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Genismo · Genismo - um novo paradigma

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Sociobilogia, segundo o Dicionario Cetico   Message List  
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Wed Sep 12, 2001 1:08 pm

jocax@...
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Copyright 1994-2000 by Robert T. Carroll

Extraido do Dicionário Cetico: www.cetico.hpg.com.br

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psicologia evolucionária (sociobiologia)

...a mente é um conjunto de máquinas de processamento de informações que foram projetadas pela seleção natural de forma a solucionarem os problemas adaptativos encontrados por nossos ancestrais caçadores-coletores.
--
Leda Cosmides & John Tooby

A mente é uma adaptação projetada pela seleção natural... E o objetivo final da seleção natural é a propagação dos genes.... Nossa mente é projetada para gerar um comportamento que teria sido adaptativo, em média, no nosso ambiente ancestral....
--Steven Pinker, How the Mind Works

As coisas vivas possuem partes que são claramente funcionais; elas estão lá por algum motivo. De fato, elas estão lá para a sobrevivência e a reprodução do objeto do qual fazem parte. Logo, um dos aspectos da vida é que ela é não só complicada, mas complicada de uma forma adaptativa. Mãos, rins, fígado, nariz, olhos, ouvidos etc. -- tudo é adaptado para alguma coisa.
--John Maynard Smith

A adaptação evolucionária é um conceito especial e oneroso que não deveria ser usado desnecessariamente, e um efeito não deveria ser chamado de função a não ser se tiver sido claramente produzido através de projeto, e não pelo acaso. Quando reconhecida, a adaptação deveria ser atribuída a um nível de adaptação não maior do que o exigido pelos indícios.
--George Williams,
Adaptation and Natural Selection [Adaptação e Seleção Natural]

No meu entender, a psicologia evolucionária poderia se tornar uma ciência frutífera se substituísse seu atual gosto pela especulação limitada, e freqüentemente estéril, pelo respeito pela gama pluralista de alternativas disponíveis, que são igualmente evolucionárias em status, mais prováveis em ocorrência real, e não limitadas à visão estreita de que as explicações evolucionárias precisem identificar adaptações produzidas pela seleção natural.
--
Stephen Jay Gould


Os psicólogos evolucionários parecem pensar que, já que os humanos são pré-programados para a linguagem, o uso do palavrão pode ser explicado nos termos da seleção natural.

A psicologia evolucionária é a sociobiologia fundamentada em pesquisas empíricas, excluindo a especulação a respeito dos primeiros seres humanos. Pelo menos isso é o que John Tooby e Leda Cosmides afirmam. Eles são a equipe marido-e-mulher da UC Santa Barbara que cunhou o termo em 1992. Tooby é o presidente da Sociedade do Comportamento e Evolução Humana (HBES), organização profissional da psicologia evolucionária.

A sociobiologia tirou o nome de Sociobiology: The New Synthesis (1975), de E.O. Wilson, naturalista e biólogo evolucionário, pretenso filósofo. Seu maior trabalho trata do estudo do comportamento e da evolução dos insetos. Suas especulações a respeito do comportamento humano deram origem à disciplina controvertida da sociobiologia que, sofrendo mutações no ambiente acadêmico, descobriu-se perfeitamente adaptada para o crescimento e expansão no departamento de psicologia.

A premissa fundamental da sociobiologia é que todo o comportamento humano possa ser explicado em termos de empenho para se atingir algum objetivo evolucionário. Não importa que a evolução não tenha nenhum objetivo, mas sim seja um processo cego, melhor caracterizado por mecanismos sem propósito que pareçam ter propósito após o fato. Para que tivesse um objetivo, a evolução teria que ser a intenção de um ser consciente. Ela só pode ter objetivos se assumirmos a existência de algum ser, ou um Deus Criador ou um universo consciente.

O principal objetivo da evolução, segundo os psicólogos evolucionários, é a reprodução. Aparentemente, qualquer comportamento humano pode ser visto como uma adaptação cujo propósito seria aumentar as chances de reprodução. Outro ponto de vista parece mais plausível. Como sugeriu Nietzsche: animais com uma forte compulsão sexual se reproduzem mais do que os que não a têm, mas eles não têm uma forte compulsão sexual a fim de se reproduzirem. Uma catarata pode parecer ter sido projetada com a finalidade de se criar uma bela queda de água, e se alguém quisesse estender a imaginação poderia ver as cataratas como adaptações, mas elas não o são. Se a sua espécie tem pelos, isso não se deve a uma adaptação. Seus predecessores sem pelos não sobreviveram ao frio e não geraram descendentes. Quanto mais frio se tornava, mais vantajoso era possuir pelos, e mais os peludos prevaleciam.

