JC e-mail 3677, de 09 de Janeiro de 2009.
15. Longevidade é resultado de falha celular, afirma estudo
Cientistas americanos descobriram dois processos vinculados ao
envelhecimento de ratos que revelam que a degeneração celular é
deliberada, e não uma falha gradual, afirma estudo divulgado ontem
pela revista Cell
"Existe um processo genético para que ocorra o envelhecimento",
explicou Howard Chang, professor de dermatologia e membro do Centro
Oncológico da Universidade de Stanford, na Califórnia. "É possível que
nos indivíduos que vivem mais de 100 anos haja uma versão menos
eficiente desse processo", acrescentou. No outro extremo, em crianças
com progeria (doença que provoca dramático envelhecimento precoce) os
componentes do processo são muito mais ativos.
Os pesquisadores analisaram duas proteínas. Uma é a molécula SIRT6, da
família de proteínas sirtuínas. Essa molécula está envolvida na
estabilidade genômica e na proteção dos extremos dos cromossomos,
chamados telômeros. Os cientistas descobriram que os ratos que não têm
a SIRT6 nascem normalmente, mas morrem com poucas semanas por causa de
uma rápida e múltipla degeneração orgânica similar à do envelhecimento.
A outra é a proteína NF-kappa B (ou NF-kb), que regula a expressão de
muitos genes, entre os quais os envolvidos no envelhecimento. A
expressão de muitos desses genes aumenta com a idade. Quando se
bloqueia a atividade da NF-kb nas células dérmicas de ratos idosos,
elas funcionam como se as unidades biológicas fossem mais jovens.
Leucemia
Outro estudo divulgado ontem concluiu que uma anormalidade genética
aumenta o risco de recaída entre crianças com a forma mais comum de
câncer infantil, a leucemia linfoide aguda. Quando há alterações no
gene IKZF1 (que cumpre importante papel no desenvolvimento de
linfócitos), o risco de recaída é triplicado na comparação com
pacientes sem a anormalidade.
O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, pode levar a
mudanças no tratamento-padrão, que tem um índice de 80% de cura. Cerca
de um quarto dos pacientes sofre recaída; 30% do grupo só sobrevive
por mais cinco anos.
Inicialmente, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de um
teste genético que identifique os pequenos pacientes com maiores
probabilidades de reaparecimento da doença, explicou James Downing, da
St. Jude Children's Research Hospital em Memphis, Tennessee, um dos
especialistas envolvidos na pesquisa. Identificadas, essas crianças
podem receber tratamento mais agressivo, como a intensificação da
quimioterapia.
(Efe e Reuters)
(O Estado de SP, 9/1)