Cérebro "desliga" em resposta a oração de cura
da New Scientist
Quando as pessoas se deixam seduzir pela oração de uma figura carismática, áreas do cérebro responsáveis pelo ceticismo e vigilância tornam-se menos ativas. Essa é a conclusão de um estudo que analisou a reposta das pessoas a orações proclamadas por alguém que supostamente possui poderes de cura divina.
Para identificar os processos cerebrais subjacentes à influência de pessoas carismáticos, o estudioso Uffe Schjodt, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e seus colegas procuraram cristãos pentecostais, que acreditam que algumas pessoas têm poderes divinos de cura, sabedoria e profecia.
Utilizando ressonância magnética funcional, o pesquisador e seus colegas realizaram uma varredura nos cérebros de 20 pentecostais e 20 não crentes, enquanto tocavam orações gravadas. Os voluntários foram informados de que seis das orações foram lidas por um não cristão, seis por um cristão comum e seis por um curandeiro. Na realidade, todas foram lidas por cristão comuns.
A atividade cerebral monitorada pelos pesquisadores mudou apenas nos voluntários devotos, em resposta às orações. Partes do córtex pré-frontal e do córtex cingulado anterior, que desempenham papeis fundamentais de vigilância e ceticismo ao julgar a verdade e a importância do que as pessoas dizem, foram desativadas enquanto as orações ouvidas eram dos supostos curandeiros. As atividades diminuíram em menor medida quando no alto-falante falava, supostamente, um cristão normal.
O pesquisador disse que isso explica porque alguns indivíduos podem exercer mais influência sobre os outros, e conclui que a habilidade para isso depende fortemente de noções preconcebidas de sua autoridade e confiabilidade.
Não está claro se os resultados se estendem a líderes religiosos, mas Schodt especula que regiões do cérebro podem ser desativadas de forma semelhante em resposta a médicos, pais e políticos.
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da France Presse, em Washington O julgamento moral das pessoas pode ser alterado, a partir da afetação no funcionamento de uma parte do cérebro, revela um estudo publicado na edição da revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" desta semana. Cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) interromperam a atividade na junção temporo-parietal, uma área do cérebro situada acima e atrás do ouvido direito, e que é normalmente ativada quando pensamos no resultado futuro de um ato em particular. Os pesquisadores usaram um campo magnético aplicado no couro cabeludo para produzir uma corrente nesta área do cérebro, e pediram aos voluntários da pesquisa para que lessem uma série de situações relativas a questões morais. Café envenenado Em uma delas, uma pessoa chamada Grace e uma amiga dela visitam uma indústria química, quando Grace para em frente à máquina de café. A amiga pede que Grace leve café com açúcar para ela. Um recipiente ao lado da máquina de café, com a inscrição "tóxico", contém açúcar comum --mas Grace não sabe disso. Na verdade, ela acredita que o pó branco no recipiente é uma substância tóxica, mas mesmo assim a coloca no café que levará à amiga. Apesar disso, a amiga não sofre qualquer problema de saúde porque o pó de fato era açúcar. Os cientistas, então, pediram aos voluntários que avaliassem, numa escala de um a sete --sendo um "absolutamente proibido" e sete, "absolutamente permitido"--, quando julgassem o que Grace e outros protagonistas das situações expostas fizeram era moralmente aceitável. Maniqueísmo Dois experimentos foram conduzidos. No primeiro, pediu-se aos participantes que julgassem os personagens da situação após sua junção temporo-parietal ter sido afetada por pulsos magnéticos durante 25 minutos. No segundo, pediu-se que fizessem seus julgamentos enquanto submetidos a impulsos muito curtos de interferência magnética. Em ambos os experimentos, a alteração da atividade neurológica normal na junção temporo-parietal direita desativou o mecanismo de julgamento moral das pessoas relativo às crenças dos protagonistas. Com a junção temporo-parietal alterada, os voluntários se mostraram mais propensos a considerar moralmente aceitáveis tentativas frustradas de causar mal a outra pessoa do que os voluntários do grupo de controle cujo cérebro não foi estimulado. "Quando a atividade na jução temporo-parietal é alterada, os julgamentos morais dos voluntários se inclinam para uma 'mentalidade [do tipo] sem prejuízo, sem falta'" --ainda que os participantes tenham atribuído a personagens como Grace a menção de 'proibido' por acreditarem que suas ações poderiam causar mal, destacou o estudo.
Alteração de atividade cerebral modifica julgamento moral, diz estudo
Damian Dovarganes -1º.dez.08/AP 
Julgamento moral das pessoas pode ser alterado, a partir da afetação no funcionamento de parte do cérebro, revela estudo