Dois exemplos dessa versão supostamente menos especulativa e mais empírica da sociobiologia são (1) A Natural History of Rape: Biological Bases of Sexual Coercion [Uma História Natural do Estupro: Bases Biológicas da Coerção Sexual] (2000) de Randy Thornhill and Craig T. Palmer e (2) The Culture of Critique: An Evolutionary Analysis of Jewish Involvement in Twentieth-Century Intellectual and Political Movements [A Cultura da Crítica: Uma Análise Evolucionária do Envolvimento Judaico nos Movmentos Intelectuais e Políticos do Século XX] (1998) de Kevin MacDonald.

o estupro como adaptação evolucionária

Thornhill e Palmer concordam que os homens são geneticamente predispostos ao estupro como estratégia primordial para a criação de uma maior prole. Logo, a fim de reduzir suas chances de ser estuprada uma mulher deveria procurar ser menos atraente. Não espere que os homens sejam capazes de fazer muito a respeito dessas compulsões, já que elas são "naturais" e parte da biologia e psicologia humanas. O comportamento de bandos de jovens machos atacando mulheres no Central Park após um desfile do Dia Porto-riquenho poderia parecer confirmar a afirmação de Thornhill e Palmer. No entanto, nem todos os homens se comportam como animais sem limites e amorais. Nem mesmo todos os homens heterossexuais com fortes compulsões sexuais agem comandados por essas compulsões desenfreadas. Muitos, senão a maioria, têm uma consciência e um senso de moral que os proibiria de atacar mulheres, mesmo sumariamente e provocantemente vestidas, mesmo se dúzias de outros homens não estivessem se contendo. Imagine o que esses estudiosos pensam que seja o propósito evolucionário da consciência ou da moralidade. Na verdade, sabemos o que eles pensam: a moralidade deve ser planejada de forma a perpetuar nosso DNA. Claramente, os homens morais que não estupram mulheres devem ter uma chance muito maior de disseminar sua semente para muitas gerações futuras. Ou talvez a moralidade seja um engodo criado pelos homens que não planejam seguí-la. O imoral poderia espalhar mais sementes se convencesse os outros a serem celibatários até o casamento, e monógamos durante o casamento, enquanto que eles (os imoralistas) aproveitariam todas as oportunidade para serem devassos.

Se Thornhill e Palmer estiverem corretos, pareceria um milagre que a espécie humana tivesse chegado a sobreviver. Dificilmente poderia existir uma tática mais estúpida para se criar e manter uma prole do que o estupro e fuga. As chances de se engravidar com um estupro uma mulher aterrorizada parecem muito menores que as de se estabilizar e fazer sexo com a mesma mulher por algum tempo. Se você quer espalhar seu sêmen, deve ficar por perto e proteger seu investimento. Assim você afasta o sêmen dos outros homens. Você escolhe parceiros que acredita que irão proteger e criar sua prole, assegurando que ela atingirá a próxima geração. Se ela não viver o suficiente para se reproduzir, sua semeadura terá sido em vão. Se Thornhill e Palmer tiverem dados que demonstrem que os estupradores possuem inteligência muito baixa, a teoria dos dois talvez seja promissora, porque, se disseminar o DNA for o propósito fundamental, os estupradores teriam que ser os membros mais estúpidos da nossa espécie.

a estratégia evolucionária judaica

MacDonald, professor de psicologia da California State Long Beach, também declara ser menos especulativo e mais empírico que os sociobiólogos. Assim mesmo, assume que os judeus possuem uma estratégia evolucionária monolítica para acompanhar sua cultura monolítica, parte da qual envolve o encorajamento do anti-semitismo a fim de manter o grupo unido. Segundo Tony Ortega do New Times Los Angeles

MacDonald sugere que a fim de combater o anti-semitismo, os judeus dominaram vários movimentos intelectuais europeus e americanos do século XX, como parte da sua estratégia evolucionária, às vezes chamando a atenção para não-judeus simbólicos a fim de disfarçar o controle, e que esses movimentos foram usados para atingir propósitos judaicos...

