O meu nome é Francisco Campos, muitos dos participantes do Forum conhecem-me.
Quero começar por agradecer aos que realizaram o FTL, os que nele trabalharam e os outros, este grande acontecimento. Já ouvi fora da esfera do tango mas em área culturalmente interessada reflexos disso mesmo- um grande acontecimento que espero tenha continuidade.
Achas para a fogueira em época de Stº António:
Na minha opinião discutir a origem do tango é redutor ou mesmo inútil.
Quanto à “forte influência africana”, na documentação consultada nada me permitiu concluir que assim aconteceu. Em anexo junto-a para me submeter ao contraditório.
Não te vou dar uma resposta muito completa às tuas questões, mas vou-te indicar um link onde poderás esgravatar e encontar muita informação sobre tango argentino (história, músicos, contores, bailarinos,...) Podes mesmo ouvir muita música com muito boa qualidade!
Não é fácil encontrar CDs de tango argentino nas lojas em Portugal. Tens a hipótese de sites na internet, mas sai um bocado caro. Que eu saiba, há duas entidades que os vendem cá (fica bem mais barato). Deixo-te aqui o link para os sites e poderás entrar em contacto com eles:
Quanto a onde encontrar mais CDs de tango, referências de autores, músicos e cantores e mesmo traçar os pontos de contacto do tango com o fado, há outros membros do ForumTango bem mais qualificados que eu para te responder. Vou esperar que eles avancem... se demorarem muito, eu posso dar umas dicas.
Cumprimentos a todos!
Paulo Bernardo
-----Original Message----- From: Jorge Daniel Figueiredo Andrade Pinto [mailto:casainho@...] Sent: terça-feira, 27 de Maio de 2003 21:08 To: forumtango@yahoogroups.com Subject: [ForumTango] Ajuda - autores tradicionais de tango
Queria arranjar alguns CD´s de tango mas tradicional. Tenho acesso a alguns de Piazzola mas tou é á procura de algo mais tradicional com voz. Uma vez falei com uma amigo e ele disse-me que o tango pode se comparar tipo ao fado português..
Bem, alguém me pode dizer o nome de músicos tradicionais de tango??
Olá!
Sou novo aqui.. acabo de visitar pela primeira vez a
página "http://www.lusitango.com/".
Queria arranjar alguns CD´s de tango mas tradicional. Tenho acesso a
alguns de Piazzola mas tou é á procura de algo mais tradicional com
voz.
Uma vez falei com uma amigo e ele disse-me que o tango pode se
comparar tipo ao fado português..
Bem, alguém me pode dizer o nome de músicos tradicionais de tango??
Obrigado.
Jorge Pinto
E para álem disso, também agradeço a pesquisa sobre o assunto facilitando assim aos incultos, ignorantes e perguiçosos como eu a aprendizagem objectiva sobre o assunto.
Quero saudar o Paulo Bernardo pela intervenção que fez a propósito de origens e influências.
Porque revelou uma coisa que muito aprecio: moderação.
Parece-me que todos temos a ganhar em tentar convergir, em vez de divergir. São locais aprazíveis, os pontos de convergência. E, além do mais, são geralmente locais onde se pode viver, porque têm sempre árvores de fruto mesmo ao nosso lado, ao alcance da mão.
Abraços!
Ricardo Morais-Pequeno
Se deseja deixar de ser membro do ForumTango, envie um email para: forumtango-unsubscribe@yahoogroups.com
Será argentino quanto mais não seja porque tem que se lhe chamar alguma coisa que o distinga do tango das danças de salão, mas... para mim, ele já saiu há muito de baixo das saias da mãe (Argentina) e sabe-se lá no que se vai tornar !
Cumprimentos,
Cristina Sales,
21 501 9120, 96 370 8771
-----Original Message----- From: Alvaro de Almeida e Cunha [mailto:alvarocunha@...] Sent: 27-05-2003 13:49 To: forumtango@yahoogroups.com Subject: [ForumTango] O tango deverá chamar-se argentino?
Olá a todos!
Concordo com o Paulo. A distinção entre "origem" e "influências" no tango, simplifica a questão (embora, naturalmente, a não resolva).
Quanto à questão que ele propõe: "será que hoje se deverá chamar argentino ao tango?" -não a compreendi. Porque é que não se deveria chamar argentino ao tango?
Cumprimentos,
Álvaro
Se deseja deixar de ser membro do ForumTango, envie um email para: forumtango-unsubscribe@yahoogroups.com
Concordo com o Paulo. A distinção entre "origem" e "influências" no tango, simplifica a questão (embora, naturalmente, a não resolva).
Quanto à questão que ele propõe: "será que hoje se deverá chamar argentino ao tango?" -não a compreendi. Porque é que não se deveria chamar argentino ao tango?
Quero saudar o Paulo Bernardo pela intervenção que fez a propósito de origens e influências.
Porque revelou uma coisa que muito aprecio: moderação.
Parece-me que todos temos a ganhar em tentar convergir, em vez de divergir. São locais aprazíveis, os pontos de convergência. E, além do mais, são geralmente locais onde se pode viver, porque têm sempre árvores de fruto mesmo ao nosso lado, ao alcance da mão.
Acabo de entrar para o ForumTango e venho apresentar-me. Sou o Álvaro e frequento com assiduidade as milongas. A maior parte de vocês deve conhecer-me. Suponho, por isso, que não vale a pena alongar mais a apresentação. Estou contente por estar entre vocês que, tal como eu, gostam do tango.
