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Genismo · Genismo - um novo paradigma

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GAMETICA - A Etica como um jogo   Message List  
Reply Message #639 of 8116 |
GAMETICA - A Etica como um jogo
================================
Joao Carlos Holland de Barcellos ( ago/2001)

Como introducao a este artigo desejo citar dois trechos do livro do
Richard Dawkins - "O Gene Egoísta" que me passaram:

"Os homens e os babuínos evoluíram por selecção natural. Se examinarmos
a
forma como a selecção natural opera, parece sugerir que qualquer coisa
que
tenha evoluído por selecção natural deve ser egoísta. Se a nossa
expectativa
não se confirmar, se notarmos que o comportamento humano é
verdadeiramente
altruísta, estaremos diante de qualquer coisa intrigante, algo que
necessita
de uma explicação..."

"...Mesmo no grupo de altruístas haverá, quase certamente, uma minoria
divergente que se recusará a fazer qualquer sacrifício. Se existir
apenas um
rebelde egoísta, preparado para explorar o altruísmo dos restantes, ele,
por
definição, terá maior probabilidade do que eles de sobreviver e
procriar.
Cada um dos seus filhos terá tendência a herdar os seus traços egoístas.

Após várias gerações desta selecção natural, o grupo de altruístas será
dominado pelos indivíduos egoístas e será indistinguível do grupo
egoísta.
Mesmo admitindo o improvável acaso da existência inicial de grupos
altruístas puros, sem qualquer rebelde, é muito difícil ver o que
impedirá a
migração de indivíduos egoístas, provindos de grupos egoístas vizinhos
e,
por casamento cruzado, a contaminação da pureza dos grupos altruístas."


Eh clara a constatacao de que qualquer grupo de replicantes,
que evoluam por selecao natural, devam possuir uma dose
egoismo intrinseco.

Em especies que vivem em grupos sociais organizados, onde os
membros da especie sejam, em geral, ferteis, este egoismo nato
deve ser interpretado na sua forma ampla:
Um conjunto de capacidades de sentimentos anti-altruistas
entre os quais : o ódio , inveja, ciumes, desdém, desprezo,
nojo, avareza, vinganca entre outros.

Tais sentimentos egoistas, que eu costumo chamar de sentimentos
"malevolos", sao patrocinados pelo que eu chamei de "genes-malevolos".
Tais genes malevolos, permitiram que os individuos que os portavam
tivessem uma vantagem evolutiva em relacao aos nao portadores e,
atraves de muitas geracoes, estes genes acabaram por se fixar na
populacao de modo que devemos esperar que nestas sociedades todos,
em maior ou menor grau, sejam portadores.

Na especie humana, que vive em sociedade, com o advento da linguagem,
e da cultura (memes), estabeleceu-se uma moral que permitiu uma
reducao do conflito de interesses e, com isso, que a sociedade se
mantivesse num nivel organizacional relativamente estavel.

Mas seguir uma etica implica, muitas vezes, em reprimir os instintos
anti-sociais. Existe todo um espectro ou variabilidade de individuos
cada qual com uma maior ou menor capacidade de reprimir tais instintos
cobrindo toda a gama possivel da adaptabilidade social.

A capacidade de seguir a etica depende nao somente da constituicao
fenotipica do caracter do individuo como tambem do meio, ou seja,
da pressao em que o individuo eh submetido.

O fator de adaptabilidade social e capacidade de resistir as pressoes
do ambiente e reprimir os instintos tambem deve ser geneticamente
influenciado.

Nao podemos supor que a humanidade sempre teve a mesma capacidade
de seguir uma moral. Tal capacidade nao se fez sem que houvesse uma
pressao social para que fosse seguida. A pressao social eh feita
na forma de punicao aos que desrespeitassem as regras de conduta.

Sem uma penalidade imposta pelo grupo social ao infrator nenhuma
etica poderia existir. A etica sem punicao eh inocua.

Individuos que transgridem a etica social e sao descobertos
tem sua penalidade de alguma forma proporcional a sua infracao.
Uma penalidade sempre diminui o poder perpetuativo do infrator,
isto eh, tende a diminuir a possibilidade do infrator de perpetuar
seus genes em relacao ao individuo que nao sofre a punicao.

Assim, podemos perceber dois focos de pressao seletiva atuando sobre
o pool genetico em relacao aas emocoes:

1- A pressao seletiva no sentido de se respeitar as normas morais
vigentes sob pena de ser excluido/discriminado ou mesmo
punido pela sociedade.

Esta pressao selecionou o que eu costumo chamar de "genes sociais",
que conferem ao individuo uma maior ou menor adequacao aas normas
sociais e a capacidade de respeitar outros individuos do grupo
reduzindo desta forma os conflitos. Como exemplo , do lado oposto,
encontramos os chamados "animais selvagens" que, por nao viverem
num ambiente social, dificilmente sao domesticados e por isso,
quase sempre, sao mantidos enjaulados : dificilmente conseguem
ser domesticados ou seguirem algum tipo de regra de boas maneiras.

