Prezado Carlos,
Que tal nos limitarmos a discutir música, sem indiretas a quem quer
que seja, ok ?
Adalberto
--- In
LPV@yahoogroups.com, "carlos d. rb." <carlos_d_rb@y...> wrote:
> passeando pela web, na verdade me estressando, na tentativa de me
informar da mpb por nos pouco explorada, a ponto de termos catalogo
de 280 paginas no japao com coisas que nao existem por aqui, e diante
do custo proibitivo de se ter um'acervo de mpb de baile, sambalanco,
sambossa, com nomes muito cotados em LP, cada vez mais aposto em
descobrir discos de baile esquecidos, pois ali havia musica e
musicos... geralmente LP, as vezes descubro em CD coisas resgatadas
na area... a mais recente fornada em CD (uma minguada serie da
Copacabana, outros da RCA classics) foi dedicada a alguns titulos de
Angela Maria e Waldir Calmon, Doris Monteiro, Isaura Garcia, algumas
vezes com Walter Wanderley, Ed Lincoln e outros dando um toque extra
no acompanhamento. Na falta do LP tenho tido a sorte de achar a
12,60, no maximo 15,00, alem de alguns da Odeon pouco valorizados,
como o milagre que foi achar o Nelson Cavaquinho dando sopa depois de
mais de ano de lancamento. E aquele da Leny Andrade,
> Sensacao, de 61, que maravilha... Mais Jamelao, Mao de Vaca outros
que ando manjando. A serie da elenco tambem tem pintado por ai, mas
existe uma tendencia a incensar os figuroes da bossa nova, que caem
muitas vezes numa harmonia muito repetitiva, em detrimento de uma
Leny Andrade e outros mais espirituosos e menos travados e
bitolados... (nara leao, a criadora da MPB, ha pouco tempo saiu em
duas caixas, mostrando sua pesquisa para alem daquela mesmice ou da
musica regional que cai em outro tipo de mesmice... ai que tentacao
as duas caixas de Nara lancadas pela Universal... aquele Edu &
Bethania da elenco mostra mesmo onde esta a grande musica brasileira
gravada e que quem nao tem competencia nao se estabelece)/ Elizeth,
Jacob e Zimbo Trio volumes 1 e 2 ate agora nao receberam relancamento
mas tenho os dois em vinil (aqueles shows sao eternos mesmo,
incluindo o Jair Rodrigues de 66 -- falar no Jair, como e classico
seu Jair de Todos os Sambas de 69... um precioso flash de um
> momento do samba brasileiro eternizado em vinil. e como
brasileiros, pouco ouvimos de grandes instrumentistas como Luis
Bonfa, apesar de uma certa mesmice joaogilbertiana e
astrudgilbertiana no repertorio. Alguns CDs de Bonfa, com amostras
sonoras, estao no site barnesandnoble.music.com... e o texto abaixo
fala de um de seus discos de baile esquecidos. (enfim, conformando-se
com o disponivel e ouvindo em doses homeopaticas, da pra ser feliz --
e reouvir todos os Paulinho da Viola de 70 a 89 mostra maravilhas
muito acessiveis, contestando os muitos criticos da musica gravada,
como alguns da Samba-Choro e outras listinhas de universotarios e
secretarias de reitor, que defendem uma MPB regional ou independente
que eles proprios nem ouviram direito, apenas tem ideia fixa em
artistas com poucos discos, que caibam em seu limitado orcamento e
espectro auditivo... se eles ouvirem essa? quem diz o que quer, ouve
o que nao quer). carlos ribeiro
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> Melodias das Américas - Luiz Bonfá - Imperial - 1958Diante da rica
e vasta discografia do violonista carioca Luiz Floriano Bonfá, torna-
se uma tarefa árdua escolher apenas um disco para ouvir e falar a
respeito. Chamou-me a atenção o sub-título da capa do disco Melodia
das Américas, que diz "para você dançar", e seu repertório
internacionalmente variado e característico do que se ouvia e fazia
sucesso em um Brasil prestes a conhecer a bossa-nova.
>
> Clássicos da música popular americana como Cheek to cheek, You were
meant to me, Mister Sandman, My melancholy baby e Speak low. Bolerões
obrigatórios como Frenesí, Quizás, quizás, Quiereme mucho e Eclipse.
E claro, música brasileira: Na baixa do sapateiro, Não tenho lágrimas
e Melodiando. Esse panorama musical, que foi influência decisiva para
toda uma geração de artistas brasileiros (como Caetano Veloso, que
inclusive reverenciou essa fonte através do seu Fina Estampa e
recentemente com seu último trabalho só de músicas norte-americanas),
é interpretado pelo violão do mestre Luiz Bonfá, reinventando a
levada jazzística das canções estadunidenses e elaborando arranjos
bem acabados para as simples melodias dos boleros, que vão além do
mero solo.
>
> A leve percussão que acompanha o violão de Bonfá é o que concede ao
disco seu toque dançante. Acima de tudo, ele fornece ao ouvinte uma
deliciosa viagem no tempo, onde a dança de salão era uma das
principais formas de diversão social, seja em ambientes festivos ou
familiares (não é à toa que na contracapa do disco, a gravadora
Imperial recomenda diversos títulos "para outras soirées dançantes").
>
> Os gêneros musicais em evidência daquele tempo em Melodias das
Américas determinavam os estilos de dança mais populares: desde os
arrastados e titubeantes passos um-dois-três do fox-trote envolvidos
ao som de Cheek to cheek, passando pelos malemolentes chachachás na
ritmada versão de Frenesí até as alongadas poses e giros cheios de
leveza do bolero, tendo como fundo as belas introdução e melodia de
Bonfá da versão de Eclipse. Os mais velhos ou os amantes desse estilo
podem até começar a cantarolar sem se dar conta, de tão irresistível
a levada: "Eclipse de luna en el cielo, ausencia de luz en el mar.
Muy solo con mi desconsuelo, mirando la noche me puse a llorar...".
>
> Os bons tempos dessa época praticamente não mais existem.
Infelizmente estão relegados e estigmatizados ao atuais bailes da
saudade ou amblientes de escolas de dança de salão. E o disco de Luiz
Bonfá nesse contexto acaba se posicionando como um ótimo registro
sonoro destes, além de ser uma significativa amostra da criatividade
desse grande músico.
>
> Com sobriedade, o jornalista e compositor Fernando Lobo escreve na
contracapa do LP: "Depois que um homem descobre os segredos do seu
instrumento, faz dele asas enormes e pode voar pelo mundo que é seu e
sem fronteiras. É que o instrumento sabe contar dos ritmos de todos
os povos e de certo modo seduz o seu executante que com o correr dos
tempos e das horas pensa em seguir pelas estradas do mundo, que são
vastas e belas. Precisamente isto acaba de acontecer com LUIZ BONFÁ."
15 Dec '03 - 19:55 | zecarlo
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