Felicito os organizadores do Festival de Tango de Lisboa pelo sucesso que conseguiram e agradeço-lhes o trabalho e risco que correram para, de forma abnegada, proporcionarem a quem gosta de tango momentos inesquecíveis. Muchas gracias!!!
Há uns tempos atrás o Guillermo enviou a seguinte mensagem sobre a origem do tango. Estou a enviá-la para o forum porque gostaria de dar a minha opinião e ouvir outras sobre este assunto.
Não sou um grande estudioso de história, mas é minha impressão que poucos ou nenhuns são os movimentos culturais, científicos, políticos ou ideológicos que sejam de cria dos de uma forma absoluta, sem influência alguma de outros movimentos já existentes. Mesmo quando o objectivo é fazer um corte abrupto com uma ideia e partir na direcção absolutamente oposta, a influência dessa ideia original no "novo" movimento alternativo é tão maior quanto maior for o esforço de agir em conformidade com a sua negação.
Isto tudo só para separar bem os conceitos de "origem" e "influência". Assim, para mim, dizer que algo teve origem aqui ou ali, nisto ou naquilo, é sempre muito arriscado... Pelo contrário, identificar as influências pode ser bem mais simples e seguro.
Li numa série de sítios que o Tango tinha fortes influências africanas. Faço de seguida duas transcrições. Basta pouco esforço para na internet encontrar mais opiniões semelhantes.
Sobre o fado. Dizer que o fado é de origem asiática é de facto pouco seguro, quase tão pouco seguro como dizer que é de origem europeia. Mas dizer que o fado tem fortes influências asiáticas parece-me bem seguro. É óbvia a influência da cultura árabe no fado. Da cultura árabe chegamos directamente à Pérsia que, se a geografia não me falha, localizou-se na Ásia, no extremo da Ásia, mas na Ásia.
Agora para acabar, e sob o risco de criar uma bela confusão: será que hoje se deverá chamar argentino ao tango?
Divirtam-se.
Cumprimentos, Paulo Bernardo
"Alrededor de 1860, entre los criollos y gauchos rioplatenses, marineros, indios, negros, y mulatos, se bailaba suelto músicas como valses, de origen austríaco y alpino; pasodoble y tango andalúz; zarzuela; bailes de origen escocés; habaneras, de origen cubano; polka; mazurcas, cuadrilla y milonga; teniendo como base el fandango y el candombe de los negros. "
O Candombe é a sobrevivência do acervo ancestral africano da raiz Bantú trazidos pelos negros chegados ao Rio de la Plata. O termo é genérico para todos os bailes de negros: sinônimo de dança negra, e evocação do ritual da raça negra. O espirito musical conta dos lamentos dos escravos desafortunados, que contra a própria vontade foram levados para a América do Sul, para serem vendidos e submetidos a humilhações e duras tarefas. Eram almas sofridas, sob inconsolável nostalgia da terra natal. Na época da colônia, os africanos recém-chegados chamavam seus tambores de tangó, e também usavam tangó para denominar o lugar onde realizavam suas danças candomberas. Com a palavra tangó designava-se o lugar, o instrumento e a dança dos negros.
No início do século XIX, o estabelecimento em Montevideo estava muito preocupado com a realização dos candombes, e que denominavam indistintamente "tambó" ou "tangó", proibindo e castigando duramente os participantes por considerar que esta dança era un atentado a moral pública. Em 1808 os vizinhos de Montevideo solicitaram ao governador Francisco Javier Elío, que reprimira com mais severidade os candombes e "proibisse os tangós dos negros".
-----Original Message----- From: Escuela Argentina de Tango [mailto:tango@...] Sent: sexta-feira, 9 de Maio de 2003 1:30 To: Undisclosed-Recipient:; Subject: Esclarecer: o Tango nao e de origem africano
Se o Tango é africano então o Fado deve ser asiático...
Em resposta às várias perguntas que tem surgido depois de que nos últimos dias no Festival de Tango de Lisboa se tivesse afirmado que o Tango tinha origem em África, cá vão alguns esclarecimentos:
Embora é verdade que há opiniões divididas entres os estudiosos sobre a influência dos africanos no Tango, é ridículo afirmar que o Tango é proveniente de África. Não é preciso ser um especialista para compreender que:
1. A característica principal da música africana é a percussão, elemento inexistente no Tango ( !!!!!!!!!)
2. As danças africanas do século XIX não eram de pares. ( !!!!!!!!!!!!)
3. As roupas e calçados dos africanos não eram os que usavam os habitantes de Buenos Aires.
4. O Tango toma o abraço de pares das danças europeias ("afrancesado").
5. Quase não existiram africanos em Buenos Aires: a introdução de escravos em Latinoamerica era feita via Panamá ou Lima (Peru). Buenos Aires não tinha a mais mínima importância para os espanhóis nessa altura (não havia ouro) e não tinha autorização para receber escravos africanos directamente. Os escravos que havia em Buenos Aires tinham entrado via Panamá ou Lima e por isso eram caros (e portanto, escassos) ou então eram alguns entrados de contrabando. Dos poucos que havia, muitos morreram com a febre amarela que atacou a zona sul da cidade (onde morreram grande parte dos pobres). Outros foram enviados à "conquista do deserto" (luta contra os indígenas) e lá morriam.