Um dos sub-produtos desta pressao seletiva para adequacao social
podem vir na forma de sentimentos ou emocoes como o remorso,
a vergonha , o pudor etc..



2- A pressao seletiva no sentido de *nao* se respeitar as normas no
intuito de se auferir vantagens evolutivas.
O individuo que consegue burlar a o sistema vigilante social
no sentido de auferir vantagens ou recursos as custas dos
outros, sem ser punido, tem naturalmente uma vantagem evolutiva
sobre os demais. Portanto existe uma pressao seletiva no sentido
de nao se respeitar a etica se as vantagens auferidas forem
suficientemente grandes para compensar o risco da punicao.

Individuos que tem a capacidade de auferir vantagens
evolutivas mentindo e usando todo tipo de estratagema para
nao serem descobertoe e nao serem punidos tendem portanto a
se tornarem mais bem sucedidos do que os que seguem as normas
rigorosamente. Existe uma forca, portanto, aos individuos
se tornarem perfidos e falsos.

Um dos sub-produtos desta pressao seletiva para a *nao* adequacao
social podem vir na forma de sentimentos ou emocoes como a cobiça,
a ganancia, a preguiça etc...


Eh importante notar que muito do que fazemos, no sentido
de respeitar ou nao a etica, esta em nossa capacidade de
refrear ou nao nossos impulsos.

Assim, todos os elementos do grupo social serao eternamente
pressionados por forcas antagonicas que por sua vez provocarao
conflitos e sofrimentos em seus elementos.

Haveria um modo de virar o jogo ?
Poderiamos de alguma maneira manter a coesao etica do grupo e,
ao mesmo tempo, tornar a vida menos repressora e mais feliz?

Existiria uma maneira de que nao sentissemos o peso da
responsabilidade moral e, *principalmente*, que nao fizesse
da **perfidia e da falsidade caracteristicas evolutivamente
vantajosas** ?

A reposta, felizmente, eh positiva desde que a sociedade
possua meios tecnologicos suficientes para tal empreitada.

A solucao para a retirada da pressao evolutiva que mantem
e etimula a falsidade a mentira e todos os sentimentos malevolos
que conferem vantagem evolutiva a seus possuidores
seria uma nova etica que eu batizei de GAMETICA.

A gametica eh a etica vista como um jogo e nao como um
dever moral.

Eh algo totalmente revolucionario e eu nao sei se um
dia a sociedade estara pronta para coloca-la em pratica.

Atualmente, em nossa sociedade, de niveis tecnologicos
embrionarios, esta etica eh claramente impossivel de ser
implantada. Mas no futuro podera nao ser assim.

A gametica propoe que a moral nao mais exista mas a etica sim.
Existiria as regras de conduta mas nao o dever moral de
pratica-las. O infrator nao seria visto como um ente malevolo
mas sim como um perdedor, que arriscou e perdeu.

Nao existiria o dever moral de seguir a etica mas sim
a necessidade de segui-la para nao ser punido.

A pessoa infratora nao seria vista como uma pessoa mah
e sim como uma pessoa que arriscou e perdeu e, como
foi descoberta, deveria ser punida. Como em um jogo.

Claro que um ambiente deste tipo soh seria possivel
onde os niveis de vigilancia fossem grandes pois haveria
inicialmente uma tendencia maior das pessoas cometerem
o ilicito ja que nao haveria mais pressao moral
para que agissem corretamente. A unica pressao a ser
considerada seria o peso da punicao que deveria ser
rigorosa o suficiente para desencorajar o ato anti-etico.

Com esta etica nao haveria a pressao seletiva para a
falsidade e perfidia pois todos seriam vistos como
"jogadores" que poderiam ou nao se arriscar.

A ideia desta etica eh seria fazer com que a pressao
seletiva que fortalece e mantem os genes que patrocinam os
sentimentos anti-sociais seja extinta colocando todos os
individuos no mesmo nivel de igualdade na competicao da vida.
Desta maneira o "falso" nao levaria vantagem sobre o "honesto"
pois nao haveria razao de o honesto agir honestamente
permitindo que o desonesto sempre levasse vantagem.

Mas esta etica soh seria possivel numa sociedade altamente
informatizada e vigilante onde qqr comportamento anti-social
pudesse ser detectado. Todos seriam "suspeitos" ateh prova
em contrario.
Todos seriam "jogadores" e saberiam as regras da nova etica
social. Arriscar quebra-las seria um simples risco ( e alto ) de ser
punido e nao um dever moral.

Nao sei se tal etica poderia algum dia ser implantada
de qualquer modo fica sendo mais um texto teorico
sobre uma nova etica : A Gametica.

[]s
jocax

PS: Artigo de comemoracao ao 1 ano da lista do Genismo
http://groups.yahoo.com/group/Genismo




Tue Aug 28, 2001 12:17 pm

jocax@...
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