Psicólogo evolucionário, MacDonald afirma que os judeus se saem melhor nos testes de QI porque, por milênios, têm praticado o que se constitui num programa de eugenia, disfarçado como seu código religioso. Isso os fez não só mais espertos, mas melhores competidores na luta darwiniana pela sobrevivência -- que por outro lado produziu o ódio e o ciúme por parte dos não-judeus. O anti-semitismo, em outras palavras, não é um ódio irracional pelo povo judeu, mas um subproduto cientificamente compreensível do sucesso judaico.

Ortega especula que a principal prova de MacDonald para a sua teoria seja a experiência pessoal com colegas de universidade que eram judeus. MacDonald parece ter selado seu destino no campo acadêmico ao testemunhar a favor do negador do Holocausto David Irving.

a psicologia evolucionária explica tudo

A psicologia evolucionária acha fácil explicar o comportamento humano em termos de "sobrevivência do melhor adaptado." Basta assumir que um comportamento tenha o propósito de disseminar o próprio material genético de uma pessoa, e você terá os fundamentos dessa disciplina. Esse pressuposto, no entanto, é baseado em outro, mais especificamente no de que há um propósito para a evolução, o que não existe. A seleção natural não tem propósitos e não tem como objetivo disseminar material genético. Os indivíduos têm um impulso instintivo para sobreviver. Se um número significativo de membros de uma espécie não tiver uma forte compulsão para sobreviver, essa espécie não terá muita chance de sobrevivência. As espécies sobrevivem, em parte, porque os indivíduos possuem instintos e se comportam de maneiras que aumentam suas chances de sobrevivência. Elas não escolhem esses instintos ou comportamentos para preservar a espécie ou para assegurar que futuras gerações carreguem sua semente.

As teorias dos psicólogos evolucionários são explicações que, retrospectivamente, parecem plausíveis. Mas parecem carecer de um ingrediente chave para as teorias científicas: poder preditivo. Parecem ser mais ou menos tão úteis quanto o Código da Bíblia para predizer o futuro, embora ambos possam parecer ser capazes de retrodizer o passado. Nenhum parece ser particularmente útil para compreender o presente.

A psicologia evolucionária parece não ser fundamentada na biologia, embora seja verdadeiro que, dentre todas as ciências, a biologia seja a que mais usa modelos teleológicos. Órgãos são descritos em termos de seus propósitos. Mas eles não têm nenhum propósito. Fazem o que fazem e, se não o fizessem, ou o organismo não sobreviveria ou seria algo bem diferente. O coração bombeia sangue, mas não foi projetado para bombear sangue. Seu propósito não é bombear sangue; ele não têm nenhum propósito. Ele tem uma função, e nós a tomamos como um propósito.

De muitas formas, as especulações da psicologia evolucionária lembram a psicanálise. Explicam tudo, logo não podem ser testadas empiricamente. Nada jamais poderá refutá-las. Oferecem explicações aparentemente plausíveis, baseadas em especulações aparentemente plausíveis. Elas nos lembram o quão fácil é encontrar dados para confirmar praticamente qualquer hipótese, contanto que ignoremos indícios em contrário ou apresentemos hipóteses intestáveis. Parecem ser criadoras de mitos para acadêmicos.

Veja verbetes relacionados sobre predisposição para a confirmação e pseudociências.

leitura adicional

Alexander, Richard D. The Biology of Moral Systems [A Biologia dos Sistemas Morais] (Aldine De Gruyter 1987).

Mayr, Ernst. This Is Biology : The Science of the Living World [Esta é a Biologia: A Ciência do Mundo Vivente] (Belknap Press, 1998).

Mayr, Ernst. Toward a New Philosophy of Biology : Observations of an Evolutionist [Rumo a Uma Nova Filosofia da Biologia: Observações de Um Evolucionista] (Harvard University Press, 1989).

Williams, George C. Adaptation and Natural Selection : A Critique of Some Current Evolutionary Thought [Addaptação e Seleção Natural: Uma Crítica de Alguns Pensamentos Evolucionários Atuais] (Princeton University Press, 1996).

©copyright 2000
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2000-09-29

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Dicionário Céptico: psicologia evolucionária Copyright 1994-2000 by Robert T. Carroll Extraido do Dicionário Cetico: www.cetico.hpg.com.br psicologia ...
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