É preciso conhecer o contexto histórico: o Tango nasce na época imediatamente posterior a que Buenos Aires se torna independente de España. Nessa altura, há uma necessidade de procurar uma identidade própria como nação. Nascem então o hino nacional, a bandeira argentina, o libro "Martín Fierro" (acerca de gauchos), o Tango, a Constituição Nacional... Coisas que diferenciam aos argentinos e que dão identidade própria aos habitantes dessa região.
Não se conhece o origem da palavra "Tango". Existem várias explicações etimológicas: algumas afirmam que é uma palavra de origem africana, outros que é japonesa... De qualquer maneira, a palavra existia antes que a música ou a dança, e tem pouco ou nada a ver com o Tango.
Os poucos africanos que sobreviviram na Argentina se misturaram com brancos ou desapareceram. Pergunta: alguém viu alguma vez um negro em Buenos Aires? Calculo que havia mais africanos no palco de S. Luiz com Batoto Yetu dos que vivem actualmente em toda a cidade de Buenos Aires. Claro que os africanos tiveram influência na Havanera cubana e no Candombe e que estes mais tarde tiveram influência no Tango.
O primeiro abecedário foi desenvolvido em Ásia. Posso então afirmar que o Fado é de origem asiático porque é cantado e tem uma letra? É ridículo...
Guillermo Ruiz
6 anos em Lisboa !!
Escuela Argentina de Tango / Guillermo & Elina, Lda.
Se tens amigos que desejam saber mais sobre o mundo do Tango em Lisboa, avisa-nos. Se vais mudar de e-mail, ou se estás a receber mensagens em duplicado ou se por algum motivo desejas ser retirado da nossa lista, avisa-nos (indica o teu endereço).
Eu tenho visto muitas coisas de Tango e opino (no pessoal) que a parte mais positiva do FTL foi o prazer de ver dançar a algum dos melhores bailarinos do mundo (alguns deles, os meus ídolos e modelos). Já a pensar no Tango em Lisboa posso assegurar que os bailes tiveram um nível muito alto devido à grande quantidade de estrangeiros que estavam na pista. Nunca em Portugal tinha visto um nível tão alto, e creio que a maior parte das pessoas que assistiram tomaram consciência disso (a julgar pelos comentários que estou a ouvir nas aulas e ouvidos nos próprios bailes). O facto das salas (Ribeira e S. Luiz) serem com muito espaço facilitou a dança e permitiu também observar com bastante comodidade a aqueles que dançavam melhor. A quantidade de gente que assistiu aos bailes é também um indicador muito positivo.
Como bailarino que já tenho visto e participado de outros festivais, como organizador de eventos de Tango e sendo um dos artistas que tinha sido convocado para participar do FTL tenho várias críticas que prefiro ainda falar com os organizadores, uma vez que grande parte dos aspectos negativos que tenho vivido e observado não afectou ao público tanguero e por isso acho que não é este o meio mais apropriado para discutir o tema. Nesse sentido posso afirmar que, sem entrar em detalhes, existiram problemas que deveriam ter sido previstos e que não foram abordados na altura certa. Dos aspectos negativos que sim saíram a luz, penso que o um dos que mais me molestou foi o assunto do DJ, não sei se já repararam...
Independentemente das coisas negativas (e tentando abstrair-me dos problemas pessoais que agora tenho e que derivaram de alguns descuidos dos organizadores) penso que a clave do sucesso dos festivais consiste nos momentos mágicos e fora do comum que podem-se viver em poucos dias. Esses momentos mágicos são um golpe de inspiração que eleva o espirito e estimula aos milongueros a ser melhores (e não apenas melhores milongueros). Sem esquecer a euforia de saber que pertencemos a um grupo enorme de gente louca pelo Tango, ou tal vez louca pelos bons momentos que o Tango pode fazer-nos viver.
E para terminar: vivi um enorme prazer (e bastante orgulho, devo disser) ao comparar as primeiras reuniões/intentos de milonga em Lisboa (lá no ano 1998) com as noites no FTL. Não quero fanfarronar (para isso está Augusto) (Ey, era una broma!), mas devido a que acompanhei todo o processo desde o que foi (praticamente) o nascimento do movimento tanguero estável até agora, posso saborear isto quase como uma vitoria pessoal.
Guillermo (Bailarino e professor durante o ano; vendedor de CDs durante o FTL. Sem perder o sentido do humor, eh?)
6 anos em Lisboa !!
Escuela Argentina de Tango / Guillermo & Elina, Lda.
Também eu gostaria de agradecer o FTL 2003. Agradecer, não só a todas as pessoas da organização que à custa de muito esforço conseguiram levantar tal evento, mas também a todos os que nele participaram, como diz a Cristina, usufruindo da parte boa. Na realidade, o excelente esforço da organização só faz sentido se considerarmos todos aqueles que foram às milongas, aulas, espectáculos e todos os outros eventos.
Na minha opinião o Festival teve coisas muito boas e outras menos boas.
No topo das muito boas colocaria:
+ as milongas, mesmo apesar da performance do DJ (o Guillermo já desenvolveu este tema...). Os locais, a quantidade e a qualidade de pessoas a dançarem criaram um ambiente que me foi muito agradável. (é preciso considerar que não tenho grandes termos de comparação, sendo assim facilmente imprecionável)
No fundo das menos boas colocaria:
- a divulgação do evento. Acho que aqui houve alguns problemas, a nível de calendário, meios e conteúdo, que comprometeram um ainda maior impacto que o Festival poderia ter tido.
E mais uma vez digo que isto é apenas a minha opinião, baseada na minha experiência.
Inegável é que o FTL foi uma GRANDE FESTA, pelo que junto a minha voz aos agradecimentos áqueles que o organizaram, aos que nele participaram e aos que o apoiaram.
É bom estar de volta a qualquer coisa que não seja a organização do Festival....
Antes de mais gostaria de agradecer os muitos elogios e apoios ao Festival e, acima de tudo, a presença daqueles que por lá andaram.
Foi, de facto, um esforço tremendo que nos deixou a todos completamente de rastos. Mas valeu a pena.
Os resultados falam por si e por isso agradecemos, mais uma vez e em especial, aos tangueros, que foram inexcedíveis.
Apesar de algumas falhas, ocorridas aqui e ali, como de resto acontece em todos os eventos sem excepção, a classificação atribuida ao FTL2003 por tangueros, nacionais e estrangeiros, nomeadamente pelos professores convidados, com a craveira que lhes reconhecemos e que convivem com festivais há muitos anos, foi unanime.
Todos definiram o FTL2003 como tendo entrado directamente para a classe mais elevada de Festivais que se realizam em todo o mundo, nomeadamente para o Top10 dos Festivais com este formato.
Esse era um dos objectivos, colocar Lisboa no circuito dos melhores Festivais de tango. Foi conseguido excedendo as nossas expectativas.
Os tango em Portugal em geral e os tangueros em particular estão pois de parabéns.
A maioria dos tangueros presentes, em especial os muitos estrangeiros, vieram perguntar-nos sobre as datas do próximo ano porque desejam voltar e trazer mais gente.
Não podia haver maior recompensa para a organização que a expressão desse desejo e, por isso, vamos trabalhar ainda mais intensamente para que o FTL2004 seja um sucesso ainda maior.
Os organizadores estão contentes (cansados mas contentes), os tangueros estão contentes, as entidades apoiantes estão contentes.
Fica aqui o nosso agradecimento e reconhecimento sincero a todos os tangueros.
------***------
Na medida em que o forum existe para debater ideias e o que mais houver, hei-de voltar brevemente à vossa convivência para debatermos e falarmos das ideias que entretanto foram sendo veiculadas (isto se entretanto conseguir acabar de ler as missivas do Guillermo sem que se me acabem as pilhas... Guille, és um pibe complicado... vais ser o escritor de dicionários mais prolifero do mundo... a tomar pelo tamanho das tuas missivas... ;-) ).
As mulheres de Lisboa, as de Porto, as de França... todas se queixam de que bailaram pouco ou nada durante o FTL... Um factor determinante nesse sentido foi a actuação do DJ: dado o elevadíssimo nível dos bailarinos e da orquestra, podíamos ter esperado que o DJ estivesse à altura. Não vou queixar-me neste momento de que nos atormentou durante 5 noites repetindo um repertório estritamente ajustado às décadas de 1930 e 1940 (cruzando uma ou duas vezes a barreira de 1950). Não vou queixar-me de que foi monótono e de que não soube aproveitar as riquíssimas variantes que o Tango tem. Não vou a queixar-me que não sabia usar a mesa de som para diminuir um bocado o ruído a antigo (a "fartura") que existe na maior parte dos discos de antes de 1940. Não vou queixar-me de que repetia a mesma música ao longo da noite (muitas vezes, o mesmo tango pela mesma orquestra era tocado no início e na metade da noite...) O que realmente era um problema para dançar foi que a música não estava organizada. Quando existem "tandas" (blocos de música) a pista renova-se constantemente, uma vez que o hábito é dançar até o final da tanda e parar para sentar-se ou procurar outro parceiro (ou eventualmente voltar a convidar à mesma pessoa que antes). Quando a tanda acaba e há uma pausa maior ou uma cortina (para separar tandas) também serve para ver caras, para poder caminhar pela pista sem chocar com os que estão a dançar, para respirar, etc. Este sistema de tandas fomenta a troca de pares e da mais possibilidade às pessoas para ver/falar/convidar a outras. Assim, as pessoas se movimentam para ir à casa de banho, para ir ao bar, para ir cumprimentar outros, para acompanhar à parceira à mesa, etc. La Viruta e o Club Sunderland são dois extremos diferentes na selecção musical: uns mais abertos e outros mais conservadores. Mas ambos utilizam tandas (de formas diferentes) com bons resultados.
Existem no mercado leitores de CDs com quapacidade para meter 5 (ou mais) CDs. O DJ do FTL parecia ter comprado um e metido 5 CDs, escolhido a função "random" e deixado a aparelhagem correr... Lá entrava uma milonga com espírito alegre, convidavas alguém para dançar, e logo a seguir aparecia um Tango de Biagi... isso é uma traição aos milongueros! Aparecia uma música de Pugliese, começa a criar-se um clima diferente, o corpo e a alma se predispõem para dançar e 2 minutos depois lá vem um Tango de Tanturi com Castillo... Parece uma burla...
Ter 400 CDs de Tango e conhecer um bocado das orquestras não chega para ser um bom DJ. O DJ tem que saber criar climas ao longo da noite e saber quando e como desfazer ou interromper esse clima. Tem que estar atento à pista de dança. Tem que estudar e praticar, como na maioria das actividades. Este rapaz se limitava a meter tango trás tango e repetir a mesma monótona proposta as 5 noites. A sua maneira de musicalizar não ajudou em nada aos milongueros, e muito menos às mulheres. Afortunadamente, a vontade de dançar e as magnificas salas (no S. Luiz e no Mercado da Ribeira) fizeram que a pista estivesse animada. Pena para as que ficaram só a ver...
