recupere (a confiança)."
"...Os palestinos devem dizer aos israelenses que seu objetivo ainda e´ a soluçao de dois estados. Que nao pretendem destrui-los."
"... Nao sei se (Arafat) ainda tera´ a vontade e a capacidade de fazer o que precisa ser feito, mas ainda acredito ser verdade que ninguem outro tem uma melhor chance de implementar um cessar-fogo e um processo de negociaçao...A alternativa neste estagio a Arafat, sao oHamas e a Jihad Islamica, grupos radicais que querem continuar a intifada e rejeitam qualquer negociaçao com Israel"
"...A verdade e´ que Arafat nunca esteve tao fraco entre seu proprio povo... em recentes pesquisas de opiniao, o Hamas esta´ quase igualando Arafat na preferencia dos palestinos...Tais sinais indicam que se Arafat nao for o nosso parceiro, Hamas e Jihad tomarao o controle..."
sobre Assentamentos :
"Sharon deve concordar com um congelamento dos assentamentos para que qualquer negociaçao avance... O tema dos assentamentos e´ tao simbolicamente significativo para os palestinos, que eles consideram a perspectiva de genuinas negociaçoes com Israel baseadas no reconhecimento mutuo de dois estados vivendo lado-a-lado em paz impossivel, caso Israel tenha devorado a base territorial (para o estado palestino) pelos assentamentos ou por sua expansao..."
"Este e´ o tema central, o numero um, para um estado palestino viavel, com contiguidade territorial.
sobre o Direito Palestino ao Retorno :
"Em recentes intercambios entre os negociadores Beilin e Rabbo, Rabbo disse que necessitava convencer seu povo de que ' nos nao iremos exercitar noso direito ao retorno. As casas naqulas aldeias literalmente nao mais existem, e os israelenses sao uma nacao e um estado judeus. E o que preciso dizer ao meu povo, quando eu encaro meus filhos e filhas nos olhos, e´ que nos teremos um estado palestino sem nenhum exercito de ocupaçao nos controlando, de forma que poderemos viver orgulhosamente e nossos netos poderao viver em paz e segurança, e o preço para isso e´ que nao poderemos retornar em massa para o estado de Israel.´ "
"...Sari Nusseibeh, recentemente indicado por Arafat para representar a Autoridade Palestinina em Jerusalem, disse palavras parecidas, em arabe, a palestinos, argumentando que um acordo de paz incorporando um estado palestino so´ poderia ser conseguido se palestinos abandonarem sua antiga demanda pelo retorno a casas perdidas na guerra, mais de 50 anos atras. Estas sao palavras muito importantes que foram ditas, em arabe e em hebraico. Sao todas elas positivas..."
[ (*) - Mark Rosenblum e´fundador e diretor do Americans for Peace Now, a maior organizaçao sionista pacifista do E.U., e a versao americana do movimento israelense do mesmo nome, Shalom Achshav ]
Gidon "Doni" Remba quer revitalizar entre os judeus da comunidade de Chicago o movimento Peace Now :movement in the Chicago area. :
"Muitos judeus de Chicago interpretaram a derrocada de Oslo como uma prova que o processo de Paz nunca deveria ter se iniciado. Eu e muitas outras pessoas -a maioria do povo israelense - nao concordamos com isso, (conforme) recentes estatisticas que mostram que 65 % dos israelenses querem a retomada da conversaçoes de paz."
"O Paz Agora sempre acreditou que Israel precisa persequir opçoes diplomaticas para a paz, de forma tao agressiva quanto perseguiu a vitoria militar nas suas guerras de auto-defesa, e de que os israelenses nao podem esperar que a paz cheque batendo na sua porta, ou ficar sentado, simplesmente esperando que as atitudes arabes mudem."
"Ao contrario, Israel deve trabalhar para trazer uma mudança nas atitudes arabes e procurar lideres arabes com quem possa desenvolver acordos politicos."
"Nao ha´ apenas uma voz palestina. Ha´ uma luta entre os palestinos moderados e radicais. Quanto mais os grupos racicais como o Hamas e o Tanzim, se tornarem mais fortes, mais prolongada sera´a Intifada. Mas ainda existem vozes significativas moderadas entre a liderança palestina."
"...Devemos evitar de cair na amadilha de deixar que a amargura nos consuma no pensamento de que o processo de paz nao tem mais esperança e foi um erro...O odio e a amargura sao justificaveis, mas podem obnubilar nosso julgamento sobre as necessidades de Israel para sair deste desastre."
. "Existem os que sempre foram opostos ao processo de paz, e nao conseguiremos abrir suas mentes, porque eles nao estao abertos para um debate racional. .. Outros estao muito preocupados em defender Israel contra ataques, o que e´ muito justo, mas quando voce se enrijece num comportamento defensivo, torna-se mais dificil aceitar ideias do tipo que o Paz Agora esta´ propondo. Mas quando as pessoas começam a ouvir estas ideias, vemos uma resposta positiva..."
"... Eles reconhecem que oferecemos a unica avenida para qualquer esperança de saida da tragica situaçao atual."
[ Gidon "Doni" Remba, lider do Chicago Peace Now, viveu em Israel em 1978 quando o movimento Shalom Achshav nasceu, e o apoiou desde seu inicio. Trabalhou como tradutor para a imprensa estrangeira do escritorio do primeiro-ministro e do Knesset em 1977 e 1978, na epoca que precedeu os acordos de Camp David, tendo acompanhado de perto a positiva mudança no relacionamento entre israelenses e palestinos com a perspectiva da paz entre os povos.]