Faustino Vicente
Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos, Professor e Advogado
e-mail:
faustino.vicente@...
- Tel.(011) 4586.7426
Nos bastidores da ingênua expressão vamos brincar no carnaval
se desenvolve um megaevento empresarial que faz com que a economia
brasileira produza o maior “PIB/hora”, da indústria brasileira de
turismo. O milionário carnaval verde-amarelo pode perfeitamente ser o
“abre-alas” do nosso turismo, reunindo todas as condições para provocar
um zoom na percepção dos estrangeiros focando a beleza inigualável da
Amazônia e do pantanal, o calor dos milhares de quilômetros de nossas
praias, o sabor das nossas frutas, a diversidade da nossa fauna, o charme
das nossas serras e a incorrigível alegria da nossa gente.Apenas um
lembrete: não vamos confundir explorar o turismo, com explorar o
turista. O intercâmbio de informações e experiências que o turismo
proporciona, através do conhecimento de usos e costumes, competências e
habilidades, estilos de vida e cultura geral, traz inúmeros benefícios
para visitados e visitantes, ampliando a perspectiva da paz entre os
povos. É um empreendimento estratégico para o desenvolvimento econômico e
social, pois o turismo interno, e externo, se constitui na maior
indústria mundial na geração de divisas e de empregos, requerendo
investimentos em limpeza pública, infra-estrutura física, segurança e
qualificação de mão-de-obra. Como expressão maior da nossa cultura
popular, o carnaval movimenta milhões de reais, não apenas nos quatro
dias e na mais famosa das passarelas - a Marques de Sapucaí do Rio
de Janeiro, mas nos clubes, nas ruas, em casas de espetáculo e em eventos
sazonais no país e no exterior, o ano todo. O sucesso do carnaval deve
ser creditado ao trabalho das escolas de samba, blocos, frevo, trios
elétricos, e diversas manifestações regionais, cuja diversidade é a
expressão maior da riqueza da nossa musicalidade. O incentivo para
parcerias estratégicas dessas agremiações, com a iniciativa privada e o
poder público, aumentará os benefícios essenciais à população, através de
atividades esportivas, artísticas, educacionais, recreativas e de
prevenção à saúde, que muitas já fazem com muita competência. O carnaval
deixa, também, uma generosa contribuição para a gestão empresarial,quando
coloca na passarela milhares de sambistas com perfeita noção de tempo e
de espaço,resultado de um planejamento estratégico elaborado com muita
criatividade para baixar custos e aumentar os efeitos especiais. Fica
perfeitamente evidenciado que, ao som do simples apito,dos
seguidores do lendário mestre André bateria nota 10
descortina-se um exemplar estilo de gestão que não devemos ignorar,embora
parte de seus integrantes,só tenha como diploma a indispensável sabedoria
conquistada na “universidade da vida”. Desde a primeira escola de samba
“Deixa Falar”,nascida em 1918,que a empregabilidade soma das
competências e das habilidades também, se faz presente em todos os
sambódromos do país, pois exige que os integrantes das escolas
dancem,cantem, façam evoluções e interpretem o papel que estão
representando por meio de suas fantasias. O carnaval é uma
autêntica ópera de rua. Na maior, e na mais fantástica festa
coletiva do planeta,por algumas horas o sonho da igualdade social
acontece no asfalto,na mistura de
raças,cores,crenças,hierarquias,profissões, idiomas, e de todas as
classes sociais. Concluo que o turismo é uma das mais promissoras
indústrias do futuro,pois tem entre os seus fatores motivacionais a nova
estrutura do mercado mundial de trabalho, as mudanças no estilo e na
expectativa de vida das pessoas, e os versos do brilhante escritor
argentino, Jorge Luiz Borges (1899-1987): “viajaria mais,subiria mais
montanhas,nadaria mais rios, iria a lugares onde nunca fui, tomaria mais
sorvete e contemplaria mais entardeceres”.