Por outro lado, eu há 6 anos que organizo aulas/bailes em Lisboa. Estou em constante formação; estudo todo o tempo, cá e em Argentina. E não só nos bailes de Tango: sempre há recursos, truques, sistemas que podem-se tomar de outros ambientes. Sei que o problema principal nas pistas cá em Lisboa é a falta de homens e bastante pachorra e altivez em grande parte dos homens que dançam (afortunadamente há excepções). Uma vez que o objectivo do FTL era dar impulso ao Tango em Lisboa eu tinha apresentado uma serie de sugestões à organização que foram totalmente ignoradas, possivelmente por falta de tempo. Entre estas sugestões estava o facto de não encarar o FTL para atrair novas pessoas ao Tango, já que existem muitíssimas novas pessoas cada ano. A minha sugestão era que o FTL servisse para abordar o problema central para o crescimento do Tango: a integração de essa grande quantidade de pessoas que cada ano se incorpora às aulas. Se não conseguimos integrar aos que entram, para que vamos trazer mais pessoas? Mas a organização do FTL insistiu no facto de que iam ser atraídas novas pessoas (coisa que finalmente não resultou assim, tal e qual como tínhamos previsto. Tal vez não fomos o suficientemente convincentes nas nossas palavras). De qualquer maneira: não é nada que não possa ser corrigido para o próximo festival.
Guillermo Ruiz
6 anos em Lisboa !!
Escuela Argentina de Tango / Guillermo & Elina, Lda.
Caros Meus,
também eu felicito os organizadores pela formidável festa que nos
proporcionaram.
Comentários:
a) O nível artístico das Milongas foi bastante superior ao das aulas
dos avançados. Os avançados já não vão às aulas dos avançados, só lá
foi pessoal de idade avançada.
b) Herera e Poberaj divinos, Calvo e Talamoni e Pablo e Beatriz
outstanding, Javier e Geraldine muito poupados e pouco soltos.
c) Nunca mais convidam aquele argentino que apresentou no São Luíz a
orquestra. Deixem apresentar a Fabrícia.
Saudações tangueras
wizard_of_tango
Com muita pena minha, não consegui participar no Festival a 100%, mas
fui ao Baile de Gala e no fim tive a sensação de que tinha valido a
pena fazer 300 km para passar algumas horas a ver a paixão que todas
as pessoas tinham pelo tango. Os pares convidados foram
espectaculares, e a orquestra idem. Pena tive de não dançar uma unica
vez....
Espero qe continuem com o bom trabalho porque para o ano conto
participar no festival por inteiro....
Um abraço....
Márcia
Caros,
Antes que fique esquecido quero agradecer a todos os organizadores do
FTL pelo magnifico festival que nos porporcionaram.
Sei que não foi fácil e que lhes custou a todos muitas horas de
trabalho, muitas angústias, muitos sacrificios pessoais.
Por tudo lhes agradeço, com algum remorço de não ter partilhado
connvosco a parte dolorosa e ter apenas usufruído da parte boa.
Aproveito para lançar a sugestão de uma troca de impressões relativas
ao FTL 2003.
Cristina Sales,
21 501 9120, 96 370 8771
Caros,
Antes que fique esquecido quero agradecer a todos os organizadores do
FTL pelo magnifico festival que nos porporcionaram.
Sei que não foi fácil e que lhes custou a todos muitas horas de
trabalho, muitas angústias, muitos sacrificios pessoais.
Por tudo lhes agradeço, com algum remorço de não ter partilhado
connvosco a parte dolorosa e ter apenas usufruído da parte boa.
Aproveito para lançar a sugestão de uma troca de impressões relativas
ao FTL 2003.
Cristina Sales,
21 501 9120, 96 370 8771
Com respeito ao assunto das identidades, não tarda nada alguém está a perguntar:
"Quem és tu?"
E eu terei que pensar:
"Quem sou eu?"...
Mas por agora é melhor restringir-me à questão dos complexos critérios de selecção de senhoras a convidar.
Para começar, com certeza que nem todos os homens têm o mesmo tipo de comportamento em relação a esta questão. E esses comportamentos, na realidade, não são assim tão complexos que não sejam facilmente perceptíveis, se estivermos com um pouco de atenção a isso num baile. Acho que há um conjunto de critérios, mais ou menos vasto, e depois, cada homem utilizará a sua proporção pessoal de cada um desses critérios. Assim, cada um terá o seu tom, e talvez aquilo que chama a atenção de um pela positiva, irá fazer com que noutro se queira colocar a milhas.
Depois, nem todos os dias são iguais. O "compurtamentus convidatoris" irá depender da disposição do momento. Mais confiante, mais inseguro, mais audacioso, mais tímido, mais relaxado, mais tenso, mais calmo, mais activo, mais espalhafatoso, mais discreto, mais curioso, mais conservador... dependendo se choveu ou fez sol, se se passou o dia a trabalhar ou a dormir, ou porque sim ou porque não.
Depois há a música. Somando ao que disse em cima há que adicionar a música. Tendo todos os outros critérios difusos já organizados, há que emparelhar a senhora certa, com a música certa, no momento certo. Entrando aqui mais uma variável: a dinâmica da pista.
