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Ser humano dispara explosao evolutiva   Message List  
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BIOLOGIA – Folha de São Paulo, 7 de setembro de 2001

Introdução de antibióticos e herbicidas aumenta resistência de
organismos, induzindo "corrida armamentista"

Ser humano dispara explosão evolutiva
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL

O ser humano é hoje a força mais poderosa agindo sobre a evolução dos
seres vivos, como demonstra de maneira dramática o aumento da
resistência de organismos causadores de doenças e pragas agrícolas.

E se a medicina e a agricultura não encontrarem meios de reduzir o ritmo
desse processo evolutivo, o homem vai continuar às voltas com uma
"corrida armamentista" contra essas pestes que vai causar prejuízos
crescentes, já estimados hoje entre 33 bilhões a 50 bilhões de dólares
só nos EUA.

Os fatos básicos já estão disponíveis há vários anos. Mas a idéia de que
o homem precisa reduzir seu impacto na própria evolução biológica está
sendo formulada agora por autores como Stephen Palumbi, da Universidade
Harvard, autor de um artigo publicado hoje na revista "Science"
(www.sciencemag.org).

O artigo resume o livro de Palumbi publicado este ano, "The Evolution
Explosion: How Humans Cause Rapid Evolutionary Change", ou "A Explosão
da Evolução: Como os Humanos Causam Mudança Evolutiva Rápida".

Um dos casos citados por ele é a evolução da resistência a drogas do
vírus causador da Aids, o HIV.

"Alguns problemas são globais. Se um país tratar o HIV com apenas uma
droga, isso poderia gerar um país inteiro cheio de vírus resistentes a
essa droga, que poderiam se espalhar pelo mundo. Subestimar o potencial
evolutivo desse vírus é talvez o erro mais sério, e evitável, que nós
podemos fazer", disse Palumbi à Folha.
"O HIV evoluiu tão rápido que em dois anos ele estará tão diferente de
quando começou do que nós em relação aos chimpanzés."

São necessárias três coisas para que um organismo vivo evolua de acordo
com o processo chamado de "seleção natural darwiniana", obra do
naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882).

É preciso existir uma variação natural entre as características dos
organismos, esses traços devem conferir alguma vantagem para o indivíduo
e o traço deve ser hereditário, passível de ser transmitido de pai para
filho.

Ao usar apenas uma droga contra um organismo, o homem está praticando
uma forma de seleção, deixando vivos só os que têm resistência. Eles se
multiplicam e viram maioria na população.

Praticamente todas as doenças causadas por bactérias desenvolveram
resistência aos antibióticos usados contra elas, diz Palumbi. O
resultado é uma corrida armamentista, em que a indústria tenta criar
novos antibióticos, e as bactérias desenvolvem resistência.

Ele exemplifica com infecções por bactérias do gênero Staphylococcus,
que eram tratadas com penicilina, antibiótico introduzido em 1943. Já em
1946 notou-se resistência à droga. Criou-se um "efeito cascata": depois
se usou meticilina, que foi substituída por vancomicina e assim por
diante, à medida que surgia resistência.

"Em um hospital, esforços locais como seleção cíclica de antibióticos ou
lavar as mãos podem reduzir a incidência de resistência. Mas países onde
a disponibilidade de antibióticos nas farmácias é fácil têm índices
maiores de resistência, e isso só pode ser resolvido no plano nacional",
diz.

Ele sugere várias medidas para diminuir o ritmo da evolução induzida
pelo ser humano.
Em casos como o HIV, o certo é continuar usando várias drogas no
tratamento. É preciso ter certeza de que a dosagem certa está sendo
tomada pelo paciente.
Rotação de herbicidas e uso de métodos não-químicos de controle reduzem
o problema da resistência de ervas daninhas.

Deixar uma parte do campo sem plantas protegidas pode ajudar a diminuir
a resistência de insetos. Esses chamados "refúgios" mantém na população
de insetos as variedades não-resistentes, que se reproduzem com os mais
resistentes e ajudam a "diluir" na população os genes de resistência.








Mon Sep 10, 2001 6:32 pm

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