Todo este processo, julgo eu, na maioria dos casos, acontece sem se pensar muito nele.
E isto contribui para que, ano após ano, noite após noite, mantenhamos a capacidade de nos surpreendermos a nós próprios e de sermos surpreendidos pelos outros, por aqueles que conhecemos há vários anos ou por alguém com que nos encontramos pela primeira vez.
Pela minha fraca experiência, não acredito em nenhuma receita precisa, embora aceite que há tons com mais sucesso que outros. Caberá a cada um e a cada uma encontrar o seu próprio tom, dentro e fora da milonga.
MAS... e aqui é um grande MAS... depois de eleita a bailarina a convidar, há ainda obstáculos a superar: chegar lá antes da feroz concorrência e...
... que o convite seja aceite!
-"Sim!"
-"Hm Hm"
-"Não"
-"Depois"
-" Doem-me muito os pés, desculpe"
-" Estou muito cansada"
-" Não gosto desta música"
-"Já prometi que dançava com outra pessoa que foi ali e já volta"
-"Conhecemo-nos de algum lado?"
E depois várias actividades que impedem qualquer tipo de comunicação, e por conseguinte, o convite:
-busca frenética por algum objecto dentro da bolsa:
-repentina e animadíssima conversa com a amiga
-panfletos e outra literatura de interesse absolutamente absorvente
-torcicólogos de todas as formas e feitios
Uma maravilha. Falo sério, há "tampas" que dá gosto!
E citando o Guillermo: "Há mais que isto,claro."
Cumprimentos a todos e viva a mística e o mistério do tango
Paulo Bernardo
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Jua jua jua jua! Em defesa de Ricardo só posso dizer que tem mais de 1,78 m !
Eu sou Guillermo, um argentino que mora em Lisboa. Eu também já tinha pensado em usar uma máscara. De facto, participo em outra lista onde não conheço quase a ninguém, pelo que também não sei se os nomes que utilizam são verdadeiros ou não. Finalmente decidi que usar uma máscara neste Fórum não ia fazer muito sentido, uma vez que a minha forma de falar português ia rapidamente deixar-me em descoberto. Uma máscara pode ser utilizada por vários motivos e as vezes pode ajudar a que o diálogo seja mais sincero.
Em referência à pergunta da Danza Rina sobre como fazem os homens para pedir para dançar posso antecipar-te algo: cá em Lisboa os homens são bastante tímidos, e as coisas são um pouco l e e e e entas. (Posso dar-te alguns exemplos concretos se desejas). Se andas por cá, aconselho paciência...
Para ser muito convidada (em qualquer parte do mundo) sem dúvidas que vai ajudar-te muito se danças razoavelmente bem e estás atenta aos possíveis olhares convidativos dos homens. A roupa também fala: se estás com ténis é possível que não tenhas nem ideia do que é o Tango... E se além de dançar bem e contar com um par de sapatos de Tango és jovem e engraçadinha então tens o sucesso garantido...
Ricardo Morais-Pequeno,
Espero que não tenhas menos de 1,60m senão não consigo
dançar contigo se nos encontrarmos por aí.
Olha, gosto que partilhes esses teus pensamentos
preocupações ou lá o que são mas não concordo contigo
e acho que afinal ao contrario do que dizes não
compreendes nada.
Não tem nada a ver com sedução, mistério ou
libertação.
Tem a ver com o endereço de correio que uso.
Eu também não sei se me sentirei bem a discutir com
pessoas que dizem que acham que compreendem tudo tão
depressa. Também posso 'compreender' que são
presunçosas e achar estranho ou achar que não me vou
sentir bem a discutir coisas mais intimas com elas e
achar pelo nome que tem menos de 1,60. Mas acho que
vou ficar por cá um pouco mais para ver.
Não sei a tua idade a cor dos teus olhos ou se Ricardo
é o teu nome ou a alcunha. A não ser que todos os que
entram neste forum enviem uma copia do BI à entrada e
como sou nova cá não sabia. E como é que eu vou saber
se o teu BI é mesmo o teu BI?
Como sabes quando falas com alguem se estás mesma a
falar com ela ou com uma das suas personalidades se
for esquizo? Ou se o nome que te deram é mesmo o nome
da pessoa com quem estas a falar, mesmo que a conheças
pessoalmente?
Mas isso não me interessa. Interessame discutir Tango
e não a tua identidade. As tuas ideias e não a tua
altura.
Quando pedes a alguem para dançar tambem perguntas-lhe
pelo BI?
Deve ser giro:
Olhe quer dançar comigo? E já agora podia mostrar-me o
seu BI e o seu no de contribuinte. Deixe cá tirar do
bolso o aparelho para verificar se o BI é verdadeiro.
Quando acabas já só danças os 3 ultimos acordes.
Que é o que está a acontecer nesta 'conversa'.
Ate porque para este tipo de discussão faço parte de
um forum de sociologia e psicanalise.
AGora sobre Tango
a estoria de como o Ricardo pede a uma senhora para
dançar é interessante (ou a um senhor se ricardo for
só um nome e afinal ele for uma senhora - estas a ver
ricardo já me estas a confundir - o que que que tu
és?).
Homens:
Como é que fazem para pedir a alguem para dançar?
O que é que interessa os homens para os levar a pedir?
É uma coisa que me interessa porque quero ser muito
convidada e do que vi ainda não entendi...
Beijos...
Para ti Ricardo um aperto de mão porque sei lá o que
está desse lado...
Danza_Rina
(Vou-te ajudar Ricardo - a ...rina que dança) Estás a
ver Ricardo não é grande mistério...
--- Ricardo Morais-Pequeno <ricmp@...> escreveu:
> "Wizard of Tango"... "Danza Rina"...
> Compreendo a sedução da máscara. Mistério...
> Libertação... Poder!
> Mas, ao mesmo tempo, acho um pouco estranho. Se o
> Wizard, a Rina, ou outros vierem apresentar as suas
> ideias sobre o Tango, gostava de saber quem as
> pensa.
> E não sei até que ponto me sentirei bem a discutir
> com desconhecidos. Especialmente quando vou
> desconfiar que até os devo conhecer (quiçá bem).
> Acho um pouco estranho.
> Abraços
> Ricardo Morais-Pequeno
>
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filtro contra spam.
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Compreendo a sedução da máscara. Mistério... Libertação... Poder!
Mas, ao mesmo tempo, acho um pouco estranho. Se o Wizard, a Rina, ou outros vierem apresentar as suas ideias sobre o Tango, gostava de saber quem as pensa.
E não sei até que ponto me sentirei bem a discutir com desconhecidos. Especialmente quando vou desconfiar que até os devo conhecer (quiçá bem).
Olá pessoal...
Vou-me juntar a voçes a partir de agora... em
representação das tangueras... claro...
Se calhar já nos vimos por aí...
Quais são os assuntos mais quentes em discussão?
E há por aqui tangueros dignos do nome?
Beijinhos,
Danza Rina
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Caros Meus,
também vou juntar-me ao forumtango. Mas quero ficar incognito. Por
isso só o meu nome de artista.
Beijinhos/Abraços de um sítio maravilhoso.
wizard_of_tango
Pois aqui vai a minha primeira mensagem para o forumtango, um pouco à
laia de experiência...
É que me apeteceu partilhar umas fotos que para aqui tinha de um
querido tangueiro, o Homero, que nos acabou de deixar mas que sei que
não será esquecido por todos os que com ele viveram momentos tão
agradáveis como os que estas fotos ilustram.
Ao Homero, aqui fica a minha homenagem e agradecimentos pela
inesgotável simpatia e boa disposição.
P.S. As fotos, acabei de fazer upload delas para a zona das 'Photos',
espero que correctamente...
Beijinhos,
CS.
Olá.
Venho aqui apresentar a componente Web do ForumTango, o ForumTango Web
Neste Web site será possível para os membros do ForumTango consultar o
histórico de mensagens enviadas, partilhar fotos e outros ficheiros,
partilhar links para pontos de inteteresse, consultar e inserir eventos num
calendário e até mesmo partecipar em sessões de web chat com outros membros.
O endereço do ForumTango Web é:
http://groups.yahoo.com/group/forumtango/
Para ter acesso ao ForumTango Web, para além de ser membro do ForumTango é
necessário registar-se no Yahoo!. Infelizemente esta operação não é tão
simples com deveria e tem causado problemas a algumas pessoas. Com o
objectivo de facilitar a tarefa de se registar no Yahoo! montei um documento
com os passos necessários para esta operação. Em anexo vai uma versão sem
imagens deste documento. Quem estiver interessado na versão com imagens, um
documento Microsoft Word com cerca de 1 Mb de tamanho, por favor diga, que
eu envio directamente para o seu endereço.
Cumprimentos,
Paulo Bernardo
3Preencha o
formulário com os seus dados , garantindo que o endereço email é aquele com que
subscreveu o ForumTango e clique em Submit the Form no fim da página
4Confira os
valores e clique em Continue to Yahoo!
5Dentro de alguns
momentos deverá receber uma mensagem no endereço de email forncecido. Esta
memsagem server para confirmar o seu registo no Yahoo! Estando ligado à
internet, clique em Important! Click here to activate you new account.
6Uma janela
será aberta pedindo-lhe a password para confirmar o seu registo. Insira a
password e clique em Verify
7Completou o
registo no Yahoo! Clique em Continue to Yahoo!
8Agora que já
se registou no Yahoo! poderá fazer o sign in. Clique em sign in no canto
superior direito do ecran.
9Introduza o
seu Yahoo! ID e password e clique em Sign In
10Assumindo
que já é membro do ForumTango clique em (Already receiving group email)
11Clique em Get Web Access
12Clique em
save changes
13Clique
emGoto ForumTango Home
14Bem vindo ao
ForumTango Web.
Como aceder ao
ForumTango Web nas vezes seguintes ao registo?
GuillermoRuiz ( guillermo@... ) le envía esta nota publicada en Clarín.com:
Uma bailarina muito nova com elementos das milongueras mais antigas...
GERALDINE ROJAS, BAILARINA
La flor de Urquiza
A los 21 años, pasó más de la mitad de su vida trasnochando en las pistas. Es la niña mimada del mítico Sunderland club y la elegida de Duvall.
Consumada milonguera, ex—prófuga de la justicia y ahora actriz de cine, nunca terminó el colegio. De pie en el umbral de su casa en Villa Crespo, sin el espeso maquillaje de las noches del Sunderland las pecas en la cara resaltan el aire infantil de Geraldine Rojas. Cumplió veintiún años pero vivió velozmente.
La Turca María del Carmen creía que a los cinco años su hija era demasiado chica para salir de noche, pero no a los ocho, y entonces Geraldine comenzó a frecuentar milongas hasta la madrugada. Iba con la Turca y era la única niña. Bailaba con viejos milongueros como Pepito Avellaneda, Gerardo Portalea o Cacho Mantegaza, hasta que el sueño la vencía. Tuvo una infancia singular: "Cuando iba temprano al Club Sin Rumbo los milongueros me hacían caminar la pista hasta que me hartaba, para practicar. Ahí iba yo, caminando, caminando, y desde cada mesa me decían algo. Lampazo: ''Piba, juntá las rodillas y los tobillos cuando caminás''. Margarita: ''No arrugués, piba, no arrugués!''. Milonguita: ''¿Qué buscás en el piso? ¿Petróleo? Levantá la cabeza''".
Con esa escuela, y sin ninguna formación técnica ni metódica, Geraldine se convirtió en una muy respetada bailarina en la pista y en el escenario, una de las pocas bailarinas profesionales que sin provenir de la danza académica logran ser reconocidas en primera línea. Viajó a Europa y Japón dando clases y shows con su compañero Javier Rodríguez, y es una de las figuras de la película de Robert Duvall Assassination tango.
Tus modelos son las viejas milongueras de Urquiza, del Club Sunderland o el Sin Rumbo, ¿no?
Ellas: la Fillipini, Ada, la negra Margarita, la Rusa. No hay nadie que ponga los pies mejor que la Fillipini. Es una mujer grandota, alta, imponente: unos tacos impresionantes, polleras amplias, cara de mala. Una reina, no te cansás de mirarla. Ada es el típico tango salón y a la vez algo sucio, no porque sea desprolija sino porque tiene una pisada más al piso. La Fillipini es más etérea y ésta más densa, pero elegante siempre. Margarita es todo lo contrario: tiene una energía, una velocidad que decís: ¡¿Dios mío?! ¡¿Cómo lo hace?!
¿Por qué siempre te fijaste en esa generación?
Me crié en eso. Los jóvenes vinieron después. Cuando aparecieron Miguel Zotto y Milena Plebs yo era una pibita y fue un shock, a nivel de colgar el póster en la pieza. Igual cuando surgieron Vanina Bilous o Guillermina Quiroga. Me volvían loca.
¿Entonces no pensaste en estudiar danza?
Mamá me quería llevar al casting del Colón pero no fuimos. Creo que no es imprescindible estudiar. La ves a Margarita en el Sunderland, y no podés entender cómo hace los voleos que hace. Bueno, Margarita es enfermera, es más, no duerme porque sale del Sunderland y se va al hospital. Pensar que hay minas que están en la barra los siete días de la semana, meta aductor, estiramiento, hueso flotante y no sé qué más: ¡No bailés más, hermana, mirála a Margarita y después hablamos!
Dejando de lado la excelencia de Villa Urquiza, sos bastante crítica en la milonga.
Nos divertimos poniendo apodos. Están Chuky, Terminator y Jack el Destripador, siempre bailando con alguna Stekelman que salió medio fallada. Nunca falta Beethoven, el sordo que jamás pisa a tiempo. En toda milonga hay un Béjart; es "el creador", dirige la pista, coreografía, grita: "Vení! Andá! ¡Guarda que viene variación!" Y están los Traseros Danzantes. Mi hermana dice: "Si moviera tanto las piernas como mueve el culo, bailaría bien".
¿Con Javier se conocieron en la milonga?
Lo conocí en el Sin Rumbo un miércoles hace siete años; yo tenía 15 y dos semanas. Empezamos a practicar, después nos pusimos de novios. Cuando terminemos la casa, nos casamos. La historia es un poco rara porque el papá de Javier había sido muy amigo de mi vieja; eran dos matrimonios íntimos en la milonga y un día se pelearon mal. Quedaron los dos bandos: Montescos y Capuletos. El ambiente conocía la pelea, así que el día que Javier y yo salimos a bailar juntos por primera vez, se paró la milonga. Después Javier se peleó con el padre y se fue a vivir con nosotros. Después se peleó con mi vieja y yo me fui con él.
¿Qué edad tenías?
Dieciséis. Me fui de la puerta del Sunderland. Nos fugamos. Javier estuvo buscado por rapto y yo por el juez de Menores. Mi vieja caía con la policía a los bailes del Regine y Almagro... Es una historia larga, con el tiempo nos reconciliamos todos.
Javier y vos viajan mucho, pero aquí siguen yendo a todas las milongas. ¿Están mejor o peor?
En las del centro la pista se va fuera de control: te chocan, te pisan. Cuando somos todos pibes está todo bien. Pero con los viejos hay una cuestión de respeto. Si bailo con el Puppy, con el Tete, con el Nene o el Dany, me molesta que les peguen. Una vez le dije a un pibe: Che, loco, paráte. ¿No ves que hay un milonguero?
É com prazer que a Lusitango em geral e eu em particular saudamos este novo meio de consolidação da comunidade tanguera nas suas diversas vertentes.
Nesta caso Tango é 'Um coração, quatro pernas... um servidor, um carola, uns teclados e algumas reclamações dos maridos, mulheres, namorados, namoradas e afins - pelo tempo que os subscritores não lhes dedicarão em exclusividade para que por aqui possam andar.
Que o ouvido não nos falhe e as pernas nos acompanhem...
Olá cá estou eu, o primeiro membro do forum Tango à excepção do
moderador.
Um grande beijinho para o moderador e parabéns por esta ideia
fantástica.